Não pensava repetir-me, mas Seguro falou em Évora

A estratégia radical deste governo não está a resultar, nem vai resultar, com a dívida a ultrapassar os 110% do PIB (dados hoje conhecidos) e as previsões quase unânimes de incumprimento das metas. Está o PS de Seguro preparado para o que se segue? Visto ao sol de Évora, não o diria.

António José Seguro voltou, este fim de semana, a falar para os jornalistas, mostrando-se igual a si próprio, ou seja, um navegador de águas mansas, impreparado para tempestades: perante o partido e as críticas de que foi alvo, defende-se alegando não ter sido ele a assinar o acordo com a Troika; cá para fora, perante os portugueses, refere um ponto do memorando de que discorda e, sem se alongar mais, acrescenta que o PS respeitará o dito memorando (mesmo que seja impossível não ter visto que o rumo do país exige a revisão de várias cláusulas). De seguida, volta-se para os aspetos gastronómicos da região, evitando úlceras. O entusiasmo de alguns (jornalistas sobretudo) com a primeira afirmação ficou de imediato neutralizado pela última. Pois é, com Seguro, meus senhores, não há clímax. Não chega sequer a haver aquecimento.

O problema é que o atual secretário-geral do PS não compreende que a sua atuação é criticável por muitas outras razões que não têm que ver com os compromissos assumidos com a Troika (espero que alguém lhe tenha lembrado Cavaco, a Madeira, o Novas Oportunidades, Manuel Carrilho, o FMI, Mario Monti e pelo menos 20 outras matérias). Este governo, assumindo futura responsabilidade total pelo desastre, faz questão de dizer que vai, com muito gosto, para além do que foi acordado. E tem-no feito. Mas está a dar o flanco, caso o PS não tenha reparado. A par disso, mente, inventa, ludibria com uma alegada transparência nas contratações, erra em questões importantes como a elaboração do orçamento. Toma de assalto o aparelho de Estado. E Seguro não tem sido contundente nas críticas, nem minimamente convincente. Nem perante os dados que vão sendo conhecidos. Não percebe que “uma oposição construtiva” com este pessoal da “fezada” e do apetite pelo metal, pessoal encenadamente contido, mas no fundo tão assanhado como o Relvas, não surte qualquer efeito. Aqui, a haver construção, só pode ser a de uma alternativa, que passa, em primeiro lugar, por uma personalidade determinada (que está longe de ser), pela identificação clara de uma visão e de um rumo (que se desconhecem), pela defesa do legado positivo do anterior governo (de que se sente visceralmente incapaz) e pela demolição sem dó das teorias gasparistas (para o que não tem habilitações, penso). Ou lhe dão um grande choque elétrico político lá no partido ou preparem-se para a insignificância. Depois de Sócrates, seria uma pena.

11 thoughts on “Não pensava repetir-me, mas Seguro falou em Évora”

  1. mais uma vez concordo com a análise, penélope, mas não vejo como sair desta insegurice bacoca. parece que está tudo capado, no ps e no país. e esses sacanas de idiotas que nos trouxeram o desastre, o pcp e o be que nos entregaram à troika e ao governo de direita cavernosa, agora estão mansinhos que nem cordeiros satisfeitos. que é feito das grandiosas manifestações que incendiaram o país contra sócrates? os fdp devem estar satisfeitos mesmo. mas nós? que fazer?

  2. estricção->ruptura ou revolução, e só vale para materiais dúcteis.

    com que então aspeto? Fica a meio caminho entre asbeto e espeto, cá para mim continua aspecto…

    Suspeição?

  3. a. todas as derrotas são sofridamente inscritas com o tempo e esquecidas por uma nova vitória;
    b. AJS aceitou ser um ser um líder apenas transitório, apenas de passagem (e só por isso merece apreço): ele sabe bem que jamais será Primeiro Ministro;
    c. O PS (os seus dedicados militantes) nunca são verdadeiramente e consequentemente escutados; mais depressa se vai a trás de uns quantos “independentes” que se liquefazem como neve que se derrete;
    d. Até quando?

  4. Boa apreciação à desilusão A.J.Seguro, só que na partidocracia vigente é mesmo
    assim, são clubes mais ou menos privados onde todos tratam da sua vidinha!
    Da magna reunião virada para o Interior do País, pelo calendário divulgado, as prio-
    ridades do PS serão; sua reorganização interna, escolha dos cabeças de cartaz para
    as autárquicas…quanto ao resto, logo se vê adiante!?! Não querem ser alternativa
    de governo é o que se pode concluir!!!

  5. 3 ignorantes ( Socrates , Passos eSeguro ) à frente do país em tão pouco tempo é demais. Sem habilitações nem cultura ninguém pode ter um plano consequente , uma visão , nem tão pouco dirigir um conselho de ministros. Em vez de os ouvir falar , gostava de ler os despachos que escrevem

  6. Cara Penélope,
    O PS está moribundo! Tirando alguns Quixotes que por lá ainda se tentam bater o resto está já em cima dos camelos do costume preparados para mais uma travessia do deserto.
    A única esperança que me resta é que apareça uma qualquer tempestade de areia que os engula e os faça desaparecer para sempre.
    Ou isto vira, ou a democracia está já com os dias contados. Democracia sem pão é muito difícil de manter e vai aparecer um dia destes um qualquer cegueta que nesta terra de cegos aponta o caminho a seguir mas, desde que se cortem mais algumas liberdades e garantias…
    A partir daí, “alea iacta est”.

  7. “AJS aceitou ser um ser um líder apenas transitório”, diz um aí.

    Aceitou… o destino. Seguro é zero, e parece ter assumido isso. Venha o próximo.

  8. “3 ignorantes ( Socrates , Passos eSeguro ) à frente do país em tão pouco tempo é demais. Sem habilitações nem cultura ninguém pode ter um plano consequente”
    Oh filipe esqueceste-te do Portas. Nem contar sabes. Por seres tão ignorante deves pertencer ao pc. É aí que está a maioria dos analfabetos. Mas concordo contigo numa coisa. Temos que por à frente do governo uma pessoa culta que não seja mentirosa assim um Jerónimo. Vai bordamerda mais as tuas opiniões.

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