Men, women ride the same emotional roller coaster
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Cat’s meow: Robotic pet boosts mood, behavior and cognition in adults with dementia
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That primate’s got rhythm!
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Best water treading technique to prevent drowning
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Feedback, goal-setting improve attention
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Punishment alone isn’t the deterrent many think it is
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New research shows most people are honest — except for a few
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Dominguice
Há partidos a mais em Portugal? Talvez haja partidos a menos. Olhando para o que se passa no PSD, CDS, CHEGA, BE e PCP, onde em diferentes modos e graus vemos a política transformada em comédia trágica, interrogamo-nos se esses partidos realmente representam características relevantes da comunidade. Somos assim tão sectários, tão estúpidos, tão merdosos?
Precisamos de novos partidos que façam programas, propaganda e política dirigida àqueles cidadãos que fundam na inteligência e na coragem a sua ideologia. A inteligência que está apaixonada pela incomensurável complexidade do presente. A coragem que procura contributos na esquerda e na direita para os realizar ao centro. Porque o centro é o lugar ideológico onde o que é politicamente bom pode ficar civicamente melhor.
Lapidar
«Neste momento parece claro que o fim do concerto entre PS e os partidos à sua esquerda se deu basicamente fruto de uma vontade exagerada do PCP e do Bloco de tornar a aprovação de um orçamento anual num exercício de marialvismo esquerdista, em torno de calendários de política laboral e de segurança social. A sua expectativa racional só pode ser, portanto, a de reforço da sua posição negocial junto do PS, após as eleições. Mas tal é francamente incerto... Tal como em 2011. Só que neste momento, num jogo parlamentar em que a direita tem mais dois peões, método de Hondt oblige. E isso pode fazer a diferença, deixando a governação a um bando de corsários da democracia e do Estado social de direito. Se um dia a governação depender de André Ventura, é certo que tal se deve, em primeira linha, ao PSD de Passos Coelho, à CMTV e à normalização que produziram junto dos eleitores - mas será também bom lembrar o papel do Bloco de Esquerda e do PCP. Sempre na defesa "do povo", naturalmente.»
Clima de absoluta irresponsabilidade
Outra das consequências de abrir uma crise política absurda que obriga a eleições a meio de uma legislatura de heróico serviço público é a de estas se irem fazer no Inverno.
Inverno, o tempo das gripes, a que se junta um provável novo pico da ainda presente pandemia e o frio, quiçá a chuva. Condições que levarão muitos milhares a desistirem de ir votar.
Não basta ao BE e ao PCP estarem-se a cagar d’alto para as necessidades daqueles que alegam representar e defender, boicotando a melhoria das suas vidas em nome de estratégias sectárias, o resto da malta também vai sofrer com o seu desprezo pela segurança da população e pela integridade eleitoral.
A esquerda à esquerda do PS poderá bem ser a esquerda pura e verdadeira, não duvido. Mas isto de preferirem a irracionalidade, a irresponsabilidade e o irrealismo ao interesse nacional merece uma resposta histórica.
O anacronismo tem remédio, sabem?
Ouvi as declarações de João Oliveira, do PCP, e de Pedro Filipe Soares, do Bloco, à saída da conferência de líderes parlamentares. Então agora queriam um novo orçamento? Quer-se dizer, andaram a implicar com o que foi proposto porque não sei quê “não resolve os grandes problemas do país”, ou, na versão do Bloco, “ignora as nossas nove exigências” ou “acaba em cativações”, chumbaram uma proposta ineditamente generosa que até respondia a uma parte razoável das respectivas pretensões, sabiam que a consequência desse chumbo seria a marcação de eleições e agora defendem, parece que aflitos, que não, que há outras alternativas, inclusivamente “um novo orçamento”? Deixem-me rir. Um novo orçamento redigido por quem, por eles?
Sabem o que é que eu acho? Acho que foi dada uma oportunidade de ouro em 2015 a estes partidos para se deixarem de “apartheids” autoinfligidos e virem ver como governar é um assunto sério que vai muito para além de respostas a manifestações de rua e a greves e a ir tirar dinheiro aos ricos para dar aos pobres, em que se joga em diversos tabuleiros e em que há que ter em conta que a esmagadora maioria dos portugueses não vota nem no Bloco nem no PCP por alguma razão. Mas não aguentaram. Provavelmente não aguentaram o que viram. O PCP, porque não é isso que quer ver – um governo a ter que decidir matérias que não só aumentos salariais – ou porque luta contra a morte e vê bodes expiatórios para a sua doença em todo o lado (por exemplo no PS, em eleições autárquicas) e o Bloco, porque a passagem à idade adulta, aquela em que se podem assumir funções governativas, por vezes não é linear, consiste em avanços e recuos. Assustam-se e vão pensar melhor. Mas hão-de voltar.
Não, meus senhores, não estou a querer dizer que o PS vos fez um favor em 2015. Foi uma oportunidade, que em boa hora surgiu, e que teve como feliz consequência tirar do poder a tropa fandanga do Passos Coelho mais a sua fúria neoliberalizante e a sua desumanidade. Agora receio bem que prefiram recuar, mais encolhidos, para os respectivos cantos enquanto sonham com o dia em que vencerão umas eleições. Boa sorte. Mas deviam pensar.
Por exemplo, nisto. O PCP, porque não se reestrutura e começa por mudar de nome para, por exemplo, Partido Antifascista, querendo satisfazer os militantes históricos e combater a direita, como diz ser seu objectivo, ou Partido Sindicalista, porque não? Talvez ainda haja sindicatos (nomeadamente da função pública) durante alguns anos. Ao Bloco, que se dedique a criar empresas produtivas, por outras palavras, que faça qualquer coisinha de útil, para ter noção de que a esmagadora maioria das pessoas tem de fazer dinheiro de alguma maneira, sendo essa actividade que dá emprego e produz receitas para o Estado, e que essa esmagadora maioria não é nem estudante sonhador, nem professor universitário com ordenado garantido e experimentador de teorias em teses de doutoramento, nem saudosista do movimento hippie, nem actor pouco conhecido. Entretanto, vão dar banho ao cão. Aí está outra coisa útil para fazerem.
Marcelo, garante do irregular funcionamento das instituições
Marcelo aconselha coligações à direita
Marcelo avisa que chumbo do Orçamento “muito provavelmente” conduziria a eleições
Marcelo teme tentações de Costa e baliza a crise
Marcelo prefere que Costa não se demita e dá tempo ao PSD
Marcelo destaca “esforço” do Governo para alterar Orçamento
Marcelo sem dúvidas: “Ou há Orçamento ou avanço para a dissolução”
Marcelo Rebelo de Sousa “muito ativo” em contactos com PSD Madeira e PSD nacional
Presidente da República recebeu Paulo Rangel em Belém
“Não é minimamente aceitável.” Rio ataca Marcelo por receber Rangel antes dos próprios partidos
PR acelerou crise política e esqueceu-se dos seus limites, defende Reis Novais
Exactissimamente
A finalidade das eleições não é ir para eleições
Os argumentos do BE e PCP para chumbar o Orçamento resumem-se a um: a actual proposta orçamental não foi elaborada por bloquistas e/ou comunistas. De nada mais se trata pois só nesse caso é que ficariam satisfeitos. Só nesse caso é que eles, finalmente, resolveriam em 2022 os maiores problemas económicos e sociais do País graças às suas teorias, aguda inteligência e superioridade moral.
Acontece que, por causa das eleições, calhou nesta legislatura termos Orçamentos da autoria primeira, mas não necessariamente exclusiva, dos socialistas. Dizer que o Governo tem de negociar para a sua aprovação é uma redundância. Todos os Orçamentos apresentados por António Costa, incluindo a versão do que vai a votos, foram o resultado de negociações com vários partidos. Donde, o eventual chumbo do Orçamento em nada se relaciona com a disponibilidade do Governo para negociar. A causa é outra, o facto de BE e PCP não quererem aceitar as negociações possíveis. Preferem a recusa das medidas propostas e as consequências negativamente imprevisíveis de se ir para eleições ou ficar-se a governar com duodécimos.
Quando é que BE e PCP conseguirão aprovar Orçamentos feitos por si? Vão conseguir em 2022, havendo eleições nesse ano? Se não será nesse ano, quando? Se a cada ano fizermos eleições, será que chegariam ao poder antes do fim do século? E se nunca ganharem eleições, vão continuar a chumbar outros Orçamentos do PS usando a mesma lógica fanática que durou décadas até 2015?
O Governo do PS tem um plano para encontrar soluções de governação que não é igual ao que comunistas e bloquistas consideram adequado. Costa quer usar os recursos da Europa e quer sanear as contas públicas, num equilíbrio entre os interesses dos mercados e os dos cidadãos, aquilo que se tornou o mantra das “contas certas” para o actual primeiro-ministro. A democracia colocou nas mãos dos socialistas terem a responsabilidade, nesta legislatura, de fazer escolhas para a comunidade no meio de uma realidade cada vez mais complexa. Um tempo onde não existe qualquer certeza de fundo acerca do devir. BE e PCP não foram escolhidos pelo eleitorado para essa missão nem é previsível que o venham a ser directamente.
A democracia não se fez, nem se faz, para estar a ir a votos por sectarismo e megalomania. Fez-se para que a soma das diferenças entre indivíduos e grupos na Cidade permita a melhor, porque politicamente livre, realização das capacidades existenciais de todos.
Vamos lá a saber
Começa a semana com isto
Revolution through evolution
Female doctors experience frustration, sexual harassment, at work
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Doctors should stop relying on ‘mental shortcuts’ when deciding patient care
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Spending time in nature promotes early childhood development
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Amount of Information in Visible Universe Quantified
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Researchers make hardened wooden knives that slice through steak
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Shape-shifting materials with infinite possibilities
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People love the billionaire, but hate the billionaires’ club
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Dominguice
Quantos abusos sexuais de menores ocorreram em edifícios propriedade dos bispos cristãos desde que foi lavrado o Édito de Milão, em 313? Não se sabe, nunca se saberá, e seria impossível fazer qualquer cálculo a respeito. E quantos abusos sexuais de menores ocorreram em espaços de culto católico apenas no século XX? Não se sabe, nunca se saberá, mas talvez não seja impossível fazer uma estimativa. Isto porque o relatório Sauvé contabilizou 330 mil vítimas, crianças ou adolescentes, que em França, entre 1950 e 2020, foram abusadas ou agredidas sexualmente por clérigos católicos, religiosos e leigos que trabalham em instituições da Igreja Católica. 330 mil em 70 anos, sendo que este é o número mínimo, aquele que resulta dos registos consultados. Obviamente, as inevitáveis ocorrências que não foram denunciadas corresponderão à parte submersa do icebergue. E estamos só na França, um país que nem sequer recebe do catolicismo uma especial influência social e cultural. Se igual levantamento fosse feito nos restantes países, chegaríamos a um qualquer monstruoso, horrendo, número de vítimas. Uma visão do Inferno que nem Bosch conseguiria retratar.
A Igreja Católica ensina que Deus, nas suas diferentes “pessoas”, responde à oração e está presente nos espaços e objectos sagrados. Há uma física e uma geografia do religioso, comum como estrutura antropológica a diferentes religiões, onde nos podemos aproximar ou afastar do divino. Daí não só as igrejas, os altares e as hóstias mas a própria experiência subjectiva de entrar em diálogo com Deus. Daí o texto sagrado, particularmente o Novo Testamento, onde a proximidade corporal e o contacto físico com o “Deus que se fez carne” fundamenta a promessa da conversão. A Igreja Católica Apostólica Romana não faz qualquer sentido se perder esta arquitectura espiritual. Todavia, porém, contudo, os fiéis conseguem conciliar as imparáveis notícias da destruição de seres humanos entregues ao cuidado da Igreja Católica – destruição real, pois as vítimas, e com ainda maior gravidade os rapazes, ficam mentalmente doentes para o resto da vida e correm risco de suicídio – com a recusa em tirar a fatal conclusão: se Deus não protege as crianças dentro da sua casa, por que caralho iria proteger crianças ou o que fosse nas casas dos outros? Eis um vero milagre da fé.
No fundo, é simples
Um dos maiores enigmas da realidade política em Portugal, quiçá em todas as democracias espalhadas pelo Mundo mutatis mutandis, é o de ainda não termos tido maiorias parlamentares do PCP, ou do BE, ou do BE com o PCP. É que estes dois partidos são os verdadeiros defensores dos trabalhadores, dos pensionistas e dos pobres, e ainda da classe média sempre à rasca. Estamos a falar de alguns 8 milhões de eleitores, pelo menos.
Como é que PCP e BE explicam o fenómeno? É que eles são gente boa, gente honesta, gente que dá tudo aos humildes e desvalidos, gente que leu os livros certos. Com eles a mandar, os ricos não levantam a grimpa e ficam um bom bocado menos ricos, que é para ganharem juízo dialéctico. Dirão que a dificuldade em ocupar S. Bento com os seus infalíveis “cientistas da História”, após quase 5 décadas de eleições livres, nasce de estarem inibidos na liberdade de expressão? O PCP não consegue colar cartazes nem distribuir panfletos com as suas promessas? O BE ainda não está satisfeito com o número dos seus representantes oficiais e oficiosos na comunicação social mais influente? Que levará, afinal, a que tenhamos resultados eleitorais que mantêm os imperialistas da direita a oprimir o povo? Será que o povo gosta é do chicote e da miséria?
Comunistas e bloquistas garantem que Portugal seria um local muito melhor para se viver se eles, separadamente ou juntos, estivessem agora a apresentar o seu Orçamento e a vê-lo aprovado no Parlamento. Às tantas, têm razão. Sabe-se lá, né? Porém, como o Orçamento não é deles, como não fazem parte do Governo, como não se responsabilizam pelos resultados das contas públicas e suas consequências nacionais e internacionais, o que subjaz ao folclore das negociações resume-se a uma simples pergunta: querem mesmo que o Governo socialista caia?
O ridículo não mata, enésima prova
«Sou o símbolo de uma nova forma de fazer política, de uma forma diferente»
Do que têm medo?
«A Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos dá razão a José Sócrates, que há dois meses viu o Conselho Superior da Magistratura (CSM) recusar facultar-lhe uma cópia do relatório da investigação que fez à distribuição da Operação Marquês, alegando que se encontrava em segredo de Justiça. Um parecer da Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos, em resposta a uma queixa de Sócrates contra o CSM por “decisão limitadora a documentos administrativos”, não deixa margem para dúvidas: “Deverá ser facultada a documentação” ao ex-primeiro-ministro.
[...]
Desde o início da Operação Marquês que tanto a defesa de Sócrates como a de Armando Vara alegam que o princípio do juiz natural foi violado, tendo Carlos Alexandre sido “escolhido” para fazer a instrução do processo na fase inicial. Rosário Teixeira, responsável pela acusação, argumentou que o processo já estava “efetivamente distribuído a Carlos Alexandre”, porque este juiz já tinha autorizado escutas. O CSM concordou com esta interpretação, disse que os novos processos teriam de ser divididos entre os juízes do Tribunal Central de Instrução Criminal e referiu ainda uma avaria no sistema informático como causa que teria impossibilitado uma atribuição eletrónica dos processos.
Mas o juiz Ivo Rosa, que ficou com o processo na fase de instrução, arrasou o CSM, concluindo que não tinha havido qualquer avaria e o processo tinha sido distribuído manual e diretamente a Carlos Alexandre. E, como havia indícios de crime, enviou tudo para o MP, que abriu uma investigação.»
O voto contra é um voto a favor
É consensual considerar que o fim do bloqueio histórico à esquerda, ocorrido em 2015 com a inaudita e surpreendente viabilização pelo PCP e BE de um Governo minoritário socialista que cumpriu a legislatura, só foi possível por causa da violência política e social de Passos Coelho a coberto da Troika. Esses dois partidos temeram que os seus eleitorados se revoltassem caso eles recusassem assumir as responsabilidades de existir uma maioria de esquerda no Parlamento. Poucos, a partir deste ponto, avançam para o nível seguinte da análise: reflectir sobre o que permitiu a um desqualificado especialista em aeródromos da Zona Centro afundar Portugal para tentar subir ao poleiro. E essa desgraça tem uma singular causa, o chumbo do PEC IV. Sem esse episódio, muito provavelmente a solução encontrada pela Europa chegaria para salvar as contas públicas até ao fim da crise das dívidas soberanas, ocorrido em meados do 2012 quando o BCE começou a comprar a dívida. Daí a direita temer que Sócrates acabasse por recolher os louros de ter evitado que o FMI aterrasse na Portela, pelo que optaram pela terra queimada de modo a irem a votos nas piores condições possíveis para o PS.
A 23 de Março de 2011, nenhum deputado ignorava quais seriam as consequências do chumbo. Esse desfecho era irracional, do ponto de vista do interesse nacional, mas lógico, do ponto de vista do interesse sectário de cada um dos partidos que antecipava vir a ter ganhos eleitorais. Nunca se fez um debate público, que saiba, acerca da justificação de bloquistas e comunistas para a aliança negativa com uma das piores direitas da democracia, mas o que se apanha aqui e ali repete um argumento que estamos a ouvir por estes dias de Outubro, 10 anos depois. É um argumento solipsista, onde se nega a realidade circundante para se colocar a identidade tribal no altar. Consiste na retórica de tratar as negociações entre o Governo e os partidos como se fossem realmente actos próprios de um negócio. Num qualquer negócio, há uma suposta equivalência entre as partes, e o acordo a que se chega só tem de manifestar – abstractamente – os interesses respectivos. Daí os partidos se permitirem fazer exigências ilimitadas e ameaças de voto contra. Estão a projectar uma imagem de força que tem o duplo poder de não ceder ao Governo e ainda de o prejudicar.
Ora, a aprovação do Orçamento pode implicar abundantes sessões de negociações mas não é um negócio. E não é um negócio porque o Governo representa a comunidade no seu todo, a coisa pública. Quando um Governo vê o seu Orçamento aprovado não fica com mais dinheiro ou bens, não vai usufruir do “lucro” ou “ganhos”. Pura e simplesmente, trata de executar o plano de gastos e adaptá-lo às circunstâncias que surgirem. Corra bem ou mal, os partidos que não forem Governo descansam na bancada a ver o espectáculo, não têm de fazer contas nem apresentá-las ao País. Limitam-se a simular que eles governariam muito melhor. Porquê? Porque os partidos que não são Governo são muita bons e só não estão a mandar nisto por um azar chamado eleições.
Quem faz chantagem, então, são os partidos, não o Governo minoritário. Dizer-se que o Governo socialista tem de ceder em questões onde há antagonismo irredutível se quiser o apoio de comunistas e bloquistas é a expressão luminosa dessa chantagem. Quem assim fala está a mostrar que as crises políticas que obrigam a eleições são muito mais valiosas do que a existência deste Governo na plena posse das suas capacidades executivas e cumprindo regularmente a legislatura. Quem assim age, como o BE no ano passado, sinaliza que abdica do bem menor por não ter o bem maior, revela que prefere o mal maior ao mal menor.
Um voto contra, como vimos na tal tarde de Março, é simultaneamente um voto a favor das suas consequências. É bizarro que a esquerda derrube a esquerda alegando que esta não é de esquerda o suficiente. Bizarro, hipócrita, traidor e perigoso. Se não querem votar a favor, abstenham-se em nome dos cidadãos que representam e que não merecem sofrer de novo a vossa irresponsabilidade.
Nas muralhas da cidade
«Pelo menos nos casos mais mediáticos (provavelmente noutros também, mas não são tão visíveis), há vários anos que se nota em Portugal um progressivo relaxamento por parte de alguns atores do sistema judicial na preservação da integridade dos processos e, por conseguinte, na integridade do nosso Estado de Direito. Há, porventura, a ideia de que o sistema de justiça se preserva mais se, em determinados casos que causam alarido na comunidade, houver maior “flexibilidade” na interpretação das leis de modo a que se facilite o julgamento ou condenação.
Há vários exemplos que têm sido fáceis de constatar publicamente e que têm sido encarados com uma preocupante passividade por parte da comunidade: detenção de pessoas para primeiro interrogatório judicial durante mais de 48 horas com um subliminar intuito de as deixar enfraquecidas e, digamos, potencialmente “mais cooperantes” nessas diligências; buscas frequentes a escritórios de advogados e constituição de advogados como arguidos para se obter prova relativa aos seus clientes; escutas generalizadas a pessoas durante anos e anos com base em suspeitas genéricas; sorteios para cumprimento do princípio do juiz natural que, nem sempre, parecem oferecer garantias de fiabilidade; aproveitamento de provas obtidas através de assaltos por parte de hackers e orgulhosamente divulgadas em jornais como pomposas investigações jornalísticas no âmbito dos sucessivos leaks. E, não fosse o “chumbo” do Tribunal Constitucional, teria até sido atribuído ao Ministério Público o poder de aceder a comunicações eletrónicas privadas sem autorização prévia de um juiz.»
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Personality traits linked to hallmarks of Alzheimer’s disease
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Natural compound in basil may protect against Alzheimer’s disease pathology
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Optimal blood pressure helps our brains age slower
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Mushroom consumption may lower risk of depression
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Rye a better choice than wheat for weight loss
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Evidence links the carotenoid lutein with eye health
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Sense of smell is our most rapid warning system
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Dominguice
A concepção mais ingénua da democracia é também a que implica uma sua concretização impossivelmente complexa: todos, numa dada comunidade, a tomarem todas as decisões governativas por deliberação universal. Nem na Grécia das cidades-estado, na aurora da história da democracia, tal foi aplicado. Nem o é na actual Suíça dos referendos em barda, sem ser preciso explicar porquê. E mesmo se a fórmula fosse seguida numa singular família a respeito da lida da casa – que digo, num mero par que habitasse no mesmo lar – isso rapidamente, em minutos, se revelaria disfuncional, inumano. A democracia pluralista, portanto, obriga a um qualquer tipo de representatividade das diferentes vontades no colectivo, a qual estabelece uma qualquer hierarquia de poder, a qual causará um qualquer tipo de desigualdade pois, como adverte a Física, dois corpos distintos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo. A uns poucos será dada a faca e o queijo, os restantes aceitam ficar a vigiar os “soberanos” até serem chamados a escolher novos representantes. Este é o sentido do “democracy is the worst form of Government except for all those other forms” de Churchill, onde se reconhece a “imperfeição” da democracia para a correlacionar retoricamente com as imperfeições muito maiores das alternativas.
Em Portugal, por arbítrio constitucional, considera-se que o tempo máximo de uma legislatura é quatro anos – uma limitação temporal para que se estenda a mais cidadãos a possibilidade de igualmente fatiarem o queijo pela sua própria mão, e uma duração adequada à necessidade de estabilidade e de desenvolvimento de um dado programa para a sociedade. Mas não se estabeleceu um tempo mínimo. Assim, numa situação em que não haja maiorias parlamentares nada obriga a que se aprove o primeiro orçamento do Governo que calhe ter sido empossado. Na prática, no nosso sistema político pode acontecer um período ilimitado de eleições sucessivas, anuais, ou até semestrais, sem que delas resultem maiorias absolutas para um partido. E depois acontecer que o partido vencedor minoritário não consiga ver aprovado qualquer orçamento do Governo que apoie. Porque, lá está, os outros partidos com menos votos querem ser eles a pôr e dispor do queijo a seu gosto. Contemplando esta hipótese, aparece como evidente que alguma solução de Governo democraticamente legítima é infinitamente preferível ao desgoverno. É que as democracias têm sempre bandos de abutres à espreita. À espera do nosso fatal tribalismo.