Coisas que acontecem só para chatear o Daniel Oliveira

A bófia ao serviço do Governo ditatorial que temos voltou a exibir o mais completo desprezo pelos direitos das populações desfavorecidas ao ter capturado assaltantes de carrinhas de valores, entre outros crimes, logo no seu local de residência: Quinta do Mocho. Isto é mais uma prova da completa irresponsabilidade policial. Porquê? Porque o Daniel Oliveira assim o decidiu. A 2 de Setembro, esclareceu-nos que uma acção policial tida neste mesmo bairro nada tinha a ver com os crimes noticiados. Não, nada a ver, disse ele:

Na melhor das hipóteses essa reacção tenta apenas agir na aparência das coisas, sem grandes consequências a longo prazo. É o caso da acção policial na Quinta do Mocho, Quinta da Fonte e Bairro da Arroja. Apesar de nada terem a ver com os crimes que estão a ser noticiados, os poderes públicos, reagindo às notícias, reservaram para os moradores daqueles bairros um papel: são os outros, são o perigo, são os suspeitos do costume. Não espanta, por isso, que no meio da histeria ninguém se indigne com o facto de bairros inteiros serem transformados em palco de uma exibição de força que tem como única função, como a própria porta-voz da PSP confessa, aparecer na televisão.

Para o Daniel Oliveira, Sócrates coordena as polícias e profere frases como Rápido, cerquem um bairro qualquer e chamem as televisões. Invariavelmente, a escolha recai nos bairros dos pobrezinhos por vantagens de casting: eles, de seu natural, já têm pinta de bandidos.

Que dizer? Nada de especial, são os raciocínios do costume.

6 thoughts on “Coisas que acontecem só para chatear o Daniel Oliveira”

  1. A parte do “… chamem as televisões”, pelo menos, talvez seja verdade. Ou o Sócrates ou alguém por ele (ou mesmo a própria polícia), o que não significa que a acção policial de então não se justificasse.

  2. Boa marretada nesse demagogo, Val. O gajo é inesgotável. Para cada situação, mestre Daniel tem um comentário-cliché tipificado que já sai automaticamente, sem carregar na borbulha. É por arrasto. Daí o Arrastão. É o primeiro blogue inteiramente automatizado.

    “Ou o Sócrates ou alguém por ele”. Essa, info-excluído, faz lembrar a fábula do lobo e do carneiro. Sabes, aquela história: “Se não foste tu, foi o teu pai.”

    A acção policial no tal bairro justificava-se, mas a presença lá da televisão não. Ok. Mas se a polícia não quiser lá a equipa de televisão ou lhe dificultar a vida, temos um grave atentado ao direito à informação. Ou uma tentativa de encobrimento de violência policial.

    Tudo o que o governo de Sócrates faz, tem um senão principal: é ele que faz, o que é de facto muito irritante. Até porque não é ele que faz. Como toda a gente sabe, ele limita-se a colher os louros. Agora se um banqueiro qualquer der um desfalque para um paraíso fiscal, ou um bombeiro desmiolado atender um telefonema da SIC, isso sim, é mesmo coisa do Sócrates. Está na cara.

    E o que Sócrates faz de bom, tem vários senões principalíssimos: 1) peca por tardio (esta é clássica, toda a gente acha logo que sim), 2) é insuficiente (resulta sempre), 3) visa só a imagem para os media (self-evident), 4) é arrogante (argumento deseperado, mas à falta de melhor, passa) ou 5) é para desviar a atenção da crise, da miséria, do fiasco de… é só escolher.

  3. já sabia que se ia chegar aqui:

    “O problema é que o modelo de supervisão bancária acredita que os banqueiros dizem sempre a verdade e só a verdade. Mas na prática corrente há banqueiros que perguntam como Pilatos ‘O que é a verdade?'”
    Armando Esteves Pereira, “Correio da Manhã”, 8 de Novembro de 2008

    tadinhos dos banqueiros foram engerocados num mar de engenharia financeira e não sabiam o que estavam a vender. Não sabiam? Sabiam sim, estavam a vender o futuro empacotado numa probabilidade e o futuro não se pode realmente vender, como se descobriu, né?,

    mas isto é um juízo humano ao alcance de qualquer um, portanto não estão ilibados, absolutamente, e quem comprou também não

    a verdade é o que resiste, é o que fica à tona, é o que é, e é a negação do esquecimento, é voltar a lembrar isso, como agora

  4. Info, a presença das televisões era mais do que legítima, era também bondosa: pretendia reduzir o sentimento de pânico generalizado.
    __

    pedro, encontraste o teu próprio website. Nada mau.
    __

    Nik, a presença da comunicação social era útil dado o contexto da situação. Manter a segurança é também conseguir controlar o sentimento de insegurança. Para além disso, a polícia estava nos locais onde seria mais provável a recolha de indícios, testemunhos, provas ou criminosos.

    E subscrevo os teu remoques contra a mísera oposição que temos.
    __

    Z, os banqueiros, juntamente com os advogados, sabem-na toda.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.