Governo entalado entre uma má receita e Angola

Para que serviu este governo até agora?

Depois de ter empurrado entusiasticamente o país para a ajuda externa, eis para o que serviu:

1. Para sacar do apito e chamar a malta ao pote.
2. Para agraciar os empresários seus apoiantes com todas as facilidades pretendidas.
3. Para ir sacar ao bolso dos portugueses dinheiro suficiente para pagar a dívida (e os respetivos juros) contraída junto de uma Tríade pela qual ansiavam.
4. Para varrer do país milhares de trabalhadores e quadros qualificados, entre os quais médicos e investigadores.
5. Para permitir a Vítor Gaspar testar as suas teorias económicas.
6. Para atacar e desmotivar os funcionários públicos.
7. Para empobrecer 95% do país, na tentativa desmiolada de concorrer com a China (no fabrico de vassouras? Sapatilhas?).

Confrontados agora com a subida contínua das “yields” num mercado totalmente indiferente, por um lado, à voz de Passos e à sua alegada credibilidade e, por outro, à matraqueada competência de Gaspar, com as críticas da Tríade à falta de políticas para o crescimento, à morte da atividade económica e à manutenção de certos monopólios muito ligados ao Estado, a desorientação e o desassossego começam a grassar entre as hostes, e o exterior (a Europa, a Grécia), e evidentemente já não o outro governo, começa a ser o grande acusado do agravamento da situação do país. O que ganhámos, pois?
“Estamos a fazer o nosso trabalho, resta à Europa fazer o seu”. Mais ou menos, é o que agora dizem. Mas já o dizia Sócrates, quando então os estarolas o acusavam de tudo e mais um par de botas e se entretinham com um toca e foge político, encenações de desculpas e outras técnicas de brincar com o fogo. Até ao incêndio. É que já na altura havia pactos de estabilidade, assim como vigilância e controlos das contas do país pelas instituições europeias. O que constatamos hoje, por exemplo? Que Mario Monti, numa Itália ameaçada pela especulação como nós à altura, está não só a fazer tudo para evitar ajuda externa, como também a aplicar no seu país, muito mais anquilosado do que o nosso a nível das estruturas económicas e sociais, as mesmas medidas que Sócrates aplicou há anos, ou seja, o combate às corporações, a liberalização das farmácias e dos táxis e muitas outras, nomeadamente o investimento público em infraestruturas ferroviárias e outras, para dinamizar a economia, ao mesmo tempo que vai pressionando Angela Merkel a rever a sua inflexibilidade, lembrando-lhe oportunamente que a mesma corre o risco de ressuscitar velhos ódios entre os povos. E lembro que Monti não é nem nunca foi de esquerda. Verdadeiramente, ganhámos o quê?

Noutra frente, convidando os portugueses a emigrar e dando um sinal claro de que Angola nos é fundamental como destino dos indesejados, entre outras coisas com Prós e Contras patéticos como o de há uns dias, Relvas e companhia colocaram Portugal à mercê da chantagem angolana, que, repleta de petro-kuanzas, não é meiga. Ai de quem fale publicamente mal de Angola. Foi assim que um programa de rádio português, crítico da política angolana, foi há dias censurado e erradicado das antenas pela direção do canal público. O que se seguirá? Se a situação se agravar, irão estas práticas liberticidas ser toleradas?

Entre a cegueira económico-financeira militante e as negociatas do Relvas, desta feita com a mão-de-obra a exportar, o Governo está bastante entalado.

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