Arquivo da Categoria: Valupi

Revolution through evolution

Partisan lenses: Beauty lies in your political affiliation

Is reheated pasta less fattening?

Cadavers beat computers for learning anatomy

Myth-conceptions: How myths about the brain are hampering teaching

Price Check: Cost Doesn’t Signal Quality

How to Solve the Nation’s Math Crisis? Tap into Everyday Examples of Calculus in the World Around Us

Uncertain Reward More Motivating Than Sure Thing, Study Finds

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Cadê o fact-checking?

A primeira vez que a imprensa portuguesa se apressou a fazer um fact-checking deveu-se à entrevista de Sócrates que marcou o seu regresso às lides políticas, agora como comentador. Percebe-se porquê: Sócrates foi sempre um ódio de estimação dos jornalistas, fosse por razões ideológicas tanto de direita como de esquerda – recorde-se o circo de extremistas e fanáticos que rodeava Moura Guedes na TVI no auge da exploração do Freeport, a extrema-direita abraçada à extrema-esquerda nas batidas nocturnas de archote e chicote na mão -, fosse por agendas partidárias, fosse por reacções primárias nascidas da inveja, da soberba, do rancor ou do complexo de inferioridade.

Então, nesses idos de 2013, o regresso de Sócrates correspondia ao regresso do maior mentiroso da História de Portugal. Seria canja apanhá-lo, pois a campanha de assassinato de carácter desenvolvida contra ele postulava que o homem era um mentiroso patológico. Um mentiroso patológico que, por isso mesmo, seria corrupto sem carência de provas e, portanto, tinha levado o País à bancarrota por ser corrupto e mentiroso. Um louco. Esta cassete tocou sem parar, em toda a comunicação social, durante anos – e anos de uma crise de que quase já não havia memória viva de outra equiparável na sua dimensão.

Pois bem, quais foram as mentiras de Sócrates? Tendo em conta que este blogue sempre atraiu taralhoucos e broncos em número avultado, os quais chegam aqui com informação de qualidade acerca das maldades desse génio do mal, peço o favor de as listarem. Prometo que lhes darei destaque integral após concluirmos a recolha.

O objectivo é compararmos factos. Por exemplo, é um facto que Pedro Passos Coelho mentiu quanto pôde na campanha eleitoral. Por exemplo, é um facto que o Governo de Pedro&Paulo mente sempre que se desculpa com o Memorando, o tal documento que pecava por não ir tão longe como o Governo estava disposto a ir no empobrecimento e o tal acordo que foi sendo alterado a cada revisão com a Troika e já sem qualquer negociação com o PS. Por exemplo, é um facto que nem a comunicação social nem o Presidente da República censuram o Governo e os partidos que o apoiam por tantas e tão desvairadas mentiras. Estes são alguns factos, entre muitos outros, a respeito do grau, da extensão e da gravidade do uso da mentira pelo actual poder político, Belém incluído.

Tu, taralhouco, que te deitas e acordas a pensar no Sócrates. Tu, bronco, que achas que Portugal teve de pedir um resgate de emergência por causa do TGV e do aeroporto. Tu, pulha, que só tens espaço livre no bestunto para calúnias. Digam lá. Quais foram as mentiras do monstro?

Chegaste aos 50? Os juízes portugueses decidem que te deves remeter à castidade

Juízes defendem em acórdão que sexo já não é importante aos 50

Uma profunda e larga experiência de vida é fundamental para o exercício pleno da magistratura. Mas quando a experiência individual dos juízes colide com a experiência dos sujeitos das suas decisões em dimensões tão idiossincráticas como aquelas relativas ao “bunga bunga”, ou até a coisas sem qualquer importância como a realização do afecto e a manutenção ou recuperação da saúde mental, então, se calhar, às tantas, os juízes deveriam ser julgados por crimes contra o amor e a liberdade.

Paula Teixeira da Cruz, um exemplo a seguir

A Ministra da Justiça fez a maior reforma dos últimos duzentos anos. Em resultado dessa homérica obra, a Justiça portuguesa recuou dois mil anos. Os processos pura e simplesmente desapareceram do mapa à escala nacional. Que fazer a seguir? Uma ministra normal, sem o estofo desta, teria pedido a demissão, e só depois pediria desculpas. Mas isso seria uma atitude típica do tempo em que reinava a impunidade. Pelo que Paula Teixeira da Cruz começou por pedir desculpas e depois resolveu impor a si mesma o maior castigo imaginável para tamanha irresponsabilidade: pedir a um socrático que a viesse salvar. E ele veio, e ele retirou a Justiça do caos.

Agora só falta aplicar a mesma solução nas restantes áreas governativas, começando pela Educação de forma a evitar que apenas no terceiro período todas as escolas tenham todos os professores. Ao contrário do que disse essa espécie de Presidente da República, problemas como estes não são “recorrentes“. Problemas como estes que conhecemos em 2014 são originais e pressupõem um uso da matemática que transcende a racionalidade humana. São o fruto da “revolução liberal” que veio para acabar de vez com o Estado, e cuja doutrina um dia – um dia! – ainda fará escola numa universidade em Cabo Verde.

O laranjal ficou apavorado

Mendo Castro Henriques é um ilustre desconhecido para a enorme maioria dos portugueses, apesar de já ter aparecido na TV em diferentes ocasiões. Recentemente, o seu nome ganhou notoriedade por ser um dos fundadores do Nós, Cidadãos, movimento que pretende concorrer às próximas legislativas e ao qual aparecem já associados os nomes de Rui Rangel e José Cid. Na edição do Prós & Contras, de 29 de Setembro, a sua intervenção deixou muito incomodado Luís Montenegro.

Castro Henriques reclama estar a representar os interesses daqueles que saíram à rua em 15 de Setembro de 2012 numa das maiores manifestações de sempre em Portugal. Trata-se de uma pretensão demagógica, dado que a multidão juntava interesses muito dispersos e até radicalmente contraditórios. Mas a desmesura da sua ambição tem credibilidade suficiente para ser uma bandeira eleitoralmente viável se reconhecermos que nesse dia foram os tradicionais eleitores do PSD e CDS os que contribuíram decisivamente para a grandiosidade surpreendente do evento. E essa heterogeneidade ideológica e social dos participantes explica tanto a dificuldade da opinião profissional no seu diagnóstico e prognóstico como explica a ausência de qualquer efeito político desse protesto nacional para além da parte gaga acerca da TSU. Pois aqui está uma tentativa de aproveitamento dessa mobilização civil, por mais improvável que seja o seu sucesso. O que é que assustou o Montenegro?

Um discurso que diga o óbvio, isso de estarmos piores do que com o último Governo de Sócrates e isso de os testas-de-ferro dos mercados terem afundado o País por oportunismo e incompetência, deixa o Montenegro a sorrir se vier da esquerda – e deixa-o apavorado se vier da direita. É esse o potencial de Nós, Cidadãos, o qual se dirige directamente à base tradicional do PSD e do CDS com a pergunta: querem continuar a suportar estes trafulhas que nos vão ao bolso? Este posicionamento também compete com Marinho e Pinto em alguns dos temas e promessas, embora se distinga pela elevação intelectual e pelo enraizamento profundo nas preocupações da classe média. Onde a base de apoio do ex-bastonário é um albergue espanhol nivelado por baixo, Castro Henriques apresenta-se como um membro de uma sociedade civil produtora de riqueza a quem repugna o populismo circense do Marinho e Pinto.

Não admira, pois, que o Montenegro tenha reagido procurando descredibilizar o mensageiro. Com a sua displicência (que me encanta, por ser paradigmática da qualidade política dos quadros do PSD), começa por mostrar que nem sequer percebeu o que ouviu e termina a impedir que Castro Henriques lhe consiga responder. É um profissional de uma certa forma de fazer política a que a direita decadente está reduzida. Caso o Nós, Cidadãos consiga que António Capucho assuma uma posição liderante e combativa, ele que neste momento odeia os “liberais” que nos desgovernam e trazendo a sua gravitas de exemplar cavaquista, os danos no PSD têm o potencial para serem históricos.

A gente séria não brinca em serviço

A propósito deste artigo do João Galamba – Mistérios do Espírito Santo -, o qual é apenas mais um entre vários a apontar para o mesmo, venho manifestar o meu espanto por ainda não ter lido nem ouvido qualquer referência ao que se passou em Portugal no dia 31 de Julho (pelo menos, que pode ter começado a 30, ou antes, sei lá). E que foi isto: corria à boca fechada e ao sms aberto que o BES iria ser nacionalizado no dia seguinte. Como ainda me lembrava dos boatos sobre a nacionalização do BCP, em 2010, admiti que pudesse ser um fenómeno igual. Afinal, o poder político e financeiro português tinha dado as mais explícitas garantias acerca da solidez do banco.

Se a informação me chegou e eu nem sequer tenho conta no BES, com certeza terá chegado a toda a gente interessada muito antes. Muuuuuuuuuito antes. As transacções que se fizeram nesse período, de acordo com o que já foi tornado público, ficam como a prova provada do que se quis que acontecesse.

Revolution through evolution

Childhood Psychological Abuse as Harmful as Sexual or Physical Abuse

If you want an antibiotic, see your doctor later in the day

Sharing makes both good, bad experiences more intense

Killer whales learn to communicate like dolphins

Did fruit contribute to Apple’s success?

What’s your status? Health risks of low social status

Coastal living boosts physical activity, study shows

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À série

Kemal
Pamuk
2010-11-12_Julian Fellowes_1ª-2ª-3ª épocas

Só vi esta série no começo de 2014. As três primeiras temporadas de rajada. Os elogios em que fui tropeçando desde que surgiu eram unanimemente hiperbólicos. Num período de glória televisiva, com as séries a ultrapassarem o cinema em relevância social e cultural, o entusiasmo gerado por este produto britânico despertava as mais altas expectativas.

Episódio 3 da 1ª temporada. A Condessa de Grantham quer muito casar a filha mais velha. Com esse fim, convida o filho de um marquês a passar uns dias lá em casa. O filho do marquês aceita e anuncia que levará consigo Kemal Pamuk, um diplomata turco filho de um dos ministros do Sultão. A Condessa de Grantham decide que a filha casadoira deverá acompanhar as visitas numa caçada. Kemal Pamuk revela-se um adónis que perturba assaz favoravelmente Lady Mary, a filha casadoira. Tão perturbada fica que despacha o guardião parental e vai para a caçada como presa indefesa. Kemal não perde essa oportunidade e a meio da coisa, depois de uma valente galopada, propõe-lhe que sigam por um atalho. O atalho implica saltarem para dentro de uma poça de lama, ficando ambos muito sujos. A metáfora não podia ser mais explícita, aqueles dois estavam doidinhos para fazerem porcarias mesmo porcalhonas. Ao voltarem a Downton Abbey, Kemal, o turco, arrasa com sucesso igual no sexo oposto como no sexo não oposto. A primeira vítima do seu fascínio bi-erótico é um dos criados, o qual não perde tempo e na primeira vez que se encontra no quarto da visita para a servir trata de lhe mostrar que o serviço pode ser completíssimo. Kemal recusa, tem gostos diferentes mas um plano parecido. Plano esse que passa por aproveitar a sua primeira noite sob a hospitalidade da nobre família Crawley para se enfiar no quarto da filha casadoira. Se bem o pensou, melhor o executou. Lá chegado, explica ao que vai. Vai fazer-lhe uma certa coisa com a pilinha que, garante, não porá em risco a sua virgindade. Lady Mary poderá casar com um otário qualquer sem temer o escândalo, desenvolve Kemal. Basta usar a imaginação. Um único obstáculo ainda se ergue entre a pilinha do turco e uma parte não nomeada da intimidade virginal da Lady. É a interrogação final: “Vai doer?” Que nada, responde o diplomata. Essa agora, o que é que isso importa. O que é preciso é estupidez e descontracção natural. Resposta convincente, a avaliar pela abundante troca salivar a que dá origem. Corta para Lady Mary a receber uma descasca da Condessa madrugada adentro. O cabrão do Pamuk tinha patinado durante o acto. Esse garboso e atlético jovem terá ido longe de mais no esforço despendido a dar largas à imaginação. E a filha casadoira de uma das mais ilustres linhagens de sangue inglês ficava determinantemente proibida de andar a levar no rabo do corpo diplomático turco.

Este terceiro episódio consolidou a minha crença de estar perante uma versão actualizada de Upstairs, Downstairs (A Família Belamy). Jamais nos anos 70 teria sido possível tratar na TV a sexualidade desta forma tão libertina e tão pícara. Tirando isso, o modelo narrativo era exactamente igual ao da série de saudosa memória. As venturas e desventuras dos amos e criadagem numa casa da aristocracia londrina no princípio do século XX, a ideologia niveladora e conservadora, onde há heróis e vilões em ambas as classes e onde faz sentido haver classes, a simetria entre os códigos monárquicos e a hierarquia do trabalho proletário. Tudo igual, tudo telenovelesco. Mas com homossexuais assumidos, sexo anal em miúdas virgens e cavalos. De facto, prometia.

O que veio a seguir reposicionou a história entre o Kemal e a Lady, e gradual mas inexoravelmente transportou-me para a conclusão de ser Downton Abbey não só uma das mais pirosas séries que alguma vez vi como um exercício de escrita televisiva a pedir intervenção terapêutica de psicanalistas. As personagens revelaram-se todas, sem excepção, como unidimensionais, sem profundidade nem complexidade. Essa insuportável leveza de ser é agravada pela vacuidade das suas acções que nunca ultrapassam o simplismo, o infantilismo ou o artificialismo. Não admira que as personagens possam aparecer ou desaparecer sem qualquer nexo que acrescente unidade à história. À medida que começamos a descodificar o arbítrio criativo que impera na cabeça do autor e guionista da série, os episódios passam a ser cada vez mais hilariantes. E claustrofóbicos.

Há uma moral nesta palhaçada: os muito ricos sofrem muito e merecem receber a compaixão dos pobres. O resto é paisagem; e o mundo interior de uma sopeira milionária chamada Julian Fellowes.

Montenegro, tem vergonha

Luís Montenegro referiu-se ao vencedor das primárias no PS para candidato a primeiro-ministro logo no início da sua intervenção, a propósito do programa de resgate aplicado em Portugal: «Não, doutor António Costa, este não é o programa do Governo, foi o programa que os senhores negociaram».

Em seguida, o líder parlamentar do PSD citou uma afirmação que o secretário-geral cessante dos socialistas, António José Seguro, dirigiu a António Costa durante a campanha para as primárias no PS: «Tu eras o número dois da direção do PS e nunca te ouvi nada contra o memorando».

«2009, o ano em que se subiram salários e se baixaram impostos para no ano seguinte pagarmos tudo a dobrar. 2009, o ano em que o défice ficou 400% acima do que era previsto. 2009, o ano da satisfação e da coerência do doutor António Costa e do PS», declarou o líder parlamentar do PSD.

PSD associa Costa à governação de Sócrates e ao programa de resgate

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Para se usar Sócrates como argumento ad terrorem é preciso deturpar, mentir e omitir num registo de absoluta impunidade. É o que faz o PSD, mas também Cavaco, desde 2008 de forma sistemática. E espanta, pelo menos a mim, a inépcia do PS face a tão básica táctica da direita. Já o marasmo do PCP e do BE não surpreende, dado fantasiarem ganhos do permanente exercício de baixa política contra os socialistas.

Luís Montenegro estava no Parlamento e no PSD em 2008, 2009, 2010 e 2011. Vamos admitir que não sofre de amnésia. Excluindo essa hipótese, como explicar que este homem nos fale como se o PSD em 2008 tivesse sido contra o aumento dos funcionários públicos, como se o PSD em 2009 não tivesse pedido a baixa dos impostos, como se o PSD em 2010 não tivesse andado a clamar pela vinda do FMI e como se o PSD em 2011 não tivesse afundado o País e declarado que o Memorando era quase igual ao seu programa, só pecando por não ir tão longe no empobrecimento como Passos, Relvas, Gaspar e Portas queriam ir e foram mesmo?

Acima e antes de tudo, como pode Montenegro ser um dos agentes da maior fraude eleitoralista da democracia portuguesa, enganando os eleitores numa escala colossal, e ainda ter o topete de emporcalhar o debate na Assembleia da República de cada vez que fala em Sócrates, no PS e no Memorando?

Espero que o novo PS encontre rapidamente uma resposta adequada a esta decadência que atrofia e degrada a qualidade da nossa democracia e respectiva governação. Até porque não é difícil, basta querer.

Há política para além do pragmatismo

Seguro, ao contrário do que tinha sido posto a correr após as primárias, não fica no Parlamento. De facto, tal decisão parecia demasiado bizarra (patética?) mesmo para o fundador da “nova forma de fazer política”. Mas o seu silêncio a respeito validava a informação, tendo deixado passar a altura apropriada, a declaração de derrotado, sem comunicar o mais que lógico abandono da função parlamentar. A sexta fila iria regressar à glória de tempos idos, pairava a ameaça. Nisto, Costa consegue em 48 horas a prometida unificação do partido. Os tenentes de Seguro, que logo na noite eleitoral começaram a pedir uma fatia do bolo, foram atendidos por um Costa ultrageneroso. Um terço do PS iria ostentar a bandeira da separação entre a política e os negócios. De seguida, surgiram notícias acerca de umas camionetas manhosas cuja missão foi a de arrebanhar votantes para Seguro na Guarda. Ninguém explicou mais nada acerca do caso, ninguém se justificou. Por fim, estava para sair a sondagem que retrata a espectacular mudança de ciclo político. Como é que Seguro poderia continuar por aí a saltitar em frente aos jornalistas? Inimaginável.

A rapidez e facilidade com que se fez o enterro do machado de guerra no PS resulta directamente da assimetria dos resultados, não tendo passado de uma piada a hipótese de Álvaro Beleza ou João Soares irem a votos no congresso contra Costa. Apesar dessa força magnética do novo poder, que muitos anteciparam como regra de ouro, a instantaneidade do processo surpreende negativamente. Qual o valor das crenças políticas daqueles que optaram por uma campanha de calúnias e de terra queimada? Será que não se importam de estar agora coligados com aqueles que carimbaram como inveterados corruptos? Vale tudo pela gamela? Também Costa não fica bem na fotografia, parecendo demasiado profissional a resolver uma questão que é igualmente relativa a dimensões éticas, sentimentais e simbólicas – a seiva da política. Toda a razão para o protesto de Sérgio Sousa Pinto, que vimos a acompanhar Costa na ida à sede do PS na noite das primárias e que de imediato registou a disfuncionalidade do que se estava a passar. Conceder a Seguro a benesse de ter oficialmente um terço do partido era um prémio injustificável e um erro político.

Para se contemplar o que representa Seguro para o futuro do PS e da política nacional, recorde-se como Marinho e Pinto o encheu de elogios, antes e depois da votação nas primárias, ao mesmo tempo que atacou Costa. Os direitolas decadentes fizeram o mesmo. Os comunas foram até onde podiam ir, ficaram-se pelo ataque a Costa pois é sacrilégio fazerem elogios a qualquer socialista vivo, morto ou por nascer. Este cenário não é um acaso, é um alinhamento de interesses. O inimigo comum a dar corpo à turbamulta. Qual a razão para lidar com esta ridícula figura, e quem o apoiou, como se nada de muito perigoso tivesse acontecido no PS e na democracia portuguesa?

Costa sabe que ele e os seus seriam tratados como traidores em caso de vitória de Seguro. O ressentimento e a velhacaria iriam rebentar furiosos e o PS deixaria de existir como o conhecemos até Seguro ter saído da gaiola. Essa consciência, esta história, merecia algo mais do que o seu exímio pragmatismo.

Luís Pedro Nunes, companheiro de luta

Sócrates foi o involuntário alimento de um fenómeno à sua volta que atingiu, e continua a atingir, a classificação de patologia mental. Consiste numa racionalização incompleta de um grande medo, um pavor, que depois fica como obsessão. Ou seja, despertou ódios desvairados a uma escala que nem sequer no auge do Cavaquistão se observaram na sociedade contra algum político. Teríamos de recuar ao sentimento de pré-guerra civil no PREC para encontrar algo comparável, mutatis mutandis. Vários factores contribuíram para isso, tanto nacionais como internacionais, os quais têm sido abundantemente expostos e analisados ao longo dos anos por uns poucos de profissionais e amadores da opinião. Porém, contudo, todavia, há uma características universal nesses pacientes: quão mais odeiam Sócrates, quão mais broncos se apresentam em público.

Luís Pedro Nunes é um desses infelizes que rebola na sua bronquite crónica quando tem de verbalizar acerca de Sócrates. Tirando isso, ele é capaz de ser um excelente rapaz. Por exemplo, na última edição do Eixo do Mal explodiu de indignação contra as praxes. Justíssima atitude que só pecou pela suavidade apesar de ter dito “merda” e de ter ameaçado partir qualquer coisa no estúdio. Faltou-lhe dizer “cabrões”, “caralho”, “filhas-da-puta”, “vão-se foder, seus cabrões do caralho e filhas-da-puta” e a seguir destruir mesmo qualquer coisa pertença da SIC. É que as praxes portuguesas transformaram-se numa vergonha académica, numa vergonha nacional e numa vergonha civilizacional.

Há dias, na bicha de um supermercado, uma senhora de 20 anos que terá uma licenciatura dentro de muito pouco tempo falava ao telefone atrás de mim. Queixava-se da reacção de uma caloira na praxe. E detalhou a sua defesa: a caloira teria recusado participar numa anormalidade qualquer, pelo que esta senhora foi ficando cada vez mais irritada até que utilizou métodos violentos para a obrigar a fazer a estupidez em causa. O teor da conversa ao telefone rodava à volta do aborrecimento que esta senhora sentia por causa da caloira, da razão que a assistia ao ter usado da violência emocional e do ultraje que sentiria se a caloira ainda se lembrasse de ir fazer queixas a alguém.

As praxes como paraísos para violadores, sádicos e imbecis, onde a sexualidade é estereotipada pelos códigos pornográficos e tratada como dimensão ao serviço da hierarquia de poder, onde a dignidade e a autonomia individuais são perseguidas e castigadas, eis o que são as praxes convencionais – e isto logo desde os anos 80, embora em degradação acelerada a partir dos anos 90. Claro, generalizar será errar, mas antes isso do que consentir ou fugir. A visão grotesca dos trajes funerários com que se mascaram os algozes das praxes convoca a associação com os trajes dos fundamentalistas de todas as origens, criando tenebrosas afinidades estéticas e simbólicas.

Que fazer? Exactamente o que a Universidade da Beira Interior aqui mostra: Caloiros da UBI são praxados com ações solidárias. Estas actividades geram riqueza na comunidade, criam cultura académica, desenvolvem a cidadania e não põem em risco as bezanas que os praxistas querem impor aos caloiros. As finalidades da praxe continuariam, no fundo, a serem as mesmas, mas com a diferença de passarem a deixar de estar sob o comando dos broncos.

Kobani, o local mais absurdo da galáxia

Alguém que saiba do assunto que me corrija, sendo o assunto história militar, mas acho que nunca se presenciou uma situação de guerra tão absurda como aquela que se está a passar em Kobani. Nessa cidade, um grupo de curdos sírios tem-se defendido durante semanas dos ataques do EI com equipamento muito inferior ao dos assassinos e com falta de munições e de combatentes. No céu há aviões americanos a bombardearem veículos e posições do EI numa paisagem que parece não oferecer qualquer protecção contra os ataques aéreos, mas até ontem sem qualquer efeito significativo no avanço do EI. Enquanto isto decorre, a Turquia aprovou leis que lhe permitem intervir no conflito e mantém a centenas de metros da batalha dezenas de tanques que se limitam a ficar apontados para a cidade.

É tudo demasiado absurdo. Os assassinos mais odiados da actualidade conseguem estar em acção debaixo do fogo aéreo da única superpotência mundial, avançando pela cidade colados a uma das maiores potências regionais, num país, ou no que sobra dele, com quem também estão em guerra, e o seu único objectivo é conseguirem matar mais um número indeterminado de inocentes, os que apanharem.

Assim como se tem constatado o fenómeno de alguns adolescentes e jovens adultos se quererem juntar aos assassinos partindo de diferentes países, Portugal incluído, aposto que se existisse um movimento simétrico teríamos facilmente um milhão de voluntários para ir lutar em Kobani ao lado daqueles curdos. A opinião pública internacional tem ficado mais e mais sedenta de vingança a cada vídeo de uma decapitação e a cada notícia das atrocidades desses doidos varridos. É a irracionalidade a espalhar irracionalidade.

Outra possibilidade seria a de encher o céu de Kobani com aviões telecomandados e permitir ao público em geral, desde que possuidor de um computador ou telemóvel com acesso à Internet, a escolha dos alvos e o respectivo disparo dos mísseis ar-terra. Aí, os voluntários seriam aos milhares de milhões. É este o grau de absurdo daquele absurdo desmedido.

Foi para isto que o Al Gore inventou a Internet

Alguém que assina “Carlos Guimarães Pinto”, e que tenho a sorte de não conhecer pessoalmente ou sequer ter ideia do que faça na vida, acaba de publicar um excerto de um texto meu no blogue O Insurgente – O Insurgente memória 2. O texto é de 2010 e numa das passagens seleccionadas consta uma lista de nomes ligados à exploração política do caso “Face Oculta” através das escutas e subsequente tese de ter havido uma conspiração para levar a PT a comprar a TVI em ordem a mudar a linha editorial da estação. Na outra passagem está uma alusão à participação de António Costa na “Quadratura”.

O Carlos não acrescenta qualquer palavra da sua autoria, a citação reina monopolista no ecossistema hermenêutico dos iluminados leitores do Insurgente. Pelo que se deve estar perante alguma coisa simultaneamente importante e evidente, e a qual leva este autor a sentir a necessidade de me promover como referência que merece chegar ao maior número de cidadãos. Mas que será? Estará relacionado com a notícia da saída de Zeinal Bava da Oi? Estará relacionado com os infortúnios da família Espírito Santo? Ou estará relacionado com alguma coisa que o autor comeu ao pequeno-almoço?

Inspirado pela temática, vou também desenvolver uma teoria da conspiração. Para mim, este Carlos Guimarães Pinto intenta subverter o blogue O Insurgente através de passagens seleccionadas onde se faça a defesa do Estado de direito e da decência no espaço público. Tendo em conta que estamos no Insurgente, essa operação não pode ser feita às claras sob pena de originar uma caça às bruxas, pelo que tem de recorrer a tácticas de dissimulação. Assim, simula um ataque contra um inimigo identificável só para levar os seus companheiros de armas para uma armadilha. A armadilha do pensamento.

Pela tua bravura e engenho militar, Carlos, as minhas saudações de caserna. Quem sabe, poderás sair vitorioso e o Insurgente ainda se irá orgulhar do trabalho cívico que fizeste nessa casa.

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Adenda

Afinal, era uma brincadeira. Qual Estado de direito, qual decência, qual quê. O Insurgente resiste invencível e a brincadeira não tem fim. A tradição continua a ser o que era, valha-nos isso.

O triunfo da ausência de marketing

Amorosa, e deliciosa, realização da RTP: Sapataria Cassiano vende sapatos com mais de 40 anos

Fui lá hoje. Os sapatos à venda são horríveis (ou não), caríssimos (sei lá) e a loja é inenarrável na sua falta de conforto e de sentido comercial. O próprio Cassiano comunga da inefabilidade própria àquilo que aquilo é, soltando resmungos avulsos se obrigado a falar. Só uma coisa é certa, a de o desolador registo das vendas que se vê na peça estar agora completamente desactualizado depois da divulgação da RTP, a que se seguiu a da SIC.

A sapataria do Cassiano não é um museu nem uma viagem ao passado. Trata-se de uma singularidade onde o espaço e o tempo deixam de fazer sentido. É altíssima a probabilidade de sairmos de lá descalços.

Audaces fortuna juvat

«O que temos de fazer não é guerrear entre nós, é cada um dirigir-se ao eleitorado e aos cidadãos que pode mobilizar, aumentar a participação porque é a participação que dá vitalidade e a vitalidade que dá movimento. Esse movimento permitirá construir a alternativa.»

«A direita facilmente se junta, a esquerda facilmente se divide. Aquilo que temos de encontrar é o ponto de equilíbrio em que, respeitando as diferenças que existem entre nós, que vêm muito de trás e seguirão muito para diante, encontrar a capacidade de fazer algo em comum.»


António Costa, Congresso LIVRE

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Costa fez bem em ir falar de esquerda para as esquerdas, e esteve melhor ao nada dizer de substantivo que ultrapasse a propedêutica para qualquer eventual acordo seja com quem for: ide a votos e logo se vê.

Costa não teoriza para além da utilidade que esse exercício tenha para o processo da tomada de decisões. É uma característica típica dos gestores e dá a ver donde vem a sua autoridade política. Não de um carisma de líder visionário, que ele não tem e nunca terá, mas de uma solidez pragmática que inspira confiança também por se anunciar prudente, conservadora e conciliatória. A receita ideal para segundas figuras, braços direitos de príncipes, ou para regentes em períodos especiais de decadência das elites. O nosso tempo, pois.

Que farão as esquerdas com um PS disposto a partilhar o eventual poder com elas? PCP e BE, para já e quiçá para sempre, nada de nadinha de nada. Os racistas ideológicos não se podem deixar contaminar, dependem do sectarismo fanático para conservarem a sua identidade. Restam fragmentos irrelevantes, os grupúsculos que se originaram na ressaca da embriaguez inspirada pelo jovem Louçã. O jovem Louçã conseguiu um feito que muitos pensavam impossível depois de uma ascensão romântica e heróica, isso de ultrapassar o PCP numas eleições legislativas. Mas só o conseguiu por causa do PS. Foi a circunstância de se ter um Governo socialista apostado em reformas tão difíceis como a da avaliação de professores, juntamente com um clima de ódio furioso alimentado tanto pela direita como pela esquerda contra Sócrates, que levou ao transvase de votos do PS para o BE em 2009. Votos esses que se iriam evaporar dois anos depois.

O problema dos restos dessa esquerda é o de continuarem a pensar como essa esquerda pensa, adaptando o lema de Costa. Uma esquerda que vê no PS o seu principal inimigo precisamente porque vê no PS a sua única fonte de crescimento. É uma lógica que resiste imune à evidência de o eleitorado do PS ser do centro, o que o levará instintivamente a recusar qualquer proposta da extrema-esquerda. Só em condições extraordinárias de voto de protesto haverá um número significativo de eleitores a castigarem o PS pela esquerda – situação que aconteceu em 2009 apenas para se revelar completamente inútil, ao princípio, e depois trágica, quando a esquerda pura e verdadeira, engordada pelo voto dos enganados, preferiu dar o poder a esta direita.

O combate do Rui Tavares – o qual fez um discurso fraco porque ambíguo e manhoso no Congresso do LIVRE – ou o da Ana Drago e Daniel Oliveira, antigas estrelas fulgurantes dos sonhos megalómanos de Louçã, pode seguir por dois caminhos. O primeiro, onde parece que querem ficar, é o de continuarem à espera que venha do PS o capital eleitoral que lhes dê existência parlamentar. Por exemplo, o LIVRE ficou orgulhoso com a votação nas europeias e começou logo a extrapolar os números para um cenário legislativo, sem parar um segundo para reconhecer que esses votos tinham vindo quase todos do eleitorado socialista e que poderiam com a mesma facilidade desaparecer numas eleições a sério. O segundo caminho será o de finalmente se enfrentar a partir da esquerda o sectarismo da esquerda. Indo por aqui, os alvos passariam a ser o BE e o PCP. Seria nesse eleitorado que o LIVRE tentaria encontrar votos, o que implicaria uma revolução cognitiva e estratégica para esse tipo de campanha. Caso tivessem sucesso, não só ganhariam peso eleitoral próprio como estariam a diminuir a representatividade do PCP e do BE; factor essencial para o desbloqueio da governação à esquerda, permitindo eventuais alianças com o PS que o puxem para o lado esquerdo do centro.

Coragem, façam algo de esquerda.

Revolution through evolution

Women Face Dishonesty More Often Than Men During Negotiations
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Power can corrupt even the honest
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Are the World’s Religions Ready for E.T.?
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What Makes a Song Sing?
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Jewish Persecution’s Economic Effects Linger, Study Finds
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In A Bad Mood? Head to Facebook and Find Someone Worse Off
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Neurobiological basis of human-pet relationship: Mothers’ brains respond differently to images of their child and their dog

A queda de um santo

2. António José Seguro abandonou com dignidade a liderança do Partido Socialista. O País fica a dever-lhe uma forma assaz responsável de exercício de liderança da oposição. Foi firme sem soçobrar no sectarismo, revelou sentido do compromisso sem resvalar para o oportunismo, optou pelo interesse geral em prejuízo das suas ambições particulares. Não era fácil a sua tarefa: estava incumbido de dirigir a oposição democrática num país sob assistência financeira. Essa circunstância obrigava-o a um difícil equilíbrio que, no essencial, conseguiu assegurar. Numa época de radicalismos, simplismos e exibicionismos, um político crente nas virtudes da moderação corre sérios riscos de fracasso. Foi o que aconteceu. Porém, António José Seguro tinha razão no fundamental. Fez bem em não votar contra o primeiro orçamento da responsabilidade da actual maioria; privilegiou os princípios do compromisso europeu quando apoiou o Tratado Orçamental, esteve à altura das suas responsabilidades no momento em que rejeitou a proposta presidencial de um entendimento iníquo com a actual maioria. Enganam-se os que se aprestam a declarar a sua morte política. Enganam-se sempre, ainda que por razões diferentes, os cínicos e os ingénuos.


Francisco Assis

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Uma das maiores vítimas de Seguro dá pelo beatífico nome de Francisco Assis. Que aconteceu a este homem? Que motivação o levou para o sacrifício da sua honestidade intelectual? Mistério antropológico que, como mistério que é, nunca encontrará explicação. Resta-nos lamentar a perda de um dos melhores tribunos que já passaram pela Assembleia da República.

Analisemos:

António José Seguro abandonou com dignidade a liderança do Partido Socialista.” – A dignidade de não ter dado os parabéns ao adversário e se ter limitado a constatar a evidência do resultado, a que se seguiu a dignidade do discurso narcísico que é o seu mais brilhante legado, antecedida pela dignidade de uma campanha feita de assassinatos de carácter, calúnias, difamações, ameaças e ódio contra o próprio PS, seus quadros e sua História.

O País fica a dever-lhe uma forma assaz responsável de exercício de liderança da oposição.” – A tal oposição que foi o melhor presente que esta direita decadente e este desgoverno de traidores poderiam ter recebido, uma oposição que gastou mais energia a combater políticas e governantes socialistas do passado recente do que a combater a loucura além-Troika.

Foi firme sem soçobrar no sectarismo, revelou sentido do compromisso sem resvalar para o oportunismo, optou pelo interesse geral em prejuízo das suas ambições particulares.” – Como é que é? Seguro terá abdicado das suas “ambições particulares” em prol do interesse geral e por isso merece ser elogiado? Minha nossa senhora do Caravaggio, ergam uma estátua desse líder exemplar em Montalegre e que se façam romarias diárias do bom e honesto povo. E, por favor, haja alguém que o ajude a realizar as suas “ambições particulares”, coitadinho.

Não era fácil a sua tarefa: estava incumbido de dirigir a oposição democrática num país sob assistência financeira. Essa circunstância obrigava-o a um difícil equilíbrio que, no essencial, conseguiu assegurar.” – Não, Assis, é precisamente ao contrário: a assistência financeira – para mais tendo sido uma imposição da direita e estando ao serviço da sua agenda não sufragada – era a situação que simplificava a acção da oposição, pois estava em causa fiscalizar a sua aplicação e as transgressões a esse contrato. Se dizes que Seguro conseguiu equilibrar-se com um Governo que violou o Memorando sempre no sentido do empobrecimento, deixo para ti a sugestão do nome, ou nomes, com que devemos carimbar tal parceria.

Numa época de radicalismos, simplismos e exibicionismos, um político crente nas virtudes da moderação corre sérios riscos de fracasso. Foi o que aconteceu. Porém, António José Seguro tinha razão no fundamental.” – Um político que se apresenta como farol da ética, como exemplo moral para toda a classe política, como sendo o fundador de “uma nova forma de fazer política”, como o higienista que vai purificar o seu próprio partido e obrigar os seus camaradas a assinarem papelinhos onde jurem resistir à tentação do mal que os consome, pode ser qualquer coisa menos uma coisa crente nas virtudes da moderação. Assis, respeita a nossa inteligência – ou a tua.

Fez bem em não votar contra o primeiro orçamento da responsabilidade da actual maioria; privilegiou os princípios do compromisso europeu quando apoiou o Tratado Orçamental, esteve à altura das suas responsabilidades no momento em que rejeitou a proposta presidencial de um entendimento iníquo com a actual maioria.” – E também fez bem quando tentou impedir que os deputados da sua bancada denunciassem as inconstitucionalidades do primeiro Orçamento? Esteve bem quando alinhou com os ataques ao trabalho e quando foi complacente com o esbulho fiscal? Esteve à altura da sua responsabilidade quando vestiu a camisola de um populista sem escrúpulos e apostado em destruir o PS só para se manter na ribalta?

Enganam-se os que se aprestam a declarar a sua morte política. Enganam-se sempre, ainda que por razões diferentes, os cínicos e os ingénuos.” – Nisto, concordamos. Seguro jamais desistirá de tentar voltar ao poleiro dessa gaiola dourada. Pela simples razão de ele não ter vida fora do PS. Portanto, este período ficará como uma aprendizagem, uma experiência que o deixará mais forte. Por esta altura já terá um plano esboçado e vai recomeçar o circuito dos abraços e dos beijinhos a tempo de apanhar a quadra natalícia. Quando voltar a apanhar um elevador disponível, daqui por uns 10 anos, os jornalistas serão os primeiros a saber.

Quanto a ti, Assis, que te declaras imune ao cinismo e à ingenuidade, podes sempre reler o que já escreveste, recordares com quem estiveste, contemplares o que defendeste. E pensares com coragem. Era algo que muitos admiravam em ti.