Georgia on my mind

O conflito na Geórgia teve mortos, destruição, violência. Mas foi, à mesma, uma ópera bufa. Não se chegou a saber qual era o plano de Saakashvili, ou até se havia algum. À distância, a ideia mais credível é a de que a invasão da Ossétia do Sul pelo exército georgiano teve como única intenção o reforço da posição russa na região, tal a estupidez da acção. Para a NATO, tratou-se de agir para reparar os estragos e conter o empurrão que procurava derrubar o Governo de Tbilissi. Para a Rússia, esteve em causa capitalizar interna e externamente, passando uma confiança militar que é altamente benéfica para Putin. E para a comunicação social internacional, foi uma ocasião de entretenimento com a temática da Guerra Fria, mas sem qualquer convicção ou esforço de parecer reflexão séria. Agora, nem um pio se ouve sobre o conflito. E nós?

Nós devíamos imitar os governantes competentes, os militares de carreira e os diplomatas com um mínimo de experiência: só dão importância ao que é importante. Ora, neste caso só as comunicações diplomáticas tinham importância. E essas não se revelam. O que se revela são os seus resultado. As exibições de força militar, as discrepâncias entre acordos e execução dos mesmos, as declarações dos políticos, tudo isso faz parte da liturgia diplomática e é, com se constata invariavelmente, absolutamente secundário para o desfecho dos conflitos. Onde tudo se decide é na negociação, fazendo-se ameaças e ofertas que são – por definição – obscenas.

A maior parte dos problemas que nos angustiam por via da comunicação social não existem. Serão problemas que outros podem resolver, não nós, ou serão problemas em que não temos acesso a informação suficiente para sabermos o que está em causa. Desistir de lhes dar importância é urgente, porque é urgente ocupar a inteligência com problemas sobre os quais tenhamos poder de decisão.

Geórgia, vai-te foder.

7 thoughts on “Georgia on my mind”

  1. O que se passou na Geórgia interessa-me a vários títulos, embora não me preocupe pessoalmente senão de forma muito indirecta: é um país europeu, futuro candidato a pertencer à nossa União, por isso não podemos ser completamente alheios ao que lá se passe.

    Geórgia, Chéquia, Ucrânia e Polónia, além de vários outros, são candidatos a bases de mísseis “defensivos” americanos dispostos em cintura à volta da Rússia, que é o maior reservatório mundial de riquezas minerais e água e alvo certo da ilimitada concupiscência americana. O conflito georgiano serviu imediatamente a Bush para ir a correr assinar o tratado dos mísseis com os gémeos marados da Polónia, sem medo do que o mundo pudesse dizer.

  2. A comunicão social emprenha-nos pelos ouvidos, e pelos olhos, e engrossa as fileiras do cu-sentadismo ( com a tua licença, V ), vícios velhos a que sucumbo a todo o momento. Reconheço a urgência, quase emergência, da desistência que referes. Temos o poder de decisão de ser voluntários, por exemplo. Ou ministros
    ( da comunhão ).

  3. Georgia é nos E.U. Isso já nos interessa. O que se passa nas terras dos underdogs não interessa a ninguém? É isto que este post sibilino, ou hermético, ou pretensioso, quer dizer?

  4. Nik, o Mundo não está preocupado com os americanos. Nem com os russos, já agora.
    __

    Nada de novo, fazes muito bem em sucumbir a vícios velhos. Perigosos são os vícios novos.
    __

    Paulo Poquelino, tudo interessa, nós é que não nos devemos interessar por tudo. E isto para que, precisamente, se consiga dar importância ao que é importante.
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    Z, fizeste muito bem.

  5. Oh Z a mim aconteceu-me o mesmo com uma serie de outros MLRodrigues, Pinto de Sousa, Amado, Santos Silva (o democrata), os Costas, etc, etc, mal aparecem desligo!

  6. pois eu é tão raro ver tv, mas ontem vi, que irritado fiquei! Sua excelência a perorar como se fora ontem. Como andará o património com os submarinos? New York, New York,

    bah, tudo bafiento,

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