No discurso de vitória, António Costa deixou esta mensagem:
O sentido do voto na cidade de Lisboa tem um significado muito claro: o apoio a uma gestão que revelou ser possível em Portugal uma política alternativa àquela que tem vindo a ser seguida. É possível uma política que combine o rigor com a responsabilidade social, que seja capaz de reduzir a dívida e de reduzir os impostos, aumentando o investimento, aumentando os apoios sociais e aumentando os apoios à criatividade cultural. Esta política foi possível em Lisboa, esta política é possível, esta é a política que o povo de Lisboa quer que seja prosseguida.
Com estas eleições os cidadãos revelaram que há um sentido de esperança e de futuro para a cidade de Lisboa e para o País, que não se rendem ao desânimo e à descrença, pelo contrário, têm vontade e a firme determinação de reconstruir um País que seja para todos nós, que seja um motivo de orgulho para todas as futuras gerações.
Isto é um programa de Governo. Aliás, este é o programa de Governo. É que não se concebe nada melhor. Repare-se:
– Rigor (ou seja, a austeridade mínima possível)
– Responsabilidade social (ou seja, a solidariedade máxima possível)
– Redução da dívida (rigor)
– Redução de impostos (rigor+responsabilidade social)
– Aumento do investimento (responsabilidade social+rigor)
– Aumento dos apoios sociais (responsabilidade social)
– Aumento dos apoios à criatividade cultural (rigor)
Quem seria o taralhouco a recusar o seu voto a uma solução destas? Donde, a pergunta seguinte já chora: anda o Costa a mangar com a malta? É que, assim de repente, parece-me que a fruta interessa a 10 milhões de infelizes à beira-mar plantados.
Numa sociedade regida pela racionalidade, haveria agora algum ilustre membro da imprensa a tentar furiosamente marcar uma entrevista com o homem exclusivamente dedicada à exposição, explicação e explanação das promessas que vocalizou cheio de confiança. E se fosse tanga, ou disparate, ficava logo o caso arrumado. Se não fosse, e as ideias tivessem pernas para andar, então haveria milhões a quererem fazer esse caminho urgentemente. Assim, deixando as palavras no limbo das declarações de arrebimbomalho sem demonstração, faz-se mais mal do que bem.
O PS tem um líder que ainda ninguém percebeu o que quer para Portugal para além da sua continuidade à frente do partido. Cada dia que passa é mais um dia em que o partido se comporta cobardemente – e com responsabilidade acrescida para a sua elite. Porque a puta da verdade é só uma e é esta: o eleitorado está pronto, não tem é em quem confiar.
