Vinte Linhas 597

Dissertação para um bilhete e memória de um camarada

Comecei a escrever a pensar no bilhete de 4$50 e nas circunstâncias. No ano de 1966 eu ganhava 900 escudos por mês e descontava 18 escudos para o F. de Desemprego mais 9 escudos para o Sindicato e 2$50 para a Caixa de Abono de Família. Pagava 7$50 por cada almoço na cantina do Banco, o que dava 157$50 em certos meses maiores. Este bilhete de comboio fez-me entrar num tempo em que íamos até ao Cais do Sodré e o destino final era Cascais porque, como era mais caro do que Santo Amaro ou Oeiras, ia menos gente. O destino era quase sempre a praia da Rainha.

A meio do texto fico a saber que morreu um jornalista do meu tempo do jornal «Sporting», o Zé Luís Pinto. Lembro-me bem de como me foi útil o seu desenrascanço no final dos jogos. Quando ainda no velho estádio os jogadores não queriam falar, íamos os dois até à garagem, ali bem perto do futebol juvenil. Umas vezes o Edmilson, outras o Pedro Barbosa, outras vezes um outro jogador, lá arrancávamos umas declarações em directo e exclusivo. Tornámo-nos amigos. Como delegado sindical ajudou muita gente a obter carteira profissional e a pôr as quotas em dia no Sindicato dos Jornalistas. Tínhamos um código: quando eu chegava dizia «Ó Penalva do Castelo!» e ele respondia «Ò cromo!». Um dia houve uma madrugadora manifestação de agricultores com porcos à solta no Terreiro do Paço. Pois calhou ao bom do Zé Luís Pinto acordar os secretários de Estado da tutela por causa da confusão criada em Lisboa. Ele trabalhava na agência noticiosa LUSA e no jornal «Sporting», às vezes chegava cheio de sono mas nunca deixou de cumprir. Os jornais no Céu podem contar com ele.

7 thoughts on “Vinte Linhas 597”

  1. até a morte dos outros te serve para autopromoção. deves ter demorado uns 20 dias a escrever essa coisa sem nexo, o gajo bateu a bota à 10 dias quando tu ias a meio.

  2. Tu é que não és nada e por isso nunca poderás escrever nada parecido com esta memória que escrevi. És menos que zero, nem sequer és um bandido, és menos que zero e, como nunca viveste, não percebes nada da vida dos outros. És um desgraçado, um anormal, um doente irrecuperável.

  3. Em 1966 na Sociedade Estoril havia 1ª e 2ª classe nos seus comboios. Este bilhete era de 2ª classe. Inteiro era por ser um bilhete normal – os filhos de empregados, por exemplo pagavam apenas um quarto ou seja a quarta parte do custo do bilhete…

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