Dominguice

Há partidos a mais em Portugal? Talvez haja partidos a menos. Olhando para o que se passa no PSD, CDS, CHEGA, BE e PCP, onde em diferentes modos e graus vemos a política transformada em comédia trágica, interrogamo-nos se esses partidos realmente representam características relevantes da comunidade. Somos assim tão sectários, tão estúpidos, tão merdosos?

Precisamos de novos partidos que façam programas, propaganda e política dirigida àqueles cidadãos que fundam na inteligência e na coragem a sua ideologia. A inteligência que está apaixonada pela incomensurável complexidade do presente. A coragem que procura contributos na esquerda e na direita para os realizar ao centro. Porque o centro é o lugar ideológico onde o que é politicamente bom pode ficar civicamente melhor.

10 thoughts on “Dominguice”

  1. basta ver o que se passa no cds ou psd , para perceber que os partidos representam apenas aspectos relevantes do Poder . observando a situação podemos depois escrever um manual sobre como manipular , trair , mentir, etc etc e tal para tentar chegar ao Erário Público , ao cofre mágico. observar as lutas pelo poder é observar o pior que o homem tem , talvez sirva para alguma coisa a exposição da miséria humana.

  2. tivesse eu tempo, não tivesse eu de dar ao lombo para as contas, e fazia revolução. palavra de Olindinha.

  3. Leio isto e perpassa-me pelo pensamento tudo o que aqui tem sido últimamente escrito, quer por alguns publicistas, quer pela generalidade dos comentadores alinhados com uma das fracções do Psrtido Socialista, organização política, plural e respeitadora da diversidade, verdadeiramente dialogante e alheia a denagogias, a quem em meu entender e de modo algum se aplicaria, como uma luva, da cabeça aos pés, o que o articulista escreve neste post. Regozijo-me, pois, com capacidade de autocrítica e completamente alheia a denagogias que o articulista e outros comentadores on line assim o têm demonstrado, com límpida e cristalina clareza. E não posso deixar de regozijar-me com o facto de na comédia trágica não participarem, nem caberem, o Partido Socialista, a IL, o PAN e o PEV. Bem hajam!

  4. Sim, tens razão. O melhor seria existir um partido dos arrogantes convencidos que sabem. Tenho algumas ideias para saber quem podia ser o lider. O problema é que representariam 98,7 % dos eleitores e, assim, Portugal faria ma figura internacionalmente, dando a imagem de uma ditadura. Estamos bem melhor como estamos, com o PS e o PSD a fazerem, alternadamente, as mesmissimas politicas ha 50 anos e a explicarem, cada um do seu lado, que seria desastroso fazer outra coisa, e o passo inevitavel para o fim do mundo, quando, na verdade, apenas seria o fim da macacada…

    Boas

  5. Contrariamente ao que é dito, há partidos a mais em Portugal. Logo em primeiro lugar, devido à existência de dois partidos – PS e PSD – que, reclamando ambos o património do socialismo democrático e da social-democracia europeia (denominações distintas da mesma filiação política) – acabam por ser mutuamente redundantes. Um deles está a mais. O normal seria que em vez de PS e PSD houvesse um único grande partido político de centro-esquerda e o centro-direita democrático se congregasse num grande partido que não este CDS que (infelizmente) temos.

  6. Alguns países dão-se bem com o bipartidarismo, outros preferem as complexas negociações entre múltiplos partidos. Em muitos outros países há um partido hegemónico, com rara ou nenhuma alternância no poder. Em Portugal, depois da instabilidade dos anos revolucionários de 1974-1975, estabeleceu-se, com o rodar dos anos, uma alternância centrada entre o PS e o PSD. É basicamente um bipartidarismo de facto, mitigado pela presença de pequenos partidos que ou se aliam com um dos dois grandes ou fazem oposição sistemática e, em certas conjunturas, conseguem provocar crises políticas, como ainda agora se viu.

    Não sei se há partidos a mais. Sei que há alguns partidos nefastos, mas devem ser os eleitores (e os tribunais) a decidir da sua existência.

    Ao longo dos anos, têm sido criados novos partidos que tentam mobilizar os descontentes com o quadro partidário vigente, como o efémero PRD, o BE e o Chega. Apesar de beliscado por essas tentativas, o bipartidarismo tem-lhes resistido, porque nada se pode fazer na política portuguesa sem a liderança ou do PS ou do PSD. Os pequenos partidos de esquerda e de direita, curiosamente, o mais que podem conseguir é aprofundar a bipolarização política, porque os primeiros tentam puxar o PS para a esquerda e os segundos tentam puxar o PSD para a direita. Parece não haver alternativa real nem ao bipartidarismo nem à bipolarização política.

    Depois de meio século de ditadura, os portugueses não querem sistemas de partidos hegemónicos e também não vejo possibilidade de surgir um terceiro grande partido ao centro. O centro será sempre povoado por gente de vários quadrantes e sensibilidades ou não será centro. O eleitor centrista mais característico é aquele que vota ora à esquerda, ora à direita, porque não há um partido só do centro. O apelo do centrismo é o da moderação, da racionalidade, do pragmatismo e do compromisso.

    Em Espanha, embora seja um país muito diferente do nosso, também não tem sido possível governar sem o PSOE ou sem o PP. Com mais ou menos partidos novos a pressionar, a barafustar ou até a exigir a independência, a realidade tem sido essa.

    Um partido tem de ter um projecto ou programa político, mas não se faz um partido novo sem pessoas ou com pessoas desconhecidas. O eleitorado português desconfia de programas e promessas e vota muito em caras, isto é, em pessoas que conhece ou julga conhecer. Tentar criar um novo partido só com bons programas ou belas ideias não conduz a lado nenhum.

    Do ponto de vista do país chamado Portugal, não vejo nenhum benefício na criação de novos partidos. Para a direita, é certamente muito bom que a esquerda esteja dividida. Para a esquerda, seria bom que a direita estivesse dividida. Mas isto são outras contas.

  7. La Palisse tenho há muito essa ideia. Não fica bem até porque eu pendo para o centro esquerda, e o pessoal que engrossa esta fileira tem uma visão mais extremada. Sempre houve um centro direita no PS, é por aí que todos os entendimentos para as tais grandes questões foram negociados. Depois da facção mais conservadora no PSD se ter instalado em 2011 é evidente ser impossível o mesmo entendimento. Foi um período de luto chamemos-lhe assim. Em ambos os partidos há uma grande contenção em assumir que PSD e PS são uma redundância com intersecções em muitos assuntos. É uma espécie de gato escondido com o rabo de fora. Claro que Cavacos, Rangeis e outros que tais estão lá mas não são sociais-democratas. Posto isto é com estes e todos os outros partidos que tudo se joga por agora. Nem o PS devia fugir a família política da social democracia a que pertence nem o PSD devia fugir ao enorme peso que os democratas cristãos têm nos seus partidários. Apareceria uma esquerda pura e dura e virgem como alguém disse hoje e uma extrema direita que perderia muito fôlego pois parte dos seus votantes não se reve hoje nos partidos de direita existentes dada esta espécie de confusão oportunista que se há 40 anos funcionava hoje está ultrapassada.

  8. Vá lá com um bocadinho de jeitinho e boa vontade o melhor mesmo era haver um só partido com várias tendências, depois eles lá dentro discutiam e assim escusava de haver eleições, já que como foi dito a propósito dos resultados das eleições para a Câmara de Lisboa, quem não vota é porque é capaz de ser feliz.
    Claro que o líder honorário seria o Costa, o Belo, um líder para mil anos.

    Por toda a Europa o bipartidarismo está cada vez mais em crise, na Alemanha, França, Inglaterra ( Cameron/Clegg) Espanha, porque os partidos tradicionais já não conseguem “seduzir” o eleitorado tradicional, seja por cansaço seja porque as crises abriram a janela de overton e possibilitaram a introdução no espaço público de temas não cobertos pelo centrípetismo dos sistemas. Sim porque o sistema bipartidário assenta muito numa fabricação da realidade, afunila visões e soluções, é como a diferença entre território e mapa. Por exemplo o Medina governou para o mapa (abram o mapa Google e vejam a quantidade de serviços, ciclovias, a gourmetizacao, os postais fotográficos, etc…)mas quem habita na cidade vive o território.
    Este tema é interessante partindo de Duverger a Sartori passando por Dahl,
    mas é adorável quando se reduz tudo a um dualismo simplificador.

  9. Mesmo com os liberais, os verdes e os neo-nacionalistas, a Alemanha continua a depender de dois partidos, a CDU e o SPD, sem os quais ninguém governa nem pode governar. A França nunca foi exemplo de bipartidarismo, não tem sequer um quadro partidário estável, o mesmo se passa com a actual Itália, onde no pós-guerra tinha imperado durante quase meio século um partido hegemónico. A Inglaterra continua a ser governada (desde há 100 anos) por conservadores ou trabalhistas. Na Espanha não há governo sem PSOE ou PP. Dos EUA nem se fala. Onde é que o bipartidarismo está em crise? Essa história do “cada vez mais em crise” é como a do capitalismo, que já está podre há mais de um século.
    Portugal tem uma história, na qual o bipartidarismo (rotativismo) predominou durante a monarquia liberal e tem vigorado desde 1976. Os partidos de João Franco e Afonso Costa rebentaram com o bipartidarismo e com a monarquia constitucional. Veio a República, que assentou num partido hegemónico e acabou rapidamente tragada pelos militares e pelo salazarismo, que rebentaram com a democracia parlamentar.

  10. Temos o retorno a pureza de princípios do PCP e do BdE … promovee a luta de massas contra as políticas de direita e pela revolução proletária. Pelo salário mínimo de 850 Eur! Mas no imediato a grande maioria dos trabalhadores vão ficar pior e, mesmo bastante pior se se confirmar a chegada ao poder de Paulo Rangel, objectarão alguns! Já antecipo a resposta revolucionária: um mero recuo táctico, um passo atrás antes de dar dois passos adiante. Tudo isto tem um toque surreal … mas o que se poderia esperar de quem privilegia os seus interesses mesquinhos sob o manto diáfano da luta de classes

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