Diálogo loco entre Don Quijote y Sancho Panza

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Después de haber leído una carta de Fernando Venancio a José Saramago

– Sancho, hace falta que vayamos a Portugal.
– Señor mío, yo creía que jamás habríamos de salir de Castilla…
– ¿Porqué lo piensas? Si acaso piensas…
– Pues ¿cómo vamos allá? Nuestros animales, estas almas de Dios, no podrán llegar tan lejos.
– Eso será tu burro que no lo puede.
– Si mi señor llama burro a mi borriquillo, yo llamaré caballo a su Rocinante.
– Si llamas borriquillo a ese montón de huesos…
– Más grande es el montón donde mi señor pone el agujero donde terminan sus gloriosas espaldas.
– Que nunca jamás un enemigo ha visto, fíjate bien.
– Pero ¿porqué Portugal?
– Porque, en lucha por nuestro glorioso rey Felipe II, allí estuvo nuestro creador.
– ¿El mismo Dios habrá combatido por nosotros?
– ¡No hagas el tonto!
– No hace falta. Pues si mi señor dice que lo soy…
– Hablo de don Miguel de Cervantes Saavedra.
– Y después a lo mejor querrá irse también a Nápoles, a Venecia, a Chipre… lo que sea…
– ¡Ni pensarlo! Yo no quiero más que hacer peregrinación a Aziñaga, la tierra de un gran español que el mundo no conoce todavía.
– ¿Quién es la criatura?
– Un genial escritor, más que don Miguel. Dicen que si se lleva unos veinte años más viviendo en Lanzarote acabará hablando castellano mejor que nuestro rey Felipe III.
– Pues no le hacía falta ir para en medio de los guanches. Dicen que ahora se enseña el castellano en Portugal más que el francés.
– No pienses que será por amor de España. Es para que se cumpla mejor el problema de las estadísticas del gobierno. El castellano como segunda lengua extranjera dará más altas clasificaciones a los chiquitos. Y, además, les hace falta para comprender la Barca del Infierno.
– ¿Qué es eso? ¿Portugal está así de mal?
– ¡Come hierbas, Pancho!
DANIEL DE SÁDaniel de Sá (São Miguel, 1944) é romancista, contista e ensaísta.

18 thoughts on “Diálogo loco entre Don Quijote y Sancho Panza”

  1. Caro Daniel de Sá,

    Este seu texto voou (é um dizer) de São Miguel para Providence, indo pousar (sempre um dizer) no computador do Onésimo, daí erguendo asas para Amsterdão, voltejou por aqui, para ir aterrar em (gosto de pensar, mas sei que me iludo), em Lisboa. Que é aqui, nesta página. Na realidade, não sei (e talvez nunca venha a saber) onde exactamente está o Aspirina.

    Tudo isto uma maneira complicada de dizer-lhe que me honra divulgar aqui este seu magnífico, e inventivíssimo, escrito. Gentes alheias di-lo-iam «muy precioso».

    Obrigado.

  2. Não tem pinta de pilhéria, caro Sá. Nadinha, mesmo. E Frey Onésimo está perdendo qualidades.

  3. Z,

    Agradeço o presente e a prenda, teus, e da CM de Mértola.

    Não receio que o ser espanhola a investidora na praia da Mina de São Domingos nos prenda assim muito. Eu próprio estou preso ao Corte Inglés de Lisboa, onde uma pessoa se sente entre pessoal educado (e por isso detesto a melifluidade daquele locutor da publicidade dele na nossa tv, bah), sou um fã da canção espanhola (mesmo do nacional-cançonetismo da Operación Triunfo), adoro o idioma espanhol e muita produção literária nele – e sou, de cima a baixo, anti-iberista.

    Por mim, não há perigo em sermos úteis, simpáticos, e até agradáveis, uns aos outros.

    Mas, depois, pira, andor: cada um na sua cama.

  4. … pois eu também é isso, e até podem vir à minha cama, desde que: não-se-diz, e não se esqueçam que são convidados. Se baralham as coisas e invertem papéis é que me sobe uma aljubarrota. Mas de resto, acho divertidos e simpáticos y me gusta.

  5. Amigo Fernando Venâncio, esto es así… A unos les gusta, a otros no. La vida está llena de zancadillas, y lo peor es que las peores vienen por veces de unos tíos muy listos, que no hacía falta ninguna que lo fuesen tanto. Hasta que llegan a ganar premios muy importantes o, desgracia de las desgracias, alcanzan subir a las ministeriales sillas. (Cuidado, no confundir con la portuguesa “cilha”, que eso es la cincha que Rocinante llevada bien apretada para que no se tumbara don Quijote. Pues que cuerpo como el suyo no podría sufrir la mancha de algún hematoma, que lo común es decirse cardenal. Y por hablar de cardenales, me acuerdo de los otros y de los frailes. Os aseguro que Fray Onésimo está de muy buena salud mental y física. Y que no me quejo por si acaso a alguien no le vaya bien el chiste.
    Sin más,
    vuestro Daniel de Sá

  6. Caro amigo da Maia e do Mundo: quem anda à chuva molha-se e aparecem sempre uns «pobres» que não «pescam» nada disto e atiram uns «bitaites». Mas valeu a pena: o texto é um brilhante achado, um festival de ironia.

  7. Daniel,

    Não se apreciar o chiste é, assim como assim, mais fácil de dar-se do que o apreciá-lo. Não só a justa ponderação das pilhérias é raro dom entre os humanos, mormente se portugueses, como a malandrice de se as fazer em castelhano (e então em tão bom castelhano) é uma provocação insustentável. Quem não aprecia não é necessariamente parvo. É só limitado de movimentos interiores.

    Sei que Fray Onésimo prossegue na melhor saúde. A nossa Sóror amiga é que teve com ele algum desgosto. Nada grave, sabemos nós, mas ela acha que sim, e isso basta para nós, discretamente, respeitosamente, a deixarmos na privacidade do seu sentimento. Sem grandes chances, aliás. Se nalguma coisa a nossa Sóror é boa, é na exteriorização do que lhe vai na alma. E no corpo. Mas é bom rapaz… Ah, perdão, boa moça,

  8. Meus Caros José e Fernando
    Bem sei que entre os portugueses também alguns são duros de entendimento, muitas vezes. Traidores, não, que só é traidor quem ofende a quem amou. E o facto de eu ter usado o Castelhano não foi traição à língua que Pessoa, parafraseando Oscar Wilde (e não sei se alguém antes deste), declarou ser a sua pátria. Outros o disseram da língua que com a mãe aprenderam, e entre eles dois dos meus génios de estimação, Unamuno e Camus.
    Não sou exigente. Bastava-me não ter nascido chino ou nipónico, e já me daria por feliz, provavelmente. Gosto deste país, e concordo com alguém que aqui disse que, se Portugal não fosse independente, sendo a Ibéria uma só pátria não haveria os problemas de outras desejadas independências peninsulares. Mas é preciso não esquecer que só fomos independentes, depois de Felipe IV (D. Filipe III), porque ele entendeu que mais valia apagar o incêndio na Catalunha do que a faúlha em Portugal. Portanto, quem optou foram eles, os espanhóis. E fizeram muito bem. Gosto de ser português como gosto de ser da Maia, em S. Miguel, que o amigo José do Carmo Francisco conhece muito bem. Se sou patriota? Sou. Aprendi com meu Pai. Que tinha sentido de humor, e por isso sabia que uma coisa é amar um país até ao extremo outra é prestar culto aos seus governantes.
    Um abraço a todos, mesmo a quem possa ter comentado negativamente ou não ter gostado a ironia.
    Daniel

  9. «(…)Portanto, quem optou foram eles, os espanhóis (…)».

    De 40 a 68 [se não me engano], não distam 28 anos de resistência e outros tantos de insistência ?
    Bom …

  10. 28 anos? Nem pensar! O exército espanhol estava mudado para a Catalunha, e em 1644 fomos de passeio ao lado de lá da fronteira, até Montijo, e demos umas pauladas nos poucos espanhóis que por lá foram vistos com armas por perto. Só em 1659, depois de feito um tratado de paz com a França, é que Espanha se sentiu com coragem para vir por aí adiante. Levaram a famosa lição de Linhas de Elvas. Houve mais algumas picardias, a malta lusa mostrou que era teimosa, e cá estamos. Quanto a mim, muito bem. (“Muito bem”, por estarmos, não como estamos, entenda-se.)

  11. Muy precioso y guapo amigo Don Daniel de Sá, da Maia – Ilha de São Miguel – Açores:
    Adorei o teu criativo texto “Dialogo loco entre Don Quixote y Sancho Panza” e está bem de acordo com o momento que vivemos seja em terras portuguesas – nossa matriz, seja em “terrae brasilis”.A margem não importa. Importa o conteúdo sátirico, pícaro, irônico? Verdadeiro.
    Pois,este diálogo delicioso moveu as pás do moinho do mundo virtual e em tempo real chegou nas terras de Vera Cruz, pousou na Ilha de Santa Catarina que nos idos 1777 foi ocupada pelos espanhóis. Mas, nem por isso o ilhéu matreiro pegou “el gusto” e continuou açorianíssimo.
    Tanto quanto o nosso Frey Onésimo continua em grande forma para o deleite de seus amigos.
    Um grande abraço querido Daniel do tamanho do mar que guarda a nossa memória e afetos.

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