Vinte Linhas 781

BIBLARTE – Uma livraria com mais de cem anos e muita história

A Biblarte começou por ser uma empresa individual dedicada a livros e antiguidades. Pouco tempo depois nasceu a Leiria & Nascimento e, mais tarde, a loja foi para Eliezer Kamenesky, um russo que entrou em filmes como «O pátio das cantigas» e «O pai tirano». Amigo de Fernando Pessoa, publicou em 1932 o livro «Alma errante» com prefácio do mesmo Fernando Pessoa que aqui vinha pelas tardes dormir a sesta, ler jornais, ver livros e conversar. Há nas paredes da Biblarte restos de anotações e desenhos de Pessoa, ele próprio. Em 1985 o ministro da Justiça (Mário Raposo) assina em 15-7 o decreto que expropria por utilidade pública a Biblarte. Publicado em 2-8 no jornal oficial, o decreto exige a saída imediata mas pelos vistos ninguém tinha percebido que a livraria tinha mais de cem mil volumes, fornecia e fornece importantes bibliotecas de Universidades e tinha clientes como Mário Soares, Raúl Rego, Pina Martins e Oliveira Marques. Depois de uma campanha nos jornais em 8-10 o ministro da justiça dá o dito por não dito e o decreto é revogado. Ernesto Martins resolve ser grato à sua maneira: faz em 1986 no Porto (Litografia Nacional) uma edição anastática da sua edição de «Os Lusíadas» de 1584, dita dos Piscos, que ofereceu a todos os participantes do abaixo-assinado. Foram oito mil contos muito bem empregues.

Agora volta a «cegarrega» de que o espaço faz falta para os automóveis dos juízes do STA. Não há sequer diálogo com o ministério da Justiça porque a Biblarte até podia mudar de espaço desde que mantivesse a geografia e a dignidade. Mas não. Depois da Portugal e da Barateira será que os burocratas do Terreiro do Paço estão à espera de que Ernesto Martins desista? É porque não o conhecem nem sabem como é que ele agradeceu à malta do abaixo-assinado.

3 thoughts on “Vinte Linhas 781”

  1. “É porque não o conhecem nem sabem como é que ele agradeceu à malta do abaixo-assinado.”

    o último parágrafo é esclarecedor das tuas intenções com este poste e revela que pretendes tirar dividendos com a colagem. o abutre do carmo já sobrevoa a biblarte, põe-te a pau ó ernesto, que gajo é bom a meter gasolina na fogueira das desgraças alheias. nada como um bronco da benedita para meter uma cunha ao calhordas do viegas, cuidado com os adiantamentos para preparos.

  2. é o gajo anda a rondar, sempre na mira de se tornar conhecido e tirar dividendos. O da Benedita, não dá ponto sem nó e tenta albardar os outros.

  3. “Ernesto Martins resolve ser grato à sua maneira: faz em 1986 no Porto (Litografia Nacional) uma edição anastática da sua edição de «Os Lusíadas» de 1584, dita dos Piscos, que ofereceu a todos os participantes do abaixo-assinado. Foram oito mil contos muito bem empregues.”

    pareces um cão a marcar território, já estou a ver a litografia nacional a braços com uma edição bananística de “os guarda-redes morrem ao domingo” para oferecer aos participantes do novo abaixo-assinado e o ernesto a desembolsar alegremente 50 mil contos muito bem empregues. só tens que angariar assinaturas e pôr o movimento a andar, entretanto podes falar com a loura sem juízo e ver se está na disposição de pagar mais ou de te encaixar na mama judicial, tipo cada sentença passaria a levar uma citação tua e respectiva taxa de direitos de autor por crédito directo no teu nib.

    “Não há sequer diálogo com o ministério da Justiça porque a Biblarte até podia mudar de espaço desde que mantivesse a geografia e a dignidade.”

    será que percebi bem! lá mais atrás eram gravuras rupestres e escrevinhações do pessoa nas paredes da baiúca que justificavam a inamobilidade do estaminé, agora com diálogo (indemnização) até mudávam de poiso, para valores semelhantes de dignidade e gps.

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