Os disparates dos militares

Depois do 25 de Novembro, e esquecendo Otelo, não me lembro de ler ou ouvir militar com um discurso mais irresponsável do que este. O registo primário da pressão corporativa teria graça se não fosse, igualmente, inaceitável. O que Loureiro dos Santos está a fazer é mais do que um escandaloso bluff, trata-se de um apelo à revolta com arma na mão.

Este tipo de disparates desonra o compromisso militar. Sois cobardes.

38 thoughts on “Os disparates dos militares”

  1. Caro Valupi, quando ouvi esta notícia na rádio apostei que o meu caro, neste seu belo espaço de serviço público que aqui tem , não deixaria de se inquietar com este tema.

    No entanto, o bom velho General Loureiro dos Santos, que tem a arte de me fazer recordar um dos maus que querem matar o James Bond, aquele que tem um aparelho de metal nos dentes (a propósito, parece que o Bond abichanou de vez e vai vingar o amor perdido no último filme, não bastava já ter-se apaixonado e ainda nos vai maçar mais com vinganças, isto é que daria um belo post só que nisto ninguém fala, é uma vergonha…).

    Dizia eu, antes de me afrontar com o Bond, que o General Loureiro dos Santos (já disse que ele me faz lembrar um dos vilões do 007?…) quando lhe perguntam o que quer ele dizer exactamente, fala apenas na possibilidade de haver uma “bocas” à hora do almoço, a rapaziada mais nova dizer “ah, e tal, isto assim não pode ser…” e, parecendo que não, é desagradável os oficiais terem que ouvir os magalas a insurgirem-se contra o estado das coisas.

    (o quê? os oficiais não partilham o mesmo refeitório que os cabos rasos? Oh, Diabo, então é capaz de não ser isso que o General queria mandar dzer…)

  2. Sei bem, Dispendioso Comendador, porém essa declaração é uma correcção de rumo face à evidência escrita: a senilidade sempre foi pródiga em mandar os putos marchar contra os canhões.

  3. A estas bocas do Sr General podemos chamar uns produtos tóxicos e um ataque de paternalismo agudo.
    Perdeu uma excelente oportunidade para contribuir com alguma coisa de válido e de interessante quando se discute o OE em péssimo ambiente financeiro internacional.
    Alguém que me lembre se os Srs Generais já se pronunciaram sobre as despesas com submarinos, sff
    Obrigado
    MFerrer

  4. em vez de agravar a fiscalidade sobre as PME, como no caso do IVA, o PM devia ter a coragem de lançar o imposto sobre as grandes fortunas. Tem medo de quê?

  5. MFerrer, muito bem observado. E isto dá razão à regra que impede os militares no activo de se envolverem na política. Porque eles não têm jeito nenhum, a avaliar pela irresponsabilidade que Loureiro dos Santos e Garcia Leandro têm mostrado.
    __

    Z, tem medo de assustar a malta.

  6. oh Socras pá, tu não me desiludas! É óbvio que é a altura certa para chamar as grandes fortunas a colaborar no futuro de Portugal, eles é que até deviam propôr o imposto, mas já que o não fazem o Parlamento é obrigado a fazer. Eu esclareço: é que eles andam todos com o cu tremido e taquicardia e então devemos aliviá-los da carga obesa, para seu próprio bem e para o bem comum, agora que já perceberam que os offshores levam com tsunamis,

    e regas a base da pirâmide com dinheiro, para a água e os nutrientes subirem por ali acima, fotossíntese, eu tinha-te prometido acederes ao belo em si, e aí está: joy

    claro que é preciso cuidado com a inflacção, mas também aí todos nós teremos aprendido alguma coisa

  7. tens aí o argumento racional:

    It seems, however, every way probable that even the acknowledged difficulties occasioned by the law of population tend rather to promote, than impede, the general purpose of providence. They excite universal exertion, and contribute to that infinity variety of situations, and consequently of impressions, which seems, upon the whole, favourable to the growth of mind. It is probable that too great or too little excitement, extreme poverty, or too great riches may be alike unfavourable in this respect.
    T. R. Malthus, 1798, An Essay on the Principle of Population

  8. Talvez isso, ou talvez algo bem diferente.
    Inquieta-me que vocês amem a rama, e não mais do que isso.
    O general fez-nos o favor de candidamente – como sempre – nos iluminar com as suas presciências, vosse-sapientes-lências sabem-na toda e não querem saber dos ânimos e desânimos das tropas, dos seus amuos, do alcance das suas frustrações, ou da manifestação delas. E coitado de quem por aí vier avisar!, muito particularmente se tiver algum tipo de visibilidade disputada. Homessa.
    Pois bem, que se ponha a pau a tropa, porque a classe pensante está há muito a postos, e tem muito mais vigor no pau. A classe pensante mamou o viagra todo e está cá para zelar pela sociedade, a ferros, a murro, à cabeçada, à fisgada de comprimidos de viagra.
    É demasiado tentador botar faladura quando dourada é a oportunidade para calado se estar. Para quê? É inútil ser-se sensato, verdade…? E, além disso… é inútil… (Não resisti…)
    Ser-se um zero à esquerda enquanto manifesto político parece-me, oi, ui, ai, uma desgraçada vida. Enfim.

  9. Z, para mim, mais importante do que a distribuição de dinheiro é a distribuição de conhecimento. Se tu deres dinheiro a quem não o sabe gastar, não resolves nenhum problema, antes pelo contrário.
    __

    Soja Z, é bem possível que tenhas querido transmitir uma qualquer ideia, mas algo falhou na ligação dos teus neurónios ao teclado. Deves evitar escrever sob o efeito do álcool. Quanto ao cândido general, é um irresponsável tão grande que nem sequer foi capaz de referir o que está em causa. Mas entende-se: a sua missão era a de pôr os civis em sentido.

  10. só para te recordar, que é exactamente nesse domínio que a blogosfera tem feito intervir um grande valor, uma maisvalia permanente. Será que se pode escrever assim sem hífen, no novo acordo ortográfico? E assim se continuará acrescentando. Está pois aí um lastro onde podes ancorar a emissão de dinheiro porque o valor está lá, que eu sei que te faz aflição pendurar dinheiro no vazio, por causa da inflação.

  11. Valupi, o álcool pode ajudar a produzir uma opinião ou ideia mais interessante ou até mais importante do que a tua, quem desdenha quer comprar; foi um muito curioso rebate.
    Adiante da minha irritação, estamos fartinhos de ver “representantes” de classes profissionais virem defender os interesses dos seus, e vejo que não admites igualdade para os militares, por ser matéria mais sensível? E rola a cabeça do tolo a que tanto e atreveu…

    Qual é a alternativa? Não se fala. Muito bem, é divertido ver uma sociedade a reclamar por democracia, quando é ela mesma pouco moldável a tal conceito.

    É desta frontalidade que gosto, quando não há vontade de enfrentar um assunto, e sendo ele incómodo, o melhor mesmo é afastá-lo. Assim, sim, estamos entendidos.

  12. Z, mais valia que maisvalia se continuasse a escrever mais-valia.
    __

    Soja Z, os militares também podem (e devem) defender os seus interesses, mas não é disso que se trata aqui. O que Loureiro dos Santos fez foi um exercício de chantagem. Vindo de qualquer pessoa, já é inaceitável. Vindo de um militar, e em nome dos militares, é escândalo nacional (e devia ser crime).

  13. :)), mas não se pode escrever tudo pegadinho, não? É que não sei mesmo. Por uma lado achava prático.

    oh Soja Z não me importo nada de ter um compincha teimoso a abarbatar-me o z, mas olha que ainda acabamos cazados

  14. Z, não podes escrever pegadinho porque ‘mais’ não é um prefixo.
    Sorry por ser a mensageira.
    Deixa, tens muitos para pegar.

  15. obrigado, eu quero é aprender (e rir pelo caminho). Portanto continua com hífen, certo? Se não disseres nada concluo assim,

  16. Sim, continua com hífen. Só ‘colam’ quando existe um prefixo. E nem sempre, os espíritos são felizmente refractários (não aconselhável em Portugal) a regras.

    antirrevolucionário
    autossuficiente
    contraindicação
    coautor

  17. Sorry, Z, não rapto nem partilho protagonismo, o meu Z é o meu cóccix, raios, serve de pouco, mas não posso retalhar-me. Tu és um inteiriço Z, não seria correcto uma relação em que te atiras todo e eu apenas contribuo com uns ossitos…!

    Bem, sobre o assunto, ainda não fiz toda a higiene necessária; Valupi, dizes que foi um exercício de chantagem, ouvi o cândido e plácido general articular com os seus lábios o que aqui comentamos e discordamos; por carência de boa audição, fui ler o que se escreveu, e não consigo perceber a afirmação de chantagem, menos ainda que seja um escândalo nacional, muito menos ainda que seja um crime. Perdi há pouco a conversa na RTP 2, só lhe apanhei uma frase, disse que há cerca de um ano escreveu exactamente o mesmo no Público. Até tem algum interesse arqueológico perceber por que razão só agora o dinamitam com tanta convicção; isso não me interessa tanto, interessa-me isto: perceber se em momentos próximos da História será ou não necessário recorrer ao poder militar para nos libertarmos do fascismo capitalista, se vão capar esse poder de vez, ou não. Só isto.

  18. obrigado M, eu concordo que ‘mais’ não é um prefixo em sentido estrito, mas não será em sentido lato? Maisvalia ficava a dizer que era uma valia acrescida. Mas eu escrevi com hífen que não me apetece fazer birras. Estou curioso com isto do acordo, vai ser um fartote de riso na lusofonia com aqueles sotaques todos e dentinhos no ar, vai ser uma delícia, imagino

    SojaZ eu acho engraçado que andes aí, está à vontade, tal como disse ao Valupi eu acho muito mais divertido sermos uma floresta de geometria variável do que um mais que outros, que entediante.

  19. mas pronto, o Valupi tem necessariamente um lugar especial, porque ele é que posta

    eu gostava era do Salgueiro Maia, mas já cá não está

    bem, agora é patas ao Sol

  20. Sim, maisvalia vale mais do que mais-valia. A união faz a força.
    Mas que queres, eles é que são os donos da língua. Alteram, cortam, proíbem, ameaçam com o lápis vermelho. E os advérbios (mais-, menos-, bem-), ficaram de fora, embora haja casos em que já não os apanham.

    Já foi aprovado, z, podes começar a usar e a rir. Do que gosto mesmo é das proibições – não aconselhável em Portugal, não aconselhável no Brasil. Uns autênticos gestores.

  21. Essa foi à revelia do acordo, é um caso de autogestão, uma espécie de ‘parece-me’. Sem dar troco a ninguém, zás, aqui estou eu.
    Ainda por cima é uma palavra infeliz.

  22. E eu tenho especial carinho por estas.

    semirreta (mais altiva, quase uma recta).
    semirrei (eu semirrei, tu semirraste…)
    intrauterino (em breve ‘au’, como um ditongo)
    coutente (em breve ‘ou’, como um ditongo)
    adrenal (em breve ‘adre’, como em ‘adrenalina’)

    oh gosh!

  23. vamos levar isto a rir, a minha pátria é a língua portuguesa,

    mas ainda se pode pôr hífen se a gente quiser ou não?

    por exemplo co-utente?

    olha que a minha maisvalia é muito mais inócua

  24. Claro.

    Primeiro, porque te dão seis anos para te adaptar, a menos que tenhas que usar a língua oficialmente ou para ensinar. Aí, terás que entrar nos eixos logo que te dêem instruções para isso.

    Segundo, e fora dos casos que citei, a língua é livre, o único limite é o entendimento mútuo. Mas se me perguntas se essa forma deixa de estar conforme a norma portuguesa, é claro que sim.

  25. já percebi porque gosto de coautor:

    dá para dizer eu coautorei, tu coautoraste, vós coautoraisteis?

    eu semirrei ainda não sei o quê é, semi-rei é tipo vice-rei? Olha vicerrei fica vectorial.

    Agora fiquei com saudades da Índia. Estou a ler a peregrinaçam do Mendes Pinto, mas eu acho que ele devia ser meio cigano e estar a fazer-se à tença, não? Aquele exagero todo deixa-me um pouco mal disposto.

  26. coautorastes?

    a minha língua deu-lhe uma dúvida na ponta

    também já reparei que corresponsáveis é muito potente, dá para meter os co-responsáveis a correr para tratar dos assuntos.

  27. Vicerrei?

    Deixa-me recuar um passo e olhar… hmmmm…
    Na, vou antes no vizorey. Tem pedigree. O Vizorey dos Estados do Brazil & Capitão General das Armadas & Exércitos da Restauração de Pernambuco…

    Mas não, esse foi um dos prefixos que ficou a ver navios. O semirrei é muiuuuuto mais feio e vai rir-se.

    Vou continuar com os meus amores.

    Extrauterino (e eu a dar-lhe…)
    Subraça
    Subrotina
    Subroda

    Agora não digo mais, tenho que hibernar para remoer estes.

    Vós coautorastes. Tu regulariza-me lá o verbo, já temos que baste daqueles esquisitos.
    E eles coautorar-se-ão?

    E querias que o Fernam Mendez Pinto se sujeitasse a tais tratos a troco de nada? O que o homem penou p’ra cá chegar. Mas acho que de bolsos vazios. Uma casita sem tença, lá para o Pragal.

  28. também gosto mais de vizorey, na Cidade do México o palácio na Plaza de Armas é mesmo imponente, ao lado de uma catedral tão grande que afunda. Tinham lá muita pedra dos templos mexica, huitzilopochtli,

    pois com esses exemplos que estás a dar preocupaste-me, nada impede que se pronuncie sub-roda como subroda assim a modos como se fosse sobral, ainda dá confusão,

    obrigado pelo vós coautorastes, essa acho bonita e eles coautorar-se-ão claro, também gosto

    pois eu ando ali a ler a Peregrinaçam, mas ando meio desconfiado que aquilo é tudo hiperbólico, que nunca havia sossego e era uma vergonha passavam a vida a esquartejar-se

    é um gosto a conversa contigo :)

  29. Também lhe chamam Fernão Mentes? Minto!, mas acho uma injustiça. Não tinham é paciência para sofá e televisão, davam estalada como quem respira.

    http://www.youtube.com/watch?v=jHDgK_HoRTw

    E depois do barco virado
    Grandes urros e gritos
    Na salvação dos aflitos
    Esfola, mata, agarra
    Ai quem me ajuda
    Reza, implora, escapa
    Ai que pagode
    Reza tremem heróis e eunucos
    São mouros são turcos
    São mouros acode

    O Orlando Costa de rojo, aos gritos, fez um Fernão Mendes Pinto memorável num espectáculo do Fausto no Coliseu.

    Sabes que eu olho para alguns dos novos ‘alinhamentos’ das palavras e digo para mim “não pode ser, é maldade, voodoo ou assim”.
    Hoje fiz um teste com pessoas que usam a língua apenas funcionalmente.
    Escrevi:

    subregião
    coigual
    abreação

    Tirem-me desta comédia.

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