E Goa aqui tão perto

Costa mereceu aquela que terá sido, aposto os 10 euros que tenho no bolso, uma das melhores experiências da sua vida: regressar a Goa como primeiro-ministro de Portugal. A dimensão estatal, oficial, pública insuflou a dimensão privada, familiar, subjectiva. Mas a última igualmente contagiou a primeira, numa fusão perfeita entre biografia e simbólica política. Costa, naquela função e naquela terra, foi a encarnação viva de uma História com séculos e com milhões de destinos misturados numa convivência identitária.

Até a infeliz coincidência de a morte de Soares ter ocorrido durante a visita acaba por dignificar e engrandecer o momento, pois ninguém duvida do sofrimento acrescido que lhe causou, por cima da sua relação afectiva com Soares, ter de faltar ao funeral de um camarada e de um amigo tão decisivamente importante. Só os pulhas é que tiveram estômago para explorar a situação. A decisão de continuar a visita, sendo consensualmente legítima e adequada, constitui-se como uma imprevista homenagem ao que Soares representa para a democracia portuguesa.

Será interessante observar se Costa recolherá da viagem algo que venha a inscrever-se no seu carisma – e que não seja apenas a intensificação da sua imagem como Buda feliz.

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17 thoughts on “E Goa aqui tão perto”

  1. «Mas a última igualmente contagiou a primeira, numa fusão perfeita entre biografia e simbólica política. »?

    Valupi, larga o vinho.

  2. «Costa, naquela função e naquela terra, foi a encarnação viva de uma História com séculos e com milhões de destinos misturados numa convivência identitária.»?

    Professor José Hermano Saraiva volta, estás perdoado.

  3. há 4 postes atrás: “Costa fez bem ou mal em não ter interrompido a visita a Goa para vir ao funeral de Soares?”
    agora: “Só os pulhas é que tiveram estômago para explorar a situação.”

  4. Afonso de Albuquerque incentivou o fenómeno da mestiçagem a fim de arranjar gente suficiente para um dia dominar aqueles mares e costas do oriente.

    Apenas conseguimos aguentar 460 anos aquela pequena terra do pai de António Costa.

    Em Angola, Caboverde e Guiné e Moçambique tentou-se o mesmo um pouco depois e acabou tudo 12 anos depois do fim de Goa.

    Está-se tentando agora o mesmo processo em Lisboa, Algarve, Cova da Moura, Moita e Martin Moniz, e já vamos tendo alguns resultados na governação e no futebol até já somos campeões europeus.

  5. ignatz, qual é a ideia de se fazer uma pergunta? Deixa cá pensar… hum… com essa é que me apanhaste, seu espertalhão. Mas vou arriscar: fazem-se perguntas para obter respostas.

    Talvez não tenhas notado, mas alguns ranhosos questionaram a ausência de Costa no funeral dizendo que ela era algo reprovável. Talvez também não tenhas reparado que essa questão não nasceu neste magnífico blogue seguido religiosamente pelas elites nacionais, mas sim na sociedade portuguesa e seus representantes políticos e demais opinadores profissionais.

    Um dos efeitos do teu consumo de merda às colheres é esse desnorte perante as coisas simples da comunicação.

  6. pois claro, perguntar não ofende e as perguntas fazem-se para obter respostas. o oitávio do manhólas não diria melhor e nem percebo porque é que alguém se indigna quando a sic passa um dia na rua a inquirir transeuntes sobre a dimensão do funeral do soares. depois há os outros que não inventam nada, limitam-se a pôr merda “alheia” na ventoínha.

  7. Não tem nada a ver, só quero aproveitar a oportunidade de estar rodeado de grandes cérebros para que me esclareçam sobre uma grade duvida que não pára de me atormentar.
    Pacheco Pereira, Lobo Xavier e todos os outros furiosos inimigos de Sócrates e grandes crentes da sua culpabilidade e que se fartaram de elogiar Mário Soares pela sua lucidez e coragem, estarão convencidos que o homem que fez várias visitas a Évora e disse que disse a esse propósito, estava lelé da cuca ou era um inocente enganado pelo diabo?

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