Os cabrões dos pretos

Os pretos que aparecem nos filmes e canais TV americanos são sempre uns porreiraços. São afáveis, educados, humanistas, exibem paradigmático bom-senso e universalista sabedoria, revelam especial vocação para cargos de chefia policial e carreiras militares excepcionais, jogam futebol americano, basquetebol e golfe com igual sucesso, ninguém os vence no boxe vai para 80 anos, enxovalham nações arianas apenas com os músculos das pernas, dominam a indústria musical, moldam a cultura (sub)urbana, ficam impecáveis à porta das discotecas da moda com aqueles penduricalhos auriculares, dançam como mais ninguém, parecem ter algum jeitinho para o Jazz, espalham o mito da afro-verga impunemente, são líderes de audiências entre as donas-de-casa branquelas e contam as melhores anedotas de pretos.


E depois temos os outros pretos que enchem as prisões, são estrelas do desemprego, ocupam o primeiro lugar dos contágios por SIDA, ninguém os vence quanto à falta de cuidados de saúde, orgulham-se da ausência de instrução, morrem na miséria e na delinquência. Quando se fala de racismo na América, olha-se só para aqui. Mas a própria comunidade negra é a primeira a dizer que o problema não é causado pelo vazio de oportunidades ou por qualquer forma de discriminação encapotada. Nadinha disso. O problema é social e psicológico: aqueles indivíduos escolhem, livremente, a ilegalidade e/ou miséria.

O racismo não existe. Aliás, só existiu na Alemanha. O que existe é a necessidade de discriminar, e qualquer aspecto serve: porque é preto, porque é branco, porque é magro, porque é gordo, porque é peludo, porque é careca, porque é bonito, porque é feio, porque é de esquerda, porque é de direita, porque é carnívoro, porque é vegetariano, porque é crente, porque é ateu, porque é novo, porque é velho, porque é rico, porque é pobre, porque é mulher, porque é homem, porque está morto, porque está vivo. Temos de discriminar porque temos de nos identificar. Não se trata de um problema moral ou político, é antes antropológico, cognitivo, afectivo. Temos de excluir, separar, diferenciar, escolher para crescer.

Não me imagino a casar ou namorar ou brincar aos médicos com uma preta. Porque não me sinto atraído por pretas, não as procuro com o olhar, não romantizo uma relação com elas. Terei algo contra esses magníficos seres? Não, trata-se é de não ter nada a favor no campo erótico. O caldo quântico deste Universo, na sua generosidade, providenciou brancas loiras, brancas ruivas e brancas morenas; já estou servido para esta e para as próximas reencarnações. Serve este exemplo para realçar um aspecto fundamental da cidadania: temos direito ao preconceito. Eu não sou obrigado a fingir um interesse e entusiasmo que não tenho, nem terei, com culturas e indivíduos com quem não quero gastar o meu tempo. Não preciso de ser visto a defender causas, grupos, ideias que nem sequer entendo. Sou inteligente, quiçá bondoso, também quando me afasto do problema de outrem, seja colectivo ou individual. Deus há só um, e da última vez que googlei a coisa não apareceu nenhuma referência a indicar que me tivesse feito sócio.

É pelas razões aduzidas arriba que tenho especial asco por manifestações de pseudo-racismo. Ver brancos, o meu fenótipo de identificação, a maltratar seres humanos por serem cromaticamente alternativos provoca-me uma reacção hormonal análoga à do transe. O fluxo temporal fica suspenso e o organismo preparado para uma intervenção bélica. Porquê? Porque esses animais estão a privar-me do direito ao preconceito. Quando há vítimas da descriminação racial, ou outra, irrompe absoluta a realidade da pessoa e da justiça onde somos todos iguais. Não se pode pactuar com esse ataque à natureza humana, porque é cada um de nós que está também a ser atacado. E mesmo que o perpetrador seja igualmente uma vítima da ignorância e da sorte, a urgência é a da defesa da vítima no momento mais fraca – defesa física, defesa social, defesa política, defesa legal, defesa psicológica, defesa civilizacional.

Os americanos elegeram Obama porque ele é um ser humano igual a todos os outros, não porque o problema da sociedade americana fosse o racismo. Há um fundamentalismo na defesa das minorias nos EUA que chega a causar paranóia. O homem exibiu-se na sua glória de cidadão, ganhou a confiança da maioria com toda a naturalidade. Mas agora sempre quero ver o que o cabrão do preto vai fazer numa Casa Branca.

97 thoughts on “Os cabrões dos pretos”

  1. Valupi, o que é “a própria comunidade negra”, a tal organização que diz que não há racismo contra os negros na América? Procurei no google e fiquei confuso, porque há muitas organizações com nomes semelhantes.

  2. Não julgues que me passou despercebido o facto de no chorrilho de elogios aos pretos teres omitido o mito urbano mais inconveniente para nós, menos pretos, que é o de sermos igualmente menos avantajados.
    Deixa-te de vergonhas, o que interessa é que seja piqueno e rosado mas montes de arrebitado.

  3. «a própria comunidade negra é a primeira a dizer que o problema não é causado pela falta de oportunidades ou por qualquer forma de descriminação encapotada. Nadinha disso. O problema é social e psicológico: aqueles indivíduos escolhem, livremente, a ilegalidade e/ou miséria». E referências sérias disto?

    «Não preciso de ser visto a defender causas, grupos, ideias que nem sequer entendo». E tentou entedê-las?

    Claro que tem direito ao preconceito. Também tem direito a odiar caniches e a querer ter sexo desbragado com menores de 10 anos de idade. Os sentimentos, ideias e preconceitos são de cada um. Desde que não se cometam crimes, pode ter os ressentimentos e preconceitos que lhe apetecer.

    É pena que não entenda que ao ter tais preconceitos está apenas a um passo dos ditos “animais” que lhe negam o direito ao preconceito. Há aliás uma distinção enorme: os tais “animais” vêem-se a si mesmos como corajosos por ter levado a actos o seu preconceito. A si, Valupi, vê-lo-iam como um cobarde. Que, no fundo, possivelmente será.

  4. E agora que já reli a posta com mais atenção digo-te que tens um discurso que às vezes me preocupa. Mas depois passa-me, porque te reconheço a frontalidade dos puros.
    Ah, e eu gosto muito, mesmo muito, de mulheres pretas. E das de outras cores também. É uma vantagem, isto de gostar da fruta sem olhar à casca.

  5. wellington, digo-te o mesmo: valeu cara.
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    Pedro, terei todo o gosto em contribuir para a tua informação, eventual educação, mas teremos de acordar nas regras, para que eu não dê como perdido o precioso tempo. Para começar, preparas-te para não reconhecer relevância a nenhum testemunho ou estudo que se te apresente, pois dirás que não são representativos da “comunidade negra”. Ora, este é o busílis: em que condições estás disposto a aceitar uma opinião que seja legitimamente atribuída à comunidade negra? Temos de começar por esse critério, caso a questão te interesse para além da boca de passagem.
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    shark, não conhecia esse mito de sermos menos avantajados. Conheço é o mito a que faço referência, a afro-verga, e conheço a miséria japonesa no que diz respeito ao mesmo assunto.

    Quanto às tuas preocupações, fica difícil encontrar palavras para lidar com elas, posto que tu não as divulgas. Será esse um efeito de uma dieta com muita fruta?
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    João André, terminas muito bem, sugerindo que eu sou cobarde. É um exercício que também pratico comigo mesmo, e o qual recomendo. De facto, nunca o sabemos até o sabermos.

    No que antecede, disparatas. Fizeste uma leitura emocional, e nada se aproveita. Primeiro, que são para ti “referências sérias”? Venham daí os critérios para que se possa responder. Segundo, o problema não está no “tentar entender”, está na inutilidade, perversão, de crer num igual entendimento de todas as possíveis causas. Isso é falso. Diz-me lá: com quantas causas e problemas sociais gastas o teu tempo? Terceiro, o parágrafo dos caniches é imbecil. E, por fim, vou ficar à espera que me digas a que “tais preconceitos” te referes. Como dizes que eles me colocam a um passo dos animais, estou certo de que me vais ajudar a dar uns passos atrás.

  6. Preocupa-me não gostares de mulheres pretas, por exemplo.
    O meu pai sempre me ensinou que os homens que começam armados em esquisitos acabam paneleiros. Eu sei que isto é horrível, boçal, preconceituoso e tal, mas nós putos somos muito influenciáveis nesta fase do crescimento.

  7. (Também me preocupa que afirmes conhecer a miséria japonesa nesse particular. Cita-me a bibliografia, oferece-me uma explicação ou garanto-te começo a mijar de esguelha sempre que abancares no urinol vizinho.)

  8. Eu sei que era suposto estar aqui a enfatizar em tom dramático alguns aspectos menos claros (ou menos escuros?) da tua posta, mas às sextas só me apetece cobrir. Cobrir as caixas de comentários com trivialidades próprias de um básico sem pretensões a moralista, bem entendido.)

  9. Percebo-te, entendo-te e até acho que te compreendo. E é por isso que me considero na mesma. Ainda não iluminaste os aspectos menos escuros.

    Quanto a gostar de pretas (amarelas e brancas) porque são fêmeas, passo. Prefiro gostar de pessoas, e, dentre essas, praticar discriminação de género.

    Conheço a miséria japonesa graças à Internet, essa tão bem ilustrada enciclopédia. Mas é, igualmente, voz corrente.

  10. Hoje deste para a “descriminação”. Triste e discriminante não te teres lembrado dos homossexuais, dos comunistas, católicos, judeus, homossexuais, conspiracionistas e os vários pachecos que te incomodam, sobre quem pudesses também descarregar esse teu amor pela polémica equívoca. Espreme aí a tua rodilha e vê se consegues salvar ou separar estes do teu urgente contencioso:

    http://www.youtube.com/watch?v=dm2SYlwd8nY

  11. “pois dirás que não são representativos da “comunidade negra”. ”
    Ora essa! Pois se o que eu disse foi precisamente que não conhecia nenhuma “comunidade negra”! Quem falou nessa organização foi o Valupi. Eu só pedia para me dizer que raio é essa organização, onde está sediada, etc. Valupi, eu aceito todos os critérios que quiser. Estou sempre pronto para ser “educado”.

  12. É isso, Pedro. Tu dizes que não conheces uma organização chamada “comunidade negra”, e agora achas que tenho de te resolver esse problema. Mas não tenho.

    Mas vamos lá ver: o que é para ti uma “organização”? Leva o teu tempo, não te precipites.

  13. Oh diabos pás, então mas vamos lá ver… A mim, por agora, chega-me a música que ecoa silenciosamente por detrás daqueles dentinhos brancos no que se refere ao Ob_ama. O resto vai-se vendo.

    Eu então gosto muito de negros, e brancos, e índios também, e indonésios e até chinocas incluídos os japoneses. Estes são do mais desembestado que conheço na região do fogo sagrado, não sei se aquilo é zen, mas é bom sim.

    Os pretos são os amigos mais amigos, creio, pelo menos quando são homens jovens. Quanto a garinas também conheço qb – mas então vocês não gostam do furacão bahiano? A única chatice é que ficam muito agarradas, por isso é mais com o tubazão que eu fico com sentimentos de culpa a que se segue dor de cornos.

  14. ehehe,

    Chico, agora até ando dentro da cruz de David? É verdade que tenho sangue judeu por parte da mãe pelo menos, mas sou carta fora do baralho, consola-te que ainda estou inconstitucionalmente despedido pelo Estado, já lá vão mais de três anos, por me ter atirado a morder nos jornais sobre a guerra do Iraque e os fogos florestais,

    recibos verdes vai que não vai, tudo à venda,

    e sabor a bronze

  15. Pretos? Só consigo ver pessoas e só conheço uma raça, a raça humana. Quando olhas para pessoas e vês pretos não será porque tens uns cornos tão grandes que não deixam passar a luz do sol?

  16. Menos claro: o racismo não existe.
    O Pai Natal também não mas ouço falar muito pouco do menino Jesus por ocasião da Quadra e só vejo a malta a comemorar o velhinho das barbas.
    Não existe no plano da retórica que qualquer um consegue esquematizar com uma mente afinada. Mas vai lá contar essa aos departamentos de recursos humanos das empresas, aos jornalistas que falam dos “indivíduos de raça negra” ou de “etnia cigana” que praticaram o crime, aos muitos cidadãos “exemplares” que esventraram e decapitaram pessoas em África e à Manela Ferreira Leite (os ucranianos são menos escuros, mas são eslavos e isso quase pode considerar-se como outra raça…).

  17. Sharkinho em grande, grande forma!!! Mais cinco pra Você.

    Val, gostei do teu post, mas o João André, se não fosse tão quadrado e neurótico, tinha-te apanhado a derrapar na curva.

  18. Discordo da Maria, porque eu cá gosto da cor. Do preto, do cobre, do branco, do rosa. E não há outra maneira de chamar as cores, senão pelo seu nome, porreta!

  19. Maria, só consegues ver pessoas? Tens de ir ao médico, estás com visões. Eu cá vejo pretos, brancos, amarelos e café-com-leite. Mas tens toda a razão, só há uma raça humana.
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    joca, combinado.
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    shark, se vais lá estar, desejo que reencarnes como Zazie. Só cá por causa das coisas. Quanto à tua iluminação, não colhe. Para haver discriminação nas empresas, por exemplo, qualquer pretexto ou factor serve. Ao limite, basta a “simpatia”. E quanto a África, ’tá de chuva. Quando um preto mata outro preto, também o está a fazer por ser racista? E o branco a matar o branco, está a ser o quê? O pessoal parece esquecer-se de que a escravatura sempre foi uma prática normal em todo o Mundo antigo. Os gregos tinham escravos, nenhum deles preto, e não costumam ser apelidados de racistas. O mesmo no problema social com os ciganos, onde ninguém é racista ao falar deles, antes se pretende significar uma diferença de estilo de vida, de cultura. Pessoas de um bairro da lata podem ser descritas como “ciganos”, querendo com isso dizer-se que eles são “feios, porcos e maus” (ou trafulhas, pessoas em quem não se pode confiar, etc.). Muitas das situações em que alguém ataca outro invocando a diferença de pele não passam de vacuidades semânticas, valendo tudo para se tentar agredir. Por exemplo, um puto pode passar horas a chamar outro puto de “gordo”, “estúpido”, maricas”, etc. Nessa lógica, se lhe chamar “preto” ou “branco” ou “monhé” não está a desenvolver uma tese relativa à vantagem em haver segregação social e política com base nesse critério, calma aí, o chavalo está apenas a dar vazão à agressividade com que o Criador nos bafejou para lidar com as cenas maradas.
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    Nik, tenta tu fazer melhor do que o João André. Afinal, estamos aqui é para as curvas.

  20. A começar pelo título. É a brincar, n’é? Mas a brincar, a brincar, o macaco fodeu a mãe, aprendi eu na escola. E trair e coçar é só começar, diz o ditado. Etc, etc. Há coisas que se dizem numa boa, com ironia, paráfrases sarcásticas, simulações de debilidade mental, desconstruções do discurso, que sei eu. Mas há pessoas que também aliviam assim coisas mais fundas que lhes vão pelo lado negro (nem de propósito) da alma.

  21. A brincar se fala a sério. A brincar se dizem as verdades.

    E depois essa tese de que a discriminação RACIAL não é racismo deixa muito a desejar. Só os nazis foram racistas? Só se é racista quando se tem salas de extermínio?

    Mas o menos defensável, porque andas lá mesmo pela bordinha, a provocar é essa do direito ao preconceito. «Eu não sou obrigado a fingir um interesse e entusiasmo que não tenho, nem terei, com culturas e indivíduos com quem não quero gastar o meu tempo». Ninguém é obrigado a fingir um interesse, pois não. Ninguém to pede. Pedem-te outras coisas que agora não tenho tempo de te referir.

    O Wellington é o impostor do costume.

  22. O título ser a brincar?… Por oposição a quê, a ser “a sério”? Começas muito mal, dando conta das tuas limitações interpretativas, não da minha intenção. E que tal se o título fosse “Os cabrões dos lampiões”, também seria proto-quasi-racista? Tem juízo.

    Sim, só os nazis foram racistas. Porque só os nazis foram coerentes com o pressuposto teórico do racismo: haver raças humanas diferentes, umas sem valor algum ou nenhuns direitos. Escuso de te dar lições de História relativas às origens destas concepções, mas não se repetiu o delírio em parte outra da Terra. Sim, houve sistemas políticos que segregaram parte da sua população com base em critérios de fenótipo, e foram catalogados como racistas, mas eram-no por analogia. Não estou a justificar esses sistemas, como deveria ser óbvio, apenas a chamar a atenção para uma confusão repetida à exaustão: se eu tiver um conflito com alguém, posso tentar a ofensa com qualquer aspecto da sua identidade física, social ou psicológica. Posso chamar “anão” ou “trinca-espinhas” ou “preto”, e estas três “ofensas” valem o mesmo. Porém, alguém poderá dizer da terceira que ela é prova de racismo, e isso será apenas uma imbecilidade.

    Quanto ao preconceito, abóboras. Nada disseste. Mas conseguiste dizer que “o Wellington é o impostor do costume”, e eu não faço a menor ideia do que signifique, ou donde venha, essa frase.

  23. «O meu pai sempre me ensinou que os homens que começam armados em esquisitos acabam paneleiros. Eu sei que isto é horrível, boçal, preconceituoso e tal, mas nós putos somos muito influenciáveis nesta fase do crescimento.

    ahahhahaha

    O Shark em grande forma. E aquela dos nipos caninos então.

    De qualquer forma concordo com este post. Já não se pode ter gostos e esquisitices que aparecem logo os grunhos para enfiar tudo no mesmo saco.

  24. Mas a grande patologia é negar este tipo de gostos que o Valupi exemplificou para depois se andar a fazer de inquisidor detectando sintomas de racismo no inconsciente de cada um.

    Porque o truque é velho e sempre foi o mesmo- apontar antes de ser apontado. Quem denuncia o que vai na alma do próximo, sem precisar de actos para justificar essa “maldade latente” nas preferências, está a por-se a salvo de lhe detectarem qualquer hipocrisia.

    E ainda existe outra pancada- a da beatificação da diferença- se os gostos passam a ser proibidos em função de tretas chamadas minorias, então apresentam-se estas santificadas.

    Há-de ser por isso que já li por aí uns maluquinhos decepcionados com o gajo. Afinal é farrusco, não é preto. Se fosse preto tinho logo dado conta do “barómetro da luta de classes” que agora se chama “casório gay” e tratava de o legalizar ainda antes de tomar posse.

    É claro que estas tretas de igualdade não têm nada- só seria igual se fosse um sacana de um preto neocom.

  25. Alguma vez se falou com estas preocupações racistas e politicamente correctas da Condolezza Rice?

    E não é ela tão preta quanto este? Quando a elegeram (e ela até tem uma longa carreira política) viviam na era do esclavagismo racista que acabou de um momento para o outro?

    Porquê? é preciso ser-se bruxo? Precisamente porque isso é que é demonstração de inexistência de complexos e paternalismos racistas.

  26. A teoria não é minha, mas de Lenny, um comediante americano que fez sucesso com os seus excessos no tempo do racismo puro e duro na América, quando Obama nunca faria campanha no Mississipi sem ir ao médico do Michael Jackson para pintura e retoque. Dizia então o Lenny que o próprio Presidente dos EUA devia dizer ‘nigger’ e ‘mick’ e ‘frog’ e todos os outros palavrões da discriminação todos os dias na televisão, muitas vezes, ‘nigger, nigger, nigger, nigger, nigger’, dizia ele. Porquê? Citando o próprio, ‘porque assim nenhum puto negro de 8 anos choraria da próxima vez que os colegas lhe chamassem o mesmo na escola’.

    Lenny tinha a sua lógica.
    (upi, bom raciocínio, belas palavras, excelente arrumação. Muito sumo, saboroso. Claramente afrodisíaco para tubarões.)

  27. cá por mim podemos chamar-nos tudo uns aos outros senão é censura, dá uma bordoada do caraças mas pronto – os portugas não são, lá no fundo, e em regra, racistas. Eu vi um velho liurai numa assembleia de aldeia a pedir para nosso pai Portugal não nos abandonar agora, etc., e lá ficámos nós entalados, têm lá umas coisas guardadas a 7 chaves que são o mais precioso deles, que gostavam muito da D. Maria II que era muito bonita (e era) e não sei que mais.

    Contou-me uma colega que em Moçambique um velho negro lhe disse: no mundo há 3 espécies de pessoas: os pretos, os brancos e os portugueses; e ela perguntou: mas então os portugueses não são brancos?; e ele respondeu: não, os brancos e os portugueses metem os dois os pretos no mar, mas quando ele está a afogar só o português vai lá buscar,

    claro que havia os ouvidores e os inquisidores, até houve um que para se dar ao ‘respeito’ achou por bem disparar um índio de um canhão logo que chegou – um gordo que depois foi cozido e comido lá por uns índios das bandas do Nordeste brasileiro

  28. a diferença antecede a identidade, e já Saussure dizia que a língua é um sistema de diferenças, agora essa disjunção pode ser inclusiva ou exclusiva, quando se diz ‘a’ ou ‘b’, pode significar ou ‘a’ ou ‘b’, exclusiva, ou ‘a’ ou ‘b’ ou ‘ambos’, inclusiva, está aí a saída do conflito na maior parte dos casos,

  29. já agora, ouvi dizer que a C. Rice não esteve por lá na campanha porque é lésbica, cá a mim cheira-me que ela vai colaborar com o Obama como conselheira, vê lá o que fazes agora pá

  30. Valupi, és um brincalhão de um provocador. Eu catalogo-te assim, mesmo neste caso de derrapagem controlada do discurso, quase a bateres fora da mão. Não costumo alinhar nas tuas provocações e explicar-te o que tu sabes muito bem.

    Mas a tua tese de que a discriminação racial não é racismo, essa não tem perdão. Estás a querer mudar o dicionário. Estás a querer impingir um léxico valupino onde se torcem semânticas, se esbatem diferenças e se amolecem valores. Não dá. Discriminação ou preconceito racial, segundo os dicionários, é sinónimo de racismo.

    Para o que os alemães fizeram, há um termo preciso: genocídio. Curiosa essa tua manobra de só diagnosticar racismo quando há genocídio. É como se um médico só diagnosticasse uma infecção quando se chegasse ao último grau da septicemia ou da gangrena, caso contrário se recusasse a medicar os infectados. A tua argumentação é no sentido de desculpabilizar e respeitabilizar o preconceito racial, pior, de proclamar o direito a essa merda. Pois bom proveito te faça. Olha, vai para a África do Sul ou para os Estados Unidos pregar essa tua doutrina entre os negros que há 50 anos ainda tinham bairros, escolas, autocarros e casas de banho separadas.

    Não te posso fazer gostar de pretas (olha o aviso do Shark!), mas acho inaceitável vires aqui proclamar do alto da tua idiossincrasia lexical que “brancos a maltratar seres humanos por serem cromaticamente alternativos” não é racismo, é “pseudo-racismo”. Vai pró caraças.

  31. Para se falar verdade, se queriam algum exemplo de pagamento de dívida por parte dos americanos, nem era aos negros, era aos índios.

    E não ficaria nada mal a um gajo que chega a prisendente com tanta aura em torno de racismos (incluindo aqueles doces e pacíficos panteras-negras) que se lembrasse da falta de direitos e absoluta vergonha como ainda continuam a ser tratados os habitantes daquele continente.

    Isso sim. O resto é folclore de aproveitamento ideológico por cá. À Rice até se inventam lesbianismos e todo o tipo de insultos paralelos porque era uma sacana de uma farrusca neocom.

    Este é “preto bom” unicamente porque se acha que é serve a bandeira da esquerda (que nem é deles, mas europeia e tanto mais deturpada quanto mais atrasado é o país).

    De todo o modo, entre aquela miséria do McCain também acho que este era preferível, mas estou-me nas tintas. O último que valia a pena foi o Clinton.

  32. Mas não deixa de ter piada que falam da América como se fosse Africa e só se lembram do racismo por cor negra.

    O índio é mais claro- não entra na tabela das minorias da propaganda.

    Só que, para v. azar- a América era dos índios e não dos negros e foram os índios que foram exterminados.

    E deles ninguém se lembra porque só pelo verdadeiro genocídio- sem a menor comparação com holocaustos- foi bem maior e mais grave- foi dos maiores da História- é que conseguiram vergá-los.

    Mas isto nao vende causa.

  33. Bom, mas se a Rice, por ser farrusca, vai colaborar com o Obama, sendo que ele também já escolheu para colaborador um sionista filho do famigerado Irum, então não me parece que a política externa fique assim tão bacana como se diz…

    É que nestas coisas, folclore é folclore, lobby é lobby.

  34. Depois do genocídeo da Ironia à facada estilística pelo conhecido autor Valupi, já aqui temos, muito assanhadas, as hemorroidas genocidais do Nik, bem como a situação inesperada de nos vermos à rasca para percebermos as preferências clintonianas da Zazzie embaralhadas com sionistas filhos de Irum, possivelmente irmão, primo, ou cunhado do Irgun.

    Isto promete e convida a arregaçar mangas. Lavagem de cérebro como a que se avizinha só pode proceder pela via intravenosa, para evitar acumulação de pátinas electromagnéticas nas retinas.

  35. E cuidado com essas bocas aos compadres de Irgun que a linha da denúncia está aí e ainda vai tudo de cana, acrescentando aos sintomas de racismo sexual o anti-semitismo de casa branca.

  36. Zazie – Estaca, vomecês estão amancebados ou já deram o nó? Não entendi ainda. Com mil musaranhos coxos se eu tendo!

  37. zazie, tens toda a razão trazendo o exemplo da Rice. Mas já antes, com o Colin Powell, tivemos a Guerra do Golfo entregue a um preto. Aliás, foi no exército norte-americano que começou o movimento de igualdade de direitos para os negros, ainda antes dos movimentos políticos dos anos 60.

    Quanto aos índios, certíssimo. Continuam sem visibilidade, mas, mais uma vez, é o resultado de forças étnicas que podem levar gerações a se adaptar a outras culturas. Os índios foram exterminados, na sua enormíssima parte, pelas doenças que não têm cor. Outra história. Mas que os índios foram roubados, e todos os outros povos nativos onde chegou europeu, isso é inegável e, diria, ainda está para ser resolvido.
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    Rui, bem visto. É a hipocrisia que fere. Aqueles que – como apontou certeiramente a zazie, e está na essência do que escrevi – nunca são apanhados fora da cartilha do politicamente correcto, e que têm sempre engatilhada uma acusação em nome dos ideais moralistas que lhes tolhem a liberdade, são os que perpetuam a mais insidiosa forma de discriminação: aquela que se nega existir.

    Enfim, sei bem que o assunto é particularmente complexo, por ser melindroso, mas essa é mais uma razão para se discutir a coisa, mesmo aqui neste ambiente pândego dos blogues.
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    Z, essa ideia dos portugueses não serem brancos também a têm muitos outros povos, alguns deles europeus.

    (mas é uma história cheia de sabedoria, sim – aliás, basta ler Camões)
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    Nik, quem derrapa és tu. Tu é que te estás a espelhar naquilo que consideras ser uma aproximação a um qualquer interdito da expressão. Ora, não sei qual possa ser o teu problema, mas eu não tenho nenhum sarilho para resolver com os pretos. Nem com os brancos, devia passar sem referência. Porque o que está em causa, no poste que supervisiona esta conversa com a sua luz negra, é o direito ao preconceito – parte que tu, manifestamente, ainda não captaste.

    Quanto ao que seja o racismo no léxico corrente, claro que tens razão. Mas não te deverias satisfazer com tão pouco, a tua razão. Então, e as razões dos outros? É para aí que aponto. Eu não chamo racismo ao apartheid sul-africano, por exemplo, porque a dinâmica desse regime era outra: defesa étnica dos brancos. Portanto, tratava-se de um caso de discriminação, não de racismo. Nesse sentido, todos os edifícios jurídicos que durante séculos, ou milénios, instauraram uma discriminação de género, onde as mulheres ficavam privadas de direitos fundamentais, seriam casos de racismo? Vê-se que não, porque não aparece a contaminação conceptual que nos faria ver a mulher como “raça”. Ora, é o mesmo no caso dos pretos durante o apartheid: são discriminados por serem os nativos, por serem não-europeus e por serem pretos – mas não porque existisse uma “raça negra”.

    Não é racista quem quer. É preciso estudar muito, e depois ter uma imaginação superiormente desenvolvida e imune aos pacientes efeitos da lógica.
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    CHICO, não te cheguei a dizer mais acima: aquele vídeo que indicaste tem momentos bem giros, ó pá.

  38. Não, Zazzie, não há perigo de ninguém ir de cana, porque é vulgo entre caboverdianos e gente de cor do Alabama que Obama, já infelizmente sem mama, andou à costura com Osama, e amizades com raizes dessas tolhem os movimentos à solidariedade policeira entre as nações amantes de liberdades muito nêsperas como a nossa.

    Nik – Come again…

  39. Os índios não agradam a nenhuma memória. Foram traidores que se passaram para os Ingleses e Mexicanos e ainda andaram a caçar pretos para os colonos.

    Naaa…. esses tramaram-se “naturalmente” como diria um bom colono de causa fracturante na algibeira.

  40. Mas este postal do Valupi é mais uma surpresa.

    Muito gosta ele de fazer caixinha. Isto já eu tinha dito aqui por outras palavras- sem comparação com o talento da escrita dele. Mas tinha.

    Porque as brigadas da consciência são tramadas- são piores que as brigadas das velhinhas da lei-seca.

    Sempre à cata de um sintoma de mau pensamento, ou de um pequeno tique a piscar olhos que lhes dê a luzinha para caçarem um racista.

  41. E depois muito que gostam de escrever coisas como “é islâmico e basta” que essas são racismo do bom.

    Na verdade, até acho que tenho o mesmíssimo problema do Valupi- um pó de morte aos verdadeiros racistas que retiram a naturalidade de não se ter de inventar indiscriminações de gostos em tudo.

    E eu até nunca tive as esquisitices íntimas do Valupi- não é por aí- é pela treta do “humano neutro”, sem cor, sem raça, sem características próprias, em estado plastificado de ideal puro, que vendem.

    São as raças fantásticas das fogueiras dos padrecos do século XXI.

  42. zaz,
    «Na verdade, até acho que tenho o mesmíssimo problema do Valupi- um pó de morte aos verdadeiros racistas que retiram a naturalidade de não se ter de inventar indiscriminações de gostos em tudo.»

    Assim sendo, não tens: temos. E bem visto, esse lembrar dos pele-vermelha, eternos credores de um respeito que ainda não lhes chegou. Mais rápido foi ver chegar um preto à Sala dos bicos.

    Eu cá parto do princípio que aquilo que estraga tudo, o que marca de facto a diferença entre “racismo puro e duro” e a tal valupiana “necessidade de discriminar” é a porra do preconceito, esse peganhento, empastado de ódios velhos e rançosos a que não é possível atribuir uma só origem, posto sermos tantos como os ressabiamentos que carregamos, uns poucos menos, talvez. E o preconceito é lixado e tudo lixa, até mentes brilhantes o gajito é capaz de predispor a afirmar barbaridades do tipo “aqueles indivíduos escolhem, livremente, a ilegalidade e/ou miséria” (o que no caso concreto só pode ser gracinha do autor, uma valupicice, para não dizer picinha, destinada a animar-nos). Certo, val?

    O preconceito é pai do racismo e tem filhos que nunca mais acaba, todos negros de alma, quando a têm. E a mamã do racismo é a discriminação, essa que mestr’upi nos quer fazer pensar pela positiva, numa perspectiva quase terapêutica e a bem do equilíbrio mental do ser humano, se bem entendi esta prosa de truz. Ora acontece que o caldo quântico deste Universo providenciou, além das loiras e outras paparocas de tubarão, gente tão, mas tão passada dos cornos que o tal ‘direito ao preconceito’, a tal questão antropológica, cognitiva, afectiva, essa necessidade (absoluta na óptica valupiana) de excluir, separar, diferenciar, escolher para crescer, mora afinal na mesma casa de horrores que já viu sair para o mundo um ror de excessos e loucuras que pouco ensinaram ao Homem sobre decência, caramba! Pois tamanha promiscuidade domiciliária é um aviso gritado, pela parte que me toca. A ser um direito, esse ao preconceito incomoda-me por pisar todos os meus outros direitos. E todos os direitos dos outros.

  43. gostar de diversidade é avisado, porque mais diversidade implica mais riqueza em espécies num ecossistema, e tal significa mais resiliência e, para mim, mais beleza

    mais diversidade significa mais entropia numa certa acepção, mas também se pode dizer mais informação (potencial) por outro

    a entropia propriamente dita é uma grandeza termodinâmica e é transposta para a percepção como confusão, embora num sistema térmico de máxima entropia é um caldo morno, quiçá canja

    converter a entropia em informação é o processo de comunicação, não achas Valupi?

    PS1: lá em cima é: os banqueiros que paguem a crise, you remember mr. Burroso? Atenção pá, a eventual reeleição depende de dizeres que foi um mistake

  44. zazie, não se trata de “esquisitice íntima”, mas de falta de apelo. Ou não estar interessado em ter relações sexuais com parceiros do mesmo sexo, crianças, cadáveres, animais e tubos de escape também seria uma esquisitice?…
    __

    Rui, “gracinha” porquê? Vou ficar aqui abancado à espera que justifiques o teu remoque. Seguramente, não terás qualquer dificuldade, pois já anunciaste tratar-se de uma barbaridade. Pois venham lá essas informações e reflexões que irão demonstrar como um preto americano que cometa crimes, ou nada faça para sair da miséria, o está a fazer porque não é livre.

    Quanto ao “preconceito”, és vítima da semântica. O que, confesso, fazia parte da armadilha. Agora falta iniciares o processo de fuga, o qual te dará muitos proveitos. Para começar, tens de imaginar uma sociedade onde o preconceito não existisse, e depois descrever o quotidiano dessa gente. Vais gostar das descobertas, aposto.

  45. querido amigo,
    adoro quando pões a mão na anca e cantas ‘não venhas tarde’. Mas tenho almoçarada, que até trocava pelo prazer de conversar contigo, não estivesse prometida uma vinhaça de estalo para a rega. Qual? Não sei, mas sei que o almoço é numa adega e que pelo menos três enólogos vão lá estar. Nem tu nem a Angelina Jolie, nenhum dos dois é opção para o meu dia.

    Fica o fado para a noitinha. Sim?

  46. Pois, entendo-te: preferes a boa mesa, e melhor copo, à trabalheira de livrar o Mundo dos preconceitos através das caixas de comentários. Enfim, és mais um racista.

  47. Valupi,
    Ok, também não comento, cada um tem as esquisitices que lhe dão na real gana.

    Rvn:

    A historieta pode resumir-se nesta expressão brasuca: cu-de-ferro. Há demasiado cu-de-ferro armado em virgem ofendida.

    Quanto às paternidades de uma palavra podem ser tantas quantas o sentido que lhe queiram dar. Em tempos poderia ser o direito a matar essa pessoa, ou a nem a considerar como gente, hoje pode ser uma qualquer fantasia às avessas em nome de preconceitos. De preconceitos acerca da existência de preconceitos e da infinita variedade de escala inofensiva e legítima que eles podem ter.

    Já o contrário- afirmar-se que se pode atingir o estado puro fora da natureza humana é apenas uma tentativa gorada de se querer virar do avesso.

    O resultado costuma ser óbvio- quanto mais “puro” mais moralista; quanto mais moralista- mais hipócrita.
    Daí a necessidade de os moralistas se tornarem denunciadores- a denuncia, a acusação, paralizam qualquer reacção- obrigam os outros a defenderem-se, sem os próprios precisarem de testemunhar nada. Por isso é que é muito importante o manejo das “palavras letais” com se traçam cruzes na testa.

  48. ah, é verdade, um dia fiz um post que resumia a palavra letal traduzida do “americano” e usada nesses autos de exorcização dos preconceitos dos outros (sempre dos outros)- “o ódio às batatas fritas”.

    O “hate” inglês traduzido dessa forma brutal e sem variação de espectro- ódio- tal como se pode ter ódio a batatas fritas, caso se prefira batas cozidas ou assadas, ou apenas haja indiferença pela forma como se cozinham.

  49. O Valupi diz que a “comunidade negra” diz qualquer coisa, emitiu um comunicado, qualquer coisa, em que diz não haver racismo na America. Ora, eu fico um bocado per pplexoorque não sei o que isso é. A comunidade negra de que ele fala, quero eu dizer.. Organização “negra”, se assim podemos dizer, é a NAACP, a maior, mais prestigiada e julgo que a mais antiga, que não diz nada do que o Valupi diz. O Valupi não poia escarecer a coisa melhor? Por favor

  50. Mas, rvn, se quisesses atingir o alvo, não ias para os “pré-conceitos”- bastava uma questão simples- o trato em pé de igualdade ao próximo.

    É demasiado simples mas falha muito. E não falha por “discriminação” dos outros- falha por imbecil enaltecimento de qualquer vaidade aleatória em si próprio, por necessidade de pertencer a castas.

    O resto, como costumo dizer, quem melhor o explica é a mensagem cristã- somos todos filhos do mesmo Deus e a roda da vida também está sempre a girar.

  51. nik,
    três obrigados, homem! Bom ouvi-lo de ti.

    zaz,
    não me parece que ‘o trato em pé de igualdade ao próximo’ seja ‘uma questão demasiado simples’, lamentavelmente. Tenho até fortes motivos para suspeitar que não resulta em grande justiça dar a pessoas diferentes um tratamento igual, muitas e muitas vezes. Mas julgo entender a que te referes e estamos de acordo que falha muito. E em sintonia igual na causa que apontas, certeira.

    Somos filhos do mesmo Deus, é certo. Mas vendo bem, há mais preocupações de amor do que de justiça na mensagem cristã. E nem sempre uma coisa significa a outra, convenhamos.

    val,
    És o meu malabarista preferido, dás dez a zero ao Sousa, sem espinhas. «Aqueles indivíduos escolhem, livremente, a ilegalidade e/ou miséria», disseste tu e eu discordei, expliquei porquê. Agora abancaste noutra conversa completamente diferente, pulas para onde já há que demonstrar (nada menos) que «um preto americano que cometa crimes, ou nada faça para sair da miséria, o está a fazer porque não é livre», o que não tem nada a ver com o dito por qualquer de nós. Será outra gracinha com as palavras, quiçá, daquelas que fazes tão bem e que entretêm bastante, haverá até quem se atire aos gambozinos, às vezes, sei lá, foi giro. Mas não muda o facto de só por graça ou pícara provocação se poder afirmar com voz segura que este ou aquele miserável escolheu livremente a miséria. Sabes mais e melhor que isso.

    Saberás como eu sei que a miséria se pode condicionar, programar, determinar em sede própria, à mesa de reuniões, por exemplo, para milhões à vez, ou escapa-te o facto? Que se pode medir em metros quadrados, pesar em onças, dar e tirar em passes de pura magia, vulgo engenharia financeira, terás ouvido dizer? Saberás que há gente condenada à miséria ainda no ventre que a há-de parir já com as suas escolhas futuras condicionadas a muito menos de metade do previsto na Declaração dos Direitos do Homem, ou arriscarias tu apostar os 50%?

    Sabes mais e melhor do que afirmar que aqueles ou outros «indivíduos escolhem, livremente, a ilegalidade e/ou miséria», quando na tua cidade as barracas se perpetuaram em guettos que são fábricas de raiva produtoras de exclusão social que nasce sem cor, só vê pigmentação quem vê macro lá do alto. Bairros onde as escolhas se vão determinando por chapadas, não por etapas, com muito torcer de pepino que apura a raça e determina o grau alcoólico da próxima colheita (sendo que ali se vindima muito, é sempre a aviar). Nada disto te soa a involuntário? Se assim é, meu querido e brilhante amigo, temo que de nós a única vítima da semântica sejas tu, quanto ao preconceito. E suspeito que se não cuidares de o conter acabarás sendo vítima das tuas próprias armadilhas, as tais de que me querias ver fugir correndo, imaginando, descrevendo e descobrindo coisas atrás dos gambozinos só para te agradar, enquanto tu à socapa me gozarias. Como um preto, presumo, a bem da coerência.

  52. Está muito giro este coice com souquette e pantufa do RVN, mas uma realidade persiste, depois de todas estas correrias e comentos: o preconceito, muitas vezes tentativa de racionalização da discrimiação, existe, e nem sempre é desfavorável em relação ao objecto. Diz-se: “todos os ciganos são ladrões”, como se pode dizer “todos os judeus são inteligentes”. Eu não acredito nem na última nem na segunda.

    O preconceito não serve apenas para dar pontapé no cu de gente ou de coisas que não se gosta. Há gajos que acham que o Gama foi um grande navegador, outros optam pela opinião de que foi um larápio e assassino de primeira. Ora aí têm os preconceitos.

    O racismo é que já é outra loiça, mas nisso até o Darwin anda envolvido, e por arrasto todos os admiradores da sua teoria da evolução. É o que me parece, a mim que preciso de estar de muito mau humor para concordar com teorias racialistas, bem diferentes das teorias racistas, nota bem. Fico-me por aqui, tenho de ir escamar os besugos.

  53. Pedro, tu próprio admites que não entendes o que seja uma “comunidade”, apenas percebes o que possam ser “organizações”. Foi por isso que te perguntei pela tua noção de “organização”. Quando responderes, passamos para a problemática das comunidades.
    __

    Joao, esse cabrão desse preto é moderno, pá.
    __

    Rui, antes de mais, quero lembrar-te que a zazie foi muito tua amiga e teve o trabalho de te servir este petisco: “pré-conceito”. Depois, invocou a tradição cristã – e eu diria que, para bom entendedor, estes conceitos prévios chegariam para ir ao essencial desta conversa. Mas adiante. (sim, sei bem que isto é apenas um lamiré de uma temática enorme, mas chamo já a tua atenção para a realidade da “encarnação”, e não me refiro ao bairro)

    Quanto ao que trazes, resume-se a isto: dadas certas condições sociais (económicas, financeiras, políticas), as quais têm origem em certos decisores, não é possível a certas populações escapar à miséria e, consequentemente, à escolha da criminalidade. Esta é a tua tese, a qual, na sua abstracção, parece ser uma forte candidata à unanimidade. Só tem uma pequenina falha: não apresenta qualquer relação com os pretos americanos.

    A questão é a de saber se, nos EUA, as comunidades negras – no seu conjunto, ou em parte, ou para alguns dos seus indivíduos – estão sem direitos políticos ou sem protecção social. Se não estão, e não estão, quer dizer que podem usufruir de toda a riqueza disponível socialmente e aquela a adquirir individualmente. Para dar um exemplo básico, assim como se pode optar por pertencer a um bando em vez de estar na escola, ou num emprego, também se pode optar por estudar, trabalhar, mudar de local de residência. Se te interessares pelo assunto (e, hei!, basta veres séries e filmes americanos), encontras regulares mensagens que alertam as pessoas nessas condições para a sua exclusiva responsabilidade.

    Mas não precisamos de atravessar o Atlântico, e cá vai mais um exemplo básico: se um marmanjo mais branco do que a neve, cuja ascendência remonte aos visigodos, decidir assaltar uma velha por esticão, e ela for de rojo pelo chão, partindo braço, perna ou bacia, ou morrendo com o susto, dirias que ele não tinha outra opção?

    Tens de começar a cultivar uns preconceitos mais amigos das velhinhas que não têm culpa nenhuma da “miséria programada”.

  54. Pedro, anda às voltas. Vamos lá assentar as coisas, caso não tenhas percebido (coisa que acho dificil) e avancemos a partir dai. Eu não disse que não sabia o que era uma comunidade. Eu disse que não sabia o que é uma “comunidade negra”, no sentido que tu lhe deste. Deixa lá o paternalismo, e explica lá essa coisa de a “comunidade negra” ter dito que não havia racismo na América. O que é que queres dizer com isso? Quem representa para ti a comunidade negra? De que forma a tal “comunidade negra” manifesta a sua opinião? Eu fiz o meu trabalho: dei-te um exemplo de uma “organização” que, de acordo com os seus estatutos, representa os interesses da população negra nos Estados Unidos e que diz exactamente o contrário do que tu dizes.

  55. Por “Pedro”, quis dizer Valupi, naturalmente. Iso são as consequências de tanto “chatear” também o Pedro Picoito ;)

  56. Valupi

    O teu problema foi teres admitido que nenhuma preta te enchia o olho (salvo seja). O pessoal activou o seu dicionário preconceituoso e daí a chamarem-te racista foi um passo. Tivesses tu dito que as pretas são todas lindas, bombas sexuais e que o teu maior sonho erótico era estar com uma, não faltariam aplausos bacocos e nesse caso, mesmo que continuando a ser uma avaliação apenas pela cor, já não seria preconceito.

    Tens todo o direito de escolher com quem queres partilhar os teus lençóis mesmo que a tua escolha exclua pretas, amarelas, latinas ou alemãs. Não vejo ponta de preconceito e muito menos de racismo. São gostos.

    Há quem não goste de vinho e há quem nunca o largue.

    Também há quem ainda acredite que os pretos são excluídos apenas por serem pretos e há quem saiba que pessoas diferentes mediante as mesmas oportunidades reagem de formas diferentes. Pretos e brancos.

  57. Valupi,

    O que é que o facto de os pretos e brancos norte-americanos terem os mesmos direitos perante a Lei e a Constituição tem a ver com a questão do racismo? Convém que respondas a isso sem subterfúgios antes de mandares o habitual telegrama à família a dizeres que ganhaste mais um campeonato.

    Se quizeres amparar-te a factos recentes, tens o caso dum dos grandes da polícia da Área Metropolitana de Londres, de origem indiana, que espetou com o sistema de que fazia parte no Tribunal. Queixa: racismo e seus derivados. E não te esqueças que em termos de hierarquia só havia aí uns 99,9 por cento atrás dele.

    Não vale a pena exaltares-te por uma coisa tão simples. Nem todos os racistas precisam de ser cultos como Gobineau, ou sequer de ter ouvido falar dele, para sentirem arrepios de igonorante arianismo com uma simples roçadela de ombros em eléctrico ou autocarro. E daí que ninguém precise de chutar tão bem como o Ronaldo para ser considerado futebolista.

    E, sei que não vais, podias explorar o aspecto rácico das manobras de Deus quando nomeou certos gajos como povo favorito. Seria de partir a moca, tenho a certeza.

  58. Pedro, o sentido que eu dei a “comunidade negra” é o sentido que “comunidade negra” tem. Que dentro dessa comunidade negra haja quem se queixe do sistema, e se considere vítima de racismo, não é novidade. Porém, também há quem diga o contrário, e esses são igualmente parte da comunidade negra. O passo seguinte é o de conhecer quem diz o quê. No caso da NAACP, estamos perante uma organização política guiada por linhas ideológicas, não por análise científica. Não está em causa o seu mérito, que pode ser qualquer, mas sim o de reconhecer que é apenas uma de tantas fontes acerca da comunidade negra.

    As fontes que eu referi, são as da investigação. Nelas, constata-se como o discurso ideológico é perpetuador de um ostracismo que começa pelas famílias e suas referências culturais. Isso tem um devastador efeito ao nível das consequências, constatando-se que os negros que crescem num ambiente multicultural são melhores alunos do que aqueles que crescem num círculo fechado onde o branco é visto como inimigo. Há muitos cidadãos americanos devastados com o suicídio étnico que parte da comunidade negra comete ao não se conseguir livrar do discurso do “racismo”.
    __

    Durga, exactamente. E finalmente alguém me dá azo a explicar a escolha desse exemplo (porque há muitos outros): é que é frequente essa forma natural de “racismo” onde o branco se orgulha de foder com pretas, precisamente realçando o seu lado puramente sexual, selvagem, intenso – ou seja, impessoal, animal. Isso, no entanto, não é racismo, mas uma expressão do impulso violador com que todos os machos nascem. É o que está na base da violência doméstica, nuns casos, da promiscuidade compulsiva, noutros, e ainda da incapacidade de comunicação com o sexo oposto, em todos.

    E, tal como dizes, achar que um preto tem de ser protegido porque é preto, é uma forma de discriminação. Daí a temática dos “preconceitos”, das escolhas, pois quem pretende viver sem eles tem de pagar o preço da grande hipocrisia, e isso é muito letal para a justiça e o crescimento.
    __

    CHICO, não entendo a tua pergunta. A Lei e a Constituição são a prova de que o racismo não existe. O que existe, sim, é a discriminação. Só que esta não tem qualquer limite, e é necessária para a convivência. Vir com conversas de racismo quando se está perante uma escolha legítima (daí o meu exemplo) é tóxico, disfuncional, maligno.

    Quanto ao “povo eleito”, diz que um deles, carpinteiro ou pedreiro (mas que devia era ser rabi), deu-lhes cabo do arranjinho.

  59. “O passo seguinte é o de conhecer quem diz o quê.”
    Valupi, já é um passo em frente em relação à tua afirmação de que a comunidade negra diz que não há racismo. Porque, exactamente, dentro da “comunidade negra”, há quem diga uma coisa e outra coisa diferente. E não afastes assim tão rapidamente a NAACP, com o estranho argumento de que é uma organização politica. É óbvio que é uma organização politica. Toda a luta contra o racismo é politica. Isso significa que não tem bases cientificas ou meramente factuais para fazer as acusações que faz? Que não faz investigação? Que métodos científicos usas para desacreditar a investigação da NAACP, ou de outras congéneres, até menos directamente conotadas com a comunidade negra, sobre o racismo na América?

    É que quanto a isso, não me digas, Valupi, que num pais que há quarenta anos tinha, mais do que racismo, segregação racial fisica, neste momento já nem racismo tem. Ninguém acredita nesse milagre, Valupi. Quanto mais não seja, porque há ainda muitas pessoas vivas que nesse tempo não se sentavam ao lado de um negro e que até os espancavam por eles olharem para uma branca. Viram todos a luz? Praise the lord! ;) E é claro que também existe um discurso de auto-vitimização, sim. Há de tudo, a questão é essa.
    Mas talvez a NAACP, se não a desvalorizasses tão sumaria e radicalmente, te ensinasse alguma coisa. Aproveita-se sempre alguma coisa. Digo eu. Olha, até em Portugal, este país de brandos costumes, se fores um negro, tens mais dificuldade em arranjar emprego do que um branco. Sabes que muitos estudantes africanos têm dificuldade em arranjar quarto em Coimbra para viver? Mas isto sou eu a dizer, que sou maldoso. Como se sabe, racismo é uma caracteristica genética exótica que afecta a população alemã.

  60. Mas, Valupi, DISCRIMINAÇÃO também é condenada em Leis e Constituições, no entanto ela existe – especialmente nas Leis e Constituições dos teus Estados de Direito – para gáudio, aparentemente, de indivíduos como tu e outros que a consideram necessária para, entre outras coisas interessantes, a convivência entre pessoas. Desenvolve este tema, por favor, porque estou com uma saudade enorme de dar o braço a torcer ou a considerar-te o meu favorito para o prémio Tergiversação-2008.

    E se puderes explica-me sem filosofias de baralho por que bem ponderada razão consideras tu que o Hitler era um racista e não um simples discriminador. É que eu ando com uma vontade doida de reabilitar esse homem com a tua ajuda.

  61. Pedro, a comunidade negra diz que não há racismo, esse é o facto a reter. Porque ultrapassa em importância as notícias relativas a membros da comunidade negra a queixarem-se de racismo. As queixas de racismo são ideológicas, não respeitam o quadro legal. Indo por aí, qualquer tipo de escolha que não agrade ao denunciador (por exemplo, um preto não consegue um emprego, o qual é entregue a um latino – depois, um latino não consegue um emprego, o qual é entregue a um asiático, etc.) pode ser considerado racismo, e com isso está-se a perpetuar a lógica da discriminação. Porque – e convido-te a pensar nisto – quem faz uma falsa acusação está a fazer uma discriminação negativa.

    A NAACP não faz investigação, é apenas um grupo de formação e pressão (entre outros grupos iguais), um bom bocado à maneira dos sindicatos. Recolhe informações, emite opiniões sobre os acontecimentos, fornece apoio educativo e jurídico, promove o activismo local, é só (e é muito, não estou a desvalorizar). Onde se faz investigação é nas universidades e institutos científicos. Agora, o que tu não entendeste é a distinção entre “haver racismo” e “haver casos de racismo”. A NAACP, fazendo a denúncia de todas as situações que possam ser apelidadas de “racismo” – isto é, de discriminação que atinja pretos -, não diz que o Estado, a nação, a sociedade é racista. Pelo contrário, na sua Missão pode ler-se:

    “To educate persons as to their constitutional rights and to take all lawful action to secure the exercise thereof […]”

    Portanto, com isto se afirma que o problema também é, em grande e decisiva parte, relativo à auto-integração da comunidade negra na sociedade.

  62. CHICO, a discriminação é inevitável, e benéfica, a não ser que não te importes de comer merda todos os dias ao jantar. As leis apenas lidam com quadros de discriminação genéricos, os quais são os fundamentos da vida em sociedade. Porém, nenhuma lei pode ser tão minuciosa que levasse à erradicação de toda e qualquer discriminação, pela simples razão de estar na origem da discriminação a própria noção de liberdade. De modo que estamos perante uma polaridade, e podemos pôr a fasquia mais para o lado da uniformidade (a noção de comunismo, por exemplo) ou para o lado da liberalidade (a noção de capitalismo, por exemplo).

    Hitler era racista porque pactuava com o delírio de haver “raças humanas”, tendo ensaiado o extermínio de uma dessas supostas raças. A teoria subjacente, a qual permitiu a racionalização do crime, é o “ismo” da questão.

  63. Valupi, continuas a dizer que “a comunidade negra diz que não há racismo, esse é o facto a reter” Um facto a reter? Ó Valupi, mas diz lá então que raio de fontes tens. Que diabo é essa “comunidade negra” de que falas, quem são os seus reprsentantes. É que tu falas na comunidade negra como se fosse uma entidade orgânica. Continuo sem perceber.

    Valupi, primeiro retiras credibilidade à NACCP, depois citas a NAACP, quando te dá jeito. É claro que a nação e o Estado americano não são racistas, nem eu disse tal coisa. Eu limitei-me a afirmar que há racismo na América, o que equivale a dizer que há casos de racismo na América, como é óbvio. Como tinha dito antes, uma nação que até há poucas décadas tinha, mais do que casos de racismo, racismo institucional, não muda assim. E se tu dizes que a investigação da NAACP não existe (as informações que recolhe serão então pouco criteriosas, suponho) e que tal investigação sobre o racismo só é feita pelas Universidades e institutos científicos, cita-me lá então um estudo de uma dessas instituições que prove que não há racismo na América. Garanto-te que, apesar de espantado, me vou render.

  64. Pedro, dizer que há racismo porque há casos de racismo é, quando muito, relativo à tua noção de racismo (a qual ignoro).

    Não te posso apresentar um estudo que prove não haver racismo na América porque ninguém fez esse estudo. E ninguém fez esse estudo porque seria imbecil: é que não existe racismo na América. A Lei americana nunca defendeu o racismo, ponto primeiro, e já aboliu as discriminações. Neste momento, um preto é igual a um branco, um branco a um amarelo.

    Do que tu falas é de indivíduos, os quais podem exercer todo e qualquer tipo de discriminação: contra pretos, contra brancos, contra mulheres, contra velhos, contra homossexuais, contra crentes, contra ateus, contra esquerdistas, contra direitistas, e um sem-fim de opções. Nesse sentido, em nenhuma sociedade do Mundo a discriminação foi abolida – e nunca o será.

    A NAACP não faz investigação. As informações que recolhe não são científicas, são políticas, jurídicas, mediáticas.

  65. Então, mas é óbvio que eu falo de individuos! E claro que as pessoas podem fazer todos os tipos de discriminação, incluindo contra os pretos. A discriminação contra os pretos, chama-se.. racismo. Havia de se chamar o quê? Vegetarianismo? E também obviamente que em nenhuma sociedade do mundo a discriminação, incluindo o racismo, foi ou será abolido. Não me estás a dar novidade nenhuma. E também é claro que os Estados Unidos não consagram já legalmente o racismo. Mas não era disso que eu falava. Eu digo que há muitos americanos racistas. Não é preciso uma investigação científica para o confirmar. E havendo americanos racistas, os mesmos, ou organizações que os mesmos dirigem, não aceitam o convívio com negros, o que implica não os empregar, por exemplo. O que leva ao insucesso de muitos negros. É só isto. E também é óbvio que há muitos pretos preguiçosos, que usam o pretexto do racismo.
    Só mais uma coisa: o facto de tu não quereres namorar uma preta, não é uma questão de racismo. É uma questão de pele, no sentido mais literal, epidérmica, é uma questão de atracção sexual, pura e simples. Tu próprio sabes concerteza distinguir entre não namorar uma preta e não empregar uma preta, ou não?
    E olha, fico sem saber o que raio é essa cena da “comunidade-negra-que-diz-que-não-há-racismo”.

  66. Valupi,

    Mas HÁ “raças humanas”, meu caro, e não são poucas, a não ser que estejas preparado para recorrer ao supremo sacrifício anti-científico de não veres diferença nenhuma (estranho em ti, um acólito da discriminação) entre um pigméu do Congo e o primeiro-ministro de Portugal, que nem sequer é campião do salto em altura. E não estarás tu a confundir aquilo a que chamas de “Raça Humana” com Humanidade? Olha que a mim parece-me que sim.

    “Quadros de discriminação genéricos”. Boa. Mas não estava propriamente a a referir-me à curvatura máxima das bananas permitida pelos regulamentos de Bruxelas. Desengana-te.

    Passo ao elogio. Essa de comer merda deu realmente na muge. Também eu duvido que haja muita gente capaz de distinguir entre a merda e aquilo que come. Details on request.

  67. Pedro, se é óbvio que falas de indivíduos, porque vens com a NAACP? No plano individual, as acções que lesem outrem são punidas pelas autoridades e pela lei. Portanto, não há racismo e a discriminação ilegal é perseguida. Fim da história.

    Claro que o exemplo que eu trouxe foi para demonstrar como essa forma de discriminação não poderia ser considerada racismo. No entanto, é uma discriminação que se funda nos elementos com que vulgarmente se constrói a acusação contra o racismo. Quem tem problemas em distinguir és tu.

    A comunidade é o conjunto de todos os indivíduos, representados em autoridades políticas, religiosas e científicas. Estas entidades não dizem que exista racismo na sociedade norte-americana, embora todos reconheçam a existência de casos variados de discriminação. Só que a discriminação não equivale ao racismo. Repara: um patrão escolhe uma secretária apenas porque ela lhe parece mais bela do que outra – racismo?
    __

    CHICO, a tua noção de raça tem bolor. Mesmo naquilo que tu considerarias uma só raça – sei lá, um grupo de dinamarqueses do século XI – pode apresentar variações genéticas em certos indivíduos que os façam ser alvo de discriminação. Toma o exemplo dos deficientes físicos – muito do agrado do teu amigo Hitler – e repara como se pode aplicar o mesmo falso raciocínio de os considerar “outra raça”.

    Tem juizinho.

  68. “Pedro, se é óbvio que falas de indivíduos, porque vens com a NAACP?”

    Ó Valupi, estás a gozar comigo? A NAACP é uma organização que trata de seres humanos, pessoas, indivíduos, as que são vitimas, por um lado, e as que discriminam por motivos raciais, por outro, estejam ou não, à frente de organizações ou empresas. Se tu achas que as informações e acusações da NAACP são infundadas, é outra coisa.

    “No plano individual, as acções que lesem outrem são punidas pelas autoridades e pela lei. Portanto, não há racismo e a discriminação ilegal é perseguida. Fim da história.”

    Quê? Não percebi nada. “Portanto, não há racismo” porquê? Não estás a dizer que se há uma lei que persegue uma coisa, essa coisa deixa de existir, ou estás?… Eu acho que estás baralhado. Olha que é o racismo é que precede a lei, não o contrário. Se a maioria de uma comunidade é racista, é natural que institucionalize o racismo em lei; se essa tendência é minoritária na comunidade, é mais dificil colocá-lo em lei. É simples. O que aconteceu na Alemanha, nos Estados Unidos, etc, foi isso, com as especifidades que teve cada um dos casos. O racismo continua a existir, em maior ou menor grau, mas já não está institucionalizado.

    “Claro que o exemplo que eu trouxe foi para demonstrar como essa forma de discriminação não poderia ser considerada racismo. No entanto, é uma discriminação que se funda nos elementos com que vulgarmente se constrói a acusação contra o racismo. Quem tem problemas em distinguir és tu.”

    Eu? Mas eu distingui claramente um fenómeno de atracção sexual de um fenómeno de discriminação baseado em preconceitos raciais. Na atração sexual não entra o conceito do preconceito racial. Pura e simplesmente, não tem cabimento. Não consegues tu perceber que são duas coisas de natureza diferente? Não distingues uma coisa da outra?

    “um patrão escolhe uma secretária apenas porque ela lhe parece mais bela do que outra – racismo?”

    Não.

    Quanto à famigerada “comunidade negra”, ó Valupi, não há nenhuma organização que represente a comunidade negra, assim como não há nenhuma que represente a amarela ou a azul. Sendo assim, obviamente, a comunidade negra não diz nada, nem deixa de dizer.

  69. Valupi,

    Essa do “teu amigo Hitler” ajuda-me bastante nos meus cálculos para determinar se ainda terás tempo para endireitares a tua bicicleta. Assim que os tenha prontos, dir-te-ei. No entretanto, vai lá acima e põe aqueles professores na ordem. E não te mates a escrever tanto – e ainda por cima tão bem – senão não vais ter vagar para ganhares o pão de cada dia.

  70. Só fiquei com uma dúvida , depois de ler os coments : para não se ser racista e preconceituoso é necessário erradicar a natural afinidade com “o semelhante”? alá me perdoe , mas acho que não sou capaz.

  71. isso é uma ideia no minimo estupida e todas as pessoas que pensam da mesma maneira que tu, deviam morrer. Certos individuos brancos com atitudes piores que a dos negros sao desnecessarios para o mundo.

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