O laranjal ficou apavorado

Mendo Castro Henriques é um ilustre desconhecido para a enorme maioria dos portugueses, apesar de já ter aparecido na TV em diferentes ocasiões. Recentemente, o seu nome ganhou notoriedade por ser um dos fundadores do Nós, Cidadãos, movimento que pretende concorrer às próximas legislativas e ao qual aparecem já associados os nomes de Rui Rangel e José Cid. Na edição do Prós & Contras, de 29 de Setembro, a sua intervenção deixou muito incomodado Luís Montenegro.

Castro Henriques reclama estar a representar os interesses daqueles que saíram à rua em 15 de Setembro de 2012 numa das maiores manifestações de sempre em Portugal. Trata-se de uma pretensão demagógica, dado que a multidão juntava interesses muito dispersos e até radicalmente contraditórios. Mas a desmesura da sua ambição tem credibilidade suficiente para ser uma bandeira eleitoralmente viável se reconhecermos que nesse dia foram os tradicionais eleitores do PSD e CDS os que contribuíram decisivamente para a grandiosidade surpreendente do evento. E essa heterogeneidade ideológica e social dos participantes explica tanto a dificuldade da opinião profissional no seu diagnóstico e prognóstico como explica a ausência de qualquer efeito político desse protesto nacional para além da parte gaga acerca da TSU. Pois aqui está uma tentativa de aproveitamento dessa mobilização civil, por mais improvável que seja o seu sucesso. O que é que assustou o Montenegro?

Um discurso que diga o óbvio, isso de estarmos piores do que com o último Governo de Sócrates e isso de os testas-de-ferro dos mercados terem afundado o País por oportunismo e incompetência, deixa o Montenegro a sorrir se vier da esquerda – e deixa-o apavorado se vier da direita. É esse o potencial de Nós, Cidadãos, o qual se dirige directamente à base tradicional do PSD e do CDS com a pergunta: querem continuar a suportar estes trafulhas que nos vão ao bolso? Este posicionamento também compete com Marinho e Pinto em alguns dos temas e promessas, embora se distinga pela elevação intelectual e pelo enraizamento profundo nas preocupações da classe média. Onde a base de apoio do ex-bastonário é um albergue espanhol nivelado por baixo, Castro Henriques apresenta-se como um membro de uma sociedade civil produtora de riqueza a quem repugna o populismo circense do Marinho e Pinto.

Não admira, pois, que o Montenegro tenha reagido procurando descredibilizar o mensageiro. Com a sua displicência (que me encanta, por ser paradigmática da qualidade política dos quadros do PSD), começa por mostrar que nem sequer percebeu o que ouviu e termina a impedir que Castro Henriques lhe consiga responder. É um profissional de uma certa forma de fazer política a que a direita decadente está reduzida. Caso o Nós, Cidadãos consiga que António Capucho assuma uma posição liderante e combativa, ele que neste momento odeia os “liberais” que nos desgovernam e trazendo a sua gravitas de exemplar cavaquista, os danos no PSD têm o potencial para serem históricos.

6 thoughts on “O laranjal ficou apavorado”

  1. onde estavam estes salvadores da patria em 1990, 2000 e 2011?aparecem agora para tentar minimizar e coligar após a mais que provavel derrota da direita.era bom, que o aspirina b começasse a tratar de recolher assinaturas para fazer campanha contra a direita e estes retardados defensores da democracia e da patria.digam lá se não era um slogan sugestivo: vote bitamina d,por que quem ganha é voçê! ou então: vote vitamina d,que a gente fode-os e ninguem vê.val avança com toda a confiança,este é dos comunas!

  2. oh lismerda, tirando os piropos que apanhas aqui no aspirina, alguém comenta a merda linkada do correio dos manholas que depois envolves em bocas foleiras e serves lá na tua baiúca.

  3. o lisboeiro(gajos que foram viver para lisboa )só consegue viver na merda.se trabalha deve ser um autêntico frustrado e os colegas que o aturem.este gajo tem perfil de pide,tal é a sua mania da perseguição!

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