Vinte Linhas 293

«Mata – um falar peculiar e outras curiosidades» ou uma monografia em 2008

Houve tempos em que as localidades portuguesas aspiravam a ter uma Monografia. José Cardoso Pires fez da Monografia da Gafeira personagem do seu romance «O Delfim». Este livro de Manuel Barata, publicado por Edições Alecrim poderia ser a «Monografia da Mata». Existe na Mata (Castelo Branco) um falar peculiar. Esse é o ponto de partida. Na Mata diz-se acajadar por guardar, apalamado por adoentado, arrezoar por murmurar, assedento por mau-olhado, baldão por desleixado, banquinha por mesa-de-cabeceira ou burra por picota. Seguem-se algumas expressões populares (como sardinha no ar em vez de levar um estalo) e as alcunhas, os ofícios e as profissões do campo. Depois surgem os lagares de azeite, as mercearias, as tabernas, os cafés, as forjas, as oficinas., os sapateiros, os alfaiates, os barbeiros, os talhos, as serrações, os moleiros. Noutro capítulo recorda-se a festa do casamento que incluía o cortejo, os rebuçados, o copo de água e a terrina de sopa para as crianças. Segue-se a memória das casas: «uma porta de entrada e um corredor, no início deste uma porta que dava acesso a uma salinha e esta dava comunicação a dois quartos, um destinado ao casal e o outro aos filhos e/ou às filhas.» Também a memória das festas e procissões, danças e cavalhadas. Por fim os jogos e a culinária, o posto da GNR, a prática religiosa e a difícil sociabilidade dos seus habitantes: «A Mata esteve isolada durante séculos. A construção da actual estrada, que liga a povoação à EN 240 ocorreu já nos anos cinquenta. A anterior ligação era de terra batida. A Castelo Branco ia-se ao médico quando a coisa não passava com os remédios caseiros e rezas ou para tratar de assuntos importantes».

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