Gasóleo e gasolina continuam a descer na próxima semana
Recessão no primeiro trimestre menos forte que o previsto
Clima económico em Portugal recupera “ligeiramente” em março e abril
Somos tão bons a dar conselhos aos outros porque nessas situações não se trata de um problema nosso. É isso que permite vê-lo com objectividade, tratá-lo com lógica, inseri-lo em padrões de sentido onde ganham novos e benévolos contextos. Daí os psicólogos cognitivo-comportamentais treinarem os seus pacientes nessa técnica de despersonalização dos problemas pessoais, assim lhes reduzindo as componentes emocionais tóxicas e aumentando a atenção para as capacidades da inteligência do indivíduo na alteração do sentido das suas experiências.
É precisamente isso que podemos e devemos fazer em relação à crise na Europa. As omnipresentes interpretações neuróticas repetem que isto é tudo muito mau, uma desgraça, uma tragédia. Têm a sua razão, pois aumentou a pobreza em vários países europeus, o que apenas tem sido motivo de festa ali para os lados da Lapa. Porém, se conseguirmos escapar ao melodrama jornalístico e comentarista, se olharmos para a realidade de um ponto de vista histórico, aquilo a que estamos a assistir é grandioso: um momento crucial da construção europeia. E quem é que disse que iria ser fácil? Onde é que já se tentou levar a cabo uma união tão complexa e improvável, agravada pela complexidade e imponderáveis da ordem económica mundial? A Europa, devassada pelas maiores guerras de que há memória, apenas há 50 em ruínas, depois esmagada entre duas superpotências, tem vindo a criar um dos mais belos capítulos da civilização. Algo tão completamente original que, também por aí, se falhar, ou precisar de muito mais tempo para crescer, nem para os analfabetos será uma surpresa.
Por isso, de repente, a Grécia volta a ser o berço da democracia, suprema e dolorosa ironia. Num certo sentido, se acontecer o pior poderá ser o melhor; isto é, se o Syriza vier a governar, e se mantiver o intento de não respeitar as dívidas e sair do Euro, a incomensurável confusão daí resultante tanto para a Europa como para o Mundo será sempre um minúsculo preço a pagar pela glória de ver a vitória de um modelo político que é a mais consumada realização do génio humano que os bípedes implumes conseguiram, e conseguirão, fazer nascer das suas misérias. A história da Europa, muito mais do que o palco principal do cristianismo ou da génese e desenvolvimento da ciência, é essencialmente a gesta da liberdade.
O Manifesto para uma esquerda livre tem o grande mérito de enfrentar a besta logo à cabeça dos seus objectivos principais:
UMA ESQUERDA MAIS LIVRE, com práticas democráticas efetivas, sem dogmas nem cedências sistemáticas à direita, liberta das suas rivalidades, do sectarismo e do feudalismo político que a paralisa. Uma esquerda de cidadãos dispostos a trabalhar em conjunto para que o país recupere a esperança de viver numa sociedade próspera e solidária.
Sem dúvida que o vocábulo mais importante dos 51 que constituem o parágrafo é este: sectarismo. Donde vem o sectarismo? Quem o cultiva? Quem depende dele para manter a sua identidade? As respostas vão dar todas ao BE e ao PCP. Recorde-se o patético do BE a querer antecipar-se ao PCP na moção de censura em 2011, depois do BE ter feito o mesmo ao PS com Alegre para as presidenciais e já antes para o desgaste do Governo maioritário. Um líder desvairado, ofuscado pelas luzes do palco e a imaginar-se o grande comandante da esquerda grande sem ter ninguém no partido para lhe fazer frente, sequer chamá-lo à terra. Recorde-se o conservadorismo religioso do PCP, absolutamente imune a qualquer tentativa de aggiornamento e, como consequência, cristalizando o discurso nas barricadas de um patriotismo reactivo e fóbico. Recorde-se o encontro do BE com o PCP no período eleitoral de 2011, depois de terem contribuído para as condições em que a vitória da direita seria inevitável e com os futuros aproveitamentos da crise que se anteciparam à exaustão, e de como essa reunião não passou de uma triste farsa que nem os próprios se esforçaram para esconder.
De facto, não será sensato esperar das cúpulas do PCP e BE, e sua legião de fanáticos, qualquer ponte com o PS, sequer entre si. É aqui que o parágrafo, como o Manifesto ele próprio, entra em imediata contradição, pois a expressão “cedências sistemáticas à direita” é a fórmula pela qual a retórica da esquerda verdadeira trata o socialismo democrático. Como é que os proponentes e signatários pretendem resolver o imbróglio? Quem é que vai definir os limites das cedências legítimas ou assistemáticas? Aliás, o que será exactamente uma cedência? Lendo e relendo o Manifesto, olhando para o elenco pensante, rigorosamente ninguém saberá responder a estas perguntas. Estamos tão-só perante um conjunto de lugares-comuns do que seja a esquerda enquanto largo território ideológico, generalidades que não resistem a uma primeira discussão sobre qualquer acto governativo concreto sem que tal cause fatal dissensão no maralhal.
Inútil, então, esta iniciativa? Para começar, por ousar colocar o problema do sectarismo no centro do impasse da esquerda em Portugal, não. Mas se contemplamos apenas um fogacho saído da frustração e cansaço de alguns ou se testemunhamos o começo de um movimento onde a inteligência e coragem dos seus líderes seja capaz de reunir cidadãos dispostos a trabalhar em conjunto para que o País recupere a esperança de viver numa sociedade próspera e solidária, isso só o tempo poderá revelar. Tendo em conta o modo como várias das vedetas signatárias alinharam no boicote e demolição dos Governos socialistas, juntando-se a campanhas de assassinato de carácter produzidas pela escória dos direitolas, os prognósticos são muito, muito, mas mesmo muito reservados.
«É sabido que por ordem do Governo, e por instrução minha direta, as Forças Armadas portuguesas aprontaram uma força que tem como missão a eventual necessidade de resgate de cidadãos portugueses na Guiné-Bissau e não qualquer outra, esses meios têm estado em movimento de modo a que possam estar operacionais caso essa eventualidade se venha a colocar, trata-se de uma pura ação de prevenção destinada a salvaguardar os interesses dos cidadãos portugueses», afirmou Pedro Passos Coelho.
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O envio para Guiné-Bissau da Força de Intervenção Rápida – composta por duas fragatas, uma corveta, um navio reabastecedor, um avião P-3 Orion, um avião C-130 e mais de 1000 homens – foi decidido em cima do golpe de Estado. O argumento invocado, a protecção dos portugueses aí residentes, era estranho logo à partida. E cada vez mais estranho à medida que se pensava nele. Por um lado, não havia relatos de ameaças contra a integridade física ou bens da comunidade portuguesa na Guiné, sendo que um português lá residente até relatou para na TSF a normalidade da anormalidade, dizendo que já estavam todos habituados aos golpes sucessivos e que esperavam tranquilamente que a situação voltasse ao habitual. Quase que bocejava ao relatar o que via à sua volta. Por outro lado, porque em caso de emergência militar seria Angola quem estava em melhores condições logísticas, quiçá igualmente políticas, para intervir no terreno. Pelo meio, não se percebia como iria esta força militar portuguesa servir para evacuar os mais de três mil cidadãos nacionais que residem só em Bissau, nem se entendia a sua dimensão se a finalidade fosse apenas a de resgatar umas dezenas ou centenas de indivíduos no meio de um conflito aberto. O que se compreendeu foi a tentativa de Portas para liderar a resposta internacional, tendo iniciado um processo de intenso envolvimento diplomático, à mistura com declarações contundentes contra os golpistas. Da parte da oposição, nem um vagido se soltou, unanimidade política na Grei.
O melhor da ida de Relvas ao Parlamento para explicar a sua relação com Jorge Silva Carvalho esteve no registo de novas mentiras saídas da sua boca suja. O facto de os políticos terem de mentir em inúmeras ocasiões como obrigação mesma da sua responsabilidade não seria notícia caso não estivéssemos perante hipócritas deste calibre, os quais têm rastejado agarrados à “verdade” no charco da redução da política ao moralismo mais venenoso e bronco. Desta vez, Relvas mentiu quando lhe perguntaram se tinha comunicado ao Primeiro-Ministro a recepção dos SMS com nomes para reestruturar os serviços secretos. Ouçamos o guincho mentiroso e a resposta em falsete:
Não considerei importante… Não!… Não, não, não, não, não, não, não, não, não!
Porque é que estamos perante uma mentira descarada em sede parlamentar? Porque, e vamos esquecer o mero bom senso que chega e sobra para o gasto, caso Relvas não tivesse partilhado com Passos esse acontecimento estaria a violar a sua confiança. O “Super-espião”, que se demitiu com estrondo do SIED em 2010 para provocar danos políticos ao Governo de Sócrates e foi para um Grupo de fortíssima influência empresarial e social, é um passarão demasiado pesado para caber apenas no telemóvel do braço-direito do menino de Massamá. Assim, face a uma pergunta que iria expor Passos a mais pressão jornalística, Relvas opta por mentir a deputados numa questão que sabe ser impossível de investigar por remeter para a esfera sigilosa da sua relação executiva e pessoal.
Relvas disse que tudo não passava de uma tempestade num copo de licor. Tem razão.
Sou a favor do costume de beijar a mão das senhoras quando somos apresentados. Afinal, é preciso começar por algum lado.
Sacha Guitry
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E mais bocas machistas da melhor colheita. E também bocas outras.
A 1ª comissão de inquérito parlamentar ao caso BPN, em 2009, reuniu a direita da verdade e a esquerda verdadeira no tiro ao Constâncio, tendo exultado com a grande conclusão que milhares de páginas e centenas de horas permitiram alcançar: o mau da fita, no fundo e para o que importava, era o Banco de Portugal.
Depois disso, alguma arraia-miúda tem ensaiado a paranóia auto-reflexiva de que a nacionalização do BPN foi decidida apenas para ficar a conhecer os segredos de Cavaco.
Agora, Cadilhe avança com mais uma seríssima teoria da conspiração:
Miguel Cadilhe, antigo presidente do BPN até à nacionalização, declarou hoje no Parlamento que, em 2008, “muitas pessoas” lhe referiram existir uma “relação causa-efeito” entre a nacionalização do banco e um processo em curso de denúncia ao Ministério Público de vários atos suspeitos da gestão de Oliveira e Costa. “Mas não foi possível colocar uma pedra, ou calhau, no assunto, porque os processos eram imparáveis”, declarou Cadilhe.
O antigo presidente do BPN recordou que, dias antes da nacionalização, uma equipa de inspectores tributários liderados pelo juiz Carlos Alexandre e pelo procurador Rosário Teixeira fez uma busca às instalações do banco. “Eu e a minha equipa ficamos com a percepção, sem confirmação, de que a investigação já sabia que a nacionalização iria acontecer e que, antes que acontecesse, queria recolher informação no banco”, declarou Cadilhe, após ter sido questionado pelo deputado João Almeida do CDS/PP.
Ora, vamos lá fazer a soma das parcelas: havia roubalheira colossal no BPN, a qual era do conhecimento do Banco de Portugal ou que este se recusava a investigar, por isso as coisas chegaram onde chegaram, e depois, como rebentou a bronca, Oliveira e Costa, Dias Loureiro e/ou Cavaco foram a correr pedir a Teixeira dos Santos e/ou Sócrates para se sacrificarem numa nacionalização que iria prejudicar gravemente a sua governação tanto na dimensão política como na económica, e de cujo estigma não mais se livrariam, apenas para salvar a pele dessa malta amiga do PS.
A gente séria diz isto e nem procura disfarçar a risota. São muitos séculos a virar patos na grelha.
O deputado do PSD Miguel Frasquilho disse nesta segunda-feira, em Felgueiras, que “os portugueses percebem o caminho que está a ser trilhado pelo Governo e que não havia outra alternativa”.
Comentando o crescimento do desemprego, em 2011, na região do Vale do Sousa, que ultrapassou os 20% face a 2010, Miguel Frasquilho insistiu que só as políticas que o Governo está a executar “poderão proporcionar”, no futuro, “mais crescimento económico e criação de emprego”. “É este Governo que está a desendividar Portugal e que está a transformar estruturalmente a sociedade portuguesa e a tornar o país mais competitivo e mais atractivo”, afirmou.
Para o deputado social-democrata, “o Governo está a corrigir anos de desvario”, um trabalho que, sublinhou, exige “esforço, coragem e empenho”. Ainda a propósito da subida de desemprego no interior do distrito do Porto, com números que admitiu serem “dramáticos”, revelou que o PSD já previa que a situação evoluiria nesse sentido, acrescentando: “Esperávamos um agravamento da situação de 2011 para 2012 e, em termos de desemprego, 2013 poderá ser ainda um ano muito complicado”.
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Ah, como Frasquilho tem razão, como tudo o que diz é a verdade verdadinha. Este Governo está mesmo, mesmo, mesmo a transformar estruturalmente a sociedade portuguesa. Isso é inegável, inquestionável, indisfarçável. Precisaríamos de recuar a 24 de Abril de 74 para encontrar a mesma tristeza no povo, o mesmo desespero nas famílias, a mesma ideologia bolçada pelos soberbos governantes, a qual despreza os pobres, a classe média, os trabalhadores e os considera culpados de todos os vícios, em especial da preguiça e da gula. Ah, o desvario dos últimos anos, quem pode esquecer. Que loucura, que bacanal. Bastava ler os relatórios do Banco de Portugal, do Instituto Nacional de Estatística, do Eurostat, da OCDE, da Comissão Europeia, dali e dacolá. Toda a gente a denunciar a loucura, era uma loucura. Ah, o desvario das Novas Oportunidades, essa irracionalidade de atribuir competências a quem não nasceu para doutor. Ah, o desvario do programa Magalhães, esse desperdício que só serviu para irritar professores e espalhar literacia informática. Ah, o desvario dos investimentos em ciência, tecnologia, energias renováveis, diplomacia económica, renovação do parque escolar, cultura de avaliação nas escolas, rede viária, ligações de transportes, reforma do Estado. Que inacreditável suicídio colectivo esse de acreditar que Portugal poderia crescer através da qualificação e da modernização.
Sim, Frasquilho, o teu PSD, esse partido que nos ofereceu Santana e Menezes, Cavaco e BPN, Jardim e troika, Passos e Relvas vai deixar este país num brinquinho, a brilhar de tanto o lixarem. Convosco não há desvarios, está tudo controlado.
Comprei este. Porque é azul. Um cartaz azul. Uma nascente de azul e infinito. Mas tu podes comprar um dos outros. Ou algo completamente diferente. E também podes comprar o que eu comprei, pois claro, mas só se ainda fores a tempo tendo em conta que apenas vão imprimir 30, os cabrões – os meus queridos amigos da Musa.
Precisamos de abandonar a Zona Neuro com a maior urgência possível. Hoje mesmo. Como o fazer? Declarando a falência do medo e anunciando que não temos mais atenção para dar a quem insulta a nossa inteligência.
O que mais custa é começar, precisamente por não sabermos por onde começar, tal a quantidade e variedade de insultos vindos de todas as direcções. Mas depois, se lhe tomarmos o gosto, não queremos outra coisa.
Bute, bazemos: adios, adieu, auf wiedersehen, goodbye Zona Neuro.
Bem sabemos que esperar de Cavaco que seja o garante do regular funcionamento das instituições democráticas, este mesmo Cavaco que conspirou contra um partido e dois Governos assim conspurcando a Presidência da República e violando a Constituição, será algo mais improvável do que ver Pacheco Pereira a organizar um jantar de desagravo a Sócrates. Porém, contudo, todavia, não existe mais ninguém a quem possamos fazer esta pergunta: o facto do Procurador-Geral da República ser desmentido pela Ministra da Justiça e, acto contínuo, a Ministra da Justiça ser desmentida pelo Procurador-Geral da República, sendo o assunto em causa um processo que envolve a possibilidade de corrupção ao mais alto nível do Estado, entra dentro do que a lei fundamental portuguesa considera como regular funcionamento dessas duas instituições democráticas em causa?
Não há nenhuma entidade, ou mera figura pública, que fale nesta inacreditável ausência de responsabilização entre dois titulares de cargos tão elevados em radical contradição entre si numa matéria do foro judicial. Nem à direita nem à esquerda, nem dentro dos partidos nem fora deles, nem para criticar nem para questionar, nada de nada de nadinha de nada é dito. É como se não tivesse acontecido, não estivesse a acontecer todos os dias, a toda hora, enquanto uma das partes não assumir o seu erro ou demonstrar o erro alheio.
Está a ser umas das mais reveladoras experiências políticas da minha vida.
Why We All Love The Sound Of Our Own Voice
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Babies’ Brains Benefit from Music Lessons, Even Before They Can Walk and Talk
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Orangutans Communicate with iPad Autism App
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Park Improvements Lead to Increased Vigorous Exercise, Not Just Greater Use
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Purpose in Life May Protect Against Harmful Changes in the Brain Associated with Alzheimer’s Disease
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Smell More… Eat Less
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Middle-Age Spread: Study Shows Range of Perceptions About When Midlife Begins
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Eating Fast Increases Diabetes Risk
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Creepy People Leave You Cold
Passos foi à tomada de posse do Conselho para o Empreendedorismo e a Inovação e disse umas banalidades com que a gente séria costuma explicar a pobreza dos pobres em almoços e jantares, casamentos e baptizados, cocktails e vernissages: que o povoléu, no fundo, não quer é trabalhar (tal como os pretos e os ciganos, por isso igualmente pobres) nem gosta de estudar. Se fossem como a gente séria, estariam a meter cunhas aos tios, primos e amantes da mãe para irem para boas empresas ter uma carreira, ou mesmo para empresas assim-assim mas com direito a carro e tudo. Ou então iam para boas universidades no estrangeiro, ou mesmo para universidades assim-assim ou que nem sequer são universidades, e voltavam doutores e a falar línguas. Pois não, os pobres são de uma passividade exasperante, preferindo ficar a olhar para os palácios em vez de irem a correr bater ao portão e oferecerem-se para servir no que for preciso. Foi disto que Passos falou, incentivando a audiência a não se deixar contagiar pela preguiça dos miseráveis e tratar de agarrar as oportunidades que preenchem o dia-a-dia da frenética gente séria.
Bom, mas isso foi à tardinha. Da parte da manhã, Passos tinha enviado para os tímpanos da Nação esta novidade:
O nível da carga fiscal é insuportável em Portugal.
Vamos então admitir que Passos entende o que diz e que diz o que quer. Nesta hipótese, quis dizer que a carga fiscal ultrapassou os limites. Quais limites?… Who fucking cares?! Basta que seja o Primeiro-Ministro a dizê-lo para que possamos todos invocar a sua palavra e deixar de pagar impostos até que a situação seja regularizada.
Outra problema, só para os curiosos, é o de descobrirmos o que leva Passos a largar bacoradas atrás de bacoradas, e isto com tal regularidade e amplitude que configura um óbvio caso de bronquite asnática. Uma forte pista estará naquilo que levou Soares a esta simpatia:
Passos Coelho é uma pessoa bem-intencionada com quem se pode falar.
É altamente provável que esta descrição seja absolutamente correcta. Passos será alguém com quem se pode falar porque ele diz tudo como os malucos; o que é sempre engraçado, dispõe bem. E é essa, unicamente, a sua intenção: agradar ao seu interlocutor, dizer-lhe o que acha que ele quer ouvir. Foi isso que fez com Louçã, juntando-se a ele num lamento partilhado. A sua vontade era a de ir até à bancada do BE e dar um emocionado abraço ao grande líder da esquerda grande, dizendo-lhe com voz trémula e olhos marejados: “Vamos conseguir reduzir os impostos, Francisco, vamos conseguir! Mas não pode ser já, infelizmente… Tu compreendes… Tu ajuda-me!”.
E assim como diz qualquer coisa que lhe pareça ir agradar a terceiros, de imediato se esquece e faz exactamente o contrário. A sua campanha eleitoral e o que decidiu logo que entrou em S. Bento são o padrão do que podemos esperar para o presente e para o futuro. Passos é como um tipo que viesse enfiar-se com o seu carro no nosso jardim, saísse para ver os estragos e começasse a falar connosco contra os tipos que andam por aí a conduzirem como doidos e a enfiarem os seus carros nos jardins alheios. Depois arrancaria a fundo e nunca mais o víamos.
O Presidente da República recusou hoje comentar o ‘caso das Secretas’, considerando que “os dirigentes políticos não se devem pronunciar” sobre essa matéria por estar a ser investigada pelo Ministério Público.
“É uma matéria que está a ser objeto de investigação por parte do Ministério Público e enquanto se desenvolve uma investigação dessa natureza entendo que os dirigentes políticos não devem pronunciar-se”, afirmou Cavaco Silva, em Matosinhos, depois de visitar o Fórum do Mar, a decorrer na Exponor.
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Face às dúvidas fortes que neste momento estão instaladas na sociedade portuguesa, é importante que os responsáveis da empresa de telecomunicações expliquem aos portugueses o que está a acontecer entre a PT e a TVI. É uma questão de transparência.
O PS é o principal partido do regime, que o mesmo é dizer da democracia portuguesa, e tem um vasto espectro de militantes e simpatizantes, representando com fidelidade o País na sua diversidade e unidade. Contudo, é de uma acabrunhante inércia no que respeita à produção intelectual que sirva para alimentar, desenvolver e remodelar o espaço público. O lançamento do “Laboratório de Ideias”, e vamos esquecer a ofensa de Seguro ao partido ao ter querido entregá-lo a Carrilho, é uma iniciativa ensimesmada, uma desculpa para as células partidárias fazerem mais do mesmo: nada que o cidadão veja.
Um líder socialista interessado em ganhar eleições – ou, pelo menos, em ajudar o próximo líder – estaria neste momento à espera de receber com carácter de urgência um estudo a respeito da manipulação dos órgãos de comunicação social a favor das estratégias e agendas da direita. Esse foi um dos principais factores que explicaram o desfecho tanto das eleições presidenciais como das legislativas em 2011. E constantemente testemunhamos quão obscenos conseguem ser os jornalistas que diariamente produzem peças ao serviço de interesses políticos determinados. O que se passa, nem que fosse só para servir a estudantes universitários, merece mais do que um estudo académico.
Continuar a lerSe não podem tapar as sarjetas, distribuam máscaras
As recentes declarações de Soares dos Santos vieram colocar a acção promocional do 1º de Maio numa outra, e bem diferente, perspectiva. Do plano urdido com feroz profissionalismo e agressividade comercial, assim pintado pelos apologistas, ou manobra degradante de contorno e intento ideológico, acusação dos detractores, deixou de haver sinal. As declarações do patrono do Grupo, a começar pela admissão de não ter sido avisado, o que revelam é uma surpreendente fragilidade na administração. Aparentemente, a coincidência com o feriado do trabalhador diz mais respeito ao calendário, o ser o primeiro dia de um mês antes do Verão e suficientemente afastado do Natal, do que a uma bizarra e rocambolesca forma de fazer a grande distribuição de ideais políticos. A guerra com o Continente, em que este tem resistido como líder apesar do excelente marketing do Pingo Doce até à fatídica data, mais do que justifica uma acção de grande espectacularidade e impacto como essa da redução de 50% na factura. Do que não estávamos à espera é desta imagem de confusão e desorientação passada por Soares dos Santos.
Aliás, e do ponto de vista da concorrência, há agora novas oportunidades para reposicionamentos que explorem a negatividade comunicacional gerada por esse dia de convulsão retalhista. A extensa cobertura mediática com imagens e notícias sensacionalistas, prolongada nos dias seguintes pela polémica social e política, inevitavelmente arrasta a marca para um território de associações com a pobreza, a exclusão, o desespero. De repente, o discurso pragmático que permitiu resolver sem espinhas de maior o berreiro na comunicação social a propósito do pagamento de impostos na Holanda – resolvido, simplesmente, com a continuação das promessas de vantagens para os consumidores através de preços baixos – não vai desta vez chegar para colmatar os danos. O Pingo Doce, por incúria ou risco, permitiu-se ferir a identidade da classe média, a qual admite tranquilamente querer pagar o menos possível por bens de primeira, segunda e terceira necessidade, mas que não suporta perder a pouquíssima auto-estima que lhe resta.
É Vítor Gaspar. O João Galamba explica. A Penélope também.