“Criticou duramente o anterior Governo por estar a destruir o Estado Social. Este Governo não está a seguir o mesmo caminho?
– Em defesa deste Governo, tenho de dizer que está a fazer aquilo a que o anterior Governo se comprometeu, que o País e o Estado se comprometeram. De facto, as prestações sociais baixaram em todos os sentidos, estamos numa situação muito difícil. Mas o Governo, quando abriu o armário, aquilo estava cheio de esqueletos.
– O PSD ainda é um partido social-democrata neste momento? As políticas que estão a ser aplicadas são sociais-democratas?
– Não, são perfeitamente liberais, como é óbvio. Nem podiam ser outra coisa. Ninguém que assuma o poder e queira cumprir o acordo com a troika pode assumir a social-democracia.
– Identifica-se com o partido?
– Não é o partido que está em causa no momento, é um Governo obrigado a pôr em prática um conjunto de medidas de feição manifestamente liberal.”
Entrevista ao Correio da Manhã
Não há um que escape (mas eu pasmo sempre): o gosto da mentira e da rasteirice está-lhes na massa do sangue. Desta feita, trata-se de Capucho, o ex-presidente da Câmara de Cascais, que pensava ser escolhido para presidente da AR e possivelmente ainda pensa candidatar-se a PR.
Como pode António Capucho insistir na conversa dos esqueletos, insinuando serem dívidas escondidas pelo governo anterior, mesmo depois de tudo o que é instituição oficial, do INE à UTAO, passando pelo próprio ministério das Finanças e pela troika, o terem desmentido e estar mais do que confirmado terem os encargos com o BPN, a dívida oculta da Madeira, a quebra das receitas e os novos juros sido os responsáveis pelo agravamento do défice no ano passado?
Como pode defender o atual governo alegando que está obrigado a executar o que o anterior assinou (e eles não assinaram?), quando todos nós já ouvimos o próprio Passos dizer que o programa da troika é o seu programa (melhor, que fica aquém do dele) e que não o executa de modo algum contrariado? (atenção: havia jornalista nesta entrevista?)
Por último, como se atreve a deixar a ideia de que Passos e companhia possivelmente até queriam “assumir a social-democracia”, mas não podem deixar de ser liberais porque a troika não lhes dá outra hipótese? Isto é cegueira, disparate puro ou poeira, supondo dirigir-se a burros?
Dr Capucho, defenda lá o seu partido e os seus correligionários, seja lá com que propósito, mas com um mínimo de objetividade e decência (o senhor que, às vezes, até parece querer elevar-se acima da jovialidade/irresponsabilidade e mediocridade deste governo, como no caso de Fernando Nobre e no caso recente do Carnaval), de preferência com frases claras (nem sempre proferidas nesta entrevista), coerência e sem fazer dos outros parvos. Acredite que é um favor que fará a si próprio.


