Why We All Love The Sound Of Our Own Voice
.
Babies’ Brains Benefit from Music Lessons, Even Before They Can Walk and Talk
.
Orangutans Communicate with iPad Autism App
.
Park Improvements Lead to Increased Vigorous Exercise, Not Just Greater Use
.
Purpose in Life May Protect Against Harmful Changes in the Brain Associated with Alzheimer’s Disease
.
Smell More… Eat Less
.
Middle-Age Spread: Study Shows Range of Perceptions About When Midlife Begins
.
Eating Fast Increases Diabetes Risk
.
Creepy People Leave You Cold
Arquivo mensal: Maio 2012
Vinte Linhas 82
Dissertação sobre um nome (foto Revista VIVER)
O teu primeiro nome tem, dentro de si, a força da Terra e a graça de Deus.
Ele é, sem dúvida, o nome feminino mais divulgado em todo o Ocidente. Tem a sua origem nas profundezas da língua hebraica mas não se ficou pela Bíblia e pelos Quatro Evangelhos. Está presente na Eneida de Virgílio, no teatro de Luigi Pirandello, nos romances de Tolstoi, nos contos de Pushkin e nas óperas de Mozart. Está junto à Terra e o seu som pronunciado resolve as hesitações nas encruzilhadas sombrias dos caminhos quotidianos. Digo o teu nome e tenho, no momento de o dizer, uma direcção e um sentido. Porque sinto, dentro do seu som, a força da Terra e a graça de Deus.
É bom viver num Estado laico
Pode ser que nos devolvam os feriados civis, como o 5 de Outubro, diz Portas. Tudo graças ao Corpo de Deus e do Dia de Todos os Santos, bem vistas as coisas…
O nível deste Primeiro-Ministro é insuportável
Passos foi à tomada de posse do Conselho para o Empreendedorismo e a Inovação e disse umas banalidades com que a gente séria costuma explicar a pobreza dos pobres em almoços e jantares, casamentos e baptizados, cocktails e vernissages: que o povoléu, no fundo, não quer é trabalhar (tal como os pretos e os ciganos, por isso igualmente pobres) nem gosta de estudar. Se fossem como a gente séria, estariam a meter cunhas aos tios, primos e amantes da mãe para irem para boas empresas ter uma carreira, ou mesmo para empresas assim-assim mas com direito a carro e tudo. Ou então iam para boas universidades no estrangeiro, ou mesmo para universidades assim-assim ou que nem sequer são universidades, e voltavam doutores e a falar línguas. Pois não, os pobres são de uma passividade exasperante, preferindo ficar a olhar para os palácios em vez de irem a correr bater ao portão e oferecerem-se para servir no que for preciso. Foi disto que Passos falou, incentivando a audiência a não se deixar contagiar pela preguiça dos miseráveis e tratar de agarrar as oportunidades que preenchem o dia-a-dia da frenética gente séria.
Bom, mas isso foi à tardinha. Da parte da manhã, Passos tinha enviado para os tímpanos da Nação esta novidade:
O nível da carga fiscal é insuportável em Portugal.
Vamos então admitir que Passos entende o que diz e que diz o que quer. Nesta hipótese, quis dizer que a carga fiscal ultrapassou os limites. Quais limites?… Who fucking cares?! Basta que seja o Primeiro-Ministro a dizê-lo para que possamos todos invocar a sua palavra e deixar de pagar impostos até que a situação seja regularizada.
Outra problema, só para os curiosos, é o de descobrirmos o que leva Passos a largar bacoradas atrás de bacoradas, e isto com tal regularidade e amplitude que configura um óbvio caso de bronquite asnática. Uma forte pista estará naquilo que levou Soares a esta simpatia:
Passos Coelho é uma pessoa bem-intencionada com quem se pode falar.
É altamente provável que esta descrição seja absolutamente correcta. Passos será alguém com quem se pode falar porque ele diz tudo como os malucos; o que é sempre engraçado, dispõe bem. E é essa, unicamente, a sua intenção: agradar ao seu interlocutor, dizer-lhe o que acha que ele quer ouvir. Foi isso que fez com Louçã, juntando-se a ele num lamento partilhado. A sua vontade era a de ir até à bancada do BE e dar um emocionado abraço ao grande líder da esquerda grande, dizendo-lhe com voz trémula e olhos marejados: “Vamos conseguir reduzir os impostos, Francisco, vamos conseguir! Mas não pode ser já, infelizmente… Tu compreendes… Tu ajuda-me!”.
E assim como diz qualquer coisa que lhe pareça ir agradar a terceiros, de imediato se esquece e faz exactamente o contrário. A sua campanha eleitoral e o que decidiu logo que entrou em S. Bento são o padrão do que podemos esperar para o presente e para o futuro. Passos é como um tipo que viesse enfiar-se com o seu carro no nosso jardim, saísse para ver os estragos e começasse a falar connosco contra os tipos que andam por aí a conduzirem como doidos e a enfiarem os seus carros nos jardins alheios. Depois arrancaria a fundo e nunca mais o víamos.
Vinte Linhas 81
A última aguardente do Tio Nascimento (foto Revista VIVER)
Bebo devagar um cálice de aguardente branca e muito leve, puríssima e macia, tal como saiu do alambique no passado mês de Setembro. É uma aguardente que não pesa no estômago e que torna as digestões mais suaves. Mas não a posso gastar muito depressa porque esta aguardente é uma memória viva do meu Tio Nascimento e da sua Atalaia do Ruivo, paisagem perfeita entre sol e pó, entre pedras e pinheiros, entre água e vento. Lugar mágico onde a terra quase se junta ao céu numa espécie de oração sem palavras. Dois dias antes de morrer com o coração cansado e incapaz de trabalhar mais, este homem que foi, em novo, ceifar todas as searas do Alentejo e das regiões espanholas fronteiriças, estava possuído de um vigor inesperado e obrigou os filhos e as noras a trabalharem ainda mais para irem entregar o bagaço e o folhelho da uva a um certo alambique para os lados da Serra das Corgas. Depois foi fazer uma festa ao burro e enxotar as galinhas antes de olhar as cabras. Entretanto morreu na grande cidade um dia antes de fazer a grande intervenção cirúrgica que lhe poderia ter prolongado a vida caso corresse bem. Mas não correu. Hoje este gesto de beber um cálice de aguardente tem para mim o valor de um regresso. Esta bebida guardou a paisagem povoada pelo Tio Nascimento entre o seu lugar de sempre, a sua casa dos ventos onde se vê ao longe um bocado de Espanha e, mais perto, a terra das cerejeiras em flor. Essa paisagem povoada onde o corpo do Tio Nascimento descansa no cemitério da Sobreira Formosa mas onde o espírito circula no sabor macio e puro, leve e branco desta aguardente que não pesa no estômago. Porque incorpora a memória destilada de um homem cheio de humanidade.
A falta de vergonha na cara do PM atingiu o limite
Já falei muitas vezes no uso, por parte deste Governo, da linguagem como arma política. O Governo e a maioria que o suporta diz tudo parecendo dizer algo de vagamente inofensivo, recorrendo a palavras brancas, vazias, uma casa de banho lavada com tanta lixívia que não se dá pela retrete.
Foi assim desde o início.
Hoje, na AR, o PM tinha as mãos no peito, respondendo a Louçã que sabia da carga fiscal insuportável imposta aos potugueses, ele sabe do país, ele sabe da taxa de desemprego, ele sente as pessoas.
No mesmo dia, noutra ocasião, já aprovado o seu Código de Trabalho para além da Troika, antecipa os resultados evidentes desse mesmo CT, elaborado por gente que aposta ao mesmo tempo na flexibilidade e não insegurança dos trabalhadores.
Antecipando, repito, as consequências desta selvajaria, o PM trata de fazer aos desempregrados e trabalhadores com um pé no desemprego o mesmo que fez aos funcionários públicos quando quis encontrar um bode expiatório para as ditas “gorduras do Estado”.
Essa mesma atitude, com recurso ao perigo da linguagem, é a da culpabilização das vítimas (que antecipa) do CT: afinal, os jovens licenciados (privilegiados) não “arriscam”, querem um emprego em vez de apostarem no empreendorismo (como Passos fez?); afinal, quem é despedido não deve sentir estigma algum, mas antes uma “oportunidade” para mudar de vida (suponho que a qualquer idade, é uma festa ser despedido); afinal, quem “se despede” (aqui perdi-me, pois penso que não ocupa o drama da governação o cidadão que larga o seu emprego por algo melhor, mas antes os que não têm outra opção que não “voluntariamente” assinar um acordo para ir à vida).
Este discurso é mentiroso, desleal, triste, perigoso e ofensivo.
Os portugueses não são estúpidos.
E o PS tem de agravar as ruturas com esta gente.
Adeus ao Bernardo Sassetti. Foi dos que ficou.
Servicinhos secretos
O Presidente da República recusou hoje comentar o ‘caso das Secretas’, considerando que “os dirigentes políticos não se devem pronunciar” sobre essa matéria por estar a ser investigada pelo Ministério Público.
“É uma matéria que está a ser objeto de investigação por parte do Ministério Público e enquanto se desenvolve uma investigação dessa natureza entendo que os dirigentes políticos não devem pronunciar-se”, afirmou Cavaco Silva, em Matosinhos, depois de visitar o Fórum do Mar, a decorrer na Exponor.
__
Face às dúvidas fortes que neste momento estão instaladas na sociedade portuguesa, é importante que os responsáveis da empresa de telecomunicações expliquem aos portugueses o que está a acontecer entre a PT e a TVI. É uma questão de transparência.
Estúpidos que não mudam
Segundo o primeiro-ministro de altíssimo nível que 36% dos portugueses escolheram e 40% deixaram escolher, só não muda quem é estúpido. Tem razão: só não o muda, e quanto mais depressa melhor, quem for estúpido.
Votar contra a narrativa do Código do Trabalho
Formalmente posso dizer, e não é pouco, que a proposta de revisão do Código de Trabalho (CT) consegue – caramba! – ir mais longe do que o Memorando. Depois das negociações com a esquerda, na especialidade, a direita aceitou umas coisas e manteve-se firme nisto:
a) o Memorando de Entendimento prevê a possibilidade de adoção do regime laboral do “banco de horas”, por acordo mútuo entre empregadores e trabalhadores, negociado ao nível da empresa. Contudo, na Proposta de Lei n.º 46/XII surge a consagração do banco de horas individual.
b) Por outro lado, esta Proposta de Lei determina a suspensão por dois anos e posterior alteração administrativa, de convenções e acordos coletivos, livremente negociados, designadamente em matérias relacionadas com a compensação de trabalho suplementar. Esta é uma disposição que põe em causa soluções construídas através da negociação, elemento central do atual paradigma de relações laborais.
c) O Memorando de Entendimento nada refere, ainda, quanto à diminuição e/ou desvalorização do papel da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) no controlo de determinados aspetos das relações laborais (horários de trabalho, regulamento interno das empresas). Todavia, a Proposta de Lei n.º 46/XII aponta para uma redução dessa função de controlo prévio da ACT que há que ponderar no plano das garantias dos trabalhadores.
d) O Memorando de Entendimento nada refere quanto à eliminação de feriados. Mas a Proposta de Lei n.º 46/XII sinaliza a eliminação de dois feriados civis e dois feriados religiosos, o que implica mais dias de trabalho, sem que o Governo apresente estudos sobre a justificação e o impacto nos planos económico e social da medida.
Depois há uma narrativa. A culpa da crise é dos mais fracos. É dos funcionários públicos. É, hoje, dos trabalhadores. Porquê abolir os feriados? Sem estudos que suportem a afirmação, o Ministro afirma que “é preciso trabalhar mais, produzir mais!”. Diz o senhor, pois, numa narrativa insuportável, que perante os números do descalabro há que apontar baterias ao mundo do trabalho.
É contra esta narrativa insultuosa que voto contra.
Se não podem tapar as sarjetas, distribuam máscaras
O PS é o principal partido do regime, que o mesmo é dizer da democracia portuguesa, e tem um vasto espectro de militantes e simpatizantes, representando com fidelidade o País na sua diversidade e unidade. Contudo, é de uma acabrunhante inércia no que respeita à produção intelectual que sirva para alimentar, desenvolver e remodelar o espaço público. O lançamento do “Laboratório de Ideias”, e vamos esquecer a ofensa de Seguro ao partido ao ter querido entregá-lo a Carrilho, é uma iniciativa ensimesmada, uma desculpa para as células partidárias fazerem mais do mesmo: nada que o cidadão veja.
Um líder socialista interessado em ganhar eleições – ou, pelo menos, em ajudar o próximo líder – estaria neste momento à espera de receber com carácter de urgência um estudo a respeito da manipulação dos órgãos de comunicação social a favor das estratégias e agendas da direita. Esse foi um dos principais factores que explicaram o desfecho tanto das eleições presidenciais como das legislativas em 2011. E constantemente testemunhamos quão obscenos conseguem ser os jornalistas que diariamente produzem peças ao serviço de interesses políticos determinados. O que se passa, nem que fosse só para servir a estudantes universitários, merece mais do que um estudo académico.
Continuar a lerSe não podem tapar as sarjetas, distribuam máscaras
Vinte Linhas 782
Uma certa memória de um jogo com o Sporting da Covilhã na Lourinhã
Quando agora fui convidado para participar num evento (lançamento de um livro) na Lourinhã lembrei-me dos velhos tempos quando acompanhava como enviado-especial a equipa do Sporting Clube Lourinhanense ao tempo clube-satélite do Sporting Clube de Portugal. Um dos jogos que me ficou na memória foi um Lourinhanense-Sporting da Covilhã disputado no dia 12 de Abril de 1998. Resultado 2-0 para os da casa. Guardo a memória de muitas camionetas com adeptos dos «leões da Serra» e de uma pequena multidão que entrou ordeiramente no campo do Lourinhanense atrás de uma banda de música e de uma gigantesca bandeira do seu clube. Passaram por detrás da baliza e foram colocar-se no lado oposto à tribuna de honra onde eu (e os outros jornalistas) esperava a constituição das equipas fornecida sempre pelo senhor Luciano, o secretário técnico do Clube.
How to fuck a brand
As recentes declarações de Soares dos Santos vieram colocar a acção promocional do 1º de Maio numa outra, e bem diferente, perspectiva. Do plano urdido com feroz profissionalismo e agressividade comercial, assim pintado pelos apologistas, ou manobra degradante de contorno e intento ideológico, acusação dos detractores, deixou de haver sinal. As declarações do patrono do Grupo, a começar pela admissão de não ter sido avisado, o que revelam é uma surpreendente fragilidade na administração. Aparentemente, a coincidência com o feriado do trabalhador diz mais respeito ao calendário, o ser o primeiro dia de um mês antes do Verão e suficientemente afastado do Natal, do que a uma bizarra e rocambolesca forma de fazer a grande distribuição de ideais políticos. A guerra com o Continente, em que este tem resistido como líder apesar do excelente marketing do Pingo Doce até à fatídica data, mais do que justifica uma acção de grande espectacularidade e impacto como essa da redução de 50% na factura. Do que não estávamos à espera é desta imagem de confusão e desorientação passada por Soares dos Santos.
Aliás, e do ponto de vista da concorrência, há agora novas oportunidades para reposicionamentos que explorem a negatividade comunicacional gerada por esse dia de convulsão retalhista. A extensa cobertura mediática com imagens e notícias sensacionalistas, prolongada nos dias seguintes pela polémica social e política, inevitavelmente arrasta a marca para um território de associações com a pobreza, a exclusão, o desespero. De repente, o discurso pragmático que permitiu resolver sem espinhas de maior o berreiro na comunicação social a propósito do pagamento de impostos na Holanda – resolvido, simplesmente, com a continuação das promessas de vantagens para os consumidores através de preços baixos – não vai desta vez chegar para colmatar os danos. O Pingo Doce, por incúria ou risco, permitiu-se ferir a identidade da classe média, a qual admite tranquilamente querer pagar o menos possível por bens de primeira, segunda e terceira necessidade, mas que não suporta perder a pouquíssima auto-estima que lhe resta.
O verdadeiro Ministro da Propaganda
É Vítor Gaspar. O João Galamba explica. A Penélope também.
Sabes, Seguro, imaginação não lhes falta
Os números inscritos nos quadros suplementares do DEO, enviados apenas a Bruxelas, mas entretanto distribuídos no Parlamento, mostram que o Governo está a contar agora com mais 3.855 milhões de euros em impostos do tipo IRS e IRC face ao que ficou inscrito nos quadros da troika.
Gaspar prepara subida brutal de 3800 milhões nos impostos diretos
Falta-lhes, no entanto, uma coisa mais importante: oposição.
Estado da Nação
Por Toutatis, mas o que é isto?
“Nós temos que continuar a confiar no diálogo entre as forças políticas. Este é um tempo que requer muito bom senso e muita serenidade. A Europa vive um tempo muito, muito, muito complexo e Portugal até este momento está a ser olhado de forma positiva no que diz respeito a esses dois ativos que já hoje sublinhei, o ativo do consenso político e o ativo do consenso social.”[…]
“Eu, até por aquilo que aconteceu hoje aqui, onde foram atribuídos prémios de inovação, de empreendedorismo e de conhecimento, e também pelos indicadores que tenho recolhido nos meus encontros com empresários no país, tenho a esperança – eu disse também que não posso garantir – que no segundo semestre, lá pelo fim, possa ocorrer uma inversão da tendência da produção nacional”, esclareceu.
“Deus queira que seja assim”, sublinhou.
Do fulano cuja hipocrisia e soberba são um insulto diário à República
Vinte Linhas 781
BIBLARTE – Uma livraria com mais de cem anos e muita história
A Biblarte começou por ser uma empresa individual dedicada a livros e antiguidades. Pouco tempo depois nasceu a Leiria & Nascimento e, mais tarde, a loja foi para Eliezer Kamenesky, um russo que entrou em filmes como «O pátio das cantigas» e «O pai tirano». Amigo de Fernando Pessoa, publicou em 1932 o livro «Alma errante» com prefácio do mesmo Fernando Pessoa que aqui vinha pelas tardes dormir a sesta, ler jornais, ver livros e conversar. Há nas paredes da Biblarte restos de anotações e desenhos de Pessoa, ele próprio. Em 1985 o ministro da Justiça (Mário Raposo) assina em 15-7 o decreto que expropria por utilidade pública a Biblarte. Publicado em 2-8 no jornal oficial, o decreto exige a saída imediata mas pelos vistos ninguém tinha percebido que a livraria tinha mais de cem mil volumes, fornecia e fornece importantes bibliotecas de Universidades e tinha clientes como Mário Soares, Raúl Rego, Pina Martins e Oliveira Marques. Depois de uma campanha nos jornais em 8-10 o ministro da justiça dá o dito por não dito e o decreto é revogado. Ernesto Martins resolve ser grato à sua maneira: faz em 1986 no Porto (Litografia Nacional) uma edição anastática da sua edição de «Os Lusíadas» de 1584, dita dos Piscos, que ofereceu a todos os participantes do abaixo-assinado. Foram oito mil contos muito bem empregues.
Good food for good thought
The reason I like talking about fear is that it’s a human experience. We know that security is important, and it’s only going to get more important. So as we look 10 to 15 years out, what I want to do is to think: What do we really need to be afraid of? I’m on sort of a personal campaign against fear. When we talk about what it means to live in a safe and secure world, there’s a lot of misinformation and a lack of information out there. Because of that, people are creating bogeymen. We’re creating these irrational things, and that’s very dangerous—especially when we’re making decisions, whether it’s hardware design or something else. We need to take a fact-based approach to what should we be afraid of and what shouldn’t we be afraid of. And the stuff that we shouldn’t be afraid of, we need to push that aside. The stuff we should be afraid of, we really need to dig into.
What’s frustrating is that talking about this fear is not usually a technology question; it’s a cultural conversation. When I’m out teaching or lecturing, 50 percent of the questions I’m asked have to do with fear, something that someone is worried about. Let’s find out what people are afraid of and attack it. I’m an incredibly optimistic person. The problem with fear is that fear sells. It even has policy implications. I want to pull people away from the fear because otherwise people will gravitate toward it. Very few innovations have come out of being fearful.
Intel Futurist Discusses Data’s Secret Life, the Ghost of Computing and How We Should Attack Fear
Os três dias de Tsipras
O caos favorece os espertos e os audazes. E no meio do aparente caos que resultou das ultimas eleições gregas, Alex Tsipras tem demonstrado ser o mais esperto e mais audaz de todos os líderes políticos gregos. Todos os analistas se perguntam, face à fragmentação extrema que resultou das últimas eleições gregas, como seria possível a formação de um governo no meio do tumulto. A resposta está aí: não é possível. Tal como reconheceu o líder da Nova Democracia, Antonis Samaras, ao abandonar a tentativa ao fim de poucas horas apesar de beneficiar de um bónus de 50 deputados. E tal como reconhece o líder do desgraçado PASOK, Venizelos, que já afirmou que nem sequer tentará quando chegar a vez dele. E como bem sabe Tsipras, o jovem líder do Syriza, a extrema-esquerda grega. Os números não estão lá, não existem. Os comunistas do KKE recusaram-se sequer a reunir com ele, e isso por si só devia bastar. A Grécia vai para novas eleições no período mais tumultuoso da sua história recente. Esta é a amarga realidade.
E o que fez Tsipras face aos amargos limões que os resultados entregaram aos gregos? Fez limonada.
O que estamos a assistir nestes três frenéticos dias em que este homem tenta formar governo é uma campanha eleitoral absolutamente brilhante. Apenas no primeiro dia, expôs a falta de vontade dos partidos do centro em buscar alternativas ao desastroso caminho seguido até aqui, demonstrou a determinação do seu partido em enfrentar a troika e a UE ao enviar cartas a Barroso e ao BCE denunciando o acordo, e fez tombar as bolsas mundiais apenas com a declaração de princípios que pretende implementar, uma demonstração de força que não passou certamente despercebida a todos os que acham que uma bancarrota da Grécia seria nesta altura “controlável”. E colocou-se firmemente no centro da política europeia ao solicitar uma reunião com Hollande, procurando para si a liderança da esquerda no seu país.
Ou seja, durante três dias, este homem governou efectivamente a Grécia do alto dos seus 16%, demonstrando a todos os seus compatriotas e vizinhos europeus como seria um governo seu, quais as linhas orientadoras e quais as consequências. Não o prometeu, demonstrou-o na prática, de uma maneira sublime e com considerável bravura.
Este homem arrisca-se por isso a ser o próximo primeiro-ministro grego nas eleições de Junho. Dizem que a sorte favorece os audazes. Mas os audazes fazem a sua própria sorte.




