Na calçada portuguesa
A rua foi velha estrada
Oiço o mar de surpresa
O esquilo não dá por nada
Porque os outros animais
Andam na rua ao contrário
Sorriem mais naturais
Na porta do veterinário
Na farmácia entra gente
Com a pressa de garagens
Na rua tudo é diferente
São as pequenas viagens
Na estranha cartografia
Da rua dos meus trabalhos
Passam já ao fim do dia
Os cavalos com chocalhos
Vila do Conde à distância
Árvores com base de areia
O vento tem importância
Num cata-vento de aldeia
Chega som da tempestade
Às janelas desta casa
Um frio na imensidade
Um calor na luz da brasa
Na questão da perspicácia
Um fundo de nevoeiro
Sai gente desta farmácia
Olha logo o céu inteiro
Minha balada é a viola
Não há melhor companhia
E esta rua é uma escola
Chama-se o curso alegria

















