Balada para uma rua a ver o mar

Na calçada portuguesa
A rua foi velha estrada
Oiço o mar de surpresa
O esquilo não dá por nada
Porque os outros animais
Andam na rua ao contrário
Sorriem mais naturais
Na porta do veterinário
Na farmácia entra gente
Com a pressa de garagens
Na rua tudo é diferente
São as pequenas viagens
Na estranha cartografia
Da rua dos meus trabalhos
Passam já ao fim do dia
Os cavalos com chocalhos

Vila do Conde à distância
Árvores com base de areia
O vento tem importância
Num cata-vento de aldeia
Chega som da tempestade
Às janelas desta casa
Um frio na imensidade
Um calor na luz da brasa
Na questão da perspicácia
Um fundo de nevoeiro
Sai gente desta farmácia
Olha logo o céu inteiro
Minha balada é a viola
Não há melhor companhia
E esta rua é uma escola
Chama-se o curso alegria

13 thoughts on “Balada para uma rua a ver o mar”

  1. ah ganda baladeiro! dá-lhe com força falêncio que a luta continua. gramei a cena dos esquilos e tomei nota que quem entra tamém sai, da farmácia tá claro. tou a ver os jelatinosos a roerem-se d’inveja, no próximo multiópticas tens um teledevoto.

  2. Ó pá, vai-te lixar! Tá visto que esta desordenação do texto, onde tudo cabe, até ao absurdo, tem a ver com a procura desvairada de palavras que possam rimar… Desgraçada balada! E falas tu em alegria com a crise que o País atravessa?! Aquilo que escreves nunca aflora os problemas reais. Sempre viradinho para o teu umbigo e para as tuas serôdias recordações. Vê se acordas, pá! Corre-te a vida bem, calculo.

  3. tu és ser português no seu pior, joca. não trago o pão, nem trago o queijo nem trago o vinho – não é isso a alegria; trago, isso sim, a certeza, cada vez maior, que um raio pode partir-me todinha se é por ganhar menos num mês ou dois ou não comprar camarão tigre, se me der vontade, nesses meses, que vou deixar que isso me engula – que vou não olhar o jardim que está mesmo ali ou ouvir os cavalos a passar ou os esquilos a esconder. triste de quem, joca, inspira crise e a faz ganhar borboto. e depois expira, assim, a morte à vida.

    :-)

  4. Nesta altura do campeonato «conselhos» é mesmo a última coisa que eu espero de um calhordas qualquer que por aqui passou. Vai-te lixar tu, parvalhão. Crise.. toda a vida eu vivi em crise. Nasci em 1951 e fui criado a pão de milho com café do mais barato. Por erro e má-fé de um professor entrei para a escola primária em Outubro de 57 e parecia o pai dos outros. A insistências dos meus pais o ministro despachou eu fazer o exame da terceira classe em Abril e o da quarta em Julho de 1961. Fiz a admissão em Agosto de 61 e entrei para a escola técnica em Outubro sabendo que acabado o curso comercial teria que ir trabalhar. Fui em 9-9-66 e saí em 30-11-1996. Sendo delegado sindical de 1972 a 1996 fui prejudicado nas promoções – como é natural. Tenho um ordenado pequeno mas cá me vou aguentando e sempre que posso ajudo os meus três filhos e um neto. Sei muito bem o que é viver em crise.

  5. noutro dia tinhas uma neta, mas pelos vistos não é contemplada pelos abonos do poeta bancário que acumula reforma de sindicalista com pequeno ordenado e ganchos amíudes. não te esqueças de declarar no irs os croquetes que mamaste durante o ano à pala do círculo de leitores.

    “… acabado o curso comercial teria que ir trabalhar. Fui em 9-9-66 e saí em 30-11-1996. Sendo delegado sindical de 1972 a 1996 fui prejudicado nas promoções – como é natural.”

    cheiras bués a deolindo, aquele roll on que está sempre na moda

  6. Não pá, ser criado a pão de milho com café, mesmo do mais barato, não é crise. Quantas famílias rurais, no teu tempo, nem isso tinham na mesa. Eu refiro-me aos teus textos. Na sociedade em que vivemos, parece que coisa nenhuma te afecta. Nem os que têm fome ou dívidas, nem os que deixaram de tomar os medicamentos indispensáveis por não terem dinheiro para os comprar, nem as crianças que só contam com a comida que lhe dão na escola (pouca e má), porque em casa nem sequer têm um prato de sopa. Não pá, a crise não passou por ti. Nem esta nem outra qualquer. Tiraste um curso e foste «logo» trabalhar. Para o Banco, pois. Do qual saíste reformado com 46 anos. Foi um fartote o teu esforço, caramba! Outros, ainda crianças, foram pegar na enxada, pá! Tu pegaste foi na «foice e no martelo», isso sim. Até hoje! Tem juízo e olha à tua volta. Deixa-te de «romantismos» fora de moda e faz, finalmente, alguma coisa que se veja, isto é, escreve, mesmo mal, como fizeram os que sabem escrever e os que não sabem. Não será por isso que as flores deixarão de colorir o nosso olhar. A crise que temos neste momento no nosso país é outra. Não passa por deixar de comer marisco às refeições ou fora delas. Passa por ter dinheiro, mesmo pouco, ao fim do mês, para poder estar vivo! Tu, pá. já estás morto há muito tempo – principalmente, para a escrita!
    E vai chamar calhordas aos camaradas como tu, labrego da merda!

  7. se queres politicar porque não vais à Isabel ou ao Valupi, joca? sabes o que faz com que o dinheiro esteja caro? é a falta de cultura de gestão das gentes – o que inclui a gestão dos afectos. na verdade, quando as gentes têm dinheiro fazem-no desaparecer e quando não o têm fazem-no crescer. o amor pelo dinheiro anda descontrolado – e a começar no bolso de cada um. no entanto – não o havendo no bolso, nem na mesa, ele pode ser visto nos empréstimos e nos restaurantes e nos bares e até nos estádios de futebol.

    (e os esquilos e os cavalos estão, para mim, como o ir à bola para ti – e nem gasto nada) :-)

  8. Nada há de mais decepcionante do que ler um autor acautelado. Faz-me lembrar a saudosa Ivone Silva no conhecido monólogo: «Com um simples vestido preto, eu nunca me comprometo!». Recorda-se, meu caro jcFrancisco?

  9. Então o calhordas, o bandalho, o javardo não percebeu que o texto de prosopoema aqui publicado há dias nada tem a ver comigo no sentido pessoal. Ana Carolina é uma menina mas obviamente não é da minha família nem tinha que ser. Não tenho netas; ainda. E está aqui uma pobre que insiste no «meu caro». Safa!

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