Anda a oposição à direita do PS numa completa fona. De indignação em indignação, chegámos agora ao momento “E o escândalo da TAP?” (mas não o do Sr. Neeleman). A CPI não lhes está a correr bem. Que o Governo não lhes dá isto, alegam, que não lhes diz aquilo, que esconde da comissão de inquérito uma informação qualquer importantíssima e com que obscuros fins, meu deus. Esta paranoica oposição fantasia narrativas, inventa dramas sinistros, conclui desmioladamente, acha que o seu patear sem sentido manda a casa abaixo. Se o Governo titubeia, um pouco atónito com o galinheiro, ai que se contradiz, ai que não há coordenação, ai que anda à deriva. Se não fala, se não responde a uma súbita urgência tirada da cartola, ai que leva com um processo por desobediência e sonegação de informação. Deviam ir presos! Têm que ir presos.
Montenegro anda, digamos, demasiado excitado e divertido com o seu próprio espectáculo para que haja paciência para o aturar, quanto mais levá-lo a sério. O Chega disputa-lhe o “show” carregando nas mentiras e nas ameaças e a Iniciativa Liberal diverte-se a encontrar frases assassinas, ainda que sem objecto a que se apliquem. O BE aproveita o barulho, como sempre. Os jornais e as televisões alinham neste ambiente carnavalesco-apocalíptico. Foi só ver o anúncio do passado programa «É ou não é», na RTP 1, para perceber até que ponto toda esta malta anda exaltada, empanturrada das tiradas catastrofistas da direita e a ferver ainda antes do pleno Verão. Marcelo ajuda à festa. Ou porque invoca mais do que devia, ou a total despropósito, os seus poderes de dissolução do Parlamento, ou porque espicaça (orienta?) o Montenegro a falar mais para provar que tem a mínima credibilidade. O ambiente é deplorável, nele não faltando a múmia Cavaco Silva a bolçar o seu veneno.
Calma, meu senhores. Vai-se a ver e não se passa nada. Nada de mais, pelo menos após a queda em desgraça do ministro Pedro Nuno Santos, que se dedicou demasiado aos comboios e deixou a TAP um bocado em roda livre. Havia conflitos na administração dos quais se alheou ou sobre os quais despachou com demasiada superficialidade. Pagou um preço por isso, demitindo-se, como não podia deixar de ser, ele e o seu secretário de Estado, e arruinando talvez para todo o sempre as suas ambições políticas. Mas esse acontecimento importante já foi há algum tempo. Tirando isso, há simplesmente o relatório da IGF, a deliberação da DGTF e há a decisão de demitir a CEO da TAP. Uma coisa ligada às outras. Demissão, aliás, que toda a oposição já previa e a comunicação social sua amiga pedia, convém lembrar. Se o Governo consultou os juristas de serviço para esta decisão? Evidentemente que sim. A IGF, inclusivamente, deve dispor de juristas. Não há mentira nenhuma no que disse Mariana Vieira da Silva nem contradição com o que disse Medina. Se o Governo dispõe de um documento oficial com um parecer jurídico sobre o despedimento? Sim e não. Não tem que dispor. Por milagre, hoje, no Público, vem a deliberação da DGTF. Num artigo intitulado “As três violações e as cinco razões para despedir administradores da TAP” ficamos a saber a fundamentação para os despedimentos.
Chegará para calar as galinhas? Ou vão continuar a brincar e a jogar com a TAP?

JS_VNB
Experiente