Um simples apito salvou a vida do Acácio Paulino

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A vida é a arte do encontro – já dizia o Vinícius de Moraes, o branco mais negro do Brasil. Outro dia encontrei por acaso o Acácio Paulino que já não via há uns anos. Fomos colegas no BPA e já desse tempo eu sabia da sua paixão pelo mergulho. Mas não sabia que ele tinha estado, em Dezembro passado, mais de oito horas arrastado pelo mar no pequeno conjunto de ilhotas dos Farilhões, ali perto de Peniche. Mergulhando no Rabo de Asno, foi levado pelas correntes na direcção oposta a Peniche e lá conseguiu voltar para trás até ao Farilhão do Nordeste.

Entretanto a mulher insistia, mas as autoridades do Maritime Rescue Coordinatiom Centre diziam que a utilização do helicóptero está «sob consideração». Quando souberam que ele estava vivo e que tinha sido localizado por uns biólogos que ouviram o seu apito, ficaram surpreendidos. Julgavam-no morto, como mortos ficaram, dias mais tarde, os tripulantes do «Luz do Sameiro» perto da Nazaré. Depois de saberem do alerta dos biólogos, lá mandaram um barco dos Socorros a Náufragos, mas sem cobertores nem oxigénio. Enfim.

Dias depois li que uma senhora, lá para cima para Lamego, comunicou que estava perdida e tinha tido um acidente, e levantou logo um helicóptero a procurá-la. Depois soube-se que estava em casa de uma amiga sem qualquer beliscadura. Para essa senhora, praticante do desporto líquido, não houve hesitações. Para o Acácio Paulino ainda estavam a ponderar, ainda estava sob consideração… Um simples apito que lhe custou apenas cinco dólares nos EUA salvou-lhe a vida. Esta vida. Que não tem outra.

Este nosso pequeno país tem mesmo duas velocidades. É conforme…

José do Carmo Francisco

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