David Mourão-Ferreira tal e qual na Avenida de Berna

Dia vinte e quatro de Fevereiro
Faria hoje oitenta e quatro anos
Memória duma secreta viagem
Seu filho tal e qual o que ele era
No anfiteatro das dissertações
Os mestrados e doutoramentos
Carreiras triunfantes de sucesso

O teatro do Mundo não é no Salitre
Está aqui na sala, livros e discursos
Canções a três vozes pelas mulheres
São romeiros e almocreves a passar
Orações ditas em silêncio numa casa
Como o poema que se cria devagar
Trazer de novo à luz tempo perdido

Fado de Coimbra à viola e à guitarra
Adeus ó vila de Fornos para começar
As Quadras do Aleixo logo a seguir
Homenagem a esta memória em livro
Também a uma memória na caneta
Nas prosas dessas Quatro Estações
Nos versos da ambulância na noite

Isabel trouxe aqui a voz da Terra
No fim os pastéis, bolos, cavacas
Vinho tinto do Dão e de Lafões
Na festa dos que este livro juntou
Voz da terra era também o comboio
Que o poeta nos trazia do Alentejo
Nas vozes dos ceifeiros a madrugar

4 thoughts on “David Mourão-Ferreira tal e qual na Avenida de Berna”

  1. Zeca se lês assim tão mal deves ir ao especialista dos olhos. É um perigo para ti e para os outros. Cuidado!
    A.Ramos – olha com atenção para o espelho; o bêbedo és tu!
    Sinhã – é isso; o filho homónimo do David é tão charmoso como o pai com quem trabalhei na A.P.E. mas o mais curioso é o nosso encontro ter acontecido em 24-2-2011 quando o DMF nasceu em 24-2-1927…

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