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Democracia, cresce com o uso

Desde os anos 80 que se regista um aumento da abstenção em todas as democracias europeias. E o grupo etário que cada vez vota menos é o do eleitorado mais jovem. Causas? As que têm sido repetidas à exaustão: aumento da desconfiança nos Governos e descredibilização dos políticos, aumento da complexidade dos problemas políticos e diminuição da soberania pelo crescimento da globalização e da integração europeia numa entidade supranacional, violência e irresponsabilidade da imprensa na exploração mediática dos escândalos com políticos cujo sensacionalismo ofusca e anula a discussão das questões da governação e impõe a tirania das alienantes lógicas do consumo da imagem e do voyeurismo sobre a privacidade das figuras públicas. Os políticos são dados como incompetentes e corruptos pelo simples facto de estarem na política, eis o que se cristaliza nesta cultura populista alimentada pela indústria da política-espectáculo e pelos grupos e ideologias extremistas para quem o centro político, a comunidade e a racionalidade são os alvos a abater.

As consequências são vastas. Por um lado, as populações tendem a ficar apáticas à medida que se vão sentindo enganadas pela discrepância entre as retóricas eleitoralistas e a realidade da prática governativa. O valor psicológico do voto diminui perante a percepção de ter cada vez menos influência na decisão dos Executivos, podendo até gerar um cálculo em que é mais compensador para o indivíduo abandonar por completo o esforço de entender o mundo à sua volta e mergulhar numa ignorância voluntária. Por outro lado, as crises económicas e sociais são o combustível perfeito para a erupção dos populismos e seu cardápio de violação dos direitos humanos, ódio às Constituições democráticas e desprezo pelo Estado de direito.

É a democracia que está ameaçada, pois, como sempre esteve e estará. E se não conhecemos ninguém que tenha qualquer solução pronta a aplicar para este tempo histórico e seus desafios onde nos calhou a vez de ser, há pelo menos algo que permanece imutável desde que as pedras começaram a ser lascadas por mãos iguais às nossas: no que venha a acontecer neste ponto ridículo e glorioso do Universo, uma parte será aquela que quisermos que seja. Mas qual?

A doença que a direita espalhou para conseguir meter as beiçolas no pote

Neste domingo, Sócrates voltou a reafirmar que convidou Passos para um Governo de coligação em 2010, e que esse convite foi recusado várias vezes, apesar da evidente vantagem para o interesse nacional em atravessar a crise das dívidas soberanas com o máximo de estabilidade política possível. Disse mais: desafiou Passos a desmenti-lo e aos factos que apresentou. Estas últimas declarações de Sócrates não tiveram rigorosamente nenhum eco na imprensa, creio. Todavia, a serem aceites apaticamente pela sociedade o corolário é o de toda a gente saber que o primeiro-ministro é um mentiroso que já nem perde uma caloria a tentar defender-se de quem o expõe como o traste que é, primeiro, e o de toda a gente se estar a marimbar por ter como primeiro-ministro um traste que já nem perde uma caloria a tentar defender-se de quem o expõe como o mentiroso que é, depois. E este espectáculo com o alto patrocínio de Sua Excelência o Senhor Presidente da República.

Do PCP ao CDS, das universidades às celebridades, o que se contempla é uma comunidade moralmente destruída.

Revolution through evolution

Domestic violence victims may also face chronic health conditions
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Reading this in a meeting? Women twice as likely as men to be offended by smartphone use
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Learning new skills keeps aging minds sharp
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Spatial, Written Language Skills Predict Math Competence
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Time Is Ripe for Fire Detection Satellite, Say Scientists
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Wind Power Proves Effective CO2 Saver
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Internet Users More Likely to Engage in Cancer-Preventive Behaviors
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Anxiety Increases With Online Health Searches
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Participation in Mindfulness-Based Program Improves Teacher Well-Being
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Why gender equality is not just about equal rights

Gravidade

Ouvir Passos Coelho, no Parlamento, como primeiro-ministro, a castigar o uso de suposta demagogia e suposto populismo, ele que chegou ao Parlamento e a primeiro-ministro única e exclusivamente por ter um percurso onde a sua demagogia e o seu populismo foram o que afundou Portugal e lhe deram a vitória eleitoral, é grave, pois claro que é.

No entanto, contudo, porém, não chega a ser tão grave como a suspeita de que Passos poderá estar tão mentalmente desgastado e perturbado que já nem sabe quem é.

Misericórdia para os bandalhos

Esta peça é maravilhosa, muito obrigado CMTV. Nela ficamos a saber que Santana é, ainda hoje e desde sempre, um grande amigo de Sócrates. Mais: é fã. E que Santana é um daqueles raros políticos que abominam as insinuações sobre a vida privada, que nunca mas nunca as fez na sua carreira. Porém, em 2005, viu-se obrigado a lançar um cartaz onde a JSD perguntava à população se sabia mesmo quem era Sócrates porque, como explica em 2013, ao tempo ainda ninguém conhecia aquele secretário-geral do PS, apenas um dos ex-ministros e ex-secretários de Estado com mais notoriedade dos Governos de Guterres. E quanto às campanhas negras, elas são obra dos próprios socialistas, mais especificamente dos soaristas, revela Santana agitando as provas na mão. No entanto, se elas foram lançadas é porque não há fumo sem fogo, logo cada um que tire as suas conclusões… né, pessoal?…

Talvez os momentos mais elucidativos não só do homem, não só do partido onde é uma figura grada e histórica, mas de uma oligárquica cultura de conquista do poder onde vale tudo, sejam os relativos ao Freeport. Aí, Santana explica que o “caso Freeport” não podia ter nascido por sua iniciativa em 2004 pois os factos remontavam a 2001 e 2002. Sim, exactamente. E contemple-se, ao minuto 23, o sorriso de satisfação, o impante ar de gozo, com que jura não ter dado ordens a ninguém, que ele não abriu a boca. É impossível não acreditar no que nos está a dizer e será 300% seguro pôr as mãos no fogo por esta declaração, um clássico da literacia televisiva. Contudo, como José Carlos Castro insistisse numa linha de argumentação socrática, perguntando se Santana não era o único e directo beneficiário do lançamento das suspeitas e calúnias sobre o Freeport, o nosso guerreiro menino despachou a coisa chamando estúpido ao jornalista e garantindo que o caso Freeport acabou por ajudar Sócrates a conquistar a maioria absoluta. Genial!

A Misericórdia poderá acolher os bandalhos que quiser, e colocá-los no topo da instituição onde até poderão ser úteis à sociedade, sabe-se lá. Na política devemos abdicar de qualquer laivo de misericórdia para com estes bandalhos que emporcalham a cidade. Se nos restar algum respeito próprio, óbvio.

Pedro e a hermenêutica

Passos Coelho negou hoje o convite para salvar Portugal através desta fórmula:

Gostaria de dizer que tal convite nunca me foi dirigido.

Em ordem a conseguirmos descodificar o que pretende dizer, aqui vai outro exemplo da sua capacidade de expressão:

O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, reafirmou ontem em Viana do Castelo que não irá “viabilizar as medidas do Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC)” anunciadas sexta-feira e acusou o Governo de não “passar cartão a ninguém”.

“A oposição, reunida na véspera a discutir uma moção de censura no parlamento, não soube de nada. Eu próprio recebi um telefonema apenas na véspera a avisar que iam ser apresentas novas medidas de restrições. Os parceiros sociais que estiveram reunidos em concertação social com o Governo foram também surpreendidos”.

Para Pedro Passos Coelho “não é normal em democracia o desprezo pelas instituições e pelas pessoas” que o Governo tem demonstrado neste processo. “É uma falta de cultura democrática que temos que ultrapassar no futuro”, afirmou Passos Coelho.

“Nós honramos a nossa palavra”, garantiu Passos Coelho.

De facto, o carácter de Sócrates tem muito que se lhe diga

Ângelo Correia, numa declaração que ainda não foi desmentida por ninguém, afiança que isto aconteceu:

No segundo mandato, José Sócrates terá oferecido a Pedro Passos Coelho o lugar de vice-primeiro-ministro com a garantia de que não se recandidataria às eleições seguintes, mas o actual chefe de Governo declinou o convite.

Sócrates abdicava de concorrer a eleições só para garantir uma solução governativa que melhor defendesse o interesse nacional. Passos preferiu trair o interesse nacional provocando o resgate só para forçar eleições.

Catroga diz

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Catroga diz que Sócrates devia estar a ser julgado em tribunal

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Catroga EDP

O economista Eduardo Catroga afirmou hoje que a negociação do programa de ajuda externa a Portugal «foi essencialmente influenciada» pelo PSD e resultou em medidas melhores e que vão mais fundo do que o chamado PEC IV.

Numa declaração aos jornalistas, em nome do PSD, Eduardo Catroga considerou que a revisão da trajetória do défice foi uma «grande vitória» dos sociais-democratas.

Afirmou ainda que o PSD terá autonomia, se for Governo, para substituir eventuais «medidas penalizadoras para os portugueses» do programa de ajuda externa a Portugal por outras que cumpram os mesmos objectivos.

3 de Maio, 2011

Nós adoçámos a pílula amarga que era o PEC4. Portanto, diria que aquilo de mau que existe no programa da ‘troika’ é um aprofundamento do PEC4, aquilo que de bom existe são as preocupações sociais, as medidas viradas para o crescimento, competitividade e emprego. Portanto, aí ficou demonstrado quem é que influenciou positivamente a pílula amarga que o país é obrigado a suportar por culpa exclusiva dos governos do senhor José Sócrates.

O coordenador do programa eleitoral do PSD disse ainda que os social-democratas não defendem «em princípio» o aumento de impostos. «O presidente do PSD disse sempre que só em última instância [defenderia o aumento de impostos] para evitar o corte de pensões ou salários. Mas pensamos que isso não vai ser necessário», acrescentou Eduardo Catroga.

9 de Maio, 2011

O coordenador do programa eleitoral do PSD deixou no Fórum TSF a garantia de que os social-democratas não vão subir a taxa máxima do IVA, defendendo que é preciso respeito pelo bolso dos contribuintes. Não há aumentos na carga fiscal e no IVA, esclareceu Catroga. Declarações de um independente que pretende continuar a ajudar o PSD e o país, sem mais pretensões.

9 de Maio, 2011

Eduardo Catroga diz que os políticos e os jornalistas estão desviados da discussão das questões estruturais do país e que se andam a discutir «pentelhos».

O representante do PSD nas negociações com a troika acusou ainda os jornalistas de não discutirem «quais são as medidas do sistema de justiça, como é que vão reforçar o poder dos directores das escolas, como vão reforçar o ensino técnico-profissional que vai ser uma revolução, etc». No que toca à Função Pública, «vamos reduzir o Estado paralelo, promover serviço público, apostar nos recursos. Queremos dignificar os directores-gerais, espezinhados nos últimos anos pelos assessores.”

«A minha geração só fez porcaria nos últimos 15 anos»

12 de Maio, 2011

Eduardo Catroga, numa entrevista ao Público, publicada na quarta-feira, refere, a propósito dos dados das últimas sondagens: “Repare: o Hitler tinha o povo atrás de si até à derrocada, até à fase final da guerra. Faz parte das características dos demagogos conseguirem arrastar multidões. José Sócrates, honra lhe seja feita, é um grande actor, um mentiroso compulsivo, que vive num mundo virtual em que só ele tem razão”.

12 de Maio, 2011

Eduardo Catroga critica a atitude do Governo que se «apresenta como vítima e como vencedor de uma negociação que foi sobretudo negociada pelo maior partido da oposição». «O PSD deu um grande contributo para este processo. Portugal vai ter uma grande oportunidade para fazer as medidas que se impõe, para dar esperança», disse ainda.

«Tivemos uma reunião altamente frutuosa com a troika, que percebeu a nossa atitude diferenciadora, de defesa do Estado social. O PEC 4 ataca pensões, não falava em reduzir o gordo estado paralelo…»

3 de Maio, 2011

Catroga EDP

Ex-braço-direito de Pedro Passos Coelho nas negociações com a troika ganhará uma remuneração de 639 mil euros. Um ordenado mensal superior a 45 mil euros, que acumulará com uma pensão de mais de 9600 euros.

Catroga diz que não sabe quanto vai ganhar na EDP

Exactissimamente

Quando a direita tem medo de perder o poder, ela começa a induzir a sociedade a não gostar da política, começa a dizer mal da política. Temos de ter a coragem de dizer à juventude que, em vez de largar a política, deve entrar na política, para que o jovem venha a ser o político com que sonha. É preciso politizar a juventude. Se ninguém presta para você, entre você na politica.

Lula da Silva, Outubro de 2013, Portugal

Pelo design é que vamos

PS revoga corte das pensões quando for Governo

PS promete revogar cheque-ensino anunciado pelo Governo

Seguro promete revogar lei de reorganização das freguesias

PS revogará Lei do Arrendamento quando for Governo

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Estes são alguns exemplos de compromissos assumidos pelo PS enquanto oposição. E nada impede que a lista vá aumentando, óbvio. Qualquer decisão deste Governo pode vir a ser alterada por outro Governo. Chama-se democracia ao sistema que permite tais avarias e consertos (com ou sem concerto). Mais, nada impede que qualquer partido faça o mesmo. Do Partido Ecologista “Os Verdes” ao Partido Nacional Renovador, passando pelo Partido Popular Monárquico e pelo Partido pelos Animais e pela Natureza, mais os restantes que existem ou venham a existir, seria de uma utilidade meridiana saber o que fariam com o Governo nas mãos. Da minha parte, fantasio lubricamente com o que seria a governação do PCP tendo os camaradas uma maioria absoluta para esfregarem nas fuças do capital e do imperialismo americano. A minha maior dúvida, neste cenário, é a seguinte: quanto tempo demoraria até o Comité Central perceber que sem uma polícia política a contra-revolução burguesa continuaria a adiar a libertação dos camponeses, operários e marinheiros?

O senso comum diz-nos que são poucos os eleitores que chegam ao ponto de sequer ler os programas dos partidos em que votam, quanto mais estarem a ler programas de partidos em que não votam só com o propósito de fazerem comparações ou descobertas. Os factores tribais, afectivos, irracionais, prevalecem sobre os racionais, a que se junta a dificuldade cognitiva para assimilar tanta e tão complexa informação despejada em períodos eleitorais e para resistir à pressão das retóricas inflamadas e dos populismos larvares ou opressores. Mas o benefício de conhecer o mais detalhadamente possível os programas dos partidos que se propõem influenciar as nossas vidas permanece intacto apesar desta realidade civicamente desoladora – especialmente para aqueles infelizes que não sabem o que fazer com a sua soberania e respectivos direitos e poderes.

Eis uma daquelas situações em que o problema se resolve pelo design. Basta que se forme um grupo de três ou quatro pessoas, sejam profissionais da imprensa ou espontâneos da sociedade, que comece a recolher as respostas de todos os partidos a todas as perguntas que os cidadãos queiram fazer-lhes e as tratem sistematicamente. Tu, partido, queres manter-nos no euro? Ficar na União Europeia? Pertencer à NATO? Como é que pretendes reduzir o défice? E aumentar o investimento? E diminuir o desemprego? E fazer crescer as exportações? E garantir as reformas? Quanto é que vou ganhar daqui a 1 ano, e 2, e 4 contigo a mandar nisto? Como é que vais resolver os problemas da Justiça? E os da Educação? E os da Saúde? Para cada pergunta, desde que considerada relevante, os partidos dariam a resposta que entendessem – fosse inequívoca, equívoca ou vazia. O trabalho deste grupo seria o de facilitar ao máximo a leitura comparativa das respostas e o de garantir a sua máxima actualização.

Imaginemos que um partido qualquer, mas partido tomado por filhos da mãe, entrava numa deriva demagógica insana e insanável. Por exemplo, prometia resolver os nossos maiores problemas sem dor, bastando apenas boicotar um acordo europeu que defendia o interesse nacional, cortar nas “gorduras do Estado” e ostracizar um certo indivíduo. E que depois ganhava as eleições, pois o povo ainda conserva o perigoso hábito de acreditar em pulhas e bandalhos. Ora, a simples consulta da tabela de respostas permitiria a lembrança diária de quanto cada um tinha sido, e estava a ser, enganado.

Eis uma das principais consequências da aplicação dos princípios do design, a forma como protegemos a democracia segue a função que nela queremos assumir.

A petição que adoraria assinar

Eis a maior petição registada em peticaopublica.com: Recusamos a presença de José Sócrates como comentador da RTP. Reuniu, até este momento em que escrevo, 136 673 assinaturas, mais de 40 000 acima da petição em segundo lugar, um populismo qualquer, e quase 60 000 acima da petição em terceiro lugar, uma animalidade qualquer. No texto peticionário, lê-se:

Nós, cidadãos e contribuintes portugueses, declaramos por este meio, que recusamos a presença do Ex-Primeiro Ministro José Sócrates em qualquer programa da RTP, televisão essa que é paga com dinheiros públicos dos contribuintes que sofrem do resultado da má gestão deste senhor. Recusamos liminarmente o branqueamento das acções deste senhor através da TV dos actos de despesismo e gestão danosa, que fez com este país andasse para trás, e não para a frente.

Não vamos agora começar a discutir se andar para a frente será assim tão mais melhor bom do que andar para trás, mas lá que há situações em que só os broncos continuam firmes no propósito de dar literalmente um último passo em frente, lá isso há. Nem vamos comentar a qualidade deste português genuinamente passista. O que podemos dizer com certeza absoluta é que a mole das petições elegeu como questão mais gravosa das suas vidas a presença de Sócrates na RTP, aos domingos, durante 20 minutos e sem cobrar nada por isso. E porquê? Por razões do foro moral e judicial. Esta multidão está convencida de que Sócrates é autor de “actos de despesismo e gestão danosa”. Pois bem.

Pois muito bem. Excelente. Pelo menos 136 673 bacanos deram-se ao trabalho de martelar o teclado para a catarse de se imaginarem a calar alguém que odeiam. São gostos. Mas. Isto é. Ora, não seria preferível gastarem as suas energias exactamente para a finalidade contrária, obrigar Sócrates a falar? Não seria do seu mais alto e primeiro interesse que Sócrates fosse obrigado a assumir a sua culpa? Por que razão esta turbamulta de gente séria não fez, nem fará, uma petição a exigir que Sócrates seja obrigado a ir à RTP discutir com representantes sérios da gente todo o seu passado como governante, um passado pelos vistos tão vergonhoso, tão escandaloso, tão asqueroso que até um galfarro acabado de entrar na JSD seria capaz de esmagar o verme nojento, o anticristo, tamanho o caudal das evidências?

Passos Coelho, Marques Mendes, Duarte Marques, por exemplo, já se manifestaram publicamente a favor do julgamento criminal de Sócrates & pandilha. Outras figuras do PSD e CDS, idem. Comentaristas do laranjal, ui. Então, de que estão à espera? Se a Justiça não actua, se os tentáculos socráticos são tão poderosos e perversos que até conseguem dominar um Presidente da República, um Governo, uma maioria parlamentar e uma procuradora-geral da República, os bravos têm de se chegar à frente. Vejamos, não seria possível reunir Marques Mendes, Abreu Amorim, Helena Matos, Medina Carreira e a Moura Guedes para a mãe de todas as discussões na TV, levando a que Sócrates tivesse ou de comparecer perante estes monumentos à inteligência, boa-fé e decência ou de fugir cheio de medo do confronto com a verdade como o cobardolas que é?

Bom povo da direita, que andas a sacrificar o teu precioso tempo para nos salvares do Estado social e da Constituição, se precisares de ajuda para escrever o texto dessa petição que levará Sócrates a ser massacrado na televisão e em directo, conta comigo.

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