Iberismo soviético

Ligando com o saboroso diálogo abaixo, de Daniel de Sá, e ao arrepio da silly people que não leva a sério a ameaça iberista, colhe recordar um dito de Fernando Lopes Graça, contando 75 anos (muito boa idade para ter juízo; ou falta dele, é conforme), em 1982 (já com História mais do que suficiente no bucho para merecer um valente puxão de orelhas):

Porque a separação de Portugal de Espanha foi um erro histórico, sem querer com isso dizer que deixássemos de ser portugueses. A própria Galiza não se considera espanhola; a Andaluzia e a Catalunha também não. Há o problema grave dos bascos… Penso que deveria haver uma federação, tal como a federação dos povos soviéticos, cada um com a sua personalidade, mas com um projecto social, político e económico comum. Continuo a defender essa ideia, sem a absorção de qualquer parte por outra.

Como se vê, Saramago pertence a esta funesta linhagem dos que viveram em negação da liberdade. Malhas que o Império tece.

76 thoughts on “Iberismo soviético”

  1. pois, é essa coisa freudiana da esquerda clássica, grandes Estados com grandes ‘pais’, para tomarem conta dos meninos, e castigarem os mal comportados. Ainda agora o chavez sente-se no direito de enxaguar cérebros de concidadãos, durante 8 horas, só de pensar dá enjôo, …

    Lembro-me que quando estive em Cuba era mal visto dizer que não se tinha visto o discurso do el comandante, era falta de respeito para com o ‘pai’…, merecia ser registrado,

    Para ‘pai’, gosto do Mandela, que ajudou à transição e que bazou a tempo de ir curtir festas, mulheres e netos

  2. O iberismo e o sovietismo do Lopes Graça são coisas distintas. Aqui você, Valupi, procede por amálgama, tentando provar que, uma vez que Lopes Graça e Saramago eram iberistas e sovietistas, iberismo anda de mãos dadas com negação da liberdade. Levando um pouco mais longe a sua silly sophistry (retribuo a amabilidade), você poderia insinuar também que os iberistas ou são gays ou gostam de espanholas. Ou que, inversamente, os nacionalistas são defensores da liberdade e heterossexuais.

    João: Erro histórico, esse “misterioso conceito”, sugere, e bem, que há contingências e alternativas na sucessão dos acontecimentos e que não bastam as grandes forças e as grandes determinantes para se fazer História com h grande. Por exemplo, em 1945 toda a gente achava um tremendo “erro histórico” ter deixado Hitler chegar a chanceler em 1933 com 32% dos votos. Ou seja, uma tremenda decisão errada que fez história! Achar que a História é uma colecção de eventos únicos possíveis e inevitáveis é que é dum fatalismo tremendo, negador do papel dos indivíduos e dos grupos na construção do devir. Negador da liberdade, em última instância.

    Se 1640 foi ou não um erro histórico, isso é outra questão. Inclino-me para o não. Sou iberista dos séculos XX-XXI. Lopes Graça achava-se bem na companhia dos anti-fascistas galegos, catalães, bascos e andaluzes e daí partiu para considerações sentimentais que não podem ser levadas muito a sério. Mas o fascismo teve realmente um sub-efeito aglutinador dos povos que viveram sob a sua pata, algo de que ainda hoje há reminiscências.

  3. Nikita, a tese de os iberistas serem gays, ou gostarem de espanholas, merece alguma atenção.

    Também seria interessante descobrir o que nomeias por ‘nacionalismo’. Pelas definições é que nos entendemos, como tão bem ensinaram os Gregos.

  4. Sim,e é o vezinho ao lado que é o melhor reprentante.
    Depois do fim do empire romano,o latim deichou de sêr a lingua universal.
    O mundo conhecido transformou-se em varias grandes tribus,com varios deuses,o Grego ja nâo tinha grande valor,mesmo se ainda éra usado em varios paises.
    Os Ibéricos éram devididos por outros povos,germanicos, celtas,galaicos,e outros menos enormes,nos e uma parte d’Espanha,éramos souaves,depois com a vinda da religiâo cristâ tornamo-nos,Potugueses.Mas so depois de varis péripécias,juntas com enormes mentiras!Para que pequenas aldeias acreditem que foi na sua terra que nasceu o menino jesus,da-te uma ideia o que nâo foi!Em Franca no século 14 os cristâo mataram mais que tres mil pessoas,vê bem do que eles sâo capazes.Franco nâo têve nenhuma vergonha em dizêr que matava a metade da Espanha se fosse preciso.Ok
    Vesita este sito se tens alguns minutos livres.Memo_Le site de l’Historia http://www.memo.Fa/article Route.asp? ID=RED_ESP_MOY_00I .Gosto imenso de ler os teus artigos

  5. Nikita,

    Escreves: «Lopes Graça achava-se bem na companhia dos anti-fascistas galegos, catalães, bascos e andaluzes e daí partiu para considerações sentimentais que não podem ser levadas muito a sério.»

    Acho que as «considerações sentimentais» são para levar tremendamente a sério. Creio que são elas que inspiram entre nós algum iberismo chique (se não for o iberismo todo ele chique), para o qual o poder ser-se conhecido em Madrid é, caramba, um pouco mais interessante do que ser conhecido em Lisboa. Puro sentimento? Também ele comanda a vida.

    No resto da asserção, concordo inteiramente contigo. Há, de facto, um sonho ibérico entre, por exemplo, alguns anti-fascistas (bom, anti-Acebes-Aznaristas) galegos. Dá pena vê-los sonhar alto com uma República Federal Ibérica, em que nós entraríamos, baixando de cavalo para burro, claro, mas finalmente iguais a eles, os irmãos galegos.

    Moral da História: até os amigos temos, por vezes, que enxotar.

  6. Valupi, a solução ideal é a não perda de identidade com um projecto economicamente viável. De que serve armar-se em D.Quixote (haja paciência pela escolha da personagem), cheio de ilusionismos, se o dito não tem tostões no bolso?

  7. claudia, mas o dinheiro no bolso não pode ser o critério para quem se quer realizar como ser humano. Os que preferem o dinheiro (vou aqui usar esse termo como larga metáfora – portanto, como um largamente útil e largamente errado símbolo) abdicaram do seu lado humano e preferiram satisfazer o lado animal.

    Ah!, há que lembrar: nós, os animais humanos, não somos uma coisa nem a outra. Nem só animais, nem ainda perfeitamente humanos. Somos uma potencialidade, uma abertura, um vazio; ou seja, uma liberdade.

    No caso das nacionalidades, e da nacionalidade portuguesa, escolho a minha Língua e o direito de continuar a explorar o seu potencial. Esse direito parece-me melhor defendido no contexto de uma independência política. É simples (para mim).

  8. Nikita: eu não sei se te percebi bem, mas eu acho exactamente o contrário do que penso ser a tua explicação: é a noção de «erro histórico» que é «negadora da liberdade», na medida em que sugere que há um devir histórico «correcto». Ou não?

    Primito: não poderia concordar mais com o derradeiro parágrafo do teu último comentário. Mas advêm daí alguns perigos, como uma visão indígena da língua que convém combater.

  9. Primo, tens toda a razão. Mas eu, ao escolher a minha Língua, escolho-a pela sua dimensão cosmopolita, não pela sua mestiça dimensão indígena. Como vês, sou um ambicioso.

  10. Quarenta e oito anos,de uma liberdade bafulhada por uma meia duzia de padres,e outros tantos palhacos!Nâo me esqueci de o falar em todo o lado onde eu possa o utelizar,mesmo se a minha pobre ortografia sofreu enormamente.Mas qualificarem-no como o maior Portugues ,e queren-lhe fazer uma estatua?Nâo estou arrependido que o meu Boy fale mais que uma lingua

  11. Em cima falei de esquerda clássica, não de toda a esquerda. E acrescento porque é que alguns gostam da figura de grandes e perpétuos ‘pais’da pátria: é porque querem ser dignitários do regime por muitos e longos anos. Ora a democracia é ‘ingrata’ e transiente, o que lhes causa perturbações no ego. já não há sossego.

  12. É isso mesmo que se passa aqui ao lado.O seu nome Mitt Romney,com cinco filhos em idade melitar,candidato républicano para 2008 um jornalista pergunta-lhe porque razâo alguns dos seus filhos nâo esta na tropa?Resposta,porque sâo mais uteis na minha eleicâo.
    Eu perdi dois anos da minha vida nos anos mais nêgros que Portugal conheceu,para defender uma patria que nem o passaporte me dava por eu ser pobre!E deixava passar emigrantes clandestinos entre os quais uma senhora gravida,por que éra util a entrada de devisas estrangeiras.Saiu-lhe cara a brincadeira

  13. Não há um “devir histórico correcto” excepto, talvez, para a vulgata mais ordinária da filosofia marxista da história. Há decisões, até individuais, tomadas dentro de uma certa margem de liberdade, que se tornam “históricas”, i.e., prenhes de consequências boas ou más, óptimas ou péssimas (ou mistura das duas), sobretudo para quem as sofre, porque quem as toma pode não chegar a sofrê-las. Sobre o determinismo histórico e o papel dos indivíduos, ler o historiador Niall Ferguson, autor da “História virtual: alternativas e contra-factuais”. É um bocado direitista, mas abre cabeças. É dele a “Guerra dos Mundos”, agora traduzida em português.

    A história de Portugal, tal como a história de certas empresas florescentes ou desastrosas, tem muitos exemplos de decisões erradas ou acertadas. Mas os grandes feitos “geniais”, como o seu reverso, os grandes erros históricos, por vezes só se distinguem em perspectiva de longo prazo, envolvendo sempre também maior ou menor parte de subjectivismo. Os nacionalistas de hoje dirão que 1640 foi uma decisão genial. Ao dizê-lo já estão a admitir que havia alternativas, boas ou más, caso contrário a decisão não seria genial. Se pensam que 1640 se deu porque tinha de se dar e era a única decisão possível ou correcta, estão a cair em contradição.

    É perfeitamente legítimo averiguar hoje da justeza ou não da política da Restauração a curto, médio ou muito longo prazo. Não para julgar D. João IV no tribunal da História (o tal tribunal que Fidel pensa que o absolverá), mas para compreendermos o século XVII numa perspectiva de grande prazo que relativiza tudo o que é acessório. E que nos permita olhar inteligentemente para o futuro.

    Assim como poderá ser legítimo interrogar a nossa participação na União Europeia à luz do sentido da nossa história. Agora opor iberismo a defesa da liberdade é um tema bom para almas singelas.

  14. Almas singelas, Nikita, e singulares, se me permites o balanço etimológico. Entretanto, constato a tua prudência ao evitares a definição do que entendes por ‘nacionalismo’. Compreende-se: dá um trabalhão. Quão melhor citar um livrito acabado de sair do forno, ou já pão-duro para a inteligência desta específica questão.

    Estive a espremer este teu último comentário e fiquei com uma aguadilha na mão. Essa de quereres “averiguar hoje da justeza ou não da política da Restauração a curto, médio e muito longo prazo” tem a frescura, até o garbo, da insanidade ilustrada. Gostaria, confesso-o sem vergonha, de assistir a esse exercício de perspectivismo retrospectivo, ou será de retrospectiva perspectivista?, de modo a daí resultar um olhar inteligente para o futuro. Farias as delícias dos escritores de ficção científica que deliram com as viagens no tempo.

  15. FV, essa de que o iberismo é chique, teve graça. A chiqueza ocorre em qualquer meio, também há putas chiques. Há iberismo e iberismo. Eu não sei se o meu é chic ou moche, sei que, para começar, sou alérgico ao nacionalismo e a todas as suas manifestações. O nosso nacionalismo do século XX, então, tresandava a aldrabice, a opressão e a podre. Gosto de me sentir cidadão do mundo, como Vieira da Silva escarrapachou em testamento nas paredes do metro da cidade universitária de Lisboa, a ver se faz algum efeito naquelas cabecinhas tenras, que nas duras já não dá. Luso-francesa e mulher de húngaro, viu e sentiu o problema muito melhor do que a élite bem pensante nacionalista, muito provinciana dentro dos seus queridos muros e muretes mentais.

    Pior do que o nacionalismo, só o anti-espanholismo. No século XXI, já não faz qualquer sentido. Seria agora possível criar qualquer coisa de novo na Península Ibérica e até no mundo, e nós portugueses poderíamos ter um papel definidor nesse grande empreendimento comum, porque não temos complexos de oprimido. Pelo contrário, foi o nosso exemplo, em boa parte, que encorajou os separatismos em Espanha. É só uma oportunidade histórica que a União Europeia abriu, que se pode agarrar ou perder. A tal liberdade de decisão, que implica também audácia, capacidade, abertura mental, que não sei se temos.

    Nacionalistas chiques também há certamente, nem todos serão salazaristas, franquistas, nazis ou bandidos da ETA. Mas a árvore nacionalista não dá nada de bom. É ver-lhe os frutos.

    A nossa língua não precisa de ser defendida, como o galego ou o catalão precisaram durante ou depois do Franco. A nossa identidade, para quem gostar dela, está preservada em formol de Norte a Sul do território continental e insular. Mas esta discussão não faz sentido: a Espanha e o castelhano estão aí, quem os pode impedir agora de quebrar todas as barreiras? Quando forem a ver, os nossos nacionalistas já estarão espanhóis.

    Já começaram a escrever em espanhol (veja-se o exemplo anexo) o que é sintomático!

  16. “…uma República Federal Ibérica, em que nós entraríamos, baixando de cavalo para burro, claro, mas finalmente iguais a eles, os irmãos galegos.” (FV dixit)

    Esta presunção! Esta prosápia! Esta empáfia! O nacionalismo a mostrar as suas penas em leque. Olha que os teus amigos e aliados (?) galegos te devem agradecer imenso pela parte asinina e sub-humana que lhes toca.

  17. «Acouga, Nikita», diriam os meus amigos galegos. Calminha, digo eu. Diriam eles também.

    Não creio que nenhum deles, dos meus amigos, seja iberista. Pelo contrário: eles, os meus amigos galegos, invejam simpaticamente a independência do meu país.

    Agora há uma frase tua que eu gostaria de reproduzir aqui com letras de ouro. Esta:

    «Foi o nosso exemplo, em boa parte, que encorajou os separatismos em Espanha.»

    Ah, ganda Nikita!

  18. Os nacionalismos numca foram profitaveis a que combateu por eles,a plébe nâo comprendia que estavam a aproveitarem-se d’éla,sim precisamos de inteclétuais,d’historiadores,de tôda uma classe dita liberal,mas creio que ja é tarde.Os Brasileiros com 148 milhôes tiraram-nos o lugar,temos que ser realistas..a classe politica que prevalecia em Portugal com o apoio d’historiadores que comtavam falsidades aqueles que pensavam ser nationalistas,so prejudicaram!Tudo ao nome da importancia que lhes davam os analfabetos,nâo sou demagogo,mas depois d’aparensa de Fatima a tres pequenos no deserto,ou quase e onde morriam milhares de Portugueses na primeira guerra mundial,foi a tres inocentes que éla apareceu.A saida das colonias ja estava perpetada depois longo tempo pelos os grandes aliados,Ingleses e Amerloques foi éssa a rasâo de manter o sé povinho na ignoransa tal como Valênsa,a entrada na UE foi uma esmola que fizéram antes que uma sériosa revolusâo saisse instantaneamente em que cértos interesados,perdencem o que nâo lhes pertencia.Nikita pode ser um d’eles:para que nâo fique desesperado,o Estado do Vermont 13% da populacâo quer a saida dos U.S.A,a Luisiane é um éxemplo da injustica feita aos pretos, onde as suas casas sâo quase dadas aos amigos do regime,para compreenderes as causas do Franquismo,aconselho-te a ler Mourir en Madrid.Bush recuou os U.S.A mais que 10 anos, PS um jornalista républicano que o diz.Actualmente nâo compares o Fidel com nenhum chefe d’estado…nâo,nâo sou comunista!Mas pergunta ao Paulo Portas para qué os submarinos em segunda mâo?

  19. FV, poupa-me aos teus elogios, que não os quero merecer.

    Agora é só para corrigir o título do livro do Niall Ferguson, que talvez possa interessar a algum aspirinauta que leia: “A Guerra do Mundo” (não confundir com o outro, que era o H G Wells).

  20. “o dinheiro no bolso não pode ser o critério para quem se quer realizar como ser humano.”

    Vou ilustrar já que não consigo explicar de outra maneira.

    Um espanhol aponta uma arma à cabeça de um português e diz-lhe
    – A partir de ahora, tienes que hablar siempre castellano.

    O português utopista, amante das ideias valupianas, responder-lhe-á em bom português:
    – Vai pó caralho que hei-de falar sempre a língua da minha mãe.
    Logo em seguida leva um tiro nos miolos.

    O português sensato, que espera ainda contar muitos anos pela frente, cordialmente dirá:
    – Vale, vale, jamás he gustado de la lengua portuguesa que es un aborto centenario.
    Fica com a vida salva. O castelhano aperta-lhe a mão e vão ambos comer um bacalhau à gomes de sá.

  21. Confesso que não gosto nem de uma solução, nem outra, mas acontece que o português se encontra em péssima situação por não ter tido DINHEIRO NO BOLSO para comprar uma arma de calibre igual ou superior ao do espanhol.

    The end ( por quem manda ainda nisto tudo são os americanos).

  22. Valupi, nacionalismo é um termo universal da ciência política. Vê na Wikipédia inglesa ou espanhola, se a portuguesa te suscita dúvidas, como é natural. Há um patriotismo são, que começa na rua ou aldeia onde se mora e que vai por aí acima até à região, à nação, à península (!), à Europa e ao planeta – planeta onde hoje tudo se gera e se reflecte por causa da globalização. O nacionalismo é outra coisa. Queres a minha definição? Depois não te queixes: o nacionalismo é uma degenerescência gordurosa do tribalismo na era do militarismo e do futebol identitário embandeirado à janela; é a história de embalar que o Salazar nos cantou para fazer de nós defensores das colónias e dos Mellos; é um arroto de basófia e proeza sexual mentirosa de quem não tem mais nada de que se orgulhar; é uma lente deformadora que nos faz ver os imigrantes como invasores, os galegos como burros e os países vizinhos como ameaça; é aquilo que nos faz matar a sangue frio o Harry da rua ao lado (excelente definição dada por um ex-assassino do IRA a uma entrevistadora da televisão). Tá bem assim ou queres com mais molho?

  23. FV, a inveja que tu achas que os galegos têm da independência de Portugal é apenas o teu naxionalismo a escorrer-te do nariz, para usar uma fórmula expressionista de que me desculparás.

  24. Nikita,

    Eu escrevi que conheço pessoalmente galegos que nos invejam «simpaticamente» a independência – e tu vens não só insinuar que os meus amigos mentem, como negar que haja galegos independentistas.

    Sei o suficiente da Galiza, e da Espanha, para inferir que não vai haver, nos próximos decénios, uma independência galega. Também duvido que ela fosse viável.

    Outra coisa é, como tu, olimpicamente, madrilenamente, ignorar ou negar factos.

    És um trapalhão, Nikita! Ficas muito mal no retrato.

  25. FV, Vê lá que o naxionalismo não te escorra do nariz para a boca. Eu queria dizer que o nacionalismo te faz delirar e imaginar a tua portugalidade loucamente apetecida pelos galegos. Confundes também a realidade com o que os teus amigos espanhóis da Galiza te dizem por cortesia e amizade. És um sentimental, FV.

  26. Também não percebo essa diabolização que fazes do nacionalismo Nikita, embora concorde que patriotismo qb será mais saudável do que nacionalismo bolorento.

    No entanto esclarece-me pf: és favorável à integração política de Portugal na Espanha, chame-se lá como se chamar?

  27. claudia, seja, se o queres para ti. Mas não para mim, creio que para outros, os quais preferem a dignidade. Sabes, há muita pistola sem bala, ou mãos sem pontaria. Foi assim que Portugal se manteve independente, arriscando a liberdade. É que vale sempre a pena de tudo abdicar para ser livre; mas essa é uma verdade que só se ensina pelo exemplo. Que é preciso ser para conhecer.
    __

    Nikita, temia que viesses com o rabiosque entre as pernas. E vieste. Bom, mas podia ter sido pior, não teres sequer aparecido. Cumprimentos, pois. Ora, vamos lá.

    Wikipédia? Termo universal da ciência política? Ó homem, larga o vinho! O dicionário e a enciclopédia servem para os meninos aprenderem o b-a-bá, aqui temos de pensar pela nossa cabeça e pelos nossos pés. E onde estão os teus? No chão. É pelo chão, pela terra, que começa o pensamento do nacionalismo. Porque, atalhando, o nacionalismo remete para o corpo donde se nasce, a mãe. Este o primeiro fundamento da identidade dos indivíduos, logo dos grupos (pois nenhum indivíduo sobrevive – como ser humano – fora do grupo).

    Na réplica da experiência biológica matricial, há também o outro pilar da identidade, conferido pela presença do pai. Daí a noção de patriotismo. A pátria remete para o legado cultural, histórico, as acções que construíram o sentido, a cultura na qual se nasce, e cresce, e pensa.

    Assim, e sem estar a perder tempo com as enciclopédias ou os livros de ocasião (que aí estão para serem lidos, pois claro, mas que não nos dão respostas se não soubermos fazer perguntas), não custa admitir que as noções de ‘nação’ e ‘pátria’, ‘nacionalismo’ e ‘patriotismo’, para lá da sua historicidade (isso de se terem constituído originariamente num certo lugar e tempo, isso de terem sido utilizadas com variável semântica, contexto e propósito), são conceitos antropologicamente inevitáveis e neutros.

    O teu molho está rançoso, apenas dá conta do teu individual entendimento. Imitas os que denuncias se atacas palavras a partir dos preconceitos, sem sequer saberes o que querem dizer.

    Ser nacionalista e patriótico, na suposta era da globalização, parece um anacronismo. Parece que é indiferente ser-se português ou espanhol, castelhano ou basco, francês ou alemão. Parece, mas só para aqueles que não sabem quem são. É isso que está aqui em causa, afinal.

  28. Parece que é indiferente ser-se português ou espanhol, castelhano ou basco, francês ou alemão. Parece, mas só para aqueles que não sabem quem são.

    E um minuto de silêncio. Com um sorriso maroto, claro.

  29. Valupi, é um gosto ler-te.

    Olha lá eu fazia parte dessa silly people que referes mas fizeste-me pensar…

    Juntando isso com as preocupações da Cláudia, que apesar de ter costelas que remontam à origem da nacionalidade, e de ter muitas propriedades, subordina a perspectiva ao dinheiro, interrogo-me: será que isso é do fantasma de este ser o último quadro comunitário de apoio?

    Por falar nisso, oh Durão pá, vê lá se não és burroso e começas já a pensar nuns fundos de continuidade ou coisa assim para deixar os tugas mais sossegados…

    Nós ainda não te perdoámos a cimeira das Lajes, vê lá.

    a fatal blue stone

  30. Valupi, dá a volta ao mundo em 80 dias como Phileas Fogg ou até mais. Vais ver que quando voltares, o país ainda está cá. Ninguém to rouba.

    z, não vamos exagerar. Não sou eu que faço viagens a Cuba. Ter terras em Portugal é ter enxaquecas e prejuízos. Vou vendê-las aos espanhóis ( esta foi mesma para picar o Valupi). Não te preocupes, Valupi, hei-de verificar os b.i. deles todos a ver se são tugas de gema. Entre um espanhol que paga bem e um português que quer a terra de graça, realmente, vou hesitar muito. É um dilema, Valupi.

  31. … fui a Cuba há 15 anos ou mais, mas por certo tu cláudia é que sabes a quem queres vender terras e costelas, se for o caso, e por quanto, pas moi.

    se o problema se põe na esfera política aí sim, mins querer referendo e votar contra (Jar Jar style).

  32. claudia, não tem mal nenhum fazeres bons negócios, seja com espanhóis, americanos ou marroquinos. Tal como não tem mal que um português compre terras em Espanha. A questões não diz respeito à economia, à liberdade individual, mas ao grupo, à política, a qual concretiza as identidades culturais.

    Entretanto, esta questão das identidades nacionais é tão ambígua, e tão íntima, que desperta automatismos emocionais tóxicos. Há o peso da História a fornecer munição para as maiores suspeitas. E há a nossa miséria, a qual nos separa do sentido da vida. O tempo que vivemos, na sua originalidade e trânsito, tem alergia ao sentido. Faz crer a muitos que o sentido é uma força limitadora, e muitos se deixam assim enganar e roubar.

    Ter uma identidade, conseguir ser um excelente grego, ou zulu ou japonês, por exemplo, é o que permite atingir o mais alto grau de cosmopolitismo. Sempre assim foi, e dá-se a esse encontro de diferentes e perfeitamente assumidas culturas um nome que nos une na mais alta aspiração humana: civilização.

    A civilização é, precisamente, o resultado do melhor que foi descoberto, desenvolvido e integralmente vivido na multiplicidade das originais culturas. Tal como na biologia, a civilização também evolui pela diversidade, nunca pela diminuição das fontes de sentido.
    __

    z, muito me contas. Estás como o Fernando, adivinho, com um sorriso maroto.

  33. Bah, eu só disse aquilo para provocar o Valupi que anda numa de nacionalismo exacerbado. Que eu cá faço negócio com os compatriotas.
    Pode ser que a pasconça da Soledad, Solitudine, as queira para construir piscinas pela margem do Douro. Hei-de ir lá para brindá-la com copos do melhor vinho verde da casa.

  34. Z,

    Tu em Cuba? Li bem? Aceitando o mesmo sol, o mesmo vento, a mesma chuva, que afagam aquele regime estruturalmente homofóbico? Não posso crer.

  35. sim, há 15 anos para aí. Também não percebo tanto espanto, não tenho que subscrever um regime para o visitar como turista. Embora mais tarde tenha expressamente recusado fazer nova viagem lá por causa da detenção de um poeta ou escritor já não me lembro bem.

    Como podes imaginar os regimes homofóbicos são essencialmente hipócritas, aquilo está cheio de homos – sempre a mesma coisa: pode-se ser, não se pode é assumir e convém manter um casamento de fachada.

    Mais ou menos como cá, até há pouco, agravado por ser uma ditadura.

    Quanto à paixão do Fidel pelo Che não é para falar.

    PS: mas o sol, a chuva e a música são bem bons

  36. aliás se não houvera estigmatização social, seríamos todos, ou quase, bissexuais, essa é a ordem natural das coisas como a exposição de Oslo veio há pouco demonstrar – evidência de comportamentos homo em mais de 1500 espécies animais.

  37. O Fidel? E o Che? É só fofoca? Ou há literatura? Tu sabes que na organização nazi, de cima a baixo, eles iam com eles? Já não pode um gajo confiar.

  38. Valupi, tu julgas que eu não tenho mais que fazer senão andar a sossegar as tuas inquietações? És o dono desta enxovia?

    “Rabinho entre as pernas” ? Deliras, fogoso portuga. Quando calhou, até te respondi, mas tu, portuguinha valente, imaginaste pela demora que eu me estava a recompor, abalado pela tua última fanfarronada. De resto, não sei se vale muito a pena responder-te, porque depois tu pegas sempre por pintelhices e não reages ao essencial. Evita-lo, portuguinha valente.

    Há um conceito universal de nacionalismo, que podes consultar nas enciclopédias, se os livros sobre doutrinas políticas te pesam no estômago. Ora tu julgas que, se pensares muito com a tua cabeça e (sobretudo) com os teus pés, consegues criar um novo conceito, uma nova definição. Lá está! É a horrenda presunção, a vomitiva prosápia dos naxionalistas lusos. Até julgam que o nacionalismo portuga é diferente dos outros!! Rende-te à evidência, estuda. Ou até, se fores de direita e católico, ouve a doutrina da Igreja sobre o tema, que é de muito longe preferível à confusão que reina na tua cabeça. Essa de cosmopolitismo nacionalista já poderia ser uma treta mais interessante, mas ainda é treta, porque é nacionalista.

    Não te vou dizer, como tu a mim, que andas a abusar do vinho. Digo-te: estuda mais o fenómeno, porque a coisa é tóxica e tu está dependente… mas não sabes.

    O nacionalismo mata!

  39. Z, caro patriota: sou partidário de que Portugal acabe com a Espanha monárquica, transformando-a numa república federativa hispânica em que os portugueses participem de pleno direito com todo o peso da sua língua, cultura e 10 milhões de pessoas, ao lado dos bascos, galegos, catalães, castelhanos, imigrantes, etc, etc. Madrid seria naturalmente a capital da Hispânia, porque tem o Prado e fica no centro de gravidade da península. Ainda não pensei bem no resto, mas tudo se deduz a partir daqui. Se a coisa não demorar muito a fazer-se, Saramago poderia muito bem ser o primeiro presidente da Hispânia. Não estou a brincar e sou só um bocadinho maluco. Menos maluco, em todo o caso, do que o Valupi.

  40. A misturar assim traidores à Pátria, liberdades de droguista e iberismos à Staline, Valupi arrisca-se a descobrir uma pólvora que lhe rebenta nas mãos.
    E o pior é que não salva com isso nem um pintelho da Pátria, da penúria e da irrelevância.
    Faz lembrar uns tipos que antigamente havia, que também eram nacionalistas e muito patriotas. Mas não fizeram senão tirar as calcinhas à Pátria. Bem a levaram à certa!

  41. Nikita, tenho de dar o braço a torcer e declarar-me vencido, porque finalmente acertaste uma: sim, confesso-o, sou um valente. Quanto ao resto do que escreves, é mais da mesma aguadilha. Ora vamos lá, outra vez, agora em regime de serviço público.

    Vou detalhar o teu fraseado com o misericordioso intento de exibir a sua completa falência argumentativa:

    – “Valupi, tu julgas que eu não tenho mais que fazer senão andar a sossegar as tuas inquietações? És o dono desta enxovia?”

    Não julgo. E mais: deve ser a sugerida falta de tempo que te impede de pensar no assunto aqui em discussão.

    Se por enxovia te referes ao blogue, sou um dos donos. Se por enxovia te referes a esta caixa de comentários, sou o único dono.

    Quantidade de ideias para a discussão? Nem uma.

    – “Rabinho entre as pernas” ? Deliras, fogoso portuga. Quando calhou, até te respondi, mas tu, portuguinha valente, imaginaste pela demora que eu me estava a recompor, abalado pela tua última fanfarronada. De resto, não sei se vale muito a pena responder-te, porque depois tu pegas sempre por pintelhices e não reages ao essencial. Evita-lo, portuguinha valente.”

    Gastaste 360 caracteres (e respectivos espaços) para não dizeres absolutamente nada, para lá da grande verdade já admitida ao início.

    Quantidade de ideias para a discussão? Nem metade de uma.

    – “Há um conceito universal de nacionalismo, que podes consultar nas enciclopédias, se os livros sobre doutrinas políticas te pesam no estômago. Ora tu julgas que, se pensares muito com a tua cabeça e (sobretudo) com os teus pés, consegues criar um novo conceito, uma nova definição. Lá está! É a horrenda presunção, a vomitiva prosápia dos naxionalistas lusos. Até julgam que o nacionalismo portuga é diferente dos outros!! Rende-te à evidência, estuda. Ou até, se fores de direita e católico, ouve a doutrina da Igreja sobre o tema, que é de muito longe preferível à confusão que reina na tua cabeça. Essa de cosmopolitismo nacionalista já poderia ser uma treta mais interessante, mas ainda é treta, porque é nacionalista.”

    Referes um conceito de nacionalismo de alcance universal (mas qual? que diz?), abominas o pensamento autónomo (mas porquê? que mal vês em pensar pela própria cabeça, sem estar a papaguear enciclopédias de quarta categoria?), remetes abstrusamente para uma posição da Igreja Católica (mas qual? que diz? porquê citá-la?), e acabas a vomitar uma inanidade.

    Quantidade de ideias para a discussão? Nem a sombra de uma.

    – “Não te vou dizer, como tu a mim, que andas a abusar do vinho. Digo-te: estuda mais o fenómeno, porque a coisa é tóxica e tu está dependente… mas não sabes.”

    De facto, se abusasses do vinho serias mais prolixo, mais criativo e mais interessante. Não, não creio que estejas a abusar desse néctar.

    Quantidade de ideias para a discussão? Nem a saudosa memória da sombra de uma.

    – “O nacionalismo mata!”

    Aqui, e muito a contragosto, sou obrigado a dar-te, outra vez, razão. É com pesar que reconheço ter a temática do nacionalismo assassinado o teu pensamento.

    Quantidade de ideias para a discussão? Uma, mas encerrada num féretro.

    __

    Anteu, constato que és um seguidor aplicado do estilo Nikita. Mas, lá está, coisas piores podem acontecer a um gajo, há que relativizar.

  42. Caro portuguinha valente: não dou aulas à classe dos naxionalistas repetentes. Já te disse: estuda e livra-te pelos teus próprios meios do tóxico nacionalista, esse valúpia que algema os teus sentidos e o rebaixa teu pensamento.

    O nacionalismo mata, mesmo.

  43. Nikita, então dás aulas a quem? Ou melhor, como é que podes dar aulas, seja a quem for, se não tens uma única ideia para expor?

    Estou cada vez mais curioso.

  44. Para o teu almoço, portuguinha: na essência da sua doutrina, o catolicismo é universalista, internacionalista e até cosmopolitista à sua maneira. Embora por vezes algumas igrejas nacionais tenham sido pervertidas pelo malvado germe do nacionalismo e se tenham feito até instrumento de intoxicações ideológicas, guerras chauvinistas e genocídios, a igreja mantém-se a nível mundial como o maior inimigo do nacionalismo.

  45. Caros Nikita e Valupi,

    desculpem esta minha costela redentora que até a mim próprio às vezes enjoa, mas é assim. Não se deixem ficar intoxicados, afinal aprendemos sempre alguma coisa, mesmo quando discordamos, ou sobretudo.

    Aliás os budistas dizem para agradecer aos nossos ‘inimigos’ precisamente por isso. Eu sou um mero aprendiz pecador, felizmente.

    Confesso que não domino a profundidade (histórica, semiótica) do conceito de ‘nacionalismo’ com todas as suas implicações, e não me importo de subscrever um patriotismo menos comprometido, embora, como disse o Valupi, nação é onde se nasce: um corpo de referências.

    Nikita, és mesmo mais maluquito que eu, então tu és daqueles: ‘bamos lá e cumemo-os, carago!’, mesmo que não sejas do Norte, ou seja: entramos, damos cabo da monarquia espanhola transformando-a numa república federativa, elegemos o presidente e já tá!

    Desculpa lá mas eu quero Portugal como república independente, deu um trabalhão ao Afonso Henriques conquistar o título de rex (muito bem explicado pelo Freitas do Amaral) e tudo o resto que se seguiu.

    Nós somos o Estado com fronteiras consolidadas mais antigas da Europa (exceptuando o incidente de Olivença na Guerra das Laranjas), pais da globalização, e vamos prescindir do nosso país? Olha nunca tinha reparado que ‘pais’ e ‘país’ é o mesmo a menos de um acento.

    Mas no fundo onde me situo é na bela definição pessoana: ‘a minha pátria é a língua portuguesa’, que os miúdos da universidade em Dili ostentavam nas t-shirts.

    E o padre António Vieira era um gajo porreiro,

  46. Nikita, e daí? Estás, então, a fazer da problemática do nacionalismo, enquanto conceito passível de elaboração filosófica, um debate de cariz religioso? E porquê, nesse caso, indo invocar a Santa Madre Igreja? Acaso esse mesmo catolicismo (pois, esse “universalismo”) não destruiu nações, culturas, legados históricos agora vistos como preciosos, em nome de uma suposta verdade absoluta?

    Que tem o cu a ver com as calças? Não sei se te dás conta, mas estás a enterrar-te num pântano donde duvido que venhas a conseguir sair.

  47. last but not least,

    Fernando, utilizaste uma palavra-chave no relacionamento humano: confiança.

    Que bom que é quando há confiança, ficamos logo serenos. A melhor imagem para ilustrar a palavra foi-me dada pelo neurologista chileno Varela, quando disse que o espelho da confiança é quando um pai atira o filhote ao ar e este ri, certo que o pai não o vai deixar cair.

  48. Ó Z, não percebeste nada. Mas a culpa não é minha, é do peso atávico dos teus reflexos condicionados ideológicos. Cais “bamos lá e cumemo-los” cais carapuça! Isso é naxionalismo bacoco em estado puro. Isso é para os tuguinhas valentes.

    Os portugueses (não o nosso governo, é preciso explicar tudo!) poderiam, repara bem, poderiam acabar com a monarquia espanhola (aquilo a que hoje chamamos Espanha) com um piparote do dedo mínimo, se, juntando-se às poderosas forças centrífugas cujo desenvolvimento Portugal inspirou em Espanha, avançassem com um projecto de nação peninsular que essas forças apoiassem e os castelhanos também não teriam outro remédio senão aceitar, pois acabariam por admitir que era bom para todos. O meu projecto não caiu, intemporal e delirante, do bico duma caneta sobre a mesa de mármore dum café, mas assenta na análise do processo autonómico em Espanha, que tem um sentido evidente e está ainda longe de ter acabado, em simultâneo com a análise do processo de integração europeia, que rebentou com as fronteiras todas até à Ucrânia, exclusive, criando a união económica e monetária peninsular como filial regional da UE. O fim do comunismo também ajudou a criar uma conjuntura ibérica e europeia que só se vai voltar a repetir sabe-se lá daqui a quantos séculos. Tu não te lembras, mas aqui há algumas décadas, os Valupis ainda andavam emebriados com histórias da carochinha sobre o Espaço Económico Português ou, depois, a comunidade lusófona do Spínola, defuntas criaturas que deram hoje nesta quimérica entidade reumática que se chama Palópia.

    Como vês, o meu projecto tem um sentido histórico global que absolutamente falta às fanfarronadas chauvinistas dos naxionalistas e saudosistas, que estão instalados de pedra e cal no século XVI e, não tarda muito, comerão gelados com a testa num asilo de quarta idade.

    Com que então Fgueitas do Amaral, hein? Belas referências, caro Z. Voltaste aos bancos da Mocidade Portuguesa, Z-zito? Ou és tão novito que nem sabes o que isso é?

  49. Nikita,

    Quem te ler pensa que sabes tudo, mas, no fundo, não passas dum marranito papagaio! E, diz-me lá, o que é que foi feito desse Stroganof que usavas como apelido?

  50. serei talvez novito Nikita, e por certo que não sei tudo, longe disso, e assumo-me como mais conservador do que tu. Quero conservar a independência de Portugal e não tenho apetência nenhuma para mexer nas instituições de Espanha, eles que tratem disso se quiserem.

    A questão jurídica da independência de Portugal ao tempo da emergência da nacionalidade está bem tratada no Freitas do Amaral, achei, em particular na análise das bulas e dos títulos, expressos ou tácitos, que contemplavam. Mas talvez possas contestar e tudo bem. Eu não subordino a obra ao autor, não é pelo facto de eu não gostar do bisonte Fgeitas que vou dizer que o que ele escreveu está mal.

    Agora isto é que me fascina: em DOIS dias o BCE injectou no mercado quase quatro vezes o montante do quadro comunitário de apoio para Portugal, previsto até 2013 creio (e depois vêm dizer que não há dinheiro para as pensões de reforma e assim?).

    http://diariodigital.sapo.pt/dinheiro_digital/news.asp?section_id=21&id_news=84878

    Vão-se f*der, eles e os responsáveis do ‘discurso da tanga’ que usaram esse artifício de sentido para tomar o poder e limar neomalthusianamente o estado social.

    Agora bazar, depois venho aprender mais alguma coisa.

  51. Sertório? Serás algum naxionalista encapuçado? Quando quiseres falar comigo, sê educado, puñetero lusitano.

  52. Olha Z, conserva, pá, conserva. Mas o próximo livro que leres, que seja antes de autor mais civilizado, tá? Para equilibrares o carrinho…

  53. Nikita,

    É estarrecedor! Portugal a pastorear as forças centrífugas peninsulares. Para quê? Para engavetar por mais uns séculos o frágil projecto «Espanha». É espectacular! É (digamo-lo à moda juvenil espanhola) a-lu-THi-nan-te!

    E tudo isso com um – como é que disseste? – com um piparote do mindinho, coisa assim.

    Gosto, confesso que gosto, desse cenário. Eu escrevi um livrinho em que Portugal se dividia em dois. Hás-de compreender que o teu gigantesco plano me faz titilar os dedos das mãos e dos pés. Que romance colossal ele não dava! Deixa-me já começar…

    Ui, ooops! Tá visto. Tem copyright strogonoviano.

    Agora a sério, Nikita. O Valupi já te avisou e nada valeu. Vais-te enterrando, ou diluindo, ou subtilizando. Escolhe o que achares digno.

  54. vá lá depois de uma enorme injecção de barbitúricos a coisa acalmou:

    http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1301906

    Eu estava com medo porque quando a queda se torna insustentável, economistas e políticos mainstream concordam todos numa coisa: war!, serve para despistar a atenção e levantar a adrenalina com a mira dos negócios futuros.

    Doutra coisa podemos ficar certos: o BCE e a Reserva Federal não tinham aquele dinheiro em caixa,

    fizeram-no a partir do nada, ou seja da sua palavra contratual, fiduciária

  55. Com gente quadrada, lacada e vidrada não é produtivo trocar ideias. Nunca vos quis convencer de uma só pequenina ideia que fosse. Mandei-vos umas bocas aparelhadas na hora em jeito de provocação, para ver como reagíeis. Imitando o Saramago. Uma experiência de laboratório com portuguinhas valentes nacional-futebolizados e anti-iberistas patológicos – que gostariam, ainda assim, de expandir a pátria para a Galiza. Queria sondar esses entrefolhos da alma naxionalista que, mesmo à distância, me causa urticária e seborreia. Estou saciado e edificado. Só vos digo, na hora da despedida, que o iberista e sovietista Saramago, com todos os seus defeitos, é mil vezes mais estimulante do que vós todos juntos a puxardes pela vossa cabeça e pelos vossos pés.

    O Nikita despede-se com amor de quem não o insultou e vai agora ficar off-blog.

    Aos donos do blog, o cordial manguito.

    Arriba Hispânia!

  56. Nikita,

    Que desconsolo! És, afinal, como a generalidade dos iberistas: um espírito desarticulado, sem um discurso consistente, nem a noção de tal falha. «Anti-iberistas patológicos». Faz pensar que é ‘saudável’ diluir-nos na Hispânia.

    Só mais uma coisa, antes que realmente offblogues. Essa boca de «expandir a pátria para a Galiza» é, como dizer, parvinha. Ninguém (e também não eu, o suposto visado) advogou aqui mais do que uma irmandade de idioma com os galegos. Se te fizer confusão não visar isto anexações, sabe-te bem acompanhado: toda a Direita espanhola te faz nisso (só nisso, espero) linda companhia.

    Por fim, a mirífica «Hispânia». Ninguém sabe o que a «Hispânia» seria. E, sobretudo, não é com a «Hispânia» que os nossos tais 28% pensam. É com o dinheirinho que escorreria de Madrid e Barcelona. É com as pesetas, para falar curto. Ou para ver Letizia chegar de coche à missa dos Jerónimos.

    Sei que não estás nesse primário número. És um tanto mais elaborado – mas ainda muito preso com cuspe. Quanto tiveres mais vértebra, volta. É sempre um prazer.

  57. Grande NIKITA,

    estes gajos(primitos e primitas) representam a banalidade do senso comum, nesta e noutras matérias, apesar deste circo todo. Escusas de gastar aqui o teu latim. É tempo perdido.

  58. e no entanto cá estás tu outra vez, sílvia. é amor, portanto, posto que não tem interesse algum. como podes tu dizer que o amor é tempo perdido…

  59. Deixem-me registar este 14 de Agosto de 2007 :
    – Vão 622 anos da célebre Aljubarrota.
    Como é que D. Fernando deixa que a sua filha única Dª Beatriz, herdeira do trono de Portugal, case com D. João de Castela ? Ganda melga !
    Hoje, são os “casamentos financeiro-empresariais”, a subliminar federação «europeia», etc.
    Mas enfim, por hora, estamos …

  60. O ser Terrestre tem única e exclusivamente um bem estar por si próprio deveras comprimissorório que não olha a meios para atingir seus fins.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.