Haverá diferença entre cumprir bem e cumprir mal os programas da Troika?

É o que iremos descobrir, custe o que custar, dentro em breve. Segundo os cânones europeus atuais, a Grécia é o exemplo de um país que não tem cumprido bem o programa imposto. Também segundo os mesmos cânones, se o tivesse cumprido bem, estaria agora a salvo da bancarrota e, das duas, uma, ou já não estaria a precisar neste momento de novo empréstimo (?), ou o dinheiro continuaria a ser-lhe disponibilizado sem dramas contra novos ajustamentos. No fim, ao cabo de três anos, a economia estaria a crescer e o país regressaria aos mercados, dispensando a malfadada Troika. Mas será assim? Como é óbvio, não é.

Portugal, que se vê a si próprio como exemplo de país que cumpre muito bem o programa, não precisará teoricamente de novo resgate em 2012, nem em 2013, podendo nessa altura regressar confiantemente aos mercados, estando a sua economia a crescer a bom ritmo. Ou muito me engano, ou também não será assim.

Muitos, inúmeros cortes já fez a Grécia. Tantos que já teve direito a uma entrada acelerada no amaldiçoado império da recessão. Tivesse a Grécia aplicado sem mácula os sucessivos programas de austeridade, estaria agora em melhor situação? Não estaria. Estaria talqualmente em recessão. Pode a democracia grega viver num turbilhão de ódio e calculismo; podem os grupos de pressão usar de todas as chantagens para protelar a inevitável perda de privilégios; podem os arruaceiros lançar pedras à polícia e incendiar edifícios. Tudo isso acontece. Mas, não fosse esse o cenário e a Grécia não estaria melhor.

Ainda hoje, as notações de vários países europeus “que não são a Grécia”, entre os quais Portugal, levaram nova machadada das agências de notação. Significa isto que, sem mutualização das dívidas soberanas, sem blindagem da Europa contra a especulação e sem crescimento das economias, não há investidor que confie nem especulador que desista. Cumpram-se bem ou mal os programas de austeridade “compactos”, que, de passagem, matam as economias. A provável expulsão da Grécia da zona euro apenas transformará um problema financeiro numa tragédia humanitária. Será que compensa? Alhures e com outro espírito, é onde a Europa tem de encontrar soluções. Com praticamente todas as economia do velho continente em recessão, incluindo a britânica, alguém está a ver hipóteses de sucesso nos programas da Troika, quando o crescimento da própria Alemanha também já começa a desacelerar?
Não gozem com o pagode.

2 thoughts on “Haverá diferença entre cumprir bem e cumprir mal os programas da Troika?”

  1. A guerra do dólar contra o euro, para simplificar. Em vez da retórica da atenuação optaram pela da estricção.

    Mas também é verdade que Urano entrou em Carneiro no início do ano passado e incendiou-se a margem Sul do Mediterrâneo, estão em jogo forças transcendentes.

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