David Blanco

Para além de ser um craque, para além de ser galego, para além de ter igualado Marco Chagas em vitórias na Volta a Portugal, é de uma simpatia e humildade que já não se usam e até baralham o espectador. Este anti-herói justifica que se volte a sentir aquela alegria parva que encantou os nossos pais e avós, e tantos outros que são hoje avós e pais, quando largavam tudo para irem a correr ver passar os ciclistas.

Não é que esses tempos fossem melhores, mas havia gente com mais pedalada.

7 thoughts on “David Blanco”

  1. Caro Val,

    se pensas que segui o teu conselho de “largar o vinho” estás bem enganado, como seria possível tal pecado e teimar em visitar-te, como quem está drogado do teu passado de brilho, ou será por pura curiosidade de saber das tuas melhoras.

    Esta tua frase “mas havia gente com mais pedalada” é seguramente uma charada e é nesse sentido que elaboro a tua contradição. “Os tempos não eram melhores” mas havia gente com mais quê?

    Só um acerto, as qualidades do tipo são mais próprias de Francisco de Assis do que do teu Santo de PM. Imagina como tudo estaria certo se fosse possível inverter os papéis dos ditos cujos (longe vá o agoiro).

    Bebe bem que isso passa.
    Sempre a considerar-te.

  2. Uma curiosidade – enquanto este «post» estava a ser colocado lia eu um livro sobre jornais e jornalistas no qual Homero Serpa recorda que muitos anos depois de os três clubes (SCP, SLB e FCP) terem acabado com o ciclismo ainda apareciam bandeiras verdes, azuis e vermelhas nos locais mais inesperados deste País. Era outra a pedalada, sem dúvida, as dificuldades exigiam mais das pessoas. Já imaginaram o que era ir a ESpanha ceifar partindo a pé de Cardigos, Proença a Nova ou Oleiros???

  3. Val,

    Bem se vê que não acompanhas com regularidade o desporto velocipédico, caso contrário, não farias tal elogio ao David Blanco da forma que fizeste. Não que ele não o mereça, muito antes pelo contrário. Mas se seguisses amiúde verias que os Blancos neste desporto são aos milhares. Este é um desporto de entrega, sofrimento e muito amor “à causa”, se assim não fosse todos desistiam(os) no final da primeira amostra de subida ou ao primeiro “empeno” felizmente não o fazem(os).

    Está de parabens o David e toda a equipa do Tavira, sem a qual o David não teria sequer um lugar no pódio. O ciclismo tem destas coisas, uma equipe inteira a rebocar um tipo que vai sobressair, esses sim são os anti heróis!

    Em suma, estão de parabéns todos os heróis do pelotão!

    Este desporto tão simples de consiste em fazer um movimento circular até ao exaustão, contudo, com tão pouca gente a compreende-lo!

  4. Concordo , o ciclismo tem um ponto de heroico que nos faz sentir mais lá. Estou muito ogulhoso diste galego, embora , que tristeza, em Galiza é conhecido mais não popular e na Espanha nada. São assim as coisas, aqui olha-se mais para outras bandas, e o que não sai nos masss meia não existe.
    Sorte o Braga não eliminatoria co Sevilla. O Sevilla é uma equipa muito forte.

    P.S. tenho muitos dessassosego pela vaga de lumes em Portugal e tambem na Galiza, sinto muito perto o do Peneda-Gêres. Galegos e portugueses nisso somos iguais, os que mais queimamos e dende séculos é séculos. Esta ceifeira da natureza devia rematar.
    saudações.

  5. David Blanco:
    “Este anti-herói justifica que se volte a sentir aquela alegria parva que encantou os nossos pais e avós, e tantos outros que são hoje avós e pais, quando largavam tudo para irem a correr ver passar os ciclistas.
    “Não é que esses tempos fossem melhores, mas havia gente com mais pedalada”.
    É evidente que pessoas da minha idade e mais velhas tenham uma certa nostalgia pela Volta A Portugal em Bicicleta dos anos cinquenta, sessenta. A televisão só a partir do fim da década de cinquenta é que começou a dar reportagens e a fazer os directos. Nessa altura quem quisesse estar a par deste desporto ou ia assistir às etapas ou ouvir a rádio. Hoje torna-se mais cómodo e assiste-se a toda a etapa confortavelmente no seu sofá a ver na televisão.
    Havia os clubes, Benfica, Sporting, Porto, Académico do Porto, etc. A rivalidade era constante entre Alves Barbosa e Ribeiro da Silva. Na minha terra, Freamunde, havia a clã Barbosa e Ribeiro da Silva, a rivalidade era tanta que um dia, não se sabe como tiveram conhecimento, foram avisar Alves Barbosa das pretensões de Ribeiro da Silva para a etapa daquele dia. Eram um grupo de amigos, a maior parte do mesmo clube no que respeita ao futebol, mas no ciclismo eram rivais.
    Ribeiro da Silva passava a maior parte do seu em Freamunde, tinha um grande amigo, Nelson Lopes, ainda me lembro, de o ver no dia do funeral a acompanhá-lo e chorava como uma criança. O cortejo fúnebre passou por Freamunde – eu, era uma criança – julgo que para lhe prestar a última homenagem. Na altura a namorada era daqui e foi padrinho juntamente com ela de uma criança, hoje homem, na casa dos cinquenta e picos anos e que se chama José Manuel, o mesmo primeiro nome de Ribeiro da Silva. Via-o constantemente com a sua bicicleta de “corrida” e maravilhávamo-nos pela nossa presença junto de ilustres personagens.
    Foi sempre Freamundense – além de ser natural de Lordelo e do concelho de Paredes – mas esta terra para ele era sempre muito querida e fruto disso a sua família ainda hoje sente um grande carinho por Freamunde. Ainda no domingo, no jogo entre Freamunde e Belenenses, para a Taça da Liga, encontrei o seu irmão Fernando a assistir ao jogo, agarrado a uma canadiana, deve de ser dos mais antigos sócios do Freamunde.
    Resta-me cumprimentar David Blanco pela sua vitória e pelo seu cavalheirismo para com os portugueses. A estes não custa reconhecê-los como campeões do desporto.

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