Uma imensa Fox News

Sobre o caso do momento. O Frederico Pinheiro não podia levar o computador. Ponto. A partir daqui, o que interessa a hora das chamadas (feitas como se impunha que fossem), os membros do governo informados (como deviam ter sido), a entidade policial alertada (e foram alertadas várias) e outras questões ainda mais laterais totalmente irrelevantes para o caso, que mais ridículas se tornam na boca prolongada, e na desboca, dos deputados inquisidores?

A situação ocorrida no ministério foi insólita e inesperada, mas penso que muito clara para todos. O homem despedido quis levar o computador com ele (ainda não explicou porquê) e, encontrando resistência, forçou-o recorrendo à violência. As restantes assessoras e as funcionárias apenas podiam fazer uma de duas coisas: ficar a olhar para ele passivamente enquanto cometia o ilícito (tornando-se nesse caso cúmplices, pelo que também já estariam no olho da rua); ou impedi-lo de levar o computador: com as próprias mãos ou pedindo que as saídas do edifício fossem bloqueadas. Feito tudo isso, não é de esperar, obviamente, que o assessor corrido venha tecer elogios às ex-colegas ou ao ministro, muito pelo contrário, faz-se de vítima, e pouco mais haverá a dizer a não ser que se aguardem as conclusões do processo, sobretudo se houve interferências indevidas em documentos classificados, que tipo de informação não autorizada estava no computador e o tipo de sanção que será aplicada ao ex-assessor infractor. O ministro apenas o despediu, coisa que tinha todo o direito de fazer. Aliás, se me permitem um aparte, finda a geringonça, o que fazia ainda um militante bloquista no governo?

Por isso, a comunicação social já acabava com as suas inqualificáveis figuras, até porque já ninguém aguenta. Sobretudo ver jornalistas, praticamente todos (os mesmos que nos dão diariamente as notícias mais diversas), a tomarem os espectadores por acéfalos, a assumirem descaradamente o papel de opositores ao Governo, recorrendo, como disfarce e apoio, a todos os comentadores de direita ou de extrema-esquerda que puderem arrebanhar para a sua “causa”. A que propósito é que se põem a defender directa ou indirectamente através de insinuações várias o ex-assessor? Que tipo de imprensa e de comunicação social existe em Portugal? É tudo a Fox, a que na América está ao serviço do Trump, essa criatura deplorável? Uma, aliás várias “news network” em campanha permanente, escamoteando o óbvio ? A nossa comunicação social é, na Europa, uma vergonha. Jornalistas sem consciência profissional, uma ERC que não existe, ninguém que assegure um mínimo de pluralismo e isenção. Um circo, e de má qualidade.

54 thoughts on “Uma imensa Fox News”

  1. uma imensa fox news a incitar os cidadãos a fazerem justiça com as próprias mãos. ventura não diria melhor. muito bem!
    e se a unica coisa que interessa é que alguém cometeu um crime e ponto (algo que só os tribunais podem decidir e não um qualquer blogue da treta), nem se entende porque é que não o abateram a tiro quando lhes virou as costas para sair do ministério.
    bang-bang!

  2. “Aliás, se me permitem um aparte, finda a geringonça, o que fazia ainda um militante bloquista no governo?”

    na CPI não se deviam ter esquecido de perguntar isto ao……. eeeerrrrr… galamba?

  3. Ospilica aí ao maralhal qual a diferença entre a Fox, que na América está ao serviço do Trump, essa criatura deplorável… e desconfortável para os hipócritas, por cagar na cosmética e pôr a nu, sem vergonha na tromba, a verdadeira face da América, e a CNN ou MSNBC, ao serviço da psicopata Killary Klingon, do droner-in-chief Barack Obama, do corrupto senil Joseph Robinette Biden e do resto da máfia que meteu no bolso o império do bem.

  4. ora nem mais, eu teria adoptado os mesmíssimos procedimentos – quer do ministro, quer das assessoras e funcionária, quer do primeiro ministro. o que os badalhocos ao serviço dos media querem é ganhar audiências a inventarem roupa suja ao governo. e esse palerma, que é o Pinheiro, tem de ser castigado e bem castigado. e depois terão todos de se desculparem pela gratuita algazarra suja que andam a fazer, homessa. e eu, se pudesse, ainda os obrigava a todos a tomarem banho de emersão em lixívia purinha.

  5. ah, parece que sim! aqui vai pela 345ª vez, então

    “e
    e
    e aquela entrevista mansinha mansinha com o publico presente no estúdio escolhido a dedo pelo entrevistado feita aqui há uns dias pela fox… espera! foi pela cnn?!?!”

  6. Aliás, se me permitem um aparte, finda a geringonça, o que fazia ainda um militante bloquista no governo?

  7. Camacho: Estás desactualizado. Ganhaste a CNN para a tua causa. Em 2022, foi adquirida pela Warner Bros. e, recentemente, está a tentar conquistar as audiências da Fox, prestes a cair em desgraça depois de tanta mentira, trafulhice e rombo nas finanças daí decorrente.

  8. portanto, a cnn está a seguir os passos da fox na trafulhice para captar as audiências da direita porque a fox está cheia de dividas e vai falir devido a essa mesma trafulhice que usou para captar as audiências de direita. quem serão os gestores geniais destes orgãos de comunicação social?
    seja como for, viva a terra dos livres e os valores da NATO! não é, penélope?

  9. ganda pacheco pereira, o ultimo bastião da defesa da ética jornalística contra a pulharia! não é, valupi?

  10. Já o embaixador Seixas da Costa, fez notar no seu blog todo o apoio que o Governo e, o ministro
    João Galamba recebe dos meios de comunicação, sejam a generalidade das televisões e, dos seus
    painéis de comentadores criteriosamente escolhidos pela sua independência … não se encontran-
    do alguém que, represente a oposição havendo da parte desta um sentimento de claustrofobia e,
    isolamento como se verificou nos idos de 2010 em que, o “galifolé” fez o show de saltar para cima
    de um banco e gritar que Portugal era uma ditadura lá para os lados de Bruxelas!!!

  11. Filha de Icário e esposa de Ulisses, também conhecida por Arnacia, não tenho tempo nem disposição para te explicar como funciona a imprensa numa democracia, não te cubras de ridículo, donde te vem a legitimidade, para considerares QUEM, O QUÊ, e QUANDO, pode, quais e quando, devem os assuntos ser abordados ?

  12. Querida Penélope, afirmar ser minha a causa de uma besta que classifico como “criatura deplorável e desconfortável para os hipócritas, por cagar na cosmética e pôr a nu, sem vergonha na tromba, a verdadeira face da América” releva ou de desonestidade intelectual e má-fé ou de deficiência cognitiva aguda… ou das três ao mesmo tempo. Aquilo não é um país, é um saco de gatos em que, por dá cá aquela palha, desatam a matar-se uns aos outros, é uma república das bananas atafulhada de esteróides e armada até aos dentes, é uma-coisa-a-modos-que-assim que não vê coisa no planeta que não queira tomar para si. Tem os dirigentes que merece, cada um pior do que o outro, e o bullying que exerce sobre tudo o que mexe à face da Terra levará, provavelmente, a que, na Terra, qualquer dia tudo deixe de mexer. Oremos.

  13. Atenção aos cinéfilos. Está aí de novo, em centésima reposição e versão recauchutada, a comédia de terror “O Regresso da Múmia”, num ecrã perto de si. Efeitos especiais melhorados, que agora incluem cheiro. Uma mistura de mofo, ranço, bafio e merda, num toque de genialidade cuja fórmula só foi possível graças à prodigiosa criatividade da IA. Obrigado, ChatGPT!

    https://observador.pt/2023/05/20/cavaco-silva-estou-seriamente-preocupado-com-as-consequencias-da-governacao-do-ps/

  14. “Aquilo não é um país, é um saco de gatos em que, por dá cá aquela palha, desatam a matar-se uns aos outros, é uma república das bananas atafulhada de esteróides e armada até aos dentes, é uma-coisa-a-modos-que-assim que não vê coisa no planeta que não queira tomar para si. ”

    Na Rússia não há disto, encharcam-se em vodka e ocupam a vizinhança com bombardeamentos e tiroteios diários há mais de uma década, destroem cidades inteiras, chacinam, torturam e violam populações, roubam carregamentos de cereais e aço, equipamento agrícola, electrodomésticos e sanitas.

  15. Na América não há disto, encharcam-se em whisky e ocupam a vizinhança com bombardeamentos e tiroteios diários há mais de um século, destroem países inteiros, chacinam, torturam e violam populações, roubam carregamentos de petroleo, petróleo, petróleo, cereais e aço, equipamento agrícola, electrodomésticos, sanitas e petróleo, entre outros.

  16. Ocupam a vizinhança e a longiquança com bombardeamentos e tiroteios diários desde 4 de Julho de 1776, destroem países inteiros, chacinam, torturam e violam populações, roubam tudo o que podem de todos os que podem e o que não podem roubar transformam em pó.

  17. O cúmulo da obscenidade é ver o chefe máximo do país que vitimou Hiroxima homenagear as vítimas de Hiroxima na própria Hiroxima que vitimou. O cúmulo da obscenidade é ver o chefe máximo do país que assassinou Hiroxima homenagear os que assassinou como se tivesse sido outro a fazê-lo. O cúmulo da obscenidade é ver o chefe máximo do país que assassinou Hiroxima homenagear os que assassinou sem que alguma vez se tenha retratado ou lamentado o crime ou ensaiado sequer um tímido pedido de perdão. O cúmulo da obscenidade é ver o chefe máximo do país que assassinou Hiroxima homenagear as vítimas que o seu país assassinou rodeado por lacaios subservientes que não só o crime nunca condenaram como justificaram e branquearam. O cúmulo da obscenidade, e da indignidade, é ver o país das vítimas de Hiroxima masturbar o chefe máximo do país que as assassinou, ajoelhar-se, fazer-lhe um felatio e, sem parar dois segundos para respirar, baixar as calças e oferecer-lhe obsequiosamente a ressequida bunda. O cúmulo da futurologia é eu não me admirar nada nadinha nadica que, um dia destes, os livros de História do império do bem afirmem que, afinal de contas, não foi a América mas sim a Rússia soviética que lançou bombas nucleares sobre Hiroxima e Nagasaki, ou, no mínimo, que foi a Rússia soviética que, ao engano, levou o império do bem a fazê-lo. Vai uma apostinha?

  18. Joaquim Camacho: Que de emoção! Mas olha que o primeiro-ministro japonês e os japoneses em geral estão tranquilos por receberem lá o americano. Já paravas de assumir as dores que outros não têm. O que tem o Biden que ver com o bombardeamento de Hiroxima? Diria que o mesmo que os recentes dirigentes japoneses têm que ver com o alinhamento do Japão com a Alemanha nazi no século passado.

  19. Penélope: “Mas olha que o primeiro-ministro japonês e os japoneses em geral estão tranquilos por receberem lá o americano.”

    A que achas que estava a referir-me quando escrevi: “O cúmulo da obscenidade, e da indignidade, é ver o país das vítimas de Hiroxima masturbar o chefe máximo do país que as assassinou, ajoelhar-se, fazer-lhe um felatio e, sem parar dois segundos para respirar, baixar as calças e oferecer-lhe obsequiosamente a ressequida bunda.”

    “as dores que outros não têm” ? Pois, é a vantagem de um calo de três centímetros na peida.

    “O que tem o Biden que ver com o bombardeamento de Hiroxima?”
    Pois again. E o que o Portugal de hoje a ver com os crimes da colonialismo português de antanho?
    E o que tem a igreja portuguesa de hoje a ver com os crimes da Inquisição?
    E o que tem a Alemanha de hoje a ver com os crimes do nazismo, para a Polónia, por exemplo, continuar a exigir-lhe indemnizações?
    E o que tem a Rússia de hoje a ver com a Rússia soviética, para a mesma Polónia lhe exigir igualmente indemnizações?

    Resposta: tudo e nada, conforme os ventos, os poderes de facto e a formatação das mentes pelos que têm poder para as formatar.

  20. Já quanto aos “japoneses em geral”, bueno, eu diria que há “japoneses em geral” e há “japoneses em geral”.

    https://www.macaubusiness.com/japanese-civic-groups-protest-against-upcoming-g7-summit-in-hiroshima/

    BBC News – Japan’s pacifism hangs in balance as China and North Korea threats loom
    https://www.bbc.co.uk/news/world-asia-65643346

    https://www.voanews.com/a/japan-us/3382527.html

    https://youtu.be/TbFLinXsSCg

    Resumindo, beloved Penélope (ou pineapple?), continuas a chonar. Maldita tsé-tsé!

  21. os japoneses inventaram um novo gênero de dança extremamente dramático e até mesmo “assombrado” fundamentalmente inspirado na tragédia nuclear que sofreram mas para a penélope não têm qualquer resquício de “dor” por essa imensa crueldade. que dizer?

  22. entretanto, os sobreviventes do holocausto nuclear de hiroshima e nagasaki

    https://www.npr.org/2023/05/21/1177020273/hiroshima-japan-g7-atomic-bomb-survivors-nuclear-disarmament

    https://www.washingtonpost.com/politics/2023/05/17/biden-hiroshima-g7-nuclear-threat/

    mas habituados que estão a ver presidentes de ascendência judaica a apoiar assumidos nazis, os autores aqui do blogue já não são capazes de distinguir nos outros carácter, respeito e memória histórica. querem-nos fazer esquecer tudo para ver se cometemos os mesmos erros outra vez.

  23. a sofreguidão dos predadores de tão destruidora que é para atingirem os seus fins fálos cometerem actos e atitudes do mais baixo e ridiculo ao ponto de quererem transformar um bandido em vitima. há quem desventuradamente chega a engulir um enorme sapão pensando que é uma chamuça defendendo um bloquista de esquerda fazendo-o passar por um erói de extrema direita ou será que é mesmo um anjinho ele tem cara disso.
    Nota: os “eróis” de direita não tem H de homem ou humano.

  24. falos?
    com tanta conversa bélica, este blogue está com alto nivel de eroticismo

  25. Nunca será demais centrar o foco na unicidade de imprensa que temos.
    Existem dezenas de jornais, rádios e canais de TV, poderia ser apenas um, não faria diferença, não notaríamos a diferença.
    A CS que temos lembra-me o título do filme que ganhou o Oscar de melhor filme, “Tudo, ao mesmo tempo, em todo o lado, da mesma maneira”.
    É isto e… ainda assim não vão conseguir levar a água ao seu moinho!

  26. Caríssima Penélope, a propósito do “alinhamento do Japão com a Alemanha nazi no século passado”, tenho uma carrada de fotografias, tiradas em Londres, em 1971, aqui pelo je, moi, me, myself and I, do ternurento alinhamento do Reino Unido com o mesmíssimo Japão, ilustrado pela carinhosa recepção a sua alteza o imperador Hiropito… perdão, Hirohito, por suas (delas) sereníssimas majestades britânicas. Suas (delas) altezas (e quem lhes mexe os cordelinhos) certamente esquecidas de que o referido Hiropito… perdão, Hirohito, já esfregava a imperialíssima bunda no Trono do Crisântemo quando, sob a sua supervisão, os escuteiros alados do País do Sol Nascente bombardearam Pearl Harbor e, de uma assentada, matararam 2403 soldados americanos. E que continuou a esfregá-la enquanto, sempre sob a sua imperial supervisão, os seus escuteiros despejavam em campos de concentração, torturavam e assassinavam barbaramente todos os britânicos súbditos que conseguiam arrebanhar na região. A memória é uma coisa fodida e, enfim, como diria o broas no seu patuá afrancesado, tout est pardonné.

    Post scriptum — A título de curiosidade, envio-te já de seguida para o Aspirina as fotos que refiro acima. Documentos históricos, beloved Penélope.

  27. Joaquim Camacho: Para ti, o mundo é um eterno ódio. Não admira que alinhes com o facínora do Kremlin. E não adianta pores aqui, como resposta, retratos de outros facínoras ao longo da história da humanidade, em todas as geografias. Sabemos que existiram e ainda existem. Não é esse o ponto. Foram uma tragédia para os japoneses os bombardeamentos atómicos e a dor não desapareceu. Mas a vida seguiu, fizeram os devidos ajustes de contas, a paz também, com outros e com eles próprios, e o que é facto é que o Japão decidiu e orgulha-se hoje de pertencer à esfera das democracias ocidentais e não tem qualquer problema em receber líderes de países com quem esteve em guerra há algumas décadas. Na Europa acontece o mesmo entre as nações antigamente em conflito. Estranho é que não aprecies e ainda mais estranho que por cá continues.

  28. Temos uma comissão de inquérito à TAP, que não quer saber do inquérito mas sim do acessor e do computador, se foi sequestrado o acessor , esquecendo o óbvio a partir do momento da exoneração o ex. acessor deixava de fazer parte
    do ministério das infraestruturas , como tal levava os seus pertences pessoais e mais nada como manda o bom senso a partir daí é palha para burros ,a comunicação social e oposição de direita mais o BE deviam ter vergonha do espectáculo que deram ao país !

  29. Para o Costa cada ministro que guarde as suas costas.
    Ele nem está cá! ele é que a sabe toda!

  30. Ódio, Penélope?! Porra, eu é que sou o russófilo, mas tu é que estás completamente a leste. Ódio é coisa que só conheço dos livros e dos filmes. Tanto quanto sei, é cansativo pra caraças, obsessivo, um gasto de energias inconsequente e estúpido. Nunca estive nem creio que alguma vez venha a estar para aí virado. O que sinto por vezes por algumas pessoas é desprezo, como pelo burgesso rancoroso de Boliqueime e pelo cobarde corrupto Zelensky von Pandora Papers, por exemplo. De outros poderei sentir pena. Mas o meu sentimento dominante, que me aligeira os dias e as noites, é gostar de pessoas. E gostar de gostar de pessoas. De pessoas em geral, e não só dos amigos. E ainda por aqui continuo porque andam por aqui pessoas de quem gosto. De ti, para ser franco, ultimamente só tenho sentido pena. Teimas em não perceber corno de como se chegou à guerra Rússia-Ucrânia e, pior, fazes um esforço enorme para continuar a não perceber.

  31. Camacho: O canal Russia Today, onde vais alimentar as tuas fantásticas teorias de desculpabilização de criminosos de guerra, não passa de um canal de propaganda russa. No caso desse vídeo, a repetição das mesmas imagens até à exaustão tem um objectivo já conhecido: muitas vezes mostradas equivale, na propaganda, a muita gente e muita força. Uma insurreição. (suspiro)
    Há apoiantes russos do facínora do Kremlin na Europa? Sim. Russos e não só. Tu próprio és um exemplar disso. Há mesmo partidos políticos que o apoiam, seguramente sentados em financiamentos dali provenientes. Qual é a novidade? Cancros existem. Mas vê lá tu que, na Europa livre, até se podem manifestar em público sem irem presos ou serem envenenados ou atirados de janelas! Já os que, do lado da Rússia, gostariam que o Putin deixasse a Ucrânia em paz e sossego e os jovens russos viverem vidas despreocupadas longe de campos de batalha e do risco de morte prematura nem vê-los. Para se fazerem ouvir, só lhes resta fugir ou então ficar e pegar em armas também. Triste.

  32. Penélope, o vídeo é do canal indiano Hindustan Times e não da RT. Que eles pendem para o lado russo já eu tinha percebido, mas só depois do teu comentário me dei conta, no canto superior esquerdo do ecrã, da informação de que as imagens eram repescadas da RT. Mas isso é secundário e significa apenas que, excepto a RT (por cá democraticamente proibida) e através dela o Hindustan Times, todos os outros meios de informação, de canais de televisão a jornais, omitiram, esconderam de todos nós, terráqueos, informação relevante, porque o que vejo nas imagens não são meia dúzia de gatos-pingados mas sim milhares de manifestantes. Não sei se acreditas que os avençados merdiáticos que diariamente tentam comer-te as papas na cabeça na política nacional (esses, sim, pagos, muitas vezes até mal pagos) são diferentes dos que te comem as papas na cabeça nas questões internacionais, mas olha que não, pá, olha que não, são exactamente os mesmos. Recebem dos mesmos donos e comem nas mesmas manjedouras. Por que porra de carga de água acreditas que num caso mentem e no outro falam verdade é mistério para mim. Enfim, mistérios da fé, departamento por definição vedado a um ateu como eu. Voltando à vaca fria, se não fosse a RT, porque a RT foi o único meio de comunicação que reportou o acontecimento, eu não tinha sabido que, na Bulgária, milhares de pessoas se manifestaram vigorosamente contra a NATO. Qual é o teu problema com isso? Num planeta em que qualquer peido da Meghan Markle ou do seu principezinho de pechisbeque merecem notícia de primeira página ou abertura de telejornal, o normal seria questionares-te porque é assim. Mas não. Para ti, o problema é um acontecimento que merece ser notícia ser noticiado e milhões de pessoas serem informadas de que aconteceu, podendo ficar com perigosos e subversivos macaquinhos no sótão. Para ti, aqueles milhares de manifestantes terão forçosamente de ser todos pagos, porque tudo o que seja divergente, diferente do que pensas e defendes, só pode provir de malucos ou criminosos a soldo de facínoras. E se não me acusaste também abertamente do mesmo foi apenas por cobardia moral, pois bem o deste a entender. Não me passa pela cabeça acusar-te do mesmo. Parece-me claro que a defesa sectária e primária que aqui fazes dos criminosos de guerra do império de além-mar e criadagem indígena não tem a ver com qualquer recompensa financeira, mas apenas com estupidez e ignorância, que conduzem ao sectarismo cegueta que exibes de cada vez que te atiras ao teclado. O que teclas são apenas insultos gratuitos e raivosos de quem argumentos não tem. E o que desgraçadamente tens é uma noção muito peculiar sobre as liberdades de pensamento, opinião, expressão, informação e imprensa. Nada que espante em quem não tem uma palavra de indignação e protesto contra a prisão de Julian Assange, cujo único “crime” foi denunciar os crimes dos criminosos de guerra que para ti são o Sol na Terra, um pecado pelo qual esses criminosos de guerra o querem meter na prisão por 175 anos (!!!). Tenho uma novidade para ti, pá, uma informação preciosa pela qual não exijo qualquer pagamento: gente com pensamento diferente e independente existirá sempre e, por mais pedradas e insultos que receba, continuará a expressar esse pensamento. É “problema” que muitos tentaram resolver, de Salazar a Estaline, passando pelo Santo Ofício, mas nenhum o conseguiu. Habitua-te.

  33. Independentemente da estupidez criminosa de que Putin deu provas ao tentar resolver o problema com a Ucrânia da maneira burra e incompetente como o fez, esse problema é bem real e ameaçador para a Rússia. E as verdadeiras questões que devem ser equacionadas, aquelas que ignoras ou varres displicente e irritadamente para debaixo do tapete, são deste género:

    — Que direito teve a Croácia, a Eslovénia, a Bósnia-Herzegovina, o Montenegro ou o Kosovo de declarar a independência em relação à Jugoslávia que possa ser negado à Crimeia ou ao Donbass, quando decidem declarar a independência em relação à Ucrânia?

    — Que direito tem ou teve o império e sua subserviente criadagem europeia de fomentar, por exemplo, a independência da Chechénia em relação à Rússia, em duas guerras que provocaram milhares de mortos, que possa ser negado à Crimeia e ao Donbass, quando declaram a independência em relação à Ucrânia?

    — Que direito tem a América (apoiada pela patética criadagem europeia) de fomentar a independência de uma parte da Síria, apoiando militarmente os independentistas e ocupando ilegalmente a parte do território que querem separar (um terço, 33%, contra 20% da Ucrânia ocupados pela Rússia), que possa ser negado à Crimeia e ao Donbass, quando declaram a independência em relação à Ucrânia? Caso tenhas esquecido, a Síria, tal como a Ucrânia, é um país independente, com fronteiras internacionalmente reconhecidas. E assim era a Jugoslávia.

    O que aconteceu à Jugoslávia foi o que anda há muito a ser implementado em relação à Rússia. Só em último caso o teu querido império avançará para a solução militar aberta, que, se a coisa descambar, lhe acarretará inevitavelmente gravíssimos custos, materiais e humanos, numa guerra total, inevitavelmente nuclear. A estratégia, a longo prazo, é fomentar divergências e dissenções internas, dividir para reinar, em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão, partir aquela merda aos bocados e depois rentabilizar os cacos. E os russos sabem-no, estão fartos de o saber. O que esperas? Que entreguem o ouro ao bandido sem resistência, sem um pio? A Rússia é o maior país do mundo em área territorial, tem o dobro da área dos EUA e menos de metade da população. É completamente auto-suficiente, com enormes riquezas naturais em todos os sectores, do mineral ao agrícola, e desperta, desde tempos imemoriais, enorme cobiça. É essa a sua riqueza e é essa a sua tragédia. Napoleão sabia-o, Hitler também, e o mesmo sabe a ladroagem do lado de lá do Atlântico, cujo objectivo, metodicamente levado a cabo, é desmembrar aquilo, para, em vez de um país forte e independente que lhes bate o pé e não se deixa roubar, lidarem com uma série de “bantustões” fracos e manipuláveis, dominados por ditadorzecos de opereta a quem darão palmadinhas nas costas e que lhes entregarão as enormes riquezas do ex-país em troca de missangas para os seus povos. Ditadorzecos a quem o império concederá, generosamente, a liberdade de roubar também alguns milhõezitos, inevitavelmente investidos em mansões de luxo em Londres ou Nova Iorque. A propósito, o grande herói Zelensky von Pandora Papers tem três só em Londres.

    Enchem-se noticiários para borregos com uma narrativa sobre uma hipotética e desgraçada “fome no mundo” que poderia resultar da redução ou travagem na exportação de cereais ucranianos, mas fingem ignorar que o maior exportador mundial de trigo é precisamente a Rússia, com uma média de duas a três vezes a exportação da Ucrânia, conforme o ano agrícola. Rússia essa impedida de exportar tanto cereais como fertilizantes, de que é também o maior exportador mundial. Onde a Ucrânia ultrapassa a Rússia é na exportação de milho, mas esse é principalmente para alimentação animal e não humana. Azar dos Távoras, nas exportações de milho ucraniano ao abrigo do acordo com a Rússia, a maior parte foi parar a Espanha, para engordar porcos e produzir jamón. Mas depois vêm os vigaristas bater com a mão no peito e jurar a pés juntos que os produtos agrícolas não estão abrangidos pelas sanções às exportações a que a Rússia está sujeita. Uma verdade absoluta, sim senhor! O que se “esquecem” de dizer é que os barcos russos que transportam cereais e fertilizantes estão proibidos de atracar em todos os portos europeus e em muitos outros portos do resto do mundo ameaçados de retaliações se os deixarem atracar. Tal como “esquecem” que as companhias de seguros que seguravam esses navios (na maioria ocidentais) estão proibidas de o fazer. É o mesmo que dizer que ninguém proíbe os cacilhenses de virem a Lisboa, mas que lhes está vedada a utilização dos cacilheiros e também não poderão passar pela Ponte 25 de Abril, pela Vasco da Gama ou mesmo pela de Vila Franca de Xira.

    Na insuspeita Radio Free Europe / Radio Liberty:

    https://www.rferl.org/a/top-10-wheat-exporters-russia-ukraine/31871594.html (dados de 2021)

    E também aqui:

    https://www.indexmundi.com/agriculture/?commodity=wheat&graph=exports (dados de 2022)

    Al Jazeera, 17-2-2022, pouco antes do início da guerra, interessante:

    https://www.aljazeera.com/news/2022/2/17/infographic-russia-ukraine-and-the-global-wheat-supply-interactive

    Não percebeste ainda que está na diferença de critérios decretada pelos donos disto tudo, a que a criadagem merdiática dá cobertura, a raiz das desgraças a que assistimos, seja na Ucrânia, na Síria, no Iraque ou num qualquer Freixo de Espada à Cinta que um dia lhes dê na telha abocanhar? A América, pela boca dos Blinkens, Bidens e outros mafiosos, fala constantemente na “ordem internacional baseada em regras”, mas se um ingénuo qualquer (quer dizer: um maluco) pergunta “quais regras?”, a resposta é: “A ordem internacional baseada em regras é a ordem internacional baseada em regras. Não é claro para si?” Está bem, mas que regras, insiste o ingénuo. “Você faz cada pergunta! São as regras que, dependendo do dia, hora, situação, fuso horário e evolução da minha digestão, me der na cabeça decretar que são aquelas a que vocês, lacaios, têm de obedecer! Manda quem pode, obedece quem deve, veja se ganha juízo, or else!”

    Além disso, pá, quem é que quer saber do trigo russo ou do milho ucraniano, quando há ervinha fresquinha para pastar?

    Slava borreguini! Mééééé!

  34. Onde escrevi, acima:

    “Tal como “esquecem” que as companhias de seguros que seguravam esses navios (na maioria ocidentais)”

    o “(na maioria ocidentais)” refere-se às companhias de seguros e não aos navios. As minhas desculbas pela ambiguidade.

  35. Joaquim Camacho, pode correr e saltar, fazer o pino, intelectualizar até meter nojo que a única questão relevante, e que anula qualquer outra periférica, é a invasão e – cada vez mais do que nunca -, a retirada dos invasores da ucrânia. tudo o resto é conversa fiada de quem deve e não quer pagar. é um caloteiro da paz. putinista.

  36. a olinda também pode correr e saltar, mas principalmente tomar os comprimidos.
    é que só lhe fazia bem, inclusive intelectualmente.

  37. Camacho: O teu “lençol” é demasiado longo e todo retorcido. Fico-me apenas pela Crimeia, que, segundo dizes, quis tornar-se independente da Ucrânia. A península tinha um estatuto de autonomia (apesar de parte integrante da Ucrânia, reconhecida por Krushchev, mas os russos de Putin começaram a ocupá-la militarmente, tendo ficado famosos os homenzinhos de verde que começaram a ser vistos por lá antes desse tal grito do Ipiranga, muito polémico aliás. A técnica dos russos é conhecida: povoam os territórios que lhes interessam com russófonos para mais tarde dizerem que vêm em auxilio das populações oprimidas. Acontece por todo o lado no “ex-império”. Mas a questão de fundo aqui é que tu consideras perfeitamente aceitável o regime político russo, autocrático, repressor, violento, ditatorial, fazendo vista muito grossa a todas essas características em nome do combate ao perigo americano (para ti). E eu considero um avanço civilizacional as democracias europeias e ocidentais, livres e respeitadoras dos direitos humanos, jamais concebendo a ideia de aceitar que alguém viva sob tal regime, sobretudo não o querendo.
    A conversa sobre o Assange já devias tê-la arrumado na tua cave. Quer expôr segredos da diplomacia? Então exponha os de todas as potências. Só que, sabemos bem, não seria a mesma coisa, não é? Ah, e podia morrer envenenado, coitado.
    Quanto às televisões não passarem as manifestações de russos anti-NATO no Ocidente, apesar de ultimamente eu quase não ver televisão, lembro-me de ter visto imagens de Berlim com ajuntamentos e desfiles de pró-russos, mas também em França, políticos com posições pró-russas aparecem frequentemente nos ecrãs. O partido da Le Pen é amigo dos putinistas e financiado por russos. O de Mélanchon é claramente anti-NATO (“We need to leave NATO,” he pointed out. “I would first and foremost like to restore our military sovereignty. France, who has nuclear deterrent forces, should be independent and should not depend on the US in terms of arms production,” Melenchon added. According to him, “an anti-Russian policy is not in line with France’s interests, such a course is dangerous and absurd.” “Why do we have to protect Ukraine’s borders?” he said. “I want France to be free of unions and to support alternative ways of globalization,” the politician added.)
    Portanto, há uma enorme asfixia mediática em Portugal no que toca à política nacional, mas não diria que se está a esconder a existência desses cancros.

  38. uma – ou duas – aspirinas por dia nem sabe o bem que lhe faria se não andasse aqui a tossir peidos, psicolinda. !ai! que riso

  39. Precisas de umas explicaçõezinhas sobre Crimeia e afins, embora eu duvide que algum dia aprendas alguma coisa, já que insistes num chorrilho de clichés taxistas de quem não sabe a ponta de um corno do que fala e tem raiva (literalmente) a quem sabe. Enfim, sectarismo cegueta oblige e não há dúvida de que é fácil e barato, pena é que não dê milhões. Salut!

  40. “Mas vê lá tu que, na Europa livre [e certamente também na América], até se podem manifestar em público sem irem presos ou serem envenenados ou atirados de janelas!”

    Pois… Americano Jimmy Dore na kill list dos nazis ucranianos. O que terá o Governo americano a dizer sobre isto?

    https://youtu.be/-LLlcKPmzJk (Jimmy Dore Show, 25-5-23, Jimmy Dore na kill list do Myrotvorets)

    https://twitter.com/jacksonhinklle/status/1661443106284392448?s=20

    Roger Waters idem. O que terá o Governo britânico a dizer sobre isto? Elementar, meus caros Watsons: “a dizer”, nada. “A fazer”, provavelmente dar uma ajudinha, tanto o britânico como o americano.

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