Uma eleição onde ganharam todos

Incluindo os Republicanos, os quais não saberiam o que fazer com aquele casal de aves raras, o irascível velhinho e a mamã tonta. Porém, há um vencedor que neste momento ainda permanece na sombra. Porque neste momento fazem-se as catarses relativas ao desastre Bush e aos preconceitos de fenótipo. A esquerda convencional tem muitos papelinhos para lançar, e a direita convencional tem muitos suspiros de alívio para esconder. Quando a poeira baixar, ver-se-á como a Internet, e suas redes sociais, foram alimento da democracia e da cidadania. A quantidade disparatada de fontes de informação não gerou o caos, bem ao contrário: facilitou o estabelecimento de critérios, filtrou o ruído, gerou qualidade, estimulou a participação. E para quê? Para que voltássemos às origens, onde os candidatos ao poder democrata se apresentavam aos votantes para serem julgados na sua irredutível e despojada verdade. E foi isso exactamente o que aconteceu a dezenas de milhões de pessoas que votaram, ou que gostariam de votar mesmo não sendo americanos: a funda consciência de se estar perante uma escolha não ideológica – para além da aversão a Bush, para além da antipatia pelo adversário, para além do partido de identificação, para além das propostas, para além da oratória, para além da cor, para além da simpatia, o que se estava a escolher era o ser humano em quem mais se pudesse confiar.

200 mil anos de vida neste planeta não mudaram a essência da vida em grupo, quer seja nas cavernas, na ágora, na Cúria ou num ecrã de televisão, computador, telemóvel: o Homo Sapiens Sapiens continua a seleccionar o carácter.

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