Pergunto-me se o mundo, se os Estados Unidos, se envolveriam numa guerra no Médio Oriente para a manutenção do Estado de Israel.
Imaginemos que o Irão, a Jordânia e a Síria, com a Rússia por trás, animados pelo aparente sucesso do Hamas em desestabilizar o Estado vizinho, decidiam apoiá-lo às claras e atacar em força com vista a eliminar os judeus daquela zona do globo, onde, dizem muitos, nunca se deveriam ter estabelecido, e provocar deste modo os Estados Unidos, principais apoiantes do Estado de Israel, mas já bastante “ocupados” com o problema da Ucrânia. Quem acorreria para evitar que tal desfecho se concretizasse? Pois tenho dúvidas.
Imaginemos, então, que o Estado de Israel se desmoronava, sendo os seus habitantes obrigados a fugir para outras paragens e instalando-se nesse território um estado palestino governado pelo Hamas. Continuariam os nossos bloquistas e comunistas, e os seus congéneres europeus, a dar vivas ao que se seguiria? Se sim, isso seria o equivalente a darem vivas aos talibãs. Como não se atrevem a ir tão longe no seu ódio ao Ocidente, suponho que frisariam a opressão em que viviam os pobres dos palestinianos nas mãos dos judeus e em como, agora, seriam donos do seu destino… Uns caridosos, estes farsantes. Pena que não vissem o absurdo, a abjecção, dessa caridade.
Não nutro qualquer simpatia nem pelos judeus ortodoxos, uns fanáticos que pensam ser donos de toda aquela terra por direito divino e que, em matérias sociais e políticas, pouco se distinguem dos tiranos islamistas iranianos, afegãos, etc., nem pelos radicais islâmicos que gritam morte às outras civilizações como se ainda vivessem no século VIII EC e que pouco ou nada contribuem para o progresso da humanidade. Estão bem uns para os outros e, se se eliminassem mutuamente, não viria mal nenhum ao mundo, pelo contrário. Já chega de querelas religiosas em nome de divindades, quando, no fundo, é uma questão de poder e dinheiro.
No entanto, Israel era uma democracia do tipo ocidental até há pouco tempo. Havia liberdade, tolerância, ciência e modernidade. Têm os judeus fantasias quanto à sua singularidade neste mundo? Têm, mas não me incomoda, desde que continuem a produzir bons cientistas e convivam bem com a secularidade. Naquela parte do mundo, a minha preferência só pode ir para eles. Já a ocupação progressiva que fazem do território dos seus vizinhos não é de todo aceitável e deviam recuar.
O actual agudizar deste longo conflito não me surpreende, portanto. Os terroristas do Hamas são umas bestas. Mas os israelitas já o sabiam. Os regimes autocráticos do mundo islâmico são violentos e desumanos. Cada vez mais o confirmamos. O Hamas não poderia ser uma excepção.
Assim sendo, para já, distância. Mas, neste caso, como no da Ucrânia, uma negociação de paz para evitar o pior terá que passar pelo abandono dos colonatos na Cisjordânia, onde Israel é o ocupante, como contrapartida pelo reconhecimento do Estado de Israel pelos dirigentes palestinos.
E chovam as críticas, por favor.
