Todos os artigos de Valupi

Goloterapia

Há qualquer de poético, e de metafísico, na contemplação destes falhanços. Como se fossem a reprodução em calções de uma verdade última acerca de tudo e de todos. O que nos descontrai, conforta e valida.

Sondemos

A testemunha desabonatória

O primeiro-ministro mantém confiança no seu ministro adjunto, Miguel Relvas, sendo a terceira vez que Passos Coelho tem de o fazer.

Antes, fizera-o no caso das secretas e, mais recentemente, no caso que envolveu uma jornalista do jornal ‘Público’. E agora no caso da licenciatura do ministro.

Passos Coelho renova total confiança em Miguel Relvas

“O primeiro-ministro deu-me a garantia absoluta que sobre a Dra. Maria Luís Albuquerque não pesa qualquer coisa menos correcta. Esta foi uma garantia absoluta que recebi do senhor primeiro-ministro.”

Cavaco diz que recebeu “garantia absoluta” sobre ministra

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou hoje manter “totalmente” a confiança no ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, que admitiu ter cometido uma “incorreção factual” numa informação que prestou ao deputado do BE Luís Fazenda.

Questionado se mantém a confiança em Rui Machete, o primeiro-ministro respondeu: “Totalmente.”

Primeiro-ministro afirma manter “totalmente” a confiança em Rui Machete

Revolution through evolution

Women Suffer Worse From Austerity, Says UK Report
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Fertile Women Have a Heightened Sense of Smell
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Ovulating Women Are Less Trusting
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Drivers of Financial Boom and Bust May Be All in the Mind, Study Finds
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Science Reveals Why Calorie Counts Are All Wrong
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Cruel behavior has reward value for ‘everyday sadists’
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HOW MANY FACEBOOK MESSAGES, TWEETS, AND PHONE CALLS DOES IT TAKE TO FALL IN LOVE?

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Parabéns, Merkel

Independentemente da avaliação das políticas seguidas até agora – juízo esse que varia radicalmente conforme a geografia e agenda do avaliador – é indiscutível que esta vitória de Merkel faz muito pela causa das mulheres no sentido de estabelecer um exemplo de conquista do poder que nos obriga a recuar até aos anos 80 para encontrar outro equiparável em dimensão e relevância.

Palavra de honra

“Os portugueses podem ter a certeza que com Pedro Passos Coelho e com o PSD, nós manteremos uma postura fiel em relação aos compromissos que assumirmos antes das eleições, manteremos esses compromissos depois, e preferimos ser criticados agora, antes das eleições, dizendo com clareza aquilo que pensamos e que consideramos importante e não como aconteceu com o PS que prometeu uma coisa antes das eleições, e que fez exatamente o oposto depois das eleições, quer em 2005, quer em 2009”, acusou.

Marco António Costa, futuro presidente do PSD, Março de 2011

“Nós calculámos e estimámos e eu posso garantir-vos: Não será necessário em Portugal cortar mais salários nem despedir gente para poder cumprir um programa de saneamento financeiro”, afirmou Pedro Passos Coelho, no encerramento do fórum de discussão “Mais Sociedade”, no Centro de Congressos de Lisboa.

O PSD quis “vasculhar tudo” para ter contas bem feitas e, “relativamente a tudo aquilo que o Governo não elucidou bem”, procurou “estimar”, preferindo fazê-lo “por excesso do que por defeito”, referiu.

“Não será necessário em Portugal cortar mais salários nem despedir gente para poder cumprir um programa de saneamento financeiro, mas temos de ser efectivos a cortar nas gorduras”, completou Passos Coelho.

Abril de 2011

Seguro também contratou um swap

O caso dos swaps tem esta sequência:

– Quase dois anos depois de ter sido eleito, o Governo começa a despedir secretários de Estado que estiveram envolvidos na contratação de swaps.

– Na véspera do congresso do PS, Maria Luís Albuquerque emporcalha a questão e transforma os swaps em arma de arremesso contra os socialistas, dizendo que «as consequências com este tipo de “problemas” faz parte de um “padrão de comportamento do anterior Governo”».

– Ao prestar declarações na primeira ida à comissão de inquérito que investiga a demora do Governo na resolução do problema, Maria Luís declara que não agiu com maior rapidez porque nada lhe tinha sido transmitido a respeito na passagem da pasta pelos anteriores governantes.

– Teixeira dos Santos, Costa Pina e Pedro Felício provam que falaram expressamente no assunto aquando da passagem da pasta, o que Gaspar confirma.

– Albuquerque passa para uma nova versão: sim, que tinha recebido a informação, mas que ela era insuficiente.

– Com a subida a Ministra, Maria Luís escolhe Joaquim Pais Jorge para secretário de Estado, só para de imediato ele ser envolvido no caso dos swaps e ter de sair do Governo.

– Torna-se público que a Inspecção-Geral de Finanças destruiu ao fim de três anos os papéis de trabalho associados aos relatórios sobre as contas e os swaps subscritos por quatro empresas públicas: Metro de Lisboa, Metro do Porto, Refer e TAP. Essa destruição incorre em várias ilegalidades e permanece inexplicada.

– Almerindo Marques declara no Parlamento que Albuquerque deu o parecer favorável ao contrato swap celebrado pela Estradas de Portugal em 2010. O Ministério das Finanças e o PSD de imediato desmentem e ameaçam Almerindo.

– A auditoria feita pela Direção-Geral do Tesouro e Finanças mostra que Maria Luís Albuquerque deu parecer favorável a um contrato swap assinado pela Estradas de Portugal quando esta trabalhava como técnica no então Instituto de Gestão da Dívida Pública.

Por duas vezes, em Julho e agora, o PS pediu a demissão da ministra pela voz de Carlos Zorrinho. Pediu e calou-se logo de seguida, como quem pica o ponto e vai dormir para debaixo da mesa. Seguro nunca pediu a demissão da ministra. Seguro nem sequer alguma vez pediu a demissão de Relvas, pelo que estamos em plena normalidade. O actual secretário-geral do PS é useiro e vezeiro em trocar as proclamações de transparência, pureza e incorruptibilidade por um serviço de protecção ao pior Governo da democracia que ficará como o mais vexante swap deste monturo em que se transformou a liderança da oposição.

Um Guerreiro em negação é derrota certa

Pedro Santos Guerreiro assina uma crónica – O que é que você acha? – onde no meio de uma juliana de oportunas e fecundas perguntas se sai com esta:

Acha mesmo que o Governo não está a entrar no mesmo processo de negação em que Sócrates andou em 2010 e início de 2011 quando dizia que o Estado tinha dinheiro à vontade?

Ponto de ordem à mesa: é possível falar do passado para melhor escolher o futuro, e é possível falar de Sócrates para melhor compreender Portugal. O facto é que tanto o passado como Sócrates não saem dos discursos. Mas de quem? Não do PS, nem dos socialistas em geral, antes daqueles que o atacaram, perseguiram e não o conseguem largar por causa das dinâmicas passionais que moldam parte substantiva da vivência política. É o caso deste Guerreiro, um estimulante representante da imprensa de opinião que, in illo tempore, também contribuiu entusiasmado para o clima irracional onde o derrube de Sócrates era vendido como a salvação nacional.

Pois este Guerreiro afiança que Sócrates andou em 2010 e no início de 2011 a dizer que “o Estado tinha dinheiro à vontade”. 2010+início de 2011 dá para aí uns 13, 14 ou 15 meses. É tempo suficiente para dizer muita coisa, e muita coisa realmente foi dita. Mas onde, em que meses, mês, semanas, semana, dias, dia, horas, hora, minutos, minuto ou segundos disse Sócrates tal enormidade trazida para as páginas do Jornal de Negócios em Setembro de 2013? Este Guerreiro nunca o irá revelar pela simples razão de não ser possível encontrar uma singular declaração que sustente a sua calúnia. Porque é de uma calúnia que estamos a falar, uma calúnia não do âmbito judicial mas político. E é parte de uma calúnia maior, pois para se ter andado por aí a dizer-se que o Estado tinha dinheiro à vontade em 2010 e 2011 é preciso ser muito mentiroso ou muito louco. Sócrates, como sabemos, acumula, sendo alguém completamente louco que consegue mentir com o mais perfeito domínio racional, atestam os criadores da sua lenda.

Pois bem, Guerreiro, tenho um presente para ti:

Um dos efeitos da crise global, que acabou por condicionar todo este ano de 2010, foi a séria crise de confiança que se abateu nos mercados financeiros sobre as dívidas soberanas dos países do Euro. Esta situação, sem precedentes na União Europeia, levou à subida injustificada dos juros, e afectou todas as economias europeias. Basta, aliás, ver o que passa lá fora para se compreender a dimensão europeia desta crise que a todos afecta embora a alguns países de forma mais intensa.

A verdade é que todos os governos europeus tiveram este ano de fazer ajustamentos nas suas estratégias e tiveram de adoptar medidas difíceis e exigentes, de modo a antecipar a redução dos seus défices como forma de contribuir para a recuperação da confiança nos mercados financeiros.

O Governo português tomou as medidas necessárias para enfrentar esta situação. Com confiança, com sentido de responsabilidade e com determinação. Definiu metas ambiciosas para 2010 e 2011 que vamos cumprir. O que está em causa é da maior importância. O que está em causa é o financiamento da nossa economia, a protecção do emprego, a credibilidade do Estado português e o próprio modelo social em que queremos viver.

Sócrates, Natal de 2010

Neste discurso estão chapadas tanto as causas da crise como as necessárias e eventuais consequências da mesma, sendo o fatal cenário de não haver dinheiro em resultado da escolha da Europa por uma austeridade radical e insana. O aviso não podia ter sido mais claro: “O que está em causa é o financiamento da nossa economia, a protecção do emprego, a credibilidade do Estado português e o próprio modelo social em que queremos viver.” Ou seja, o que está em causa é um conjunto de direitos com que temos vivido nos últimos quase 40 anos. E foi exactamente isto que foi posto em causa pela acção concertada de toda a oposição, do Presidente da República, da banca, da imprensa e dos restantes poderes fácticos, fosse por actos ou omissões.

Estávamos em Dezembro de 2010, Sócrates chefiava um Governo minoritário que andava a ser queimado no Parlamento, na Justiça e na comunicação social só para fazer tempo até Cavaco ser reeleito. Disto não nos fala um Guerreiro ainda em estado de negação e cúmplice de uma derrota colectiva.

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Tive de pagar 4 euros e tal para ler a crónica. Prova provada de que Sócrates continua a dar dinheiro a ganhar a muita gente.

Fenómenos do entroncamento

Afinal, a auditoria feita pela Direção-Geral do Tesouro e Finanças a pedido da ministra das Finanças mostra que Maria Luís Albuquerque deu parecer favorável a um contrato swap assinado pela Estradas de Portugal quando esta trabalhava como técnica no então Instituto de Gestão da Dívida Pública (IGCP).

O relatório, citado esta quinta-feira pelo «Diário de Notícias», contradiz assim as explicações dadas esta semana pelo Ministério das Finanças, segundo as quais, quando trabalhava no IGCP, a ministra das Finanças realizou apenas análises de pedidos de empresas públicas sobre empréstimos e não sobre swaps.

De acordo com o jornal, o relatório da auditoria mostra especificamente que o IGCP aceitou em 2009 o contrato swap da Estradas de Portugal e Maria Luís Albuquerque assinou o parecer favorável.

Fonte

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Ontem foi publicada aquela que parece ser a prova indesmentível tanto das mentiras da ministra numa comissão de inquérito, como das mentiras dos comunicados do Ministério das Finanças a respeito do caso, como das mentiras das declarações dos responsáveis políticos do PSD, como das mentiras nas garantias dadas pelo primeiro-ministro ao Presidente da República. Porém, contudo, todavia, nem uma tomada de posição, nem sequer um comentário, apareceu da parte de qualquer força ou figura política face a tão monumental evidência. Nada. De ninguém.

Que se está a passar em Portugal?

Como é que se diz “política do courato” em inglês?

“O Governo assumiu o carácter facultativo do inglês. Não se preocupem com isso. Já havia inglês em Gaia no primeiro ciclo ainda o engenheiro José Sócrates não tinha acordado. Comigo haverá inglês”, garantiu Menezes durante a apresentação do programa da sua candidatura, entre vários vídeos e palmas de apoiantes que encheram a sua sede.

Menezes promete inglês para todas as crianças do 1.º ciclo no Porto

Recordando o socialista que fundou o PSD

O plano da direita partidária era tão fácil de realizar que até os próprios o entendiam com facilidade. Encher a comunicação social de atiradores ao carácter de Sócrates e populistas de diverso calibre. Atacar os socialistas quando estes promoviam o investimento público. Atacar os socialistas quando estes promoviam a redução das despesas do Estado. Atacar os socialistas quando estes conseguiam a diminuição da pobreza e a modernização da economia. Atacar os socialistas quando estes chegavam a acordo com a Europa para evitar um resgate financeiro de emergência. Apostar na política da terra queimada. Mentir, mentir e mentir na campanha eleitoral. Tomar o poder e começar de imediato a empobrecer o País sem outro critério que não fosse o dos interesses da oligarquia. Lançar leis à maluca para ver se passavam no Tribunal Constitucional com o à-vontade com que passavam no Parlamento e na Presidência. Não passando, acusar o Tribunal Constitucional e a Constituição de serem forças de bloqueio. Repetir a dose até serem obrigados a largar o poder.

Não parece o plano mais inteligente do mundo. Talvez por estarmos perante um plano de estúpidos e para estúpidos. A literatura na imprensa e na blogosfera revela que o denominador comum dos apoiantes do Governo reside nisso de conceberem o Estado como se fosse a empresa do pai. E que fariam eles para salvar a empresa do pai? Despediam, cortavam salários e passavam a cobrar aos empregados a utilização da casa-de-banho. É tão simples que eles, pejados de razão e amor filial, até ficam à beira de um ataque de nervos quando ouvem os outros, aqueles que não são filhos do senhor seu pai, a falarem do Estado como sendo uma comunidade regida por um contrato social fundador e inserida num sistema económico com um bocadinho-inho-inho mais de complexidade do que a tal empresa paterna e sua caixa registadora.

Ora, esta direita partidária não esgota o tecido da direita portuguesa. Com outros protagonistas, outras teriam sido as decisões, outra teria sido a História. Por exemplo, em Março de 2011 um outro líder do PSD que igualmente se assumisse liberal poderia ter negociado com Sócrates a viabilização do PEC IV a troco de alterações constitucionais imediatas. Caso o PS as aceitasse, todos sairiam a ganhar – e, por “todos”, entenda-se todos os portugueses, pois se teria evitado a presente humilhação que coarcta a democracia e violenta a população, ao mesmo tempo que o regime teria ficado reforçado por mais uma alteração ao texto constitucional saída da nossa soberania. Caso o PS as recusasse, não seria preciso ter o PSD a mentir de fio a pavio e os eleitores saberiam o que estaria realmente em causa quando fossem votar. Por outro lado, a aprovação do PEC IV em nada impediria que o PSD chumbasse o Orçamento para 2012 e provocasse aí as desejadas eleições. Ou até que deixasse os socialistas levarem a legislatura até ao seu natural ou demissionário fim. Neste cenário alternativo, o PSD apareceria inequivocamente como uma força política responsável e patriótica. E podemos, apesar do enorme esforço, encontrar nomes para preencher a fantasia.

O que nos traz a memória de Sá Carneiro. Com esta figura, não teríamos apenas o aproveitamento da situação política em Março de 2011 para fazer avançar reformas que considerasse decisivas para o nosso futuro comum. Muito provavelmente, Sá Carneiro teria logo aproveitado a situação saída das eleições de Setembro de 2009 para propor uma solução governativa que nos tivesse protegido da destruição levada a cabo pela oposição durante a vigência do Governo socialista minoritário.

Donde vem esta minha retrospectiva convicção? Das suas palavras:

Se se limita a concepção de liberalismo ao campo exclusivamente económico e se tem como liberal aquele que preconiza a abstenção do poder político em relação ao campo económico e ao campo social, nesse sentido não sou liberal.

15-12-1971, (Entrevista dada à “República”)

Um Estado não se governa como uma empresa, e as leis não podem ser encaradas como ordens de serviço por melhores que sejam.

15-06-1971, (Entrevista dada ao Jornal “O Tempo”)

No Governo só deve ficar quem estiver, efectivamente, com o Governo e com o cumprimento do seu programa. De outra maneira é impossível governar.

18-11-1975, (Capítulo II – Entrevista a A Capital)

Obrigadinho pela gargalhada, Monteiro

Henrique Monteiro interessa-me por ser uma daquelas figuras secundárias que representam mediaticamente a parte decadente da comunidade que somos. Tendo sido director do Expresso, e lá se mantendo como colunista destacado, é alguém que faz parte da elite jornalística e publicista portuguesa. Embora o adivinhe um excelente companheiro de almoçaradas e jantaradas, na escrita política é a banalidade que lhe vinca tanto o conteúdo como o estilo.

Eis que fez uma crónica paradigmática do que vale – Três conceitos a reter sobre a fragilidade da política – onde a banalidade é tão densa que adquire uma qualidade emergente, a da relevância. Cita Daniel Innerarity a propósito da sempre inatingível complexidade do presente histórico. E realça-lhe o corolário: não é justo pedir aos políticos um conhecimento que ninguém está em condições de obter. Pelo que o melhor será aceitarmos um qualquer grau de frustração inerente à actividade política, pois as nossas escolhas serão inevitavelmente imperfeitas. Estas são reflexões banais, no sentido de já terem sido ditas assim ou assado desde que os gregos inventaram a democracia. O exemplo duplamente clássico da consciência dos limites e constrangimentos do poder político, qual via trágica, é o de Péricles. Não consta que daí para cá a essência de governar democraticamente tenha sofrido alterações.

Ora, que leva o Monteiro a vir com este paleio, caso não se trate apenas de despachar serviço? Se a intenção fosse a de contribuir para a formação e salubridade do espaço público, de facto carente dessa ampla contemplação da natureza da política, então o nosso articulista seria coerente com o entusiasmo com que embrulhou a prosa. E, por exemplo, teria sido daqueles a espalhar moderação durante o período em que Sócrates era caluniado e o seu Governo boicotado para prejuízo nacional. Acontece que o Monteiro então director do Expresso fez precisamente o contrário. Não só alinhou nas campanhas negras, como recusou denunciar a Inventona de Belém, como ainda veio chibar-se de telefonemas privados à volta de notícias falsas cuja finalidade era só a de alimentar a baixa política. Desse tempo ficou uma sequela: o Monteiro entrava para a legião dos que detestavam Sócrates e que moldariam as opções políticas seguintes em função dessa paixão.

É isto que explica que Passos Coelho tenha no antigo extremo-esquerdista, clone do Zé Manel, um dos seus mais dedicados paladinos. E é isso que, finalmente, permite libertar uma homérica gargalhada para cima do parágrafo com que termina o sermão, pois se há carapuça que caiba nos bestuntos dos actuais governantes, os tais que em campanha eleitoral juravam ter as contas todas feitas e que a salvação estava garantida graças à sua superioridade moral, é esta:

Na verdade, a ideia de podermos criar uma espécie de paraíso na terra tem-nos custado muito caro. Seria bom que, sem colocar de lado as diferenças e as divergências (Innerarity também fala longamente sobre a radicalização das campanhas, que depois contradizem a necessidade de acordos para governar), percebêssemos que ninguém, nenhum de nós, sabe sair deste atoleiro. Mas que há uma forma simples de descobrir quem sabe ainda menos: os que fazem de conta que sabem.