Todos os artigos de Valupi

Os cabrões dos pretos

Os pretos que aparecem nos filmes e canais TV americanos são sempre uns porreiraços. São afáveis, educados, humanistas, exibem paradigmático bom-senso e universalista sabedoria, revelam especial vocação para cargos de chefia policial e carreiras militares excepcionais, jogam futebol americano, basquetebol e golfe com igual sucesso, ninguém os vence no boxe vai para 80 anos, enxovalham nações arianas apenas com os músculos das pernas, dominam a indústria musical, moldam a cultura (sub)urbana, ficam impecáveis à porta das discotecas da moda com aqueles penduricalhos auriculares, dançam como mais ninguém, parecem ter algum jeitinho para o Jazz, espalham o mito da afro-verga impunemente, são líderes de audiências entre as donas-de-casa branquelas e contam as melhores anedotas de pretos.

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O Qi faz-te mal ao QI

Experiência nunca até agora realizada, e sem previsão do vir a ser, revelou que o Quociente de Inteligência é diminuído pelo Quociente de ideologia. As perdas chegam aos 30 pontos, em média. O estudo utilizou as eleições presidenciais norte-americanas como modelo de aferição. Constatou-se haver um grupo largo de indivíduos escandalizados, ou perplexos, com a eleição de Bush em 2000 e 2004. Esse grupo forçava o seu sentido de realidade a encaixar o pressuposto ideológico que lhe garantia haver erro nessas vitórias. Assim, em conformidade com o sofrimento causado pela eleição democrática de um taralhouco daquele calibre, o povo americano teria de ser falho de várias qualidades positivas ou farto de várias qualidades negativas. O mais das vezes, as expressões Os burros dos americanos e Americanos imperialistas sintetizavam essa polaridade.

Ora, acontece que a vitória de Bush em 2000, e esquecendo o episódio Florida, é lógica: Clinton tinha sido protagonista de um escândalo moral como não havia memória, o qual puxou os independentes para um castigo legítimo aos Democratas; a economia estava ultra-saudável, imaginando-se que assim ficasse viesse quem viesse; não havia 11 de Setembro, nem possibilidade de o imaginar. E, em 2004, mais lógica foi a vitória de Bush: a nação estava traumatizada, ainda incapaz de racionalizar o desastre Bush; a nação estava em guerra, ainda incapaz de racionalizar o desastrado desastre Bush; Kerry não apaixonou, a sua campanha veio 4 anos antes do tempo.

Um Qi elevado impede o entendimento destas relações que chegam lógicas a um QI médio. Nos casos mais graves, nem sequer se consegue a mera percepção dos objectos no espaço bidimensional. Por exemplo, muitas vítimas de um Qi especialmente bem desenvolvido não são capazes de encontrar no mapa dos EUA as zonas onde os habitantes vivam da agricultura, pecuária, indústria, serviços e em que façam questão de ir à igreja ao domingo, gostem mais de música country do que do Zizek e favoreçam com especial carinho o ideal da propriedade privada e da livre iniciativa. Eles acham que tais zonas estão cheias de zombies controlados por militares e agentes da CIA disfarçados de tele-evangelistas; e, podendo, mandavam prender essa gentalha toda que lhes estraga o retrato de uma América desenraizada, ateia, urbana, cosmopolita, europeia, esquerdista e desejosa de ser governada pelo ticket Jerónimo-Louçã. Uma América cujo QI tivesse 30 pontos a menos, pelo menos.

Uma eleição onde ganharam todos

Incluindo os Republicanos, os quais não saberiam o que fazer com aquele casal de aves raras, o irascível velhinho e a mamã tonta. Porém, há um vencedor que neste momento ainda permanece na sombra. Porque neste momento fazem-se as catarses relativas ao desastre Bush e aos preconceitos de fenótipo. A esquerda convencional tem muitos papelinhos para lançar, e a direita convencional tem muitos suspiros de alívio para esconder. Quando a poeira baixar, ver-se-á como a Internet, e suas redes sociais, foram alimento da democracia e da cidadania. A quantidade disparatada de fontes de informação não gerou o caos, bem ao contrário: facilitou o estabelecimento de critérios, filtrou o ruído, gerou qualidade, estimulou a participação. E para quê? Para que voltássemos às origens, onde os candidatos ao poder democrata se apresentavam aos votantes para serem julgados na sua irredutível e despojada verdade. E foi isso exactamente o que aconteceu a dezenas de milhões de pessoas que votaram, ou que gostariam de votar mesmo não sendo americanos: a funda consciência de se estar perante uma escolha não ideológica – para além da aversão a Bush, para além da antipatia pelo adversário, para além do partido de identificação, para além das propostas, para além da oratória, para além da cor, para além da simpatia, o que se estava a escolher era o ser humano em quem mais se pudesse confiar.

200 mil anos de vida neste planeta não mudaram a essência da vida em grupo, quer seja nas cavernas, na ágora, na Cúria ou num ecrã de televisão, computador, telemóvel: o Homo Sapiens Sapiens continua a seleccionar o carácter.

Às 21.30 o Aspirina B já estará em condições de revelar o resultado da noite em que um preto promete fazer história

Esse preto chama-se Liedson e as sondagens apontam-no como forte candidato a resolver o jogo com o Shakhtar, o qual dará acesso aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões; fase em que nunca entrámos devido à abjecta segregação racial contra os felinos. Mas o tempo é de mudança, apesar de Paulo Bento ter jurado não mudar, nem que tenha de sair. Sábias palavras.

Síndrome do Alasca

A Síndrome do Alasca é patologia antiga, mas só há poucos meses tipificada. Caracteriza-se pela emissão de opiniões que desafiam as evidências, as quais apresentam uma correlação directa entre as respectivas potências: quão maior a evidência, maior o esforço para a contrariar. O fenómeno chamou a atenção dos investigadores aquando da escolha de Sarah Palin para candidata Republicana à vice-presidência. Sendo óbvio que a senhora até para perceber as políticas de Bush teria invencíveis dificuldades, ficava por explicar tão pasmoso convite. Imediatamente, várias universidades e institutos internacionais começaram um ambicioso estudo. Uma das linhas de pesquisa trouxe uma equipa a Portugal, pois aparecerem textos em português (assinados!) (e alguns em blogues de esquerda…) onde se defendia o mérito, e até o brilhantismo, da escolha de Palin. Estes autores recolhiam sondagens favoráveis a McCain, apontavam a injustiça, mesmo hipocrisia trapalhona, das críticas que choviam sobre a coitadinha, denunciavam falhas e ambivalências no lado de Obama, gozavam com desprezo senil dos que não tinham perdido tempo a elencar as evidências, chegaram a vaticinar que Palin iria dar a volta por cima à primeira leva de revelações fatais. Isto durou várias semanas, e a equipa de investigação estava fascinada com a intensidade da Síndrome do Alasca observada nesses indivíduos. Um dos catedráticos presentes, por sinal veterinário, aventou a hipótese de se tratar de um foco particularmente agudo que poderia estar relacionado com a Gripe das Lideranças do PSD, problema endémico que poderá fugir de controlo e tornar-se numa pandemia. Não tiveram tempo para aprofundar essa suspeita, pois depararam-se com o maior desafio das suas carreiras: o Pacheco.

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Na melhor inteligência cai a imbecilidade

Fernanda Câncio é uma jornalista de prestígio já estabelecido (o PSD que o diga), e uma personalidade com crescente carisma público. O nascimento do jugular estará ligado, em parte, ao seu cleopátrico nariz propenso a atrair mostarda. E o espirro, dito alérgico, deu origem a um novo blogue muito bem composto. Ora, estas circunstâncias não a protegem contra a imbecilidade, como este seu texto faz questão de lembrar. O caso explica-se em poucas linhas, porque nasce de poucos raciocínios.

O primeiro parágrafo situa-nos na África mais miserável, onde uma jovem foi morta por decisão de autoridades religiosas islâmicas. O segundo parágrafo transforma o caso individual num símbolo de todas as vítimas da violência exercida em nome de certas ideias de Bem. E o terceiro parágrafo faz uma surpreendente e atarantada confusão entre escrituras sagradas e práticas religiosas. Termina referindo o Deuteronómio como prova de culpa dos católicos. Estamos, pois, perante um exercício de escrita expressionista, o qual se qualifica como imbecilidade pela sua completa falta de lógica.

Como foi dito na caixa de comentários, estabelecer uma relação causal directa entre palavras e actos obriga, então, a reconhecer nos actos de bondade, e de sacrifício, a influência da mesma fonte de todas as palavras que uma qualquer religião venere. Esta é a primeira contradição, pois quem ataca os textos das religiões não aceita que eles possam ser validados pela acção dos crentes. Quem age pela fé terá ainda, e sempre, de se conformar ao edifício axiológico dos críticos para não ser atacado. Mas assim que faça algo oposto, ou meramente diferente (abstinência sexual, por exemplo), vai levar com o carimbo da censura e da maledicência. Os ateus não toleram exibições públicas das equipas concorrentes, só um dos credos pode ter direito à cidadania.

A segunda contradição, e a mais grave, é a que resulta de não se ter formação em ciências socias (ou, a ter, ela não ter gasto). Isso permite a deformação inverosímil, repetida pela autora nos comentários, de relacionar passagens do Deuteronómio com a experiência de fé dos católicos. Esta é uma situação que desperta a tentação do achincalhamento, tamanha a estupidez, mas até para efeitos de economia é preferível ficar por uma só palavra: historicidade. Este conceito remete para o concreto do devir histórico, afastando as abstracções reducionistas e ideológicas. No caso do livro convocado, estamos perante um texto que – no mínimo dos mínimos! – é fulcral para se conhecerem dimensões etnográficas, históricas e antropológicas de povos que viveram há 3, 4 e 5 mil anos; e ainda mais longínquos, pois tudo na ciência é correlacionável e cumulativo. Este mesmo texto tem valor sagrado para os católicos, todavia em grau muito inferior ao da sua importância no judaísmo. Mas o que é obrigatório afirmar é a sua ineficácia jurídica e social. As leis, regras e preceitos descritos no Deuteronómio não resistiram ao tempo na sua valência literal. Porém, permaneceram como fonte de inspiração no contexto maior da hermenêutica e exegese bíblicas, as quais alimentam constante e renovadamente a teologia. Se quiséssemos limpar a Bíblia do que nos parece desajustado segundo a moral e compreensão de cada um, e no tempo e local que for o seu, quem decidiria o quê? E que restaria? Isto, como é óbvio, constrange ter de ser explicado.

Fernanda Câncio, afinal, também está Bem-intencionada. É esse o seu inferno.

Moderados radicais

A notícia da execução de Aisho Ibrahim Dhuhulow é ocasião para referir o livro Arguing the Just War in Islam, de John Kelsay. Como aponta o autor, há muçulmanos moderados que se opõem aos métodos terroristas e criminosos dos muçulmanos extremistas, mas que não renegam os mesmos objectivos. Isso explica o seu silêncio e efectiva cumplicidade com a demência. Mas não só, e ainda mais importante: isso explica a sua calada recusa do Ocidente, da democracia, da secularidade e, fatal, dos Direitos Humanos. Porque todas as noções legais e morais que defendemos nas sociedades seculares são antagónicas com o projecto totalitário das religiões, quaisquer. Não é possível aceitar alguma forma de compromisso que venha a limitar a secularidade, terão de ser os religiosos a capitular ou fugir. A grande vantagem histórica do cristianismo na comparação com o islamismo está no facto de já se ter vencido o condicionamento indentitário de cariz religioso no Ocidente. Essa luta levou séculos, e é hoje uma realidade irreversível: damos a César o que é de César, e respeitamos a prática daqueles que querem dar a Deus o que é de Deus.

Na morte da mulher somali violada que foi denunciar os seus violadores, e que acabou os seus dias como alvo de lapidação num estádio de futebol com centenas de pessoas a assistir, o mais importante não está na violência, no escabroso, no grotesco e no aberrante. Para aquelas pessoas envolvidas, tratou-se de um cerimonial e espectáculo que faz parte da sua experiência quotidiana e respectivos códigos de doação de sentido. Conduzir alcoolizado e provocar a morte a terceiros é igualmente escabroso e aberrante. O mais importante, para nós à distância, está no reconhecimento da lógica mais funda do acontecimento – aquela rapariga foi morta para servir de exemplo à comunidade: quem denuncia violadores, morre sem honra. Assim, ou também assim, desvela-se uma sociedade onde as mulheres são violadas e ameaçadas de morte sem disso poder haver denúncia pública, onde as famílias não têm nenhuma autoridade que as proteja. A invocação das leis religiosas é secundária, pois qualquer argumento serve para tentar manter as mulheres em permanente estado de alienação de direitos. Mesmo em tribunais seculares, durante séculos se protegeram os violadores e abusadores masculinos. Neste preciso momento, é provável que um homem em Portugal esteja a agredir verbal ou fisicamente uma qualquer mulher com quem viva, ou de cujo espaço se tenha apropriado, se ela der sinais de o querer abandonar ou se ele despejar nela a sua loucura. Este nosso patrício, que até pode ser muito bem visto pelos vizinhos no café do bairro ou pelos colegas no local de trabalho, não é diferente daqueles que assassinaram a miúda corajosa.

Os muçulmanos têm de se assumir: se estão contra a barbárie que se faz em nome do seu Deus e Profeta, digam-no alto e bom som, repitam-no às suas crianças e jovens, dêem exemplos de respeito pela vida e pela dignidade; se nada querem dizer, então é lícito vê-los como cúmplices. O mesmo para os cidadãos em relação à violência doméstica e aos crimes sexuais: se estamos contra, vamos intervir e fazer o que pudermos para salvar as vítimas; se nos calamos, somos aliados dos cobardes.

No que toca à moderação, há que ser radical.

Georgia on my mind

O conflito na Geórgia teve mortos, destruição, violência. Mas foi, à mesma, uma ópera bufa. Não se chegou a saber qual era o plano de Saakashvili, ou até se havia algum. À distância, a ideia mais credível é a de que a invasão da Ossétia do Sul pelo exército georgiano teve como única intenção o reforço da posição russa na região, tal a estupidez da acção. Para a NATO, tratou-se de agir para reparar os estragos e conter o empurrão que procurava derrubar o Governo de Tbilissi. Para a Rússia, esteve em causa capitalizar interna e externamente, passando uma confiança militar que é altamente benéfica para Putin. E para a comunicação social internacional, foi uma ocasião de entretenimento com a temática da Guerra Fria, mas sem qualquer convicção ou esforço de parecer reflexão séria. Agora, nem um pio se ouve sobre o conflito. E nós?

Nós devíamos imitar os governantes competentes, os militares de carreira e os diplomatas com um mínimo de experiência: só dão importância ao que é importante. Ora, neste caso só as comunicações diplomáticas tinham importância. E essas não se revelam. O que se revela são os seus resultado. As exibições de força militar, as discrepâncias entre acordos e execução dos mesmos, as declarações dos políticos, tudo isso faz parte da liturgia diplomática e é, com se constata invariavelmente, absolutamente secundário para o desfecho dos conflitos. Onde tudo se decide é na negociação, fazendo-se ameaças e ofertas que são – por definição – obscenas.

A maior parte dos problemas que nos angustiam por via da comunicação social não existem. Serão problemas que outros podem resolver, não nós, ou serão problemas em que não temos acesso a informação suficiente para sabermos o que está em causa. Desistir de lhes dar importância é urgente, porque é urgente ocupar a inteligência com problemas sobre os quais tenhamos poder de decisão.

Geórgia, vai-te foder.

LittleBigPlanet

É um dos jogos mais inovadores, e visualmente apelativos, até agora concebido. Cada jogador poderá introduzir elementos personalizados (fotos, por exemplo), criando ilimitadas versões partilháveis. Se gostaste do que viste, vais gostar ainda mais do que tens para ver. Escolhe a versão HD, caso tenhas um computador decente, e não digas que este é um jogo para putos e meninas. Diz antes que é um jogo para quem se dá bem com a imaginação.

Os disparates dos militares

Depois do 25 de Novembro, e esquecendo Otelo, não me lembro de ler ou ouvir militar com um discurso mais irresponsável do que este. O registo primário da pressão corporativa teria graça se não fosse, igualmente, inaceitável. O que Loureiro dos Santos está a fazer é mais do que um escandaloso bluff, trata-se de um apelo à revolta com arma na mão.

Este tipo de disparates desonra o compromisso militar. Sois cobardes.

A entrevista e o entrevisto

Sócrates deu uma banalíssima entrevista a dois péssimos entrevistadores e recebeu miseráveis reacções da oposição e publicistas. Dizer que ele não pode ligar a situação nacional à crise internacional, que falhou na política económica e que não apresenta ideias novas, revela uma concepção da política que só sobrevive à custa da dissonância cognitiva. Depois desgostam-se com as sondagens, as alimárias.

Sócrates começou por ter mão no PS, um partido que estava todo minado. Conseguiu manter o Governo coeso e em passada de corrida, mesmo nas alturas em que o chão fervia e o ar queimava. Lidou com o mal português com extraordinária capacidade de gestão. Para além disto, que ultrapassa em mérito o mito cavaquista, não se vê ninguém na oposição que sequer merecesse uma Secretaria de Estado. Mas é escusado tentar explicar os factos da vida aos imbecis – o que muito nos descansa, e até consola.

O século da criatividade

Há uma frase, atribuída a Malraux, que teve longa fama:

Le XXIème siècle sera religieux ou ne sera pas.

Depois de algumas declarações do putativo autor negando a paternidade, e de acordo com o léxico preferido pelo mercado New Age, a versão que se continuou a repetir trocou o religioso pelo espiritual. Dessa forma deixavam-se todos os públicos satisfeitos, ficando uma fórmula politicamente correcta e adequada ao consumismo milenarista em centro comercial. Ora, o pseudo-Malraux não tinha qualquer razão, como se sabe. As religiões no século XXI estão acabadas, as mais activas são agora negócios de exploração ou mantas de retalhos identitários. E a espiritualidade que não seja marketing, é segredo ou mística. Tal como não teria razão se lhe tivesse dado para uma solução à prova de antipatia, onde os termos de referência fossem o artístico ou o poético. Entretanto, igualmente falharam os que venderam versões de um século XXI científico ou tecnológico. Resta um grande referente que todos os dias, a todo o momento, está a renovar a Civilização. É uma reacção em cadeia que não mais parará: a criatividade.

Aproxima-se o fim da primeira década do novo século/milénio e a única certeza é a de vivermos em ilhas de sentido rodeados por marés vivas de caos. Esta compreensão liga-nos a toda a Humanidade, desde os primórdios. A um tempo pavor e glória, a consciência da fragilidade da nossa condição individual transmuta-se em destino e liberdade quando contemplamos a caminhada da Raça. Eterno combate entre o absurdo e a esperança, a solidão e o amor. Mais uma razão para leres aquela que me aparece como a mais realista e concreta descrição da natureza criativa que algum vez encontrei. E depois de ler, e de abanares a cabeça em concordância mais de 30 vezes, tanto faz se te vais despedir amanhã porque decidiste ser biólogo marinho, ou se vais colocar um vídeo no YouTube com o vizinho a tropeçar num balde e a partir-se todo, ou se descobres como ganhar dinheiro a trabalhar em casa, ou se vais até ao blogue cumprir a praxe e constatar que continuas sem comentários, ou se consegues ouvir pela primeira vez o que as árvores, as nuvens e o vento têm para te dizer. Tanto faz. Porque agora já não podes negar que te mandaram existir no século da criatividade.