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Ando desde 2001 a dizer o mesmo que este gajo
Mas conversar do quê, Jerónimo?
“Como entender esta posição política do PS que tem lá a assinatura, em como está de acordo, e depois vem para Serpa ou para outros lados dizer que esta política da troika, do Governo, não serve. Retire a sua assinatura e então podemos conversar. Enquanto não o fizer, responsabilizamos o PS por esta política que realiza contra o nosso povo”, desafiou Jerónimo de Sousa, num almoço com cerca de 800 apoiantes, em Serpa.
Jerónimo de Sousa responsabiliza PS e chama atenção para desemprego
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O PCP conversaria com o PS caso este decidisse apoiar a saída de Portugal da União Europeia. Como o PS insiste em apoiar a presença de Portugal na União Europeia, o PCP não conversa com o PS. Isto é à prova de estúpidos. E está bem. É uma ideia, uma posição. Porque não? É tão legítima como outra qualquer. Recapitulemos: caso o PS queira que o PCP aceite conversar consigo, é favor anunciar que isto da União Europeia já não presta, vamos tentar viver de outra maneira. Ok.
O que me encanta é o exercício de imaginar o que seria essa conversa. Como o PCP não admite ceder nem um milímetro nas suas ambições políticas, tal situação levaria um grupo de arrependidos ao encontro de um grupo de juízes. A malta do PS entraria na sala curvada, de cabeça baixa e a choramingar, batendo no peito enquanto gritava “Perdão, camaradas!”, “Não voltaremos a cair nos braços da direita!”, “Viva o povo e o seu único defensor, o PCP!”. À sua frente estaria Jerónimo com um sorriso misto de desprezo e paternalismo, enfastiado por ter de gastar uns minutos a explicar aos socialistas o que deveriam fazer em ordem a dissolverem o PS e entregarem todos os bens ao PCP, o único partido que se justifica existir dado que a verdade não é plural – muito menos à esquerda, como Marx ensinou, Lenine aplicou e Estaline consumou.
Em nome de 7,8% do eleitorado, o PCP foi cúmplice do PSD e do CDS contra um Governo socialista numa situação em que estava em causa o interesse nacional num momento crítico da nossa existência comunitária. Para os comunistas, ajudarem esta direita de trastes a terem carta branca para empobrecerem Portugal literalmente à doida equivale a estarem a defender o povo e os trabalhadores. Tamanho vanguardismo democrático faz-me ter esperança de que um dia esse mesmo povo e esses mesmos trabalhadores tão exemplarmente defendidos pelo PCP se lembrem de ir conversar com o Jerónimo. É que o Jerónimo não tem lá a sua assinatura no papelucho, mas a História regista que sem a sua assinatura laranja no Parlamento tal papelucho talvez nunca tivesse aparecido. Creio que o materialismo dialéctico também abarca fenómenos desta tipologia.
Abram a pestana
Não foi este Governo que criou esta crise, mas foi este Governo que criou mais crise. Temos que ser justos.
António José Seguro, actual secretário-geral do Partido Socialista por decisão de 23.903 militantes
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Esta crise. Que crise é esta? Ou melhor, que crise é essa? Que crise é essa de que Seguro fala? Quem a criou? Foi um só Governo? Nesse caso, qual? Mais do que um? Nesse caso, quais? Ou nenhum, e a autoria da crise mora noutras paragens?
Seguramente que Seguro irá com segurança assegurar o eleitorado da seguríssima interpretação a dar a tão insegura expressão. Numa próxima oportunidade, haja paciência. Até lá, podemos pensar. Por exemplo, pensar que se este Governo criou mais crise, então há uma linha de continuidade que permite colocar “esta crise” num período anterior à entrada em funções deste Governo. Lógico. Mas, continuando agarrados à lógica, isso implica que a crise de que fala Seguro não se relaciona na origem com fraudes eleitoralistas, fanatismo ideológico, cálculos desmiolados, revanchismo histórico e violência social, as marcas indeléveis deste Governo. Não se relaciona porque não há memória de anteriores Governos, ou entidades por nomear, terem exibido tais características. Assim, o actual Governo terá acrescentado crise a um outro tipo de crise. E, portanto, para Seguro as fraudes eleitoralistas, o fanatismo ideológico, os cálculos desmiolados, o revanchismo histórico e a violência social não entram sequer numa qualquer categoria de crise.
É curioso, passando logo depois a ser desolador, ver aqueles que no PS defendem Seguro a copiarem a direita decadente. Para ambos, as críticas ao secretário-geral só se explicam por intenção conspirativa. Juntando a obsessão à paranóia, também ambos concentram as energias disponíveis na caça ao fantasma de Sócrates – de novo diabolizado naquele que fica como um inesgotável testemunho do seu poder político, tão grande quão maior é o pavor que espalha pelas hostes de adversários e, em especial, inimigos. Com certeza que há militantes e simpatizantes socialistas de valor apoiando com genuína convicção o actual líder, mas quando se abdica da resistência à crítica, e se passa a querer castigar o mensageiro, então a lucidez desapareceu e algo de apolítico está em marcha.
As debilidades de Seguro são tantas que a reductio ad Socratium não passa da desesperada cobertura das misérias próprias. Por isso a direita do pote já leva 5 anos dessa táctica, resultando no belo quadro de termos o País nas mãos de Cavaco, Passos e Portas. Se também no PS há quem queira imitar o que de pior a democracia portuguesa já gerou, então talvez o melhor seja fechar esta merda e mandar as chaves para o fundo do Mar da Palha.
Haverá tabuísmos em número suficiente na língua portuguesa para comentar isto?
«A terceira idade precisa de ver reforçado muito do apoio central que é dado por governos como este que nós representamos», afirmou o porta-voz do PSD, durante uma iniciativa de campanha do seu partido para as eleições autárquicas de 29 de setembro.
«Esses pensionistas, que são mais de um milhão e 200 mil no nosso país, sabem que no tempo do PS no Governo eles eram esquecidos e não viam as suas pensões aumentadas, e agora, com o PSD no Governo, apesar de todas as dificuldades que temos passado, esses pensionistas sabem que por dois anos consecutivos nós aumentámos as suas pensões», referiu.
Revolution through evolution
Are Women Less Corrupt?
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What Do Liberals and Conservatives Look for in a Date?
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Scientists Create New Memories by Directly Changing the Brain
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Possibility of Selectively Erasing Unwanted Memories
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Companies With a ‘Culture of Health’ May Outperform Others
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Robots Take Over Economy: Sudden Rise of Global Ecology of Interacting Robots Trade at Speeds Too Fast for Humans
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Hate the Sound of Your Voice? Not Really
Pés chatos
O triplo silêncio
A Fernanda voltou a fazer uma compilação de afirmações dos principais responsáveis do PSD – Esperteza saloia – que não são apenas desvios às opções do actual Governo. Estamos perante antinomias que resultam de terem prometido e garantido o exacto oposto do que agora praticam e dão como inevitável, indiscutível.
E se no plano meramente lógico a contradição é de uma espectacularidade nunca antes vista em nenhum outro partido, no plano da cidadania a situação é ainda mais grave. Estas pessoas embrulharam as suas mentiras num discurso moralista que servia de alavanca para assassinatos de carácter, apelos ao ódio, campanhas caluniosas, conspirações judiciais, golpadas mediáticas e manipulações populistas. Usaram todos os meios que encontraram para conspurcar o espaço público e o regime.
Ora, aqueles que têm recuperado essas mentiras e esses episódios constatam que eles não geram indignação. Nem sequer pedidos de responsabilização. Geram é um triplo silêncio. As figuras que trataram – e tratam – os portugueses como gado para abate limitam-se a ficar caladas porque se sabem impunes. A imprensa e os partidos da oposição calam-se porque os seus actuais dirigentes alinharam com essas figuras nesse tempo em que valia tudo, e também porque têm outras agendas onde a luta pela integridade e decência da vida em comum não entra. E os cidadãos calados ficam por se sentirem impotentes e desorientados.
Que vai acontecer, então? Assim que essas figuras voltarem para a oposição, elas, ou outras por elas, irão repetir os mesmos métodos que tanto sucesso tiveram em 2011. Os seus adversários serão carimbados como mentirosos, falhos de carácter, de honra duvidosa e cujas vidas precisam de ser investigadas por causa dos podres que lá estão escondidos. É este o modo de fazer política no PSD, o partido do BPN e do Jardim, do Menezes e do Abreu Amorim, do Cavaco e do Relvas, e não existe mais nada que eles precisem de aprender depois de dominarem estas técnicas.
Mas há quem mostre como se lida com pulhas:
Estão cada vez mais actuais as profecias do Moedas
As yields das obrigações do Tesouro a dez anos registaram, ao final da manhã, no mercado secundário, um novo máximo desde o final da crise governamental a 21 de julho. Às 12h30 de 13 de setembro, as yields das OT naquele prazo registavam 7,37%, segundo dados da Investing.com.
Um nível que está mais de um ponto percentual acima das verificadas em 22 de julho, no dia seguinte ao Presidente Cavaco Silva ter comunicado que manteria o governo em funções.
Juros da dídiva para lá da “linha vermelha”
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O PSD não tem dúvidas de que o rating de Portugal voltará a subir com as medidas tomadas pelo próximo Governo de Portugal. Foi a reacção do dirigente do gabinete de estudos social-democrata ao corte de dois níveis anunciado esta quinta-feira pela agência Fitch, depois de o PEC ter sido chumbado no Parlamento e de o primeiro-ministro se ter demitido.
Carlos Moedas diz, em declarações à Lusa, que os mercados «olham para uma nova equipa de gestão como uma boa notícia», porque «há muito tempo não dão credibilidade ao Governo português».
«Assim que os mercados incorporem a informação de que o PSD vai respeitar as metas do défice, e fará tudo o que for necessário para que se cumpram essas metas até porque foi o PSD que sempre anda atrás do Governo para cortar, essas agências voltarão a dar credibilidade a Portugal», assegura.
«Com as reformas que o PSD vai implementar, eu digo-lhe que ainda vão subir o rating, não sei se nos próximos 6 meses, se nos próximos 12 meses, ainda não se sabe quando haverá um novo Governo», acrescentou.
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Verdade, verdadinha. Continuamos todos, mercados e vítimas, sem saber quando haverá um novo Governo. Com muita, muita, muita sorte, nos próximos 6 ou 12 meses aparecia um.
Liguem para a Helena Matos que ela sabe qual dos socráticos é o dono desse táxi
Taxista agrediu e roubou turista
O incidente aconteceu ontem à noite. Uma mulher estrangeira entrou num táxi na Praça do Comércio, em Lisboa, e foi até ao Largo do Rato. No final da corrida, a turista ia tirar dinheiro para pagar quando o taxista meteu as mãos na sua bolsa. A passageira tentou recuperar a carteira mas o taxista empurrou-a, atirou-a ao chão e fugiu. Uma testemunha ocular acionou a ambulância do INEM e chamou a polícia. Essa testemunha conseguiu anotar a matrícula do taxista.
Grande ideia
E não só. É também um exemplo da superioridade do suporte papel sobre o digital para certas funções. Para além da facilitada, natural e sempre disponível utilização do objecto, é a própria inscrição pela escrita manual que confere ganhos cognitivos, afectivos e volitivos. Ou seja, é mais nosso aquilo que escrevemos directamente com a nossa mão.
Caligrafia, volta, estás perdoada – e fazes tanto bem.
No meio está a inteligência
A democracia é cara. Por isso precisa de cidades e da classe média. Latifundiários, generais e sacerdotes não precisam da democracia para nada; só os atrapalha, prejudica e ameaça. Escravos, miseráveis e pobres não sabem o que fazer com ela; por isso igualmente a rejeitam, abastardam e destroem. É a classe média, nas cidades, quem precisa da democracia para se proteger dos oligarcas e dos tiranos, dos brutos e dos desesperados.
Mas a democracia também é cara por ser complexa. A democracia precisa de muita gente e que essa gente tenha passado pela escola, pela vida e pela escola da vida. Se a democracia realizasse plenamente o seu ideal, cada cidadão com direito de voto estaria concomitantemente em condições de ser eleito governante. Uma sociedade que não ofereça uma educação de acesso universal e de excelência não estará a formar democratas nem a defender a democracia.
É por esta ser a realidade – no sentido em que esta é uma realidade entre outras, cada uma fazendo parte do real – que o trabalho mais importante numa democracia é o da promoção, desenvolvimento e aplicação do pensamento crítico. O pensamento crítico precede, enforma e avalia cada uma das ideologias possíveis, à direita ou à esquerda, acima ou abaixo. Corresponde a um conjunto de regras e actividades mentais que radicam no instinto de sobrevivência, atravessam a nossa natureza social e conduzem-nos para a procura do sentido último da existência (o qual poderá não passar de uma sempiterna ilusão, dizem alguns ilustres representantes do pensamento crítico).
Os partidos não se preocupam em fazer a pedagogia do pensamento crítico e será justa a consideração de que amiúde dão provas de nem sequer gastarem desse produto. Contudo, precisamos dos partidos caso queiramos continuar a desfrutar de uma democracia tão imperfeita e tão preciosa como cada um de nós. O antídoto contra todos os populismos, todas as demagogias, todos os sensacionalismos e todas as calúnias está numa ginástica e higiene intelectuais que podem ser apanágio dos mais díspares adversários políticos. Porque ser inteligente não é um exclusivo da esquerda ou da direita. Ser inteligente é estar no meio da comunidade.
Política de Verdade
Muito obrigado, Kobayashi
Realmente
A única coisa que posso e devo fazer enquanto primeiro-ministro é apelar ao PS para que, independentemente de opções políticas que tenha ao nível das políticas públicas, não se alheie da realidade que estamos a viver e mostre aos portugueses que defende um caminho para futuro que tem aderência à realidade”.
Passos apela a “aderência à realidade” no PS
Miguel Poiares Maduro questionou se, mesmo hoje, existe uma efectiva percepção da realidade: “Por vezes, no debate público, poder-se-ia ficar com a impressão de que não compreendemos ainda, muitos de nós, a gravidade e dimensão real dos desafios a superar”.
Segundo o ministro, “os cidadãos sentem-se crescentemente desorientados quanto à realidade em que as opções políticas têm de ter lugar”, em grande parte pela falta de “acordo quanto aos processos credíveis de apuramento dos factos” em que se baseiam as decisões políticas.
Poiares Maduro: O futuro depende de uma melhoria da nossa cultura política
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O que é a realidade? Foi esta a pergunta que inaugurou a actividade intelectual chamada filosofar. Todavia, dois mil e seiscentos anos depois a questão continua com a mesma frescura original. As desvairadas respostas entretanto geradas pelos filósofos, a que se junta o imparável conhecimento científico, não só não esgotaram o assunto como vão tornando ainda mais urgente e poderosa a pergunta primeira.
Pois nós temos um Governo que conhece a realidade. Porquê este Governo ou como é que obteve tal conhecimento é coisa que não interessa a ninguém. Basta que os ministros o digam para ser verdadeiro. Aliás, tudo o que é real é verdadeiro e vice-versa. Pelo que o que Passos e Maduro estão a proclamar é a posse da verdade. Assim, tudo se torna simples. Quem será louco ou torpe ao ponto de estar contra a verdade/realidade?
Mas, enfim, um país cujo Governo possua a realidade e a verdade não devia perder tempo a discutir alternativas. Todas as alternativas à verdade merecem chicote e todas as alternativas à realidade pedem camisa-de-forças. Isto vem nos livros. E também deve estar algures na Internet.
Só é de lamentar que a realidade/verdade actualmente na posse do Governo seja tão viscosa, escorregadia. Porque dificulta a aderência. Para além de ser uma porcaria. Realmente.
Tyson’s wisdom
Como resolver o problema da esquerda
Numa altura em que a direita usufrui do poder absoluto com os seus melhores – Cavaco, Passos e Portas, três figuras que já conquistaram um lugar dourado na História graças à sua competência, decência e magnificência – a esquerda dá por si num vazio de liderança que não tem paralelo conhecido no passado.
O PCP mantém-se igual a si próprio e é esse o seu único projecto político. Por isso nada explicam a respeito do que fariam caso fossem poder, limitam-se a martelar palavras de ordem e vacuidades. Se tivessem de conquistar votos racionais, precisariam de obedecer ao princípio de realidade e discursarem para uma audiência interessada em propostas concretas, objectivas e mensuráveis. Mas não precisam. Os votos de que dependem não são racionais, antes tribais, identitários, sectários. É uma das mais conservadoras organizações portuguesas de todo o sempre. E orgulham-se disso.
O BE tem vindo a evaporar-se desde que Louçã nos garantiu que o chumbo do PEC IV seria “o princípio da saída da crise”. Depois dessa profecia só ao alcance de um predestinado, os bloquistas continuaram a dar sinais de não pertencerem a este mundo. Vai daí, substituíram o génio da esquerda grande e da esquerda toda com todos e todas por um casal adâmico. Será a promessa do regresso ao paraíso e a um tempo em que a esquerda não tinha umbigo. Será. Mas, enquanto não é, aquilo não se parece com nada. Talvez por nada ser. Nem sequer motiva o piadismo nacional.
O PS entregou-se nas mãos que aplaudiram Cavaco no comício da tomada de posse. Essas mãos vinham com uma cabeça. Dessa cabeça saiu uma estratégia. Consistia ela em validar pelo silêncio as difamações e calúnias com que a direita continuou a encher o espaço público enquanto ia afundando o País numa experiência de empobrecimento desmiolada. O belo resultado está à vista. A direita continua a sujar e a estragar, e o PS continua a patinar sem conseguir sequer convencer o seu eleitorado tradicional. Pior era impossível.
A esquerda não tem liderança. Por isso assistiu a uma inacreditável dupla implosão do Governo e não foi capaz de a aproveitar para forçar eleições. Que nos resta? Enquanto no PS se prepara a chegada de António Costa, e com ele vindo para a linha da frente os melhores talentos do partido actualmente ostracizados ou em pousio, o cidadão apaixonado pela cidade tem um muito bom remédio: ser líder de si próprio.
Ver o nunca visto
Os Arcade Fire oferecem algo nunca antes visto.
Vamos lá a saber
Muito fala em verdade quem gostava de suspender a democracia
Somos o Partido Comunista Português, o Partido que, honrando a sua história, desenvolve e afirma de forma coerente e infatigável a oposição à exploração, ao Pacto de Agressão, à política de direita e aos que a protagonizam. Um Partido com princípios, com uma política de verdade.
