really silly seasoning

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Tive um coração de batata, palpitante de possibilidades. Cheio e róseo.
De volta à cozinha abandonada descubro o coração mirrado, encarquilhado. Nem foi capaz de grelar, de lançar raízes. No cesto, um trio de limões, sem sumo nem cheiro, reunia amarelos diversos por fios alvos de bolor.
O meu coração repousa agora num fundo amarelo e fofo. Bem fundo. Chorei bastante, mas foi da constipação. Daquelas estúpidas, de Verão. Sempre se mantém a coerência.

susana

100 Torga com Torga

Pátria

Serra!
E qualquer coisa dentro de mim se acalma…
Qualquer coisa profunda e dolorida,
Traída,
Feita de terra
E alma

Uma paz de falcão na sua altura
A medir as fronteiras:
– Sob a garra dos pés a fraga dura,
E o bico a picar estrelas verdadeiras…

Vindo de um cultor do iberismo cultural (o único iberismo legítimo e inteligente, mesmo que usualmente demasiado lírico para dar fruto — e só lírico, quando precisa igualmente de ser filosófico), pode ser poema útil para os infelizes a quem nunca explicaram o que a palavra pátria pode querer dizer. Já agora, recorde-se um comentário sharkíssimo.

Dança comigo

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sobre um óleo de António Carmo

Não sei dançar. Nunca senti no meu corpo o motor do ritmo, a locomotiva que prolonga e amplia, nos salões ou nos jardins, a alegria de uma música vivida a dois.

Não sei dançar. Nem sei se alguma vez entrarei na difícil empresa de celebrar uma festa situada entre os pés ligeiros, soltos, e o olhar que os comanda, firme.

Não sei dançar. Nunca dancei, mas, ao ver o teu olhar dentro da luz do óleo de um quadro, entre a casa à direita e a árvore à esquerda, com a viola campaniça ao centro, então, só então, sabendo que és mesmo tu, serei capaz de, tímido e receoso, te pedir em voz muito baixa: «Dança comigo!»

Não, como é lógico, para dançar, mas, apenas e só, para juntar as minhas mãos às tuas e, em silêncio, esperar que a música da viola campaniça atravesse toda a linha do horizonte da planície e venha depositar a teus pés todo o perfume das searas e da terra.

José do Carmo Francisco

Vão ajudar, sim senhor.

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Em vésperas de partir para férias, ando a carregar o meu i-pod com diversos discos que, por razões diversas, não fizeram vibrar a minha corda sensível em 2007. Um deles é o novo We Are The Night dos The Chemical Brothers, ao qual tenho resistido de uma forma verdadeiramente parva. Ando há três dias a ouvi-lo de forma intensa e, de facto, este é o disco mais irregular dos rapazes, que tanto tem temas verdadeiramente dispensáveis (ver os singles «Do It Again» e «The Salmon Dance) como canções que, com a necessária dose de irresponsabilidade que me caracteriza, não hesito em apodar de pequenas obras-primas. É o caso de «The Pills Won’t Help You Now», um tema lento e preguiçoso que parece ser um filho bastardo de Kid A dos Radiohead e de The Campfire Headphase dos Boards of Canada. Tim Smith dos Midlake dá, de forma muito competente, a voz ao tema, mas um gajo fica sempre a pensar o que o Thom York teria feito com esta maravilha. Meninos e meninas: a minha música oficial do Verão 2007.

A cadeira do rei Sancho

A Moreira de Rei já chamaram ninho de águias, sobre um montão de rochas. E o viajante concorda. Se das águias não encontra sinal, que o tempo as levou para outros ares, já o ninho cá ficou e rochedos não faltam. Só a história, e a teimosia dos homens no que é seu, explicam um lugar assim. A igreja, logo à entrada, é de antiga fábrica românica, com bárbaros cachorros zoomórficos. O viajante encontrou a chave na porta lateral e foi cumprimentar a padroeira, que é Santa Maria. Já viu os caixotões do tecto, pintados com cenas devotas, e os painéis com figuras de santos, que são uns regalões. No mais ignoto lugar sempre lhes cabe a moradia mais aprimorada, e nunca lhes faltam esmeros e frescuras, como agora podemos ver. As talhas reluzentes de castanho genuíno trazem ao viajante lembranças do padre Júlio, que antes de tomar aqui os paramentos descarregava as pistolas na mão do sacristão.
Do padre já se não lembra Manuel, nem a mulher, que atravessam o largo atrás duma carroça. São velhos, mas não tanto. Só lhes constam as boas famas que ficaram no povo, e ainda se lembram bem da Carlotinha e do irmão, que eram filhos. Ela há muito que se ficou num parto, ele morreu há poucos anos. Mas agora já não têm padre residente, que os não há. Chegou a haver esperanças num rapazola aí do povo, que andava no seminário. Mas um dia tomou-se de amores e resolveu desistir, Deus é quem sabe.
Saberá ou não, isso é outra conversa. O burrico é que parece não ter dúvidas, já lá vai adiante com três sacos de milho e uns molhos de feijão para secar. Os donos seguem atrás e o viajante vai com eles. Manuel andou uns anos na emigração, como toda a gente. Foi onde ganhou dinheiro para comprar esta casa e arranjá-la, aqui à vista do castelo. Mas era uma vida desgraçada, aquela, uns escravos do trabalho. Os filhos lá cresceram, lá casaram, ainda hoje lá vivem. Ele, quando pôde, escapuliu-se, que não há como viver na nossa terra.
– Tivemos cá rei e tudo! Se passar no castelo, há-de lá ver a cadeira!
Manuel esvazia a carroça e recolhe o jumento, que o afligem o calor e a mosca. E a mulher fica a espalhar ao sol as maçarocas, na laja que se estende logo ao traço da porta. A canzoada que ladra ali ao lado é do pároco da vila, que vem rezar os ofícios quando calha. E está tão belicosa a cainçada, que nem deixa conversar. Com batedores assim, o padre há-de ser bom caçador. Mas o viajante fica a pensar que o padre Júlio caçava muito melhor.

Jorge Carvalheira

Um simples apito salvou a vida do Acácio Paulino

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A vida é a arte do encontro – já dizia o Vinícius de Moraes, o branco mais negro do Brasil. Outro dia encontrei por acaso o Acácio Paulino que já não via há uns anos. Fomos colegas no BPA e já desse tempo eu sabia da sua paixão pelo mergulho. Mas não sabia que ele tinha estado, em Dezembro passado, mais de oito horas arrastado pelo mar no pequeno conjunto de ilhotas dos Farilhões, ali perto de Peniche. Mergulhando no Rabo de Asno, foi levado pelas correntes na direcção oposta a Peniche e lá conseguiu voltar para trás até ao Farilhão do Nordeste.

Entretanto a mulher insistia, mas as autoridades do Maritime Rescue Coordinatiom Centre diziam que a utilização do helicóptero está «sob consideração». Quando souberam que ele estava vivo e que tinha sido localizado por uns biólogos que ouviram o seu apito, ficaram surpreendidos. Julgavam-no morto, como mortos ficaram, dias mais tarde, os tripulantes do «Luz do Sameiro» perto da Nazaré. Depois de saberem do alerta dos biólogos, lá mandaram um barco dos Socorros a Náufragos, mas sem cobertores nem oxigénio. Enfim.

Dias depois li que uma senhora, lá para cima para Lamego, comunicou que estava perdida e tinha tido um acidente, e levantou logo um helicóptero a procurá-la. Depois soube-se que estava em casa de uma amiga sem qualquer beliscadura. Para essa senhora, praticante do desporto líquido, não houve hesitações. Para o Acácio Paulino ainda estavam a ponderar, ainda estava sob consideração… Um simples apito que lhe custou apenas cinco dólares nos EUA salvou-lhe a vida. Esta vida. Que não tem outra.

Este nosso pequeno país tem mesmo duas velocidades. É conforme…

José do Carmo Francisco

Novela do estudo científico das línguas reais – II

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Foram neo-gramáticos do calibre de K. Brugman, H. Osthoff e Hermann Paul que desenvolveram o legado dos histórico-comparatistas ao sublinharem o carácter mecânico e absoluto das leis fonéticas:

– Lindinhos, as leis fonéticas não têm excepções.
– Nunca-nunca-nunca?
– Ok, quase nunca.
– Bem me parecia…
– Mas, nessas raras excepções, é possível encontrar outra lei fonética complementar que as explique.
– Sempre-sempre-sempre?
– Ok, quase sempre.
– Bem me parecia…
– Mas, nesses casos ainda mais raros em que não se concretizam as leis fonéticas, é porque houve uma analogia.

A analogia foi definida pelos neogramáticos como um mecanismo de compensação que actua no plano gramatical e que restaura distinções ou paralelismos que cegam (tadinhas) as leis fonéticas. Neste mecanismo (muito presente em certos «erros» da linguagem infantil, como o não cumprimento das excepções gramaticais), está implícito uma distinção muito clara entre o plano fónico (fisiologia dos sons) e o plano psíquico (analogia) da linguagem humana verbal. Na verdade, até sou gajo para dizer que já se encontram aqui latentes os princípios da teoria sausseriana do signo linguístico.

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Iberismo soviético

Ligando com o saboroso diálogo abaixo, de Daniel de Sá, e ao arrepio da silly people que não leva a sério a ameaça iberista, colhe recordar um dito de Fernando Lopes Graça, contando 75 anos (muito boa idade para ter juízo; ou falta dele, é conforme), em 1982 (já com História mais do que suficiente no bucho para merecer um valente puxão de orelhas):

Porque a separação de Portugal de Espanha foi um erro histórico, sem querer com isso dizer que deixássemos de ser portugueses. A própria Galiza não se considera espanhola; a Andaluzia e a Catalunha também não. Há o problema grave dos bascos… Penso que deveria haver uma federação, tal como a federação dos povos soviéticos, cada um com a sua personalidade, mas com um projecto social, político e económico comum. Continuo a defender essa ideia, sem a absorção de qualquer parte por outra.

Como se vê, Saramago pertence a esta funesta linhagem dos que viveram em negação da liberdade. Malhas que o Império tece.

Diálogo loco entre Don Quijote y Sancho Panza

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Después de haber leído una carta de Fernando Venancio a José Saramago

– Sancho, hace falta que vayamos a Portugal.
– Señor mío, yo creía que jamás habríamos de salir de Castilla…
– ¿Porqué lo piensas? Si acaso piensas…
– Pues ¿cómo vamos allá? Nuestros animales, estas almas de Dios, no podrán llegar tan lejos.
– Eso será tu burro que no lo puede.
– Si mi señor llama burro a mi borriquillo, yo llamaré caballo a su Rocinante.
– Si llamas borriquillo a ese montón de huesos…
– Más grande es el montón donde mi señor pone el agujero donde terminan sus gloriosas espaldas.
– Que nunca jamás un enemigo ha visto, fíjate bien.
– Pero ¿porqué Portugal?
– Porque, en lucha por nuestro glorioso rey Felipe II, allí estuvo nuestro creador.
– ¿El mismo Dios habrá combatido por nosotros?
– ¡No hagas el tonto!
– No hace falta. Pues si mi señor dice que lo soy…
– Hablo de don Miguel de Cervantes Saavedra.
– Y después a lo mejor querrá irse también a Nápoles, a Venecia, a Chipre… lo que sea…
– ¡Ni pensarlo! Yo no quiero más que hacer peregrinación a Aziñaga, la tierra de un gran español que el mundo no conoce todavía.
– ¿Quién es la criatura?
– Un genial escritor, más que don Miguel. Dicen que si se lleva unos veinte años más viviendo en Lanzarote acabará hablando castellano mejor que nuestro rey Felipe III.
– Pues no le hacía falta ir para en medio de los guanches. Dicen que ahora se enseña el castellano en Portugal más que el francés.
– No pienses que será por amor de España. Es para que se cumpla mejor el problema de las estadísticas del gobierno. El castellano como segunda lengua extranjera dará más altas clasificaciones a los chiquitos. Y, además, les hace falta para comprender la Barca del Infierno.
– ¿Qué es eso? ¿Portugal está así de mal?
– ¡Come hierbas, Pancho!
DANIEL DE SÁDaniel de Sá (São Miguel, 1944) é romancista, contista e ensaísta.

A angústia do cliente da TMN no momento do pagamento

PREFIRO ARREPENDER-ME DO QUE FAÇO, DO QUE DAQUILO QUE NÃO FAÇO. SE ME ARREPENDER, PODEREI CORRIGIR O ERRO. SE NADA FIZER, NÃO PODEREI CORRIGI-LO – SÓ PODEREI ARREPENDER-ME.
Soledade Martinho Costa

Ontem não paguei a conta da TMN e, hoje de manhã, deixei cair o telemóvel na sanita. Arrependo-me de ambos os gestos, é claro: deveria ter feito o pagamento e não deveria ter feito cair o telemóvel na sanita. Mas como fiel súbdito da nossa querida Soledade, fermenta agora em mim uma esperança e um medo. Esperança de voltar a pôr o meu telemóvel a funcionar (não sei muito bem como, mas sei que ela virá aqui esclarecer-me) e medo de pagar hoje (o prazo, afinal, termina amanhã) a conta da TMN: se o fizer, não estarei eu a colocar em risco a delicada ordem do universo?

Perguntas sem resposta

Hoje acordou cedo o viajante, que tem as horas contadas. Esperam-no ao fim da tarde os cavalinhos rupestres no baixo Côa, há que meter pés ao caminho, que há-de ser longo. Já se despediu das muralhas da cidade, já deixou para trás a porta do Carvalho, já segue para norte pela estrada da Meda. Para trás ficou também a capela de Santa Luzia que não pôde visitar, tão fechada que estava debaixo do seu arco românico.

O bairro da mesma santa, estendido pelo arrabalde que se dispersa na encosta, é uma pequena parte da cidade moderna. Mas não há ponto cardeal que a febre da construção tenha poupado. O viajante perdeu-se ontem à noite nos dilatados subúrbios e não pode imaginar donde vem tanta gente habitar estas casas. Por força haverá muitas vazias, que todos os munícipes concentrados aqui não haviam de chegar para as ocupar. Mas a perplexidade do viajante é sem motivo. Havendo dispersas no país inteiro meio milhão de casas devolutas, sempre uma parte caberia à cidade, a menos que houvesse um milagre qualquer. A especulação imobiliária fez-se galinha de ovos doirados há uns anos, não há terra em que o betão e uma ideia peregrina de progresso não andem de braço dado. Os construtores trocam as leis e os planos por peitas e ganhuças, os edis fazem o mesmo por taxas e derramas, e os governos, sobre todos, abdicam do país por impostos e sisas. Os banqueiros multiplicam capitais, como é da sua função. E alguém há-de pagar um dia esta factura, se não estiver já hoje a pagamento.

O viajante vai ficando cansado destes embates com a realidade, sempre espessa e concreta e angulosa. Ouriçada de esquinas afiladas, que deixam feridas nas mãos. O que dava jeito a este viajante era acreditar em trovas e refugiar-se nelas, se para consolo de almas foram inventadas. Mas não tem ele essa sorte. Há-de parecer que anda à procura de quebra-cabeças e não é verdade. São os quebra-cabeças que vêm ter com ele. Parou aqui à saída, para ver as instalações do mercado dos gados, sem sinais de ocupação há muito tempo. Num lugar de ruralidades dominantes é sempre um gosto vê-las, mesmo assim vazias, que já estarão à espera se um dia o gado voltar. Mas não estão sós no desamparo, pois logo ali à direita, espraiados no vale, andam vinte hectares de pomar abandonados. O viajante pára o carro num caminho de saibro, pula uma parede a observar melhor. O matagal pagão assoberbou as árvores, que lá vão resistindo aos gritos pela encosta. Algumas já secaram, outras lambeu-as o fogo, muitas granjearam frutos enfezados que tornaram à braveza natural. Na vastidão da tapada ficou a branquejar uma inútil estação de tratamento.

Umas vezes protesta o viajante contra a própria ignorância e falta de entendimento. Outras muito suspeita que dez cursos de economia não haviam de chegar para lhe tornar compreensível este mundo. Dá consigo a perguntar o que o faz correr assim, andar por montes ardidos, e pomares abandonados, e terras adormecidas donde a vida desertou. Vinha à procura dum país, a ver se lhe encontrava ao menos as raízes, e só esbarra em perguntas que lhe ficam sem resposta. Anda por ali a restolhar no capim, a tropeçar em antigas tubagens de rega, a arranhar-se nos silvedos. Abre os braços à carícia do sol, oferece o peito ao ar de vidro da manhã, e com tanto se dará por satisfeito. É um tolo, este viajante, a querer entender o mundo. Deu com a fronteira da parede, esbarrondou umas pedras, saltou para a carreteira e foi-se embora.

Jorge Carvalheira

Um inesperado poema de António Lopes Ribeiro

A livraria-alfarrabista «1870» (ali à Praça das Flores) proporcionou-me o encontro com um livro no mínimo curioso: trata-se da reunião em volume das crónicas que António Lopes Ribeiro publicou a partir de Abril de 1963 no jornal O Primeiro de Janeiro do Porto.

Para quem tenha a memória apenas do apresentador do «Museu de Cinema» ao lado do inefável António Melo e do seu sumido «boa nôte», não deixa de ser uma surpresa este poema sobre um menor atropelado no seguimento de opiniões sobre a nossa civilização perfeitamente actuais, passados 44 anos: «No Domingo de Páscoa registou-se maior número de mortos e feridos nas estradas de França do que nas cidades violentadas a ferro e fogo de Argel e de Orão. O automóvel bateu aos pontos o terrorismo. Sem falar nas corridas de morte com automóvel nos países que proíbem as corridas de touros. Um carro marra muito mais do que um Miura ou um Palha mas as sociedades protectoras dos animais não querem saber da sorte do bicho homem.»

Mas vamos ao poema «Menor atropelado»:

Ia a correr atrás de um arco
(Corria como ninguém!)
Na véspera andara de barco
E levara um sopapo da mãe.

Agora, jaz estendido
Naquela curva da estrada
Tens os bracitos ao comprido
E a cabeça esmigalhada.

Que foi? Foi um automóvel
Que passou em correria
Ele é que já não corre; jaz imóvel
(Padre nosso, Ave Maria…)

O condutor deu um grito
Ele – não soltou um ai
(Vai ser o bom e o bonito
Quando disserem ao pai)

Nossa Senhora nos valha!
Pois não tinha anjo da guarda?

Antes fosse de um tiro de espingarda
Mais tarde para ganhar uma medalha.

recolhido por José do Carmo Francisco

euGoogle

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A popularidade do Google nasceu da relevância dos resultados, da simplicidade de utilização e de um ambiente visual minimalista. Por comparação com as páginas dos motores de busca da época (2000, o ano da vitória no boca-a-boca), pesquisar na caixa do Google era uma experiência de respeito absoluto pelo utilizador. Só a nossa pesquisa e os nossos resultados interessavam, não nos mandavam palha para cima dos cornos.

Hoje, Google é uma marca fornecedora dos mais variados e originais serviços. Um deles está nos antípodas da experiência inicial, embora mantenha o mesmo princípio: respeito absoluto pelo utilizador. Refiro-me ao iGoogle, o serviço de gadgets para personalização da página Google. A imagem supra mostra menos de metade dos meus. Eis um potencial problema: não conseguir parar com os acrescentos. Mas as vantagens são óbvias e demasiado importantes para abdicarmos do serviço.

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