Todos os artigos de Valupi

Na veia

João Pinto e Castro recomenda este superlativo espectáculo de inteligência oferecido por Nicholas Christakis.

Aproveito para indicar duas curtidas infografias descritivas das redes sociais na Internet, seu poder e mudanças constantes: 2007 versus 2010
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Fernanda Câncio continua a desembrulhar o novelo de pulhices contra Sócrates que tem medrado no Público desde que o accionista jurou vingança e o Zé Manel se dedicou, celerado, à sua execução. Os efeitos continuam a sentir-se, porque pouco mudou naquela casa onde manda o mesmo senhor.

Sportings

Grande vitória do Braga. E o segundo golo esteve por um triz. Mas o que mais me agradou, porque os resultados nascem da sorte, foi ver os jogadores do Paciência a pensar antes de passar a bola. Não sempre, nem sempre bem, todavia como manifestação do treino. Sem craques e pernas, é esse o máximo da competência a que pode chegar uma qualquer equipa: a inteligência do passe, a qual pede a geométrica inteligência da posição e do movimento para se realizar. Confiança e humildade, dar e receber. O passe vence a solidão.

Estás a prestar atenção, Paulo Bento II?

Bloqueados

Lembro-me bem de ter votado PSR e Bloco de Esquerda. Não só por causa de Louçã e da sua alegria política nesses tempos, mas ainda mais pela abertura aos independentes e às independências. Durante a segunda metade da década de 80, e ao longo de todo o Cavaquismo, esta esquerda ágil e leve (na aparência) era um balão de oxigénio para quem se iniciava nas lides da cidadania ou dela tinha uma amarga experiência. Complementavam a oferta disponível à esquerda, o cinzentismo bélico e granítico do PCP e as ambiguidades generalistas do PS, com uma promessa anti-sistema que sugeria credibilidade e relevância. Conseguiram vencer o folclore dos partidos da extrema-esquerda, pardieiros de românticos e lunáticos. Para aderir às suas principais causas bastava estar sintonizado com os anseios de crescimento e libertação da sociedade, não carecia de aparato ideológico para se consumir o excelente marketing do PSR e BE.

Com o crescimento eleitoral veio a diminuição da inocência na comunicação. O horizonte já não era o de serem ouvidos, estarem no Parlamento, dominarem o nicho dos comentaristas políticos mais apaparicados da comunicação social. A luta tinha de continuar, the show must go on, e Louçã ia ficando cada vez mais ambicioso – ou ia revelando cada vez mais o pleno da sua ambição. Gradualmente, em especial com a instrumentalização dos professores e de Alegre, a meta declarada passou a ser a fractura do PS, primeiro, e o domínio eleitoral de toda a esquerda, por fim. A este plano correspondia o pináculo do azudeme nas intervenções de Louçã, entregue em desvario a um duelo de galos com Sócrates. A procura de novidade estava morta, ficava um general obcecado pelas visões da sua coroação.
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Sim, o inglês faz muita falta

Same-Sex Marriage Debate Has Roots Going Back Centuries

People Who Are Trusting Are Better At Detecting Liars

Painkiller Eases Emotional Pain Too

The internet: is it changing the way we think?

Happy Employees May Be the Key to Success for Organizations

Tropical Glaciers in Indonesia May Disappear by the End of the Decade

Surviving Domestic Abuse

Only children not so lonely

Men more likely to cheat on women with bigger paychecks, study says

Poll: Women Would Give Up Sex to Not Gain Weight

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Entre o visível e o invisível passa uma linha divisória. Uma sequência de pontos, prontos. Mónadas. E dentro de cada mónada está um carrinho de supermercado encostado à parede. Aquela. Como? Se calhar, ainda não calhou. Ainda não o viste, andas com os olhinhos no ar. Confundiste bolhas de sabão com mónadas, sua cabeça de sabonete. Hã? Claro que tens boa desculpa, essa de não haver duas mónadas iguais. Se houvesse, lá se ia a linha para o galheiro. O visível e o invisível perderiam a compostura, misturavam-se, era uma salgalhada. Péssimo para a tensão, mas favorável à tença. Mesmo assim, ali está o carrinho de supermercado. Suportando a realidade sem se queixar. Ali naquela mónada. Presta atenção.

Imitar o visível é fácil, expressar o invisível é comum. Andamos a fazê-lo há dezenas de milhares de anos nos locais mais esconsos e insalubres, incluindo livros e salões de talha dourada. Chega. Já. Precisamos do que não é visível nem invisível, essa ausência de espaço onde moram todos os infinitos e ainda sobram lugares à mesa para as visitas. Com os infinitos, é inevitável: o aborrecimento não tem fim. São as visitas que animam o banquete, porque estão de passagem. E porque trazem carrinhos de supermercado. Cheios.

Aquela fotografia tem um objecto visível escondido atrás de seres invisíveis — disse eu. Disse-lhe mais — Não é ausência o que retratas. É o fulgurante momento em que estamos a chegar. O eco da nossa esperança. O ribombar do tempo.

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Para o meu amigo Tomaz Hipólito

David Blanco

Para além de ser um craque, para além de ser galego, para além de ter igualado Marco Chagas em vitórias na Volta a Portugal, é de uma simpatia e humildade que já não se usam e até baralham o espectador. Este anti-herói justifica que se volte a sentir aquela alegria parva que encantou os nossos pais e avós, e tantos outros que são hoje avós e pais, quando largavam tudo para irem a correr ver passar os ciclistas.

Não é que esses tempos fossem melhores, mas havia gente com mais pedalada.

A melhor equipa do Mundo

«Tenho a melhor equipa do Mundo já hoje. Temos um grupo com qualidade acima da média no nosso campeonato», afirmou Paulo Sérgio em conferência de imprensa, numa análise à Liga e à questão de saber se sente que tem as mesmas armas dos rivais.

Fonte

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Estas declarações de Paulo Sérgio não são exageradas. Não resultam de perturbação emocional causada por um animado almoço ou por ter visto um ovni encarnado a sobrevoar Alcochete em direcção à Academia. Nada disso. O que se passa é muito mais simples: ele pensa mesmo que está a treinar a melhor equipa do Mundo. Estamos perante um tipo honesto.

Daí a necessidade de tirar conclusões da derrota com o Paços de Ferreira. Se o Sporting exibe um futebol de merda depois de meses de treinos e jogos, se aquilo que se vê não passa de um tratado de estupidez colectiva e individual, então uma de duas coisas há a fazer nos próximos dias, sem esperar pela segunda jornada:

Contratar Rui Vitória, treinador do Paços. Ganhou à melhor equipa do Mundo com uma equipa de meio da tabela, os lugares estão trocados. Que Paulo Sérgio vá treinar para a Mata Real, uma toponímia adequada à sua auto-estima e objectividade. Ainda por cima, Rui Vitória passou 4 épocas no Fátima, o que significa que é o único treinador nacional com mística suficiente para enfrentar Jesus. E já regista um milagre no currículo: eliminou o Porto na Taça em 2007. Levar os jogadores leoninos a perceberem como se desloca uma bola até à baliza adversária parece possível com este homem cujo nome é um destino de grandezas.

Despedir Paulo Sérgio e não contratar novo treinador. Os treinos passariam a ser dirigidos pelos adeptos. Quem quisesse, inscrevia-se e passava a poder treinar a equipa durante a semana. Se ganhasse, continuava a treinar para o próximo jogo. Se perdesse, saía e dava o lugar ao adepto seguinte na lista de inscrição. No caso de empate, seria decidida a sua permanência através de moeda ao ar.

Qualquer destas soluções não irá prejudicar o actual estado da equipa. Podemos bater o recorde da chicotada psicológica mais rápida sem correr o risco de voltar a perder o 1º jogo deste campeonato. As melhores equipas do Mundo, e daí a sua qualidade e classe, têm níveis mínimos que não se permitem ultrapassar.

Peças do puzzle

O Miguel disponibiliza um texto de António Pinto Ribeiro que elabora sobre a decadência do Pacheco. Novidade? Não, mas mais uma peça do puzzle da falência da direita portuguesa, a qual tem estado entregue ao refugo dos arrivistas, aos narcisistas de feira, aos megalómanos pançudos, aos biltres engravatados e aos catastrofistas que andaram na escola primária com o Matusalém. O fel que esguicham é directamente proporcional à impotência onde se afogam.

Uma grande desgraça

Henrique Raposo pegou num estudo relativo a um programa estatal romeno de apoio à aquisição de computadores para crianças cujas famílias têm baixos recursos económicos e resolveu excomungar o “Magalhães”, again and again. Nestas ocasiões, fico sempre cheio de curiosidade: quanto é que recebe do Expresso para fazer estes números circenses? Porque ele é pago, certo? Qualquer valor acima dos três euros por peça já me parece um balúrdio. Mas vamos à coisa:

– O estudo regista benefícios no plano cognitivo para as crianças em resultado da interacção com o computador.

– O estudo regista competências e conhecimentos computacionais nas crianças resultantes da interacção com o computador.

– O estudo constata a importância decisiva do meio – família, pais ou encarregados de educação – para anular eventuais disfunções no aproveitamento escolar.

Estes aspectos foram manhosamente ignorados. Porquê? Que leva figuras com amplificação mediática a dizerem que o Sol até mete frio só para pisarem os pequenos computadores dados aos pequenos portugueses? A ancestral inveja. E também o perene medo. Como pertencem a uma pseudo-direita, a qual se serve da marca para vender peixe podre, têm medo da democracia. Ora, a democracia é tão forte quanto a força intelectual de cada um dos seus membros. A democracia é o sistema político mais complexo, logo o mais difícil de realizar e manter, por carecer de sociedades com altos níveis de instrução e/ou funda educação. Ao distribuir computadores pelas famílias mais pobres – e vamos esquecer a desonestidade intelectual, ou iliteracia, da extrapolação da realidade romena para criticar o Governo português – está-se a dar a muitos uma oportunidade acrescida de sucesso escolar e social. Naturalmente, quem delira que nasceu para barão não gosta de ver o povo nessas andanças da inteligência. O povo é castiço e suportável apenas quando baixa a cabeça e pede desculpa aos senhores doutores, o resto é feio e cheira mal.

Nicholas Negroponte, um estúpido que não chega aos calcanhares do Raposo, é uma das maiores causas de insucesso escolar no Planeta – conclui a nossa pseudo-direita, essa grande desgraça.

Estado de guerra

Não ignoro a provável desvairada complexidade, ou mesmo impossibilidade, legal da questão, mas o maior absurdo português em matéria de defesa nacional é a ausência das Forças Armadas na prevenção e combate aos fogos ao longo de todo o ano e como parte da sua missão. Não só o Exército poderia limpar as florestas e multiplicar os postos de vigia na época de incêndios, como dispõe de equipamento de engenharia e segurança capaz de controlar as zonas afectadas e facilitar o trânsito de bombeiros e serviços médicos – a que se juntam as unidades de pára-quedistas, ideais para intervenções urgentes e em zonas inacessíveis aos veículos. Tal como a Força Aérea poderia ser decisiva para o patrulhamento, tanto utilizando aparelhos pilotados como de voo automático equipados com sensores e câmaras. É possível, cruzando dados de satélites com os da vigilância local, ter Portugal coberto permanentemente com uma malha de informação que reduza drasticamente o tempo para a chegada das primeiras equipas de combate aos fogos.

Outro fenómeno que poderia suscitar trabalho dos académicos e investigadores sociais é o dos incendiários psicóticos. Importa saber se a patologia é estatisticamente mais elevada em Portugal do que noutros países similares. E importa ter uma intervenção contínua na antecipação e dissuasão desse comportamento.

Leituras:

Exército quer “orientações claras e objectivas” nos incêndios

Militares vão vigiar serra de Santa Luzia

Detidos mais dois homens por suspeita de fogo posto

PJ reforça equipas de investigação aos incêndios

Dias da rádio

Devido a uma falha técnica qualquer, não foi possível ouvir na Internet uma edição do Encontros com o Património que me encantou especialmente, já de Julho do ano passado. Mas aqui o pilas batalhou, melgou os amigos da TSF ao longo do tempo, e recebeu recentemente um simpático email da Teresa Alves com a excelente notícia: já podíamos voltar a Angra do Heroísmo, a meio caminho de chegarmos ao Brasil.