Esperemos que o Miguel dê continuidade a esta elucidativa amostra da actual direita portuguesa, até porque material não falta:
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Exactissimamente
Passos Coelho, teórico e defensor do Estado social
Por mais penoso que seja, e é e será, ouvir Passos Coelho a tratar os portugueses como borregos, alguns de nós querem assumir a responsabilidade cívica de agir face ao aviltamento da República em curso. Na linha da frente dessa resistência, por inerência do sistema político, está a oposição. Mas a actual oposição é uma juliana de vícios antigos e mediocridades recentes. Salvam-se variados exemplos individuais, fragmentados e sem estratégia; afundam-se no marasmo e na desorientação as direcções partidárias. Pelo que há muito trabalho a fazer, e consiste ele em pensar.
Pensemos nesta parte do discurso que o primeiro-ministro e presidente do PSD teve a impudência de fazer em Setembro de 2013. Em cinco minutos, eis o enredo das suas mensagens:
– O Estado social é uma necessidade ética nascida com o 25 de Abril e o PSD não quer que ele ande para trás.
– O Estado social andou para trás nos últimos anos.
– O actual Governo está a melhorar o Estado social, conferindo-lhe mais justiça.
– O actual Governo vai resgatar o Estado social do seu atraso através da introdução de rigor, da redução dos custos do Estado e da descida de impostos quando tal for possível.
Citando a maior autoridade viva na matéria, aqui está uma falácia do camandro que é também um sofisma de arrebimbomalho. Passos começa pela farsa de se identificar com o projecto de regime nascido com a democracia, depois avacalha em modo carnavalesco a história dos últimos anos e acaba a gozar – literalmente – com os portugueses a quem retirou direitos, dinheiro, qualidade de vida, segurança e esperança.
Atente-se à passagem em que compara os aumentos feitos em algumas pensões mínimas com o congelamento dessas mesmas pensões decidido pelo anterior Governo em 2010 para ser aplicado em 2011. Em 2011. E que nos diz Passos Coelho acerca desse episódio? Que não pode levar a sério aqueles que em “tempo de abundância” congelaram as pensões mínimas e rurais e agora alegam que o actual Governo está a dar cabo do Estado social. São dois melros com um só tiro: o de o período de 2010 e 2011 ser um “tempo de abundância”, código passista que significa “tempo de despesismo e endividamento criminosos”, e o de estar a criticar os socialistas por terem assumido medidas duras de contenção e diminuição da despesa do Estado.
Todo o sentido discursivo do PSD desde que venceu as eleições é propositadamente ambivalente e contraditório, sucedendo-se os nós cegos na lógica por vezes com separação de apenas alguns segundos. Trata-se de uma técnica clássica de manipulação, onde se procura espalhar a confusão no interlocutor ou na audiência. Neste exemplo, o homem cujo projecto político se limita à obsessão em reduzir o Estado social custe o que (nos) custar vem dizer que é ele quem o está a salvar.
Não admira que se mostre tão divertido.
És tão estúpido, Postiga
Dúvidas existenciais
– Tendo em conta que este Governo já conta com dois ministros que foram para o Parlamento mentir sob juramento, será que podemos finalmente abandonar essa vetusta exigência imposta aos governantes que prestam declarações nas comissões de inquérito?
– O porco do Menezes é culpado de alguma coisa ou a CNE permite-lhe andar por aí a oferecer-se à populaça?
– Quem andou a espiar os telemóveis, computadores e outros meios da sede nacional no Largo do Rato durante as negociações com o PSD, levando a uma “fundada” queixa do PS à Procuradoria-Geral da República, foi mesmo o Sócrates, como a Helena Matos rápida e certeiramente sugeriu?
– Se ninguém em Portugal empachou dinheirinho com a compra dos submarinos, dado que nessa ocasião o Governo era constituído só por gente séria, não seria de enviar um email ou sms aos alemães a avisar para não se incomodarem connosco?
– Do que estará o Correio da Manhã à espera para começar a publicar os podres descobertos nas investigações do Ministério Público aos corruptos dos socialistas que encheram este pobre país de PPP’s criminosas e desnecessárias?
– Quanto tempo falta para o Correio da Manhã começar a publicar os podres descobertos nas investigações do Ministério Público aos gastos luxuosos, perversos e opulentos dos corruptos dos socialistas com os seus cartões de crédito e telefones estatais?
– Qual dos processos irá conhecer o seu desfecho ainda neste século, o do BPN ou o da Tecnoforma?
– Não dá mesmo para reabrir o processo Freeport? Não? Nem sequer com a Moura Guedes de volta à pantalha? Não?
Política de Verdade
Cavaco, pá, és igual ao Sócrates, diz o Pedro
A esquerda verdadeira não suporta a esquerda pura
Merece anotação que tudo o que o BE tenha para apresentar ao país nestas eleições autárquicas se confine à perseguição de candidaturas. Como não deixará de ser objecto de registo por todos os que vêem nestas eleições mais do que a pequenez dessa dimensão, que este tenha feito desta decisão o elemento central das conclusões da sua convenção autárquica e o eixo essencial da sua campanha eleitoral.
Dir-se-á com verdade que esta azáfama impugnadora poderá ficar para a história conhecida como a do recurso dos vencidos. Assim é. Deitando mão ao recurso julgado mais útil – o dos recursos judiciais de impugnação – o BE expôs à evidência um conjunto de concepções, posicionamentos e argumentos reveladores da inconsistência política que o caracteriza.
No arsenal de argumentos e pretextos sempre apresentados como os mais moralizadores e válidos, o BE não olhou a meios e bem menos ao rigor. Para o Bloco princípios constitucionais como o direito fundamental de acesso a cargos públicos em condições de igualdade e liberdade, o princípio da elegibilidade enquanto regra e o da inelegibilidade como excepção, o juízo da proporcionalidade entre o direito fundamental em causa e os interesses com ele concorrentes, são chão que deu uvas.
No vale tudo argumentativo, o Bloco recorreu sempre pelo lado dos vencidos: assumiu objectivamente o que de mais reaccionário a Revolução Branca propagandeou e promoveu, até esta ser desautorizada e vencida, quer por acórdão do Tribunal Constitucional sobre as providências cautelares, quer pela ilegitimidade superveniente para lhe dar seguimento no processo eleitoral; […]
Passos Coelho, aquela galinha
Pasmai e arrependei-vos, homens de pouca fé, perante a obra do Pedro por essa Europa fora
Que cambada de maricas, estes irlandeses xuxas
La Constitution, c’est moi
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Nous ne trouvons guère de gens de bon sens, que ceux qui sont de notre avis.
François de La Rochefoucauld
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Passos Coelho, no exercício do mandato de primeiro-ministro, declarou que tanto o Presidente da República como o Tribunal Constitucional eram falhos de bom senso. Em ordem a podermos avaliar da justeza, sequer inteligibilidade, da sua opinião, temos de chegar a algum acordo mínimo do que signifique a expressão. E só há três possibilidades:
a) Bom senso como equivalente à faculdade racional comum à condição antropológica, o sentido que a expressão tinha em Descartes quando a carimbou como a coisa mais bem distribuída do mundo.
b) Bom senso como saber de experiência feito, nascido da e para a vida prática, o sentido que tinha na Grécia clássica sob a designação de phronesis.
c) Bom senso como pináculo da actividade intelectual, equivalente a sabedoria, saber, domínio das verdades últimas e absolutas.
É fácil de ver que tanto a primeira como a terceira acepção não atravessaram o airado bestunto do Pedro quando lavrou a sentença. Pelo que nos resta o sentido relativo àquilo que os romanos traduziram do grego como prudentia. Acontece que estes amigos são também conhecidos por terem sido os criadores da ciência do direito; a qual se começa por chamar jurisprudentia, levando a que o jurista romano assuma o nome de prudens. Estamos, portanto, destinados a lidar com a prudência sempre que lidarmos com o universo, as dimensões, as lógicas, as matérias e as consequências da aplicação do Direito. E por excelentes razões, dada a para sempre desmesurada complexidade de qualquer acontecimento humano. Ou seja, uma crítica que aponte para a falta de bom senso de um magistrado ou tribunal é rigorosamente igual à crítica que aponte para a sua falta de prudência. E declará-los privados de prudência é exactamente igual a declará-los ilegítimos, pois a prudência é a essência e condição sine qua non da interpretação das leis e da elaboração dos juízos que dela decorrem.
Creio não estar a exagerar ao dizer que ninguém jamais esperou ouvir de um primeiro-ministro português que um qualquer tribunal ou juiz não tinha bom senso. É que a fazer fé nesse primeiro-ministro, então toda a actividade passada, presente e futura desse tribunal ou juiz fica posta em causa. Vejamos, será que a falta de bom senso do Tribunal Constitucional começou apenas neste acórdão da requalificação de trabalhadores em funções públicas? Tendo em conta que se trata do mesmo primeiro-ministro que já viu outros chumbos pelo mesmo tribunal a propostas suas, é provável que lhe tenha ocorrido desabafo igual nessas ocasiões. Mas podemos e devemos ir mais longe. Se o Tribunal Constitucional revela falta de bom senso em 2013, 2012 e 2011, não terá também maculado as suas decisões anteriores por causa da mesma maleita, sendo que nessa altura ninguém denunciou o escândalo porque não tiveram a coragem que o Pedro exibe de peito cheio para os seus meninos aplaudirem? E no futuro, teremos de perguntar ao Pedro o que acha das posteriores decisões desses juízes para descobrirmos se continuam em carência de senso, daquele do bom, com sabor a laranja? O assunto parece sério – eu, na minha irredutível ingenuidade, diria que o assunto é gravíssimo – mas talvez não seja, a avaliar pelas reacções nos agentes políticos, na imprensa e no espaço público.
Se a mesma declaração tivesse saído da boca de um político socialista, veríamos uma romaria de direitolas indignados a fazer um banzé que daria para semanas de gasto. Se esse socialista calhasse ser primeiro-ministro, era um festival de programas de televisão e vagalhos de comentadores na comunicação social a denunciarem a infâmia cometida contra o Estado de direito, a Justiça, a democracia, a liberdade e a milenária tradição ocidental. E se esse socialista primeiro-ministro respondesse pelo nome Sócrates, seria um espectacular pandemónio. Haveria votos de protesto no Parlamento, ajuntamentos de 30 valentes vestidos de branco na Assembleia da República durante um bocadinho antes de seguirem para o merecido almoço, notícias de um profundo mal-estar em Belém, repetidas declarações de Cavaco a louvar o Tribunal Constitucional e os juízes portugueses e finalmente a marcação de um Conselho de Estado para se debater o inacreditável imbróglio de haver um primeiro-ministro que se considerava política, moral e institucionalmente superior a dois órgãos de soberania.
Passos Coelho é alguém que revela uma apetência para o chinelo e para a parvoeira indigente que nos tem dado muito que rir nos intervalos em que não estamos em estado de choque com as avarias do homem invulgar. Mas esta de reduzir oficial e publicamente o Presidente da República e o Tribunal Constitucional a um grupo de estúpidos é algo verdadeiramente histórico. Vai na volta, ele é que a sabe toda e poderá continuar a achincalhar o regime como bem lhe apetecer. Até porque, a este nível da relação entre os pilares da República em causa, “quem cala, consente”.
Este italo-luso-americano é o nosso Colombo
Numa coisa Passos Coelho tem toda a razão
Exactissimamente
Revolution through evolution
Men Feel Worse About Themselves When Female Partners Succeed
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Shopping in High Heels Could Curb Overspending
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Sweaty Palms and Racing Heart May Benefit Some Negotiators
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Just Thinking about Science Triggers Moral Behavior
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Research links children’s psychological problems to prolonged screen time
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Conspiracy Theories May Put Children’s Health at Risk
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In the Face of Trauma, Distance Helps People Find Clarity
Variações em mete dó maior
Já alguém se lembrou de perguntar aos mais de 900 mil desempregados no país do que lhes valeu a Constituição até hoje?
Pedro, um bom rapaz que foi eleito para acabar com o regabofe constitucional
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Já alguém se lembrou de perguntar aos mais de 900 mil desempregados no país do que lhes valeu o direito de voto até hoje?
Já alguém se lembrou de perguntar aos mais de 900 mil desempregados no país do que lhes valeu a liberdade de expressão até hoje?
Já alguém se lembrou de perguntar aos mais de 900 mil desempregados no país do que lhes valeu a separação de poderes até hoje?
Já alguém se lembrou de perguntar aos mais de 900 mil desempregados no país do que lhes valeu o Sistema Nacional de Saúde até hoje?
Já alguém se lembrou de perguntar aos mais de 900 mil desempregados no país do que lhes valeu o Sistema Educativo até hoje?
Já alguém se lembrou de perguntar aos mais de 900 mil desempregados no país do que lhes valeu a Sistema Judicial Português até hoje?
Já alguém se lembrou de perguntar aos mais de 900 mil desempregados no país do que lhes valeu a cidadania portuguesa até hoje?
A constituição de Poiares Maduro
Ora, deixa cá ver. O Tribunal Constitucional, se continuar a insistir em interpretar a Constituição de acordo com a melhor jurisprudência que for capaz de produzir, estará a pôr em risco a democracia para as gerações futuras. Isto é dito por um marmanjão que representa a cobiça e a traição de um partido que boicotou com mentiras sistemáticas uma solução para Portugal que pretendia evitar o presente retrocesso geracional levado a cabo por fanatismo ideológico e prepotência internacional. Um partido que sacrificou o futuro de milhões de pessoas na sofreguidão de ir ao pote.
Poiares Maduro reclama conhecer os interesses das gerações futuras e ambiciona ter um Tribunal Constitucional que se sujeite à sua interpretação. Maduro quer moldar o presente e ver-se livre do passado. Ao invocar um enigmático “espaço europeu” – que não se sabe o que seja, nem se acredita que ele consiga definir – como bitola para os neurónios dos juízes portugueses, este neófito da elite laranja mostra mais uma vez a sua verdadeira constituição.