… enquanto acusa Trump e Bolsonaro e as extremas-direitas populistas de quererem impor regimes fascistas, sem liberdade de imprensa, sem sindicatos, sem democracia. Regimes precisamente iguais aos da mesma Rússia e China, que no fundo elogia (diz que todos os países têm os seus problemas, mas que o que é certo é que a China está a conseguir ser a maior potência comercial do mundo – comentários para quê?).
++++++++++++++++
A campanha tem o objectivo de angariar 400 mil voluntários, dizem os britânicos. O Ministério da Defesa considera, contudo, que será difícil para os russos conseguirem atingir esse objectivo. Estes anúncios podem ser vistos na televisão, nas redes sociais e em cartazes espalhados pelas ruas russas.
Esta mais recente campanha de recruta tem como objectivo atrasar ao máximo uma nova campanha de mobilizações forçadas, medida que iria levantar os níveis de descontentamento no país. “
(In Público de hoje)
Não acredito na ingenuidade de Lula da Silva. Ser ingénuo seria não perceber o interesse de Vladimir Putin em dominar a Ucrânia, razão pela qual a invadiu. Já na sua hipocrisia, sim, acredito. Reconhecendo que a Rússia invadiu um país soberano, e que essa decisão foi um erro, nas suas próprias palavras, nunca exige o que seria o mais óbvio: que se retirem. Tal como o PCP e os putinistas confortavelmente instalados no Ocidente, enche a boca com a palavra paz, como se não fosse precisamente isso que os ucranianos e os seus vizinhos mais querem.
E a que paz se estará a referir, quando se leem notícias como a lá de cima? Como aceitar as suas acusações de que a Europa e os Estados Unidos estão a incentivar a guerra ao apoiarem militarmente a Ucrânia na sua defesa, enquanto omite por completo a mobilização russa?
Lula quer negócios com todos. Por isso, acha que encontrou a palavra milagrosa para não se comprometer – a famosa “paz”. Claro que, com saída tão pouco original, mete os pés pelas mãos quando lhe pedem que esmiúce os passos para lá chegar (quando perguntam). Convencer o Putin? A sentar-se a uma mesa? Sem retirar as tropas do país que invadiu? Pelos vistos sim, abelha. Convencer o Zelensky? A quê? A aceitar conversar sobre a perda de território? A aceitar perguntar ao Putin “Ora então diga lá que partes do meu país mais lhe convêm?”.
Lula da Silva pensa que pode brincar com a nossa inteligência. Ainda se dissesse simplesmente: “Tenho negócios com a Rússia, com a China e quero tê-los também com os Estados Unidos e a Europa. Não me pronuncio sobre a guerra.” Ah, esperem. Isso seria não condenar uma violação do direito de soberania dos Estados. Isso seria pactuar com uma ilegalidade. Seria fechar os olhos às atrocidades em nome dos interesses comerciais. Seria permitir que lhe roubassem parte do Brasil! Melhor mesmo é então falar em querer a paz. Que diferença e que lufada de ar fresco, não é?

JS_VNB
Experiente