O anacronismo tem remédio, sabem?

Ouvi as declarações de João Oliveira, do PCP, e de Pedro Filipe Soares, do Bloco, à saída da conferência de líderes parlamentares. Então agora queriam um novo orçamento? Quer-se dizer, andaram a implicar com o que foi proposto porque não sei quê “não resolve os grandes problemas do país”, ou, na versão do Bloco, “ignora as nossas nove exigências” ou “acaba em cativações”, chumbaram uma proposta ineditamente generosa que até respondia a uma parte razoável das respectivas pretensões, sabiam que a consequência desse chumbo seria a marcação de eleições e agora defendem, parece que aflitos, que não, que há outras alternativas, inclusivamente “um novo orçamento”? Deixem-me rir. Um novo orçamento redigido por quem, por eles?

 

Sabem o que é que eu acho? Acho que foi dada uma oportunidade de ouro em 2015 a estes partidos para se deixarem de “apartheids” autoinfligidos e virem ver como governar é um assunto sério que vai muito para além de respostas a manifestações de rua e a greves e a ir tirar dinheiro aos ricos para dar aos pobres, em que se joga em diversos tabuleiros e em que há que ter em conta que a esmagadora maioria dos portugueses não vota nem no Bloco nem no PCP por alguma razão. Mas não aguentaram. Provavelmente não aguentaram o que viram. O PCP, porque não é isso que quer ver  – um governo a ter que decidir matérias que não só aumentos salariais – ou porque luta contra a morte e vê bodes expiatórios para a sua doença em todo o lado (por exemplo no PS, em eleições autárquicas) e o Bloco, porque a passagem à idade adulta, aquela em que se podem assumir funções governativas, por vezes não é linear, consiste em avanços e recuos. Assustam-se e vão pensar melhor. Mas hão-de voltar.

Não, meus senhores, não estou a querer dizer que o PS vos fez um favor em 2015. Foi uma oportunidade, que em boa hora surgiu, e que teve como feliz consequência tirar do poder a tropa fandanga do Passos Coelho mais a sua fúria neoliberalizante e a sua desumanidade. Agora receio bem que prefiram recuar, mais encolhidos, para os respectivos cantos enquanto sonham com o dia em que vencerão umas eleições. Boa sorte. Mas deviam pensar.

 

Por exemplo, nisto. O PCP, porque não se reestrutura e começa por mudar de nome para, por exemplo, Partido Antifascista, querendo satisfazer os militantes históricos e combater a direita, como diz ser seu objectivo, ou Partido Sindicalista, porque não? Talvez ainda haja sindicatos (nomeadamente da função pública) durante alguns anos. Ao Bloco, que se dedique a criar empresas produtivas, por outras palavras, que faça qualquer coisinha de útil, para ter noção de que a esmagadora maioria das pessoas tem de fazer dinheiro de alguma maneira, sendo essa actividade que dá emprego e produz receitas para o Estado, e que essa esmagadora maioria não é nem estudante sonhador, nem professor universitário com ordenado garantido e experimentador de teorias em teses de doutoramento, nem saudosista do movimento hippie, nem actor pouco conhecido. Entretanto, vão dar banho ao cão. Aí está outra coisa útil para fazerem.

24 thoughts on “O anacronismo tem remédio, sabem?”

  1. E hoje ainda aparecem todos pimpões a exigir a entrada em vigor das alterações ao OE entretanto negociadas…que entretanto também chumbaram. É preciso não terem topete nenhum! Como aliás o spin que o Governo está na plenitude das suas funções…Depois do chumbo do primeiro OE da Democracia Portuguesa.

  2. Rui Rio tinha todo o direito de tentar formar governo tal como está a assembleia. Bastava fazer o que eu faria no seu lugar:
    Como líder da oposição podia (tentar) formar governo com o CDS e com o PCP. Para o PCP só tinha que dizer que ia fazer um orçamento, apresenta lo no próximo mês e q integrava o aumento do salário mínimo para 800 euros.

  3. E então , nas noticias das TV´s de hoje, o ar surpreendido, meio apalermado da CGTP, de um dos sindicatos da função publica, entre outros com que se apresentaram, quiçá interrogando-se sobre as explicações que terão que dar à respetivas freguesias ?
    Mais a mais com o Celinho com todo o poder nas mãos ( todo mas todo) , com capacidade para condicionar calendários, oportunidades, influencia , eleitorado, escolhas ( sobre a reunião com Rangel, justificou-se com um “sou o que sou”), etc.
    O PCP e BE esqueceram depressa o que foi durante o período de P. Coelho em que os sindicatos com greves ou sem elas ficaram a falar sozinhos até os prejudicados ( o povo ) lhes começar a pôr culpas. Período em que um individuo quando adormecia fazia-o em stress, imaginando qual a pior medida com que seria presenteado na manhã seguinte.
    Uma vergonha , no meu entender, esta atitude de minoria pretensamente esclarecida.
    Doença infantil , é o que é.

  4. Se qualquer líder do PS alguma vez lhe passe pela cabeça tentar seja o que fôr com o PC ou o Bloco, só na minha casa vai perder 6 votos!…
    Bloco e PC nunca mais!

  5. O PCP e o Bloco são duas seitas de masoquistas e autistas políticos, como fica mais uma vez amplamente provado. Ainda por cima competem uma com a outra, para ver quem é mais masoquista e autista. Estão a tornar-se num lastro absolutamente nefasto para a esquerda portuguesa. Do palmarés dessas seitas constam já vários actos parlamentares que entregaram o poder à direita de mão beijada. Qual a racionalidade disso? Não se vislumbra absolutamente nada que tenha, de inteligência, mais que uma minhoca.

    O Orçamento nem sequer interessava ao PCP, mas apenas matérias políticas que nada tinham a ver com o debate orçamental. Não quiseram negociar uma plataforma com o PS após as eleições de 2019, com fizeram em 2015, e agora, na discussão de um Orçamento, chantagearam o governo com as suas exigências. O PCP, livre de responsabilidades governativas e cada vez mais um partido sindicalista, queria impor medidas legislativas laborais que significavam o regresso a um sistema de intervenção permanente do Estado na negociação colectiva e nas relações laborais em geral. Compreende-se a exigência dos comunistas, que, fora do funcionalismo público, não têm força sindical para negociar com o patronato. Por isso, encaram o governo PS como a possibilidade de criar uma muleta estatal para a realização do programa político-sindical do PCP. Se o governo PS não se prestar a isso, merece ser derrubado, porque não tem pra eles qualquer outro interesse. E, para o resto dos “problemas do país”, de que falam constantemente, estão-se realmente a cagar, como se não fosse o país deles. De facto, o PCP sempre viveu noutro país, imaginário.

    Do Bloco nem vale a pena falar. Quem um dia pensou que o Bloco poderia ser uma alternativa viável ao PCP ou mesmo ao PS (o sonho húmido do Louçã), pode hoje constar que a realidade do bloquismo é um desaire absoluto e trágico, pior, se possível, que o descalabro do comunismo.

    Comunistas e bloquistas não merecem mais um voto de gente de esquerda , seja em que eleições for.

  6. Tanta azia que aqui há! O pânico gerado pela perspectiva de perda dos tachos e dos privilégios até agora assegurados por certas lojas maçónicas, em benefício dos membros das lojas concorrentes, denuncia o estreito sectarismo que faz lei neste regime desgraçado e apodrecido.

  7. Oh Roger fala por ti, deixa a tua família votar pela sua consciência. Não há nada pior do q conviver com um ditadorezeco

  8. O cinismo de Costa espalha-se junto dos seus crentes (a esquerda portuguesa- e europeia- é cristã, nas práticas, na falsa humildade e na pretensa exclusividade do bem) consideram a chantagem política uma arma a utilizar perante os mais fracos, sendo que uma parceria é sempre a lei do mais forte. Só que em democracia o mais forte nem sempre é que tem mais votos, e esse é um dos seus fins mais nobres.
    Desde o início do acordo o PC foi o único partido que sempre cumpriu com o acordado, o PS falhou muitas das metas, ora postergando ora apontando no gelo e imediatamente no dia seguinte pondo ao sol as propostas acordadas. Resultado, o PS fazia um brilharete e os parceiros perdiam eleitorado todos os dias. Daqui até às eleições legislativas o PS faria mais cativaçoes que seriam generosamente aplicadas em ano eleitoral rumo ao uma pretensa maioria absoluta. Do PC pouco restaria e do BE pouco mais. A recusa do PC é, por isso e não só, uma escolha perfeitamente legítima, um questão de sobrevivência do partido e tem todo o direito a fazê-la.
    No que interessa, é visível o gosto de Costa por um sistema tendencialmente bipartidário que a longo prazo excluiria as franjas e diversidade representativa à esquerda.
    O que interessa ainda mais é que ao longo de 7 orçamentos não saiu da cabecinha do querido líder uma visão estratégica para o país, não propôs nenhuma discussão publica limitando-se a discussão aos propagandistas que para esconder as insuficiência do querido líder se dedicam a fair divers de trincheira quotidianos.
    Pior é que essa parece ser a tendência de um sistema político-mediatico que se afundou em mediocridade. É necessário um novo contrato social, a despartidarizacāo da vida pública e das instituições e novas mentiras, perdão, novos desígnios nacionais.
    Confesso que vou ter saudades do ministro das finanças, tem uma personalidade extremamente cativante, o Leão é 5 estrelas. Aquele ar meio yuppie retardado… tinha lugar numa temporada de “Sucession” a ajudar o Kendall a “matar” o velho.

  9. o berloque não percebe , realmente, que com essas exigências todas relativamente aos trabalhadores acabará por transformar todos em assalariados , posto que muitos pequenos empregadores , cuja empresa é apenas o seu próprio posto de trabalho , criado por eles , jamais poderão fazer face a tudo o que querem e não poderão contratar ninguém se para despedir se tiverem de empenhar. tudo a trabalhar para os gigantes , pela mão da esquerda radical. na volta é uma estratégia para aumentar o eleitorado deles .:)

  10. Ó estrume a fazer orçamentos és o maior. És tu e o Nogueira dos professores a fazer contas.
    Um partido que nem chega a meia dúzia na percentagem dos votos, quer impor um orçamento para beneficiar o “nosso” povo.
    Ó estrume ainda bem que vai haver eleições que é para veres quantos votos o “nosso” povo vai dar ao teu querido líder comuna.

  11. -“sou o que sou” todo o mundo sabe o que é um escorpião, quem acha que não é ou é parvo ou não tem arte (artolas), é um selfie feito homem consolador de carpideiras.
    -os chupadores do tecnico de escolas de aeronaútica, da catarina virologista do parque eduardo VII e do grande maçon monte sujo já estão em transe todos humidificados pelo esfreganço dos seus parcos neurónios que estão em burnout com o sonho dos tachos, favorzinhos dos srs. condes e viscondes e das migalhas que vão cair das mesas da gente da cultura tipo merceeiros, banqueiros e outros, faustosamente abonadas pelo PRR (a repetição da festa dos ifadap’s da mumia de boliqueime). como reagirão quando no final desta trapalhada toda concluirem que mais uma vez foram comidos pelo mestre costa. esta gentinha que em tempos quis rotular o Sócrates de homossexual vai agora ser liderada por um paneleiro desavergonhado que não tem nada que ver com homossexuais, gays ou lgbt’s, o tipa é uma toupeira de urinois publicos.

  12. Os queridos “influencers” da BE e do PCP estão todos de vassoura em punho a varrer para debaixo do tapete a porcaria do Bla, Bla que usaram até a exaustão. Nem o PSD aproveita a ocasião para pôr em causa o PS e seu governo. Seria ridículo e eles já perceberam que passo a passo quem vota em Portugal o faz mais por pragmatismo e menos a por ideologia. Ao contrário os dois partidos que fazem da traição arma política repisam que a culpa é de Costa , ele sim o traidor dos ideais de esquerda. Sabem por acaso o que é um traidor, oh velhotes mais ou menos encarquilhados e jovens alternativos? Eu digo. É o nosso PR cuja alma de escorpião veio ao de cimo a trair Rui Rio. É isto um traidor de boa cepa daqueles a antiga.

  13. “Do PC pouco restaria e do BE pouco mais”. sempre duravam até ao próximo orçamento. após as eleições para que tanto se esforçaram vai ficar tão triste o parlamento com a falta dos defensores dos trabalhadores e pensionista.

  14. Jerônimo, amigo : the times they’re a chanching…
    Os votos fogem, a força já não é a mesma, os cabrões recorrem a tudo…
    E tu,se ainda queres mais um ano ou , como Secretário-Geral, tens que fazer como o paneleirote Rangel : conferência de imprensa convocada, anuncias que és homosexual e sobes na consideração de muito eleitor, é o voto certo, o Paneleiro não se engana, vai dominar o PPD…e tu o PCP !
    Lembras quando o PPD afirmava que o Sócrates era Paneleiro, para o denegrir ?
    Como o tempo passa, como muda tudo…

  15. Sim, não é meu costume abusar de termos populares,quando falo ou escrevo. Porém, sendo objecto do comentário o PPD, partido popular por definição, não me pareceu deslocada a terminologia Vicentina.
    E como no PPD andam todos húmidos com a revelação do putativo líder, um pequeno ar canalha nunca vai atrapalhar, só confere algum picante à cena , espicaça o enredo…

  16. … saiu do armário e justifica com variações rangelianas em dó menor.
    comunas & escardalha residente do blogue a fingir que não se passa nada com a merda que andaram aqui a publicitar nos últimos meses contra quem fez o orçamento, que de tão mau já pedem outro ou que o governo aplique as medidas chumbadas, antes que os votos deles se transfiram para o chega e se acabe o caviar, porque a lata nunca irá faltar.

  17. “a esquerda portuguesa- e europeia- é cristã, nas práticas, na falsa humildade e na pretensa exclusividade do bem”.

    Só um néscio escreve uma calinada deste calibre!

  18. ainda bem que vim aqui hoje descobrir que a verdadeira esquerda portuguesa é a margarida martins. a completa falta de noção e arrogância que o chumbo no orçamento está a destapar na cabecinha dos pê-esses é qualquer coisa de espectacular. parece o vulcão de la palma. a ver se por aqui também destroi tudo à sua passagem. depois vai ser vê-los a chorar lágriminhas de crocodilo enquanto elegem seguro como secretário geral.

  19. A única maneira conhecida de aumentar a probabilidade de um governo minoritário terminar a legislatura é negociar e assinar um acordo – à imagem do que foi feito em 2015. Quando após as eleições de 2019 se soube que não ia haver acordo, todos ficaram a conhecer o resultado mais provável – a saber, este. O António sabia-o, a Catarina sabia-o, o Jerónimo sabia-o. O vaso caiu ao chão e ficou em cacos. Agora é inútil andar a distribuir culpas. Recuperem a calma e comecem a preparar o acordo para depois das eleições. Com ou sem eleições antecipadas, o mais importante é conseguir manter a maioria de esquerda que é o que nos dá margem de manobra a todos; se a perdemos estamos (leia-se o país está) tramados. Adaptem o teatro à obtenção deste resultado eleitoral, por favor.

  20. O comentador que escolheu apropriar-se do nome “português” tem um verdadeiro problema com os maçons!! quer-me parecer que se o problema fosse esse, não haveria o distanciamento com o psd que o Costa tem imposto ou pelo menos conseguido manter…que o BE e o PCP prefiram empurrar o PS actual para a direita, como nos bons velhos tempos do Seguro…isso sim, não dá para perceber. Mas pelos vistos, o “português” gosta.

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