Arquivo da Categoria: Valupi

É por estas, e ainda mais pelas outras, que o Pacheco é o típico parasita

«Como os jornalistas estão divididos, como estão na defensiva há muito tempo, como o turnover geracional se faz com a destruição da memória e do saber e como se perdeu qualquer tradição reivindicativa com a quebra da independência das redacções e dos jornalistas individualmente, como a promiscuidade com o poder político e económico é grande e se faz não apenas pela política, mas também pela mundividência cultural e pelas “ideias”, com a crise das mediações assolada pela arrogância da nova ignorância, com a falsa ideia de que as redes sociais são o “público”, e com a pauperização das classes médias, o jornalismo de referência, ou seja, o jornalismo, atravessa uma crise maior. E essa crise maior é, em toda a sua profundidade e extensão, uma crise da democracia.»


Pacheco

___

Em pezinhos de lã, na pontinha dos dedos, demorando uma hora para dar um passo, o Pacheco fez uma crítica velada – e, para todos os efeitos práticos, críptica – ao David Dinis, o actual director do Público, cujo percurso encaixa como uma luva no parágrafo citado.

Ou seja, Pacheco, enches a boca com meia dúzia de lugares comuns sobre a situação e o jornalismo, em modo “bute descrever as pirâmides”, e não és capaz de dar nome aos bois. Isto é, até consegues, desde que seja alguma coisa que te cheire a Sócrates e ao PS.

Porque é que não experimentas fazer um bocadinho de jornalismo e, consequentemente, passares a enfrentar os fácticos poderes na comunicação social que te dão tanto a ganhar e há tanto tempo? Ou porque é que não te armas em ético e, acto contínuo, sais do Público com estrondo e garbo?

Eis os corruptos que ainda falta apanhar na “Operação Marquês”

Na quarta-feira, o Estado usou a 'golden-share' (direitos especiais) para vetar a compra da Vivo pela Telefónica, durante a assembleia-geral de accionistas da PT, apesar da maioria (74 por cento) ter dado luz verde ao negócio. "Desde que se respeite o quadro legal, o Governo tem todo o direito de utilizar os instrumentos à sua disposição para defender aquilo que considera um interesse estratégico de Portugal", afirmou Cavaco Silva, citado pela agência Lusa, à margem de uma visita a uma das empresas do grupo A. Silva Matos SA. "O Governo considerou que estava em causa o interesse estratégico de Portugal e, se é assim, tomou a decisão que considerou adequada, por isso há que respeitar totalmente essa decisão", disse.


Fonte

O ex-primeiro ministro Pedro Santana Lopes disse hoje à Lusa que se estivesse no Governo acionaria a "golden share" do Estado na PT para impedir a compra da Vivo "nem que a Telefónica oferecesse dez vezes mais".


Contactado pela agência Lusa, o ex-presidente do PSD disse ser "absolutamente favorável à decisão do Governo" e acrescentou que ficou "muito satisfeito de ver a convergência institucional entre Governo e Presidente da República nesta matéria".


Fonte

A maioria dos portugueses considera que a Portugal Telecom não deve vender a operadora brasileira Vivo à Telefónica. O estudo da Eurosondagem mostra também que a maioria dos inquiridos defende que o Estado deve usar vetar este negócio.


Fonte

Para os talibãs, a responsabilidade que se foda

«Num ano decisivo para a sua liderança, Passos precisa de se fortalecer. A sua oposição tem andado perdida e raramente acerta – conseguiu-o em parte no processo da CGD. Ao ir contra o que defendeu no passado, Passos prescinde de um dos seus ativos, a responsabilidade, mas ganha nos danos que provoca na geringonça. Põe a nu a fragilidade da solução de António Costa. Se isso é suficiente para se relegitimar dentro do partido, logo se verá, mas sem dúvida que recupera espaço e marca pontos. Talvez por isso tenha incomodado alguns sociais-democratas que se mostraram violentamente indignados com a atitude do líder. Julgavam-no morto e acabado, mas o líder social-democrata mostrou-lhes que está vivo. Os jornais escrevem que Marcelo está furioso. Não admira, Passos estragou-lhe a estabilidade que tanto preza (e precisa). E Costa percebeu o quão isolado pode ficar. O seu governo coeso e estável parece-nos agora um governo de minoria.»


Talibã encartado

Revolution through evolution

Doomed to Fail? Last Century Financial Regulations No Match for Today’s Market
.
Moralistic Thinking on Political Left, Right Not So Different
.
Fear of diagnostic low-dose radiation exposure is overstated, experts assert
.
The Rise of the Smart Machine Age and the Need for a New Story on the Purpose of Business
.
‘Weekend warriors’ have lower risk of death from cancer, cardiovascular disease
.
Play an Instrument? You Probably React Faster, Too
.
Eat hot peppers for a longer life? Study
.
Continuar a lerRevolution through evolution

Vamos lá a saber

Não tem nada a ver, só quero aproveitar a oportunidade de estar rodeado de grandes cérebros para que me esclareçam sobre uma grande duvida que não pára de me atormentar.

Pacheco Pereira, Lobo Xavier e todos os outros furiosos inimigos de Sócrates e grandes crentes da sua culpabilidade e que se fartaram de elogiar Mário Soares pela sua lucidez e coragem, estarão convencidos que o homem que fez várias visitas a Évora, e disse o que disse a esse propósito, estava lelé da cuca ou era um inocente enganado pelo diabo?


__

Oferta do nosso amigo Pandil

.

E Goa aqui tão perto

Costa mereceu aquela que terá sido, aposto os 10 euros que tenho no bolso, uma das melhores experiências da sua vida: regressar a Goa como primeiro-ministro de Portugal. A dimensão estatal, oficial, pública insuflou a dimensão privada, familiar, subjectiva. Mas a última igualmente contagiou a primeira, numa fusão perfeita entre biografia e simbólica política. Costa, naquela função e naquela terra, foi a encarnação viva de uma História com séculos e com milhões de destinos misturados numa convivência identitária.

Até a infeliz coincidência de a morte de Soares ter ocorrido durante a visita acaba por dignificar e engrandecer o momento, pois ninguém duvida do sofrimento acrescido que lhe causou, por cima da sua relação afectiva com Soares, ter de faltar ao funeral de um camarada e de um amigo tão decisivamente importante. Só os pulhas é que tiveram estômago para explorar a situação. A decisão de continuar a visita, sendo consensualmente legítima e adequada, constitui-se como uma imprevista homenagem ao que Soares representa para a democracia portuguesa.

Será interessante observar se Costa recolherá da viagem algo que venha a inscrever-se no seu carisma – e que não seja apenas a intensificação da sua imagem como Buda feliz.

.

Até apetece atacar o Ferreira Fernandes

«Nesta terça-feira, um site de notícias, o BuzzFeed (e a CNN seguiu-o), revelou um explosivo dossiê acerca de Trump, com dados sobre a chantagem que os russos fazem ao presidente eleito americano.»

Até apetece defender o Trump

.

Wrong. A CNN noticiou, baseada em diferentes fontes, que os serviços secretos americanos tinham apresentado a Trump um documento que aludia à posse, pela Rússia, de informações comprometedoras para Trump: Intel chiefs presented Trump with claims of Russian efforts to compromise him

Ontem, Trump atacou a CNN colando-a ao que fez o BuzzFeed depois da CNN, o qual divulgou aquilo que sem comprovação não passa de calúnias, supostamente da autoria de um ex-espião inglês a trabalhar para clientes americanos interessados em combater politicamente Trump. Tal não pode ser confundido com a notícia da CNN, a qual é relativa aos encontros de Trump com os directores das agências de inteligência.

Está aqui uma posição oficial da CNN a respeito: Read CNN’s response to Trump’s accusations of false reporting

E está aqui a conversa de Anderson Cooper com Kellyanne Conway acerca do mesmo assunto, a qual é à prova de estúpidos: Anderson Cooper, Trump adviser clash over Russia report

O desafio que Trump coloca à racionalidade colectiva pelas suas sistemáticas e desvairadas mentiras não será resolvido atacando a CNN. Esta evidência, pelo menos, poderemos ter como ponto de apoio para conseguir afastar Trump o mais rapidamente possível do poder político que já tem e, especialmente, do que vai ter dentro de dias.

.

ADENDA

Fernandes, por favor, não escrevas “site”, pela nossa saúde. Mas, se achas que tens mesmo de grafar essa barbaridade porque o coração tem razões que a razão abomina, opta por “website”, ou usa aspas, ou usa itálico. Por favor, ó pá.

.

Revolution through evolution

Females Seeking a Sexual Partner Can Tell Whether or Not Males Experienced Social Stress During Adolescence
.
Counseling, antidepressants change personality (for the better), team reports
.
Time-restricted feeding study shows promise in helping people shed body fat
.
More Volunteering as Teens Leads to Less Criminal Activity as Adults
.
Foods Rich in Resistant Starch May Benefit Health
.
Mediterranean Diet May Have Lasting Effects on Brain Health
.
Physician’s Near-Death Experience Inspires Campaign to Boost More Effective Patient Communication

.

Quando é isto a referência

O Público, cumprindo-se como o semipasquim que é, despediu José Vítor Malheiros alegando falta de dinheiro para lhe pagar. Este cronista não era só uma memória viva do jornal enquanto instituição e desde a sua fundação, era e é também uma voz que verte salubridade e inteligência no espaço público.

Entretanto, o Público e o seu director que já se declarou fã mantêm João Miguel Tavares na lista de pagamentos. É até provável que vejam na figura uma estrela da companhia, adorando de cada vez que ela consegue arranjar alguma “polémica” com outros avençados da opinião. Nada contra, obviamente, a começar porque não contribuo para as despesas desse jornal. Mas chamo a atenção para este caso:

O Presidente da República ficou desgostoso por os portugueses terem elegido “geringonça” como palavra do ano. Ele teria optado por “descrispação”. É uma escolha surpreendente de Marcelo, desde logo porque a palavra não existe. Porto Editora, Houaiss, Aurélio, Academia – nenhum dicionário cá de casa a reconhece.

Caluniador pago pelo Público

Este profissional da calúnia vem para os jornais exibir o seu ultrapositivismo lexical, declarando confiante que as palavras que calhem não aparecer nos dicionários que calhe consultar não existem. É uma ideia muito engraçada, vai sem discussão, mas ele usa-a para defender Cavaco e atacar Marcelo e isso, que num plano já filosófico continua a ter graça, no plano do entendimento e sua fruição cognitiva fica como uma extraordinária manifestação de estupidez.

O que há de notável no João Miguel Tavares não é a forma tosca como se projecta liberal de pacotilha, de imediato e na mesma frase atacando o Estado de direito ao serviço dos seus ódios e marca se preciso for, nem o uso da calúnia para ganhar dinheiro, onde não passa de mais um na legião. O que é verdadeiramente notável está na mediocridade impante do seu pensamento. E, claro, haver quem tenha dinheiro para lhe pagar na outrora chamada imprensa de referência.

Será que vão a tempo de apanharem o Vítor Malheiros na porta e pedirem-lhe para ele dar ao ex-colega uma lição rápida sobre o que é a linguagem, a língua e a fala? Vá, rápido, que o homem ainda deve estar nas escadas.

Cineterapia

Elle_Paul Verhoeven

Amar é urgente, mas o cinema está primeiro. O que é o cinema? Pondo a questão na sua vertente política, até quando vamos suportar que se acabe a escolaridade obrigatória, que se despachem licenciados com supostas licenças, que se tratem por mestres e doutores catrefadas de sabichões de meia-tigela, e que nem uma destas almas penadas saiba distinguir a televisão do cinema, o cinema da chachada?

Verhoeven é um curso de cinema ambulante para os carentes e ainda nem sequer chegou aos trinta filmes nos seus 78 anos de juventude. Os cinco que fez entre 1987 e 1997 deixaram-no aos olhos da enorme maioria como mais um serviçal de Hollywood à procura das banalidades lucrativas: RoboCop, Total Recall, Basic Instinct, Showgirls e Starship Troopers, Peter Weller, Arnold Schwarzenegger, Sharon Stone, Michael Douglas, Kyle MacLachlan, Neil Patrick Harris, Denise Richards. Uma década de americanices, certo? Incerto. Depende do entendimento que cada um tenha do que é o cinema americano. Pista: o cinema americano foi criado por estrangeiros.

Peguemos nas extremidades do ciclo, RoboCop e Starship Troopers. Que se passa nesses filmes? Isto é, que histórias estão a ser contadas? Quem tiver 12 anos tem igualmente o direito a resumir o primeiro através da frase “Um polícia que morre e se transforma num robot que luta contra outros robots” e o segundo com a frase “Uma raça de insectos extraterrestres inteligentes quer invadir a Terra e matar-nos a todos”. Quem tiver 21 anos e continuar a usar as mesmas frases mostrará que não percebe patavina de cinema. Para casos similares acima dos 35, não só mostrarão o mesmo grau de ignorância mediática como de caminho revelam que também não pescam nada de literatura, política e semântica. Se dominassem o mínimo dos mínimos a respeito dessas áreas da inteligência humana, saberiam que o RobCop é uma gozação com o fascínio desmiolado pela tecnologia como instrumento de constrangimento social e que o Starship Troopers é uma gozação ainda mais desbragada com as ideologias militaristas e fascizantes.

Nada conheço sobre o contexto que gerou a imagem escolhida para ilustrar esta Cineterapia. Aparenta ser um momento em que o realizador está a dirigir uma actriz, no caso a personagem principal do Elle. Neste filme conta-se a história de uma violação. Mas qual? Aquela com que se inicia a fita? A outra com que se inicia a história dentro da história, a violação nascida da aleatoriedade da existência? Ou as restantes, inumeráveis, violações da confiança relacional e das camadas superficiais da personalidade com que a narrativa se transforma em história?

Michèle Leblanc, a filha de um psicopata, ex-mulher de um falhado, mãe de um fraco, filha que sente vergonha da mãe, sócia de uma amiga cujo marido é seu amante apenas para foder, vizinha de um violador casado por quem se sente atraída, patroa de homens básicos e mercenários, explora comercialmente a violência. O filme diz-nos que ela é uma vítima de violação sexual. E que procura vingar-se do seu violador. O cinema, aquilo que num filme só podia ter sido criado por artistas, conta outra história. A história de uma mulher que se comporta como se não fosse vítima de nada nem de ninguém. Nem vítima dos homens, nem das mulheres, nem de si própria.

A imagem conta essa história. Aquela actriz não é vítima daquele realizador. E o cinema afasta a realidade para deixar passar a verdade. Luz e sombra.

Revolution through evolution

Hard-wired: The brain’s circuitry for political belief
.
Most Doctors Ignore One of the Most Potent Ways to Improve Health, Penn Experts Say
.
New breakthrough in neuroscience: Self confidence can be directly amplified in the brain
.
Scientists build bacteria-powered battery on single sheet of paper
.
Giant cell blob can learn and teach, study shows
.
Frequent sauna bathing may protect men against dementia, Finnish study suggests
.
Mysteries of Father Christmas/Santa Claus ‘solved’ by relativity theory

Vai ser o melhor 2017 de sempre

A primeira democracia foi também a primeira cultura a homenagear os soldados mortos em batalha cujos corpos não foram recuperados. Incluíam uma urna vazia nas cerimónias fúnebres para representar a sua presença. Tucídides legou-nos um paradigmático discurso de Péricles onde a ocasião serviu para falar do essencial da morte guerreira para um ateniense, a morte sofrida e a infligida: defender a liberdade de todos os que querem ser livres.

Neste último dia de um 2016 que gerou uma obsessão colectiva com a finitude dos famosos, quero recordar todos aqueles que desapareceram deste convívio minúsculo, falso e infantilóide que ocorre nas caixas de comentários/conversas deste e doutros espaços digitais. Como tenho a memória do que se passou desde o começo, sei que não há comparação possível entre o que foi o ambiente dos anos iniciais com o que é o ambiente dos últimos anos. Inútil repetir o diagnóstico para essas alterações, de tão evidentes e simples de explicar. Falo nessas diferenças, principalmente, para recordar aqueles que já terão morrido, ou enlouquecido, ou ficaram incapacitados de pensar e comunicar, ou estão deprimidos, ou caíram na pobreza e na miséria, ou partiram para longe, ou simplesmente se fartaram e passaram a não perder o seu precioso tempo por aqui, e sobre os quais nada nos foi dito, a nós que fizemos com a sua presença infantilóide, falsa e minúscula uma alegria que encheu dias, semanas, meses e anos.

A alegria de irmos para a batalha juntos. Uns nas muralhas, outros fora da cidade. E também com os perdidos, os medrosos, os feridos. Juntos ao Sol, juntos na fogueira.

Abraços para todos os que nunca vi, com quem nem um olá foi trocado, e de quem nunca conhecerei sequer metade da última letra do apelido