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PS Açores não viabiliza governo regional e faz bem. A direita deve parar com as fitas

E com jogadas idiotas também. Até porque não enganam ninguém.

Subitamente o Chega já não interessa ao PSD dos Açores para formar o governo regional. Subitamente querem fazer crer que o partido tem peçonha. Toda uma cena, porque Montenegro, no continente, foi forçado (quase in extremis) a rejeitar entendimentos com esse partido se ganhar as eleições nacionais sem maioria, e uma opção contrária nos Açores deixaria a sua reputação na lama. E assim a direita quer o apoio do PS para esse estratégia. E se fossem lamber sabão? O Chega é ao mesmo tempo uma criação e uma excrescência do PSD. Já lá estava em evolução, mas Passos Coelho deu um empurrão ao Ventura. O PS nada tem a ver com isso e é seu dever absoluto de sempre posicionar-se como alternativa ao PSD, sob pena de reforçar o partido do biltre como grande partido da oposição. Isto devia ser claro para toda a gente. É até claro para a direita, só que esta opta por acusações idiotas como se o PS tivesse a obrigação de ajudar o PSD a afastar o Chega, com o qual já se entendeu quando se tratou de afastar o PS maioritário. O súbito repúdio não é sentido, é estratégia.

Imaginemos então que o entendimento do PS com a AD nos Açores implicaria um acordo parlamentar ou mesmo uma partilha de cargos governativos. Em que posição ficaria o Chega? É isso, acertaram: na posição de maior partido da oposição. Bingo! Depois seria só transpor a receita para o nível nacional. O Ventura ia agradecer com 100 km de joelhos até Fátima.

Nem o mundo da Barbie é tão fácil de governar como o da IL

Os comentadores estão encantados com a prestação do Rui Rocha nos debates. Tendo em conta a forma como o avaliam, estão satisfeitíssimos com as suas explicações relativamente à forma como pretende executar o seu programa eleitoral. Tira daqui, põe acolá, tudo simples e fácil.  O problema é o que fica por explicar. Dois exemplos:

Diz esta competentíssima pessoa que vai aumentar a produtividade. Seria de esperar que enumerasse algumas das causas que estão na origem deste problema. Que explicasse como as vai eliminar e quanto é que isso custará. Mas não. Esta medida executa-se por decreto.

Garante que vai reduzir o prazo dos licenciamentos. Como? Não explica. E se calhar é coisa para não sair barata. A menos que pense que os técnicos das câmaras municipais e de outras instituições envolvidas nos processos de licenciamento aceitem de bom grado trabalhar o dobro ou o triplo e que ainda lhe agradeçam no fim.

As questões para as quais não tem qualquer resposta nem sequer lhe são colocadas. Assim, de facto, vai continuar a encantar o comentariado.

Ventura, o cobarde

Não fosse alguém andar distraído, Ventura esclareceu ontem, no debate com a líder do PAN, que apoia a luta dos agricultores. Ou seja, este fanfarrãozeco de feira, que tem como bandeira principal o ódio aos imigrantes, diz que apoia quem os contrata.

Os imigrantes não vêm para cá para irritarem a chungaria. Vêm porque há empresários, dos mais variados sectores de actividade, que os contratam e que deles dependem para continuarem a actividade. Mais, estes empresários afirmam que são necessários muitos mais imigrantes.  Ora, alguém ouviu alguma vez o corajoso e carismático líder do Chega vociferar contra estes empresários?

Uma vez que apoia a luta dos agricultores, por que raio não passa por um ajuntamento de tractores e aproveita para evangelizar os seus donos? Avisar que com ele a mandar os imigrantes são para esquecer. Que pode abrir umas excepções mas apenas para imigrantes que falem português fluentemente. Que nem pensem em islamizar a agricultura!

Pagava para ver isto.

Querem mesmo um sistema de saúde como o neerlandês (irlandês, etc.?): falem com os emigrantes

Visto na rede X

Sérgio Vilar no X_ _@miguelluz O que não funciona, Pedro_ Os soundbytes não funcionam de certeza. https___t.co_iYn4IMPt2G_ _ X

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Estes casos contribuem inevitavelmente para a sobrecarga dos nossos serviços médicos. Só que isso a direita e os ultraliberais e todos os que acusam o Governo pelo suposto caos na saúde não dizem.

O que diz este médico é verdade. Conheço casos verdadeiramente assustadores de negligência, indiferença e ineficácia daqueles sistemas. Um em Dublin, outro em Roterdão. Neste último caso, a rapariga foi mandada para casa quinze horas apenas após o parto, que foi normal (criança nasceu às 21h00 e ao  meio-dia tiveram alta). Só que os problemas começaram na segunda manhã. Foi por um triz que não foi desta para melhor. Na Irlanda, tens sempre que passar por um médico generalista, mesmo que saibas que tens um problema ginecológico, por exemplo. Esses médicos tendem a andar a empatar o máximo, para ganharem o máximo dinheiro com cada caso.  E muitas vezes não resolvem nada. A rapariga, desesperada, acabou por se ir tratar a Espanha.

Livrai-nos, Senhor, dos comentadores dos debates eleitorais e, se possível, dos debates

Arrancaram os debates e arrancou também todo o folclore à volta. Nas questões aos candidatos é, desde já, notório que, em meia hora, tudo à pressa e com temas múltiplos, não se esclarece nada. Nem sequer, para começo de conversa, se existe ou não um programa eleitoral com base no qual se possa discutir algum assunto. A Clara de Sousa, mas penso que todos os outros que se lhe hão de seguir, tem um guião a cumprir e, apesar de estar com pressa, não se inibe de apartes como “de resto, já tinha esclarecido isso” ao referir-se à nota prévia do Pedro Nuno Santos sobre as insinuações venenosas da IL e de outros da direita quanto ao IMI e ao subsídio de deslocação de que tinha auferido. Já tinha esclarecido isso, mas não em directo e a cores para toda a audiência, e à frente do caluniador. O mesmo caluniador que, aliás, não foi instado a pedir desculpa ou a retirar o que disse. Enfim, havia pressa e bastou à Clara que ele dissesse que não tinha mais nada a dizer. Foi pouco e indelicado.

Havia pressa, pelos vistos, (mais quando PNS falava), mas o limite de tempo  nada importa quando se contratam comentadores para, ao longo da noite, avaliarem o que todos ouvimos. E que comentadores são esses? Do que vi, predominam os habituais de direita, sendo o expoente máximo atingido na CNN, que consegue reunir pessoas tão plurais e de opinião tão diversificada como a Helena Matos e o Miguel Pinheiro na mesma mesa. De resto, também deu para ver de relance que se sentavam para avaliar “com a máxima isenção” o Ricardo Costa, a Ângela Silva, o Bugalho e o Paulo Ferreira (este, como os outros aqui atrás, do Observador), entre outro pessoal igualmente “isento”, sempre de direita. Portanto, estas pessoas estão ali como “influencers”, não com qualquer intuito de objectividade e, sendo assim, são tempo de antena dos partidos que apoiam. A Maria João Avilez, na SIC N, incomodou-se muito com o barulho feito pelo Ventura. Mas possivelmente só com isso. Para ela, o Montenegro, quando falar, vai ser muito mais suave e educado e, logo, muito mais bem avaliado por esta senhora, que, aliás, tinha como companheira de painel a outra Maria João mais nova. Ambas de direita.

 

Por esta amostra colhida no primeiro dia de debates dá para ver o que vai acontecer após cada debate. Os candidatos que são chamados a debater serão meros pretextos para a coscuvilhice e a autêntica campanha eleitoral e os tempos de antena que se seguem.

Podem os candidatos que não são de direita exigir painéis plurais? Se não podem, deviam poder. Não se trata de querer ganhar nos painéis de comentadores o que eventualmente se perdeu no debate (e o PNS até arrancou muito bem face ao troll do Rui Rocha), mas ter painéis de uma tendência só é um bocado demais e inadmissível. A opinião é livre e as televisões são livres de convidar as pessoas que entenderem, mas a escolha dos opinadores também está sujeita a críticas e a minha é esta: não se respeita minimamente a pluralidade. Se eu falo, e sempre à pressa, e a seguir vem um bando de míopes e surdos voluntários distorcer e torcer num determinado sentido tudo o que foi dito, é legítimo pensar em não participar. Quanto mais não seja para a coscuvilhice e as indignações terem mesmo razão de ser.

O crescimento do Chega, nos Açores, também se deve à má governação?

Para a direita, a culpa do crescimento do Chega é exclusivamente do PS. São os descontentes com a governação socialista que têm feito crescer a extrema-direita.

Claro que com esta lógica estão a passar um atestado de incompetência a si próprios, mas como ninguém lhes pergunta por que razão esses descontentes decidem não votar PSD, pode ser que ninguém repare.

Ora, nos Açores, o Chega foi o partido que mais cresceu. Tudo indica que na Madeira o cenário é idêntico. Que explicação tem a direita para o crescimento do Chega nestas regiões? Má governação?

EH EH. Dizem que a pressão está sobre o PS

Não lhes interessa que a chantagem a sério seja do Chega sobre o PSD.

A coligação de direita dos Açores, que obteve maior número de deputados, mas não maioria absoluta – 26 contra 23 do PS e 5 do Chega, mais 3 do PAN, BE e IL –prepara-se para, aliás já começou a, chantagear o PS dando a entender que ou este aprova o programa deles ou governam com o apoio do Chega. E, neste caso, a culpa da aliança com os fascistas será do PS. Humoristas não faltam por aquelas bandas. E não tenho dúvidas que também haverá humor desse tipo entre os comentadeiros nacionais por estes dias.

Primeiro problema: não está garantido que o Chega lhes aprove o programa e o orçamento, ou mesmo que lhes aprove qualquer futura medida, sem lugares no governo regional. Portanto, este dispor do Chega sem cedências, após uma eventual rejeição do PS, é uma ilusão.

Segundo problema: se o PS também não lhes aprovar o programa e o orçamento, não poderão governar, nem que os três restantes partidos mais pequenos votem favoravelmente.

Mas por que razão o PS não aprova o orçamento da AD Açores?

Até pode aprovar para evitar já uma crise. No entanto, 1. é sabido que o contrário não aconteceu quando Vasco Cordeiro ganhou as últimas eleições, 2. é prejudicial à democracia um acordo de governo entre os dois maiores partidos (as franjas radicais engordam) e 3. a estabilidade não estará de qualquer maneira assegurada daí para a frente. Ou seja, mais tarde ou mais cedo, sem o apoio do Chega, a AD Açores dificilmente poderá governar.

Negociar ora com uns ora com outros, podendo ser uma alternativa, não é seguro que funcione. Mais uma vez, o Chega quer lugares.

Perante isto, Boleeiro negoceia com o Chega ou não governa. Não há culpa nenhuma, responsabilidade nenhuma do PS, tanto mais que não causou qualquer urticária a Boleeiro o entendimento com os fachos no mandato anterior.

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Dominguice

Há polícias convencidos de que Ventura vai ganhar as eleições e que eles acabarão condecorados pelo chunga-mor por terem ajudado a causa.

Embora actualmente não exista autoridade presidencial e o Ministério Público seja muito selectivo na aplicação da lei, colhe lembrar a quem ameaça a democracia de arma na mão que essa estultícia vai sempre acabar muito mal, acabe como acabar.

O laranjal não está todo podre

"Olhando para os cenários pós-eleitorais, os simpatizantes do PSD preferem acordo com IL, PS ou até com o PAN. Uma negociação com André Ventura é uma “má ideia” para dois terços dos simpatizantes sociais-democratas"

Sondagem Expresso/SIC: 64% dos eleitores do PSD rejeitam acordo com Ventura

A ser representativa esta sondagem, e mesmo que o valor indicado fosse só 50%, tal obriga a concluir que a estratégia do PSD de tentar vencer o PS destruindo a confiança nas instituições é imbecil (e antipatriótica).

Podemos imaginar uma História de Portugal alternativa em que Cavaco Silva teria perdido para João Salgueiro em 1985. Talvez o PSD ganhasse à mesma as eleições seguintes, num ciclo longo de poder suportado pela entrada dos fundos europeus, sua distribuição e conversão em riqueza para o Estado e particulares. Mas, provavelmente, não teríamos José Oliveira e Costa e Dias Loureiro, entre outras personagens sinistras do tempo que se colaram a Cavaco na Figueira da Foz. Salgueiro era o caso típico de um alto quadro do Estado Novo que tinha feito uma natural transição para o regime democrático. Trazia competência técnica, sólido currículo político liberal e uma formação moralmente conservadora ligada ao catolicismo. Ou seja, a malandragem não se sentia com ordem de soltura consigo a tomar conta da barraca.

Cavaco permitiu que se criasse o Cavaquistão. A partir dele, todos os restantes líderes do PSD, sem excepção, foram baixando a fasquia da qualidade política dos seus programas e respectiva retórica. Não se aproveita um, por isto ou por aquilo, sempre por falta de acerto com o interesse nacional. E todos a partir de Santana, de alguma forma (inclusive o dúplice Rui Rio), foram coniventes com a judicialização da política e a politização da Justiça. Ventura apenas teve de entrar nesse comboio e juntar-lhe o tempero do ódio às minorias e o teatro da violência.

O PSD tem salvação, mas só se figuras como Jorge Moreira da Silva não desistirem de continuar a verdadeira tradição social-democrata de centro-direita, simbolizada em Sá Carneiro.

Que bonito serviço, Marcelo, e antecipado porque fazia falta

A brincar aos reizinhos, ou levado pelo espírito de travessura que lhe vem da infância de menino mimado, ou mesmo porque entendeu ser sua função (e poder) correr com os socialistas para lá instalar os da sua cor, Marcelo começou a acelerar (parecia impossível) e claramente a descarrilar, mal o governo de António Costa tomou posse com maioria absoluta. Semana sim, semana não, ameaçava que dissolveria a Assembleia da República. Outras vezes dava a entender que, perante uma maioria absoluta que abalou os seus planos e o irritou, era ele a oposição de que o país precisava. Falava a propósito de tudo e de nada. Sempre com ameaças a rematar, por solicitação dos jornalistas de serviço. Embirrou com ministros, quis ser ele a escolhê-los. Queria ser ele a governar, aproveitando a boleia dos partidos e a unanimidade que sempre se verifica entre todos na oposição sobre a necessidade de tudo fazerem para desgastar aquela maioria onde não eram tidos nem achados. Aí, estivessem seguros, o Presidente desgastaria melhor do que ninguém. Manifestações, agitação social, nomeadamente entre os professores, a quem Marcelo alimentou fantasias, e entre os médicos, incentivados pelo bastonário e outros elementos do PSD, má-língua, insultos, retratos falsos de um país à beira do caos, acusações levianas de corrupção, etc., etc., tudo isso Marcelo consentiu ou encorajou, sem uma palavra de bom senso, de descompressão ou de acalmia.

Foi mais longe: podendo demover a Procuradora-Geral de acrescentar um parágrafo assassino e totalmente gratuito, injustificado por falta de substância e de respeito pelas regras, e com consequências sérias para a estabilidade do país, no famoso comunicado de 7 de Novembro, não o fez, preferindo comprazer-se, com ou sem remorsos, não sabemos, nas labaredas que ali mesmo se formaram. Foi um dos responsáveis pela queda do Governo. Há tempos que o vinha desejando. E, vendo a oportunidade, recusou a manutenção da actual maioria, mas liderada por outra figura. Decidiu marcar eleições.

E agora, Marcelo? Está tudo bem, como planeado, ou nem por isso?

 

É que parece tremida a passagem do governo para a AD. Montenegro não descola nas sondagens, é um líder muito fraco (já era), incapaz de incutir seriedade no que diz e promete. Pior: se opta por ser aldrabão e populista, há quem lhe ganhe aos pontos em persuasão, quem convença melhor que Portugal está à beira do abismo. Ventura e o inenarrável Chega metem no bolso o PSD e a AD do Nuno Melo em desfaçatez e agressividade.  Como no futebol, que comentava, tudo lhe é permitido – superficialidade, contradições, acusações, boçalidades, até falta de programa ou de noção sobre governação. O Ventura construiu uma seita. Seitas, no século XXI, são difíceis de combater: têm rituais, implicam genuflexões, orações em igrejas, saudações ao estilo nazi, apelos à segregação, à purificação da raça, todo um teatro, coisas “do outro mundo”. Para Montenegro retroceder na demagogia e no populismo, perante isto, seria preciso ter um perfil consentâneo com um propósito de seriedade. Acontece que não tem. Não tem tido. Assim, o que ouvimos são as trombetas guerreiras do partido dos alucinados: querem poder, querem limpar, querem varrer, querem prender, querem castrar, querem perseguir, querem expulsar, quem sabe querem matar. Inventam um caos e inimigos que não existem para poderem empunhar as “armas” (e as vassouras). Há quem ache isto lindo, há mesmo.

Alguém pergunte ao Presidente se está a gostar.

Perigos à solta

Sou fã do Pedro Marques Lopes por causa de cenas como esta a terminar o Eixo do Mal de ontem. Chamou a atenção para um texto da procuradora Maria José Fernandes, onde se lê a sua indignação por mais uma pulhice de Marques Mendes:

Na aparência, estamos perante um escândalo. Há um conselheiro de Estado que calunia um juiz, faz-lhe um assassinato de carácter e lança uma campanha de difamação. É a política a atacar o edifício judicial, retintamente. Mas depois, como MJF constata, não há escândalo algum. Porquê? Porque o edifício judicial também alinha no ataque a esse juiz. Ivo Rosa é persona non grata junto dos seus colegas, a enorme maioria, que gostam das ideias e do papel de Marques Mendes no regime e na sociedade. Que ideias e que papel? É ver aqui esta amostra:

Marques Mendes e o todo-poderoso

Marques Mendes, Consigliere de Estado

Resumo executivo: Marques Mendes, em antena aberta, acusou o PS de ser um partido criminoso, onde até Vítor Constâncio aparece como cúmplice de crimes faraónicos. Ora, pode alguém com esta conduta, seja sincera ou hipócrita, ser conselheiro de Estado? Não só pode como foi escolhido precisamente por isso e para isso. Idem para Lobo Xavier, escolhas pessoais de Marcelo — e ambos useiros e vezeiros em violar os deveres a que estão obrigados pela presença nesse órgão, ambos sistemática e obsessivamente sectários na chicana com que atacam os socialistas.

Esta cultura de envilecimento institucional ao mais alto nível da hierarquia do Estado alimenta e legitima uma florescente indústria da calúnia, e permite a Ventura repetir a mesmíssima cassete com ainda mais escabrosa ordinarice, a que junta apelos ao ódio e à violência. Mas, em Janeiro de 2019, o estimado e admirável PML não botou faladura sobre os números de Marques Mendes acima disponíveis para consulta. E essa lentidão dos decentes em fazer frente aos indecentes, por causa da cumplicidade desses decentes com o linchamento de Sócrates, explica a sociologia eleitoral que se vai desenhando nas sondagens.

Princípio de Cláudia

«Cláudia Domingues, Marketing Manager da IKEA Portugal, garante que esta campanha não tem “qualquer intenção ou propósito de contribuir, seja de que forma for, para o debate partidário e para o atual contexto pré-eleitoral que se vive no País”.

De acordo com Cláudia Domingues, esta ação pretende retratar “o próprio humor” com que muitas vezes os portugueses “abordam os temas mais sérios”. “Trata-se de uma campanha de mupis bem-humorados, descontraídos, que, partindo de temas e termos da atualidade, servem única e exclusivamente para animar e divertir quem por eles passa”, afirma.»

Fonte

A campanha de que fala a Cláudia Domingues é um dos maiores sucessos publicitários dos últimos anos em Portugal. Tudo graças ao mais antigo suporte de comunicação comercial registado na história, um simples cartaz de rua. Quer dizer que lhe saiu baratíssima a brincadeira, obtendo índices de notoriedade galácticos por via da amplificação mediática alcançada (earned media, como dizem os franceses, os cultos). 31 caracteres fizeram a magia: “Boa para guardar livros. Ou 75.800€“. Significa, então, que a senhora tem razões para se agarrar à garrafa de champanhe e beber pelo gargalo com sofreguidão e êxtase? Calmex.

Sucesso na notoriedade de uma qualquer campanha de uma qualquer marca não equivale, necessariamente, a sucesso nas vendas, sucesso na reputação, sucesso na simpatia ou sucesso na construção da marca dentro do posicionamento considerado mais forte. É inútil dar exemplos reais, demasiado distantes e datados. Basta imaginar o que aconteceria se a IKEA lançasse uma peça publicitária com a mensagem “Venham às nossas lojas, cabrões!“; ou uma outra com o rosto de Ingvar Kamprad e a mensagem “Fui nazi. Agora, já não preciso.” A amplificação mediática seria igualmente himalaica, chegando aos principais órgãos de comunicação social. Mas não seria fixe para a marca, né? Pois.

Estamos perante uma aberração na estratégia de comunicação da IKEA, o que fica claro ao vermos as restantes peças que compõem o ramalhete: uma diz “Puxámos o tapete à inflação“; outra “Para se aquecerem sozinhos ou coligados“; e ainda “A nossa geringonça para o frio“. Estes 3 headlines são bocejantes, trocadilhos banais destinados ao esquecimento instantâneo. Sei do que falo porque fui autor de muitos assim ao longo de muitos anos. Se a campanha fosse só isto, ou mais disto, nem sequer o propalado objectivo de “animar e divertir” teria sido alcançado dada a insipidez amadorística do trabalho. Seria a tranquila continuação do registo passado, onde ninguém liga pevide à publicidade da IKEA em Portugal. Mas eis que a agência teve uma epifania: aproveitar o dinheiro e o património simbólico do cliente para fazer uma peça de canalhice sectária, e logo nas vésperas de umas eleições legislativas nascidas de uma colossal crise política e institucional com a Justiça na embrulhada. A Cláudia Domingues, especialista em humor português para portugueses, alinhou, passou o cheque e aplaudiu.

Podemos imaginar uma campanha onde a peça que explora a operação Influencer seria parte de um conjunto com a mesma pragmática de comunicação. Por exemplo, haveria um outro cartaz na linha deste do Vargas, ou um como o que Miguel Pedro Araújo sugere. Não faltam oportunidades para desopilar com intertextualidades e subtextos a partir dos objectos vendidos pela IKEA. Se tivesse também aparecido algo como “Gémeas em cunha” (vendo-se duas cadeiras iguais lado a lado formando um ângulo agudo), a campanha deixaria de ser sectária para passar a ser apenas suicida. Porque então seria atacada por todos os lados, sendo carimbada de populista. E ficando como escândalo que a marca sueca estivesse a contribuir para o descrédito das mais altas autoridades do País recorrendo a insinuações indecorosas e difamantes sobre casos em investigação judicial.

Ora, nem a agência nem a cliente são pessoas que queiram mal a si próprias. É ao contrário, têm-se em alta consideração. E sabem que não há penalizações para atacar o PS ou os governantes socialistas. Afinal, é isso que constatam diariamente, horariamente. Até de procuradores e juízes recolhem esse exemplo, é essa a ecologia do regime. Viram uma oportunidade para recorrerem à schadenfreude com intento político e resolveram não a desperdiçar. De imediato, jornalistas e políticos que passam a vida a perseguir a xuxaria vieram dizer que se fartaram de rir com os 75.800€. Eram eles o real público-alvo da campanha, obviamente. A marca IKEA e a decência a que está obrigada como entidade comercial, a salubridade comunitária no espaço público onde o sectarismo não parece ser veículo inteligente para vender mobiliário, tudo isso valia nada face ao frenesim de apontar ao PS e disparar o canhão da pulhice.

Resta saber se o patrão da Cláudia Domingues acha que ela já atingiu o seu grau de incompetência máxima ou se é conveniente mais uma promoção para o estrago ser ainda maior.

Exactissimamente

«Infelizmente o comunicado não explica como é que deitar fogo a um outdoor e partilhar o vídeo, permitindo ao partido em causa mais tempo de antena e o aprofundar da senda de vitimização, de radicalização e de ódio que são todo o seu programa, pode combater o fascismo.

Em verdade, a primeira coisa que ocorre perante a estultícia infantilóide do comunicado e da “ação” pirómana é que, se o partido do outdoor é o evidente beneficiado por ambos, pode muito bem ser o responsável. Como tanta gente comentou no Twitter, se não foi a pedido ou por obra de gente do Chega, parece.»

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