Marco António, chega e sobra para uma esquerda suicida

Marco António Costa argumentou hoje de manhã que é o PSD que defende o Estado social, apontando o dedo, uma vez mais aos socialistas, dando como exemplos o Serviço Nacional de Saúde e as prestações sociais.

“Que maior defesa podemos fazer do Estado social que não seja a de impedir que o Estado tenha um colapso financeiro”, notou o porta-voz do PSD, numa sessão de apoio à candidatura do partido nas Caldas da Rainha. “Em 2011 foi o que aconteceu, estivemos próximos do colapso financeiro”, disse, referindo-se ao pedido de resgate financeiro feito pelo Governo de então.

Segundo Marco António, se esse “colapso financeiro” tivesse acontecido, “não haveria dinheiro” para escolas, centros de saúde ou hospitais funcionarem. “Nem para as prestações sociais.”

E depois deixou a crítica ao PS. “Aqueles que hoje fazem a defesa do Estado social não o podem fazer com aquela ligeireza. Devem meter a mão na consciência” pela forma como governaram, acusou.

Fonte

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Em Maio de 2009, fazendo campanha para as europeias, Ferreira Leite escolheu Aveiro para lançar a suspeita de ter o telemóvel sob escuta. Que o Governo socialista, o PS ou o próprio Sócrates a estariam a escutar, alertava a dona da política de verdade. Aveiro. A senhora escolhia Aveiro para esse número. Saltemos para 2013, também em campanha. Marco António Costa, futuro presidente do PSD, escolhe as Caldas para dizer que ninguém defende melhor o Estado social do que o próprio Governo de Passos Coelho. O Pedro apresentado como o nosso herói do Estado social. E este chouriço fica pendurado nas Caldas. Como dizem os ingleses, c’est tout un programme.

Temos de reconhecer que a capacidade para avacalhar o regime, inscrita no ADN da cultura política do PSD, é admirável. Esta malta não se atrapalha com pormenores como honestidade intelectual ou vergonha na cara e até revela um sofisticado gosto pelo teatro do absurdo em versão chunga. Contudo, a fruição do picaresco dura apenas curtos segundos. O que Marco António está a fazer, e de maneira brilhante, é algo bem diferente de um espectáculo circense. Trata-se de seguir à risca a estratégia que tem suportado a retórica do Governo e do PSD desde que, nos inícios de 2012, perceberam que tinham falhado as contas e que se iria entrar num combate corpo a corpo a partir daí.

O PSD chama “fazer política” à actividade mental que consiste em tratar os adversários como demónios e os cidadãos como gado. Nesta lógica, as opções são sempre fáceis de tomar porque fáceis de descobrir. Se os adversários são demónios, então nada do que tenham feito pode ser considerado bom. Pelo contrário, a sua obra deve ser arrasada e a sua memória aviltada. E se os cidadãos são gado, então basta alimentá-los com palha, tosquiá-los de vez em quando e levá-los para abate com fatal indiferença. É assim possível ao PSD dizer, em simultâneo, que pretende reduzir o Estado social ao mínimo dos mínimos e que nessa destruição o está a salvar. É possível ouvirmos responsáveis social-democratas que boicotaram no Parlamento a possibilidade de Portugal se financiar sem perder a soberania nem entrar numa austeridade desmiolada a acusarem o PS de ter provocado a crise financeira que obrigou a um empréstimo de emergência na pior altura possível. Isto é o mesmo que um ladrão conseguir tirar a carteira à sua vítima e depois ficar junto dela a insultá-la por se ter deixado roubar.

Ninguém se indignou com a bacorada do Marco António. Estamos em campanha, é um carnaval e já se ouviu a cassete centenas de vezes. Mas esta passividade de tudo e de todos é absolutamente extraordinária e deve ser denunciada. Eis que os responsáveis pelo aumento da pobreza em Portugal para níveis desconhecidos em democracia, cujas motivações são uma mistela de fanatismo com revanchismo ao serviço da oligarquia, podem humilhar canalhamente o projecto social nascido do 25 de 74 e o qual reuniu consenso alargado durante mais de 30 anos. O facto de isto estar a acontecer perante a pusilanimidade e desorientação da esquerda revela o nó górdio que o sectarismo, o absentismo cívico e a miséria intelectual criaram. Socialistas, comunistas e bloquistas, vasto grupo cheio de vedetas com os mais diversos talentos, não conseguem pôr os Marcos Antónios debochados no seu devido lugar. Não admira, portanto, que PCP e BE tenham preferido empurrar esta putrefacta direita para o pote em vez de terem cerrado fileiras com o PS na defesa do Estado social, a flor de Abril.

31 thoughts on “Marco António, chega e sobra para uma esquerda suicida”

  1. Estes tipos são, de facto, uns impostores. Ao mesmo tempo que fazem cortes atrás de cortes nas funções sociais do Estado, dizem que as medidas tomadas apenas pretendem garantir a sustentabilidade e salvação do Estado social. É preciso ter lata!
    Afinal, em que é que a governação destes tipos tem consistido? Em fazer cortes, que classificam como reformas; em atacar os funcionários públicos e pensionistas, que chamam de privilegiados; em fechar escolas e centros de saúde, o que qualificam como uma racionalização do sistema público de educação e saúde; em aumentar o desemprego e diminuir o apoio aos desempregados; e depois disto tudo ainda conseguem aumentar a dívida do Estado.
    Mas quem é que estes impostores pensam que enganam com este paleio? Qualquer pessoa, um pouco atenta, apercebe-se de imediato que esta conversa não é nova ou original e que é uma narrativa com direitos de autor. No que diz respeito à capacidade de controlar o gado com muita palha, esse Marco António ainda tem de comer muita papa Maizena para chegar aos calcanhares do grande José César; aquele que foi traído pela esquerda assassina.

  2. Ao pcp , tambem agrada este tipo de narrativa da direita.afinal o inimigo é o ps! o partido de seguro,perdeu a parada,por ter ouvido com agrado, durante dois e meio a mesma narrativa sem a denunciar.ontem no frente a frente da sic noticias,canavilhas, mostrou a sua raça,ao não permitir o mesmo “paleio” agora vindo de helena coelho.terminou dizendo “que se orgulha dos seis anos de socrates”. os camaradas de socrates, no interior do ps,tambem se deixaram condicionar pelo discurso vigente, e por isso, não fizeram o trabalho de casa, para poderem alcançar a vitoria para a eleiçao de secretario geral.falta uma semana,para começar a contar-se espingardas!

  3. Val, acabaste de por o dedo na ferida. Toda a esquerda apresenta-se derrotada no debate político porque aceita — ou, no caso do BE e do PCP, discute de forma incipiente ou ineficaz — a falsa premissa da falta de dinheiro, ou seja, do primado do problema financeiro sobre o problema económico-social.

    O dinheiro é uma ferramenta que serve como intermediário nas trocas comerciais, na medida em que sem dinheiro o comércio estaria reduzido à troca directa. A estabilidade financeira (i.e., ausência de inflação) não é um valor em si; o seu único propósito é manter a confiança das pessoas no valor do dinheiro. Mas essa confiança só se perde se a inflação atingir valores muito altos. Uma inflação de 5 a 20% ao ano não faz as pessoas deixarem de usar o dinheiro nas suas trocas comerciais.

    O único efeito que pode ter é prejudicar o negócio financeiro. É a indústria financeira (e os interesses dos países credores) que requer uma taxa de inflação quase nula, pois isso potencia-lhe os lucros e diminui os riscos do seu negócio. A indústria financeira também gosta que o dinheiro se transforme num deus; os donos do dinheiro NÃO QUEREM que o povo veja o dinheiro como uma criação social.

    Esta adulação do bezerro de ouro só beneficia os sacerdotes do templo do dinheiro, como é evidente. E assim torna-se muito fácil, a homens com a cultura política de Marco António, fazer política…

  4. Noutros moldes, a situação actual está semelhante à situação da «sopa do sidónio», 1918.

    Sabemos qual foi a solução.

    Mas ainda há muita malta a meter a cabeça na areia.

  5. Socrates NEGOCIOU com Passos Coelho o PEC IV

    Antonio José Seguro NEGOCEIA com o PSD e o CDS a desgraça do País

    E a ESQUERDA é que é responável

    Deixa-me rir…

  6. “Noutros moldes, a situação actual está semelhante à situação da «sopa do sidónio», 1918.”

    a alemanha ainda não declarou guerra

    “Sabemos qual foi a solução.”

    derrotar os alemães

    “Mas ainda há muita malta a meter a cabeça na areia.”

    diria que há muita malta com a cabeça cheia de areia, propaganda da bismerckla

    http://www.schildverlag.de/node/711

  7. Está semelhante á Sopa do Sidónio de 1918

    Mas ainda não chegámos á Sopa do Barroso das decadas de !930, !940, !950, e até parte da década de 1960.

    Nem ainda chegámos ás senhas de racionamento, que também vigoraram em Portugal na década de 40 e 50 do século passado.

  8. augusto,e o pc e o bloco o negociaram o chumbo do pec 4 com a direita, para atingir a desejada praia,para depois surfar a onda da fome e da miseria.que vos pariu!

  9. A desgraça, a desgraça mesmo é que o discurso desse tal Marco António que nem sequer encontro adjectivos suficientes para classificar, esse discurso rende e rende muito perante um povo acéfalo e acrítico, leitor interessado do Correio da Manhã e quejandos. Há, por isso, que mantê-lo nesse estado como infelizmente sempre foi o que aconteceu. Temos que concluir que, infelizmente, o 25 de Abril não foi suficiente. Como dizia Álvaro Guerra num texto seu que recentemente li: “Não há dúvida: o povo português não tem jeito para revoluções!”

  10. Nuno CM nem o senhor ACREDITA NISSO

    As únicas negociações que existiram sobre o PEC IV , foram entre Socrates e Angela Merkel, e entre Socrates e Passos Coelho, foi o próprio Socrates que por várias vezes já o afirmou.

    E esse tão incensado PEC IV , propunha entre outras pérolas , a privatização dos CTT.

  11. oh augusto! o carvalhas já incensou o pec4 e o anaclecto demitiu-se por causa disso. a memória é curta e os links vão desaparecendo por acção das brigadas de denúncia de conteúdos ao serviço do branqueamento das responsabilidades comunas.

  12. O Louçã demitiu-se por causa do PEC IV!!!!!!!!

    O que é que anda a fumar….

    A defesa acéfala, do PEC IV é no que dá?

    Já agora , TENHAM a coragem de escrever aqui , as medidas RESTRITIVAS em que assentava o PEC IV.

    Mas se calhar nem conhecem aquilo que defendem…

  13. Pois no foi o PS quem nos TROUXE À BANCARROTA!!!

    E NUNCA O ASSUMIRAM NEM PEDIRAM DESCULPA AOS PORTUGUESES: pelo contrário, assumiram um estado “virginal”, e tentam mandar as culpas para quem está a tentar (bem ou mal) corrigir a situação!!!

    Portugal PRECISA DE UMA VERDADEIRA ESQUERDA DEMOCRÁTICA, e esse deve ser o lugar do PS!!!

    Mas o PS tem de ser obrigado a assumir as suas culpas e a livrar-se dos OPORTUNISTAS, CORRUPTOS E INCOMPETENTES que por lá andam há décadas!!

    Isso só pode acontecer se o PS tiver uma DERROTA MACIÇA NAS ELEIÇÕES.

    O VOTO é uma ARMA!!! Mas tem de se saber usá-lo…

    Por Aqui, nesta Aspiranada Betinha e Imbecil, abundam tb uma corja de anedoticos e pateticos seguidores destes crapulas e FDP do PS, verdadeiros lambedores e crentes de Ideologia de cordel. Por isso lhes calhou em sorte o TOZE para lhes acirrar ainda mais o proselitismo bacoco. Fodam-se e bebam muita agua porque vocebesses IGUAIZINHOS ao TOZE ….

    BPN, SLN e SWAPS, são roubalheiras criminosas sim, do PS e PSD, sim, mas tudo junto não chega a representar 10% do PIB.

    E 101 dos 113 SWAPS foram assinados DURANTE O GOVERNO PS!!!

    SÓCRATES encontrou uma Dívida Pública de 58% do PIB, fê-la subir até aos 92%, e obrigou a um Resgate que a deixou em 124% ANTES DE ESTE GOVERNO ENTRAR EM FUNÇÕES!!!

    Além disso, usou 20 mil milhões de dinheiro do ESTADO para financiar os BANCOS em 2009:
    http://www.publico.pt/politica/noticia/socrates-diz-que-orcamento-de-estado-de-2009-e-para -ajudar-empresas-e-familias-1346564

    Iniciou o processo de privatização TOTAL das principais empresas
    expresso.sapo.pt/governo-quer-vender-tap-ctt-edp-galp-e-ren=f569759

    E iniciou os cortes das prestações sociais e de salários na FP:
    economico.sapo.pt/noticias/abono-de-familia-desaparece-para-quem-ganha-mais-de-628- euros_100444.html

    diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=310536

    Precisam de VASELINA ???????????? ou SUPOSITORIO ?????

  14. “O Louçã demitiu-se por causa do PEC IV!!!!!!!!

    O que é que anda a fumar….”

    deve ser barbas de milho transgénico. foi confusão minha, o anacleto nunca se demitiria ou seria demitido visto que a função dele é pedir a demissão de um governante dia sim, dia pois.

  15. Excelente “post” onde se retrata o que, tem sido, desde sempre a forma de fazer
    “política” pelo PPD/PDS, podemos lembrar aquele democrata, seu presidente, que
    se negou a fazer debates com a oposição porque isso seria dar visibilidade aos adver-
    sários! Pelos comentários até agora recebidos, dá para ver que ainda há muita gente
    intoxicada com as campanhas de mal dizer dos tais fazedores de “política” de cuja,
    lata se serve o marco toninho! Já não existe Esquerda ao que se assiste é ao estre-
    buchar da esquerdalha detentora da sua “verdade” e, surfista nos nossos problemas!!!

  16. Fala-se de dinheiro e de bancarrota; não parece haver mais problema, neste país. Eu digo que se, hoje, os nossos credores nos perdoassem 100% da dívida mas nos mantivéssemos no euro, o problema económico permanecia.

    Convém, pois, saber destrinçar causa de efeito. A crise económica, provocada pela adesão ao euro e os acordos de comércio livre que arruinaram boa parte da nossa indústria e agricultura são a CAUSA do problema da dívida. Tudo começou com um processo de integração na UE que foi mal conduzido. Esse processo foi dirigido por sectores do nosso país cujo único interesse era terem acesso a crédito abundante e barato, e que não olharam a meios e ignoraram o mais elementar bom senso para atingir esse objectivo.

    A adesão ao euro, que teve Cavaco Silva como campeão, foi conseguida à custa de uma campanha mediática infame, pelas falsidades que propalou, e que condicionou o PS que, até 1997, permanecera céptico acerca do processo acelerado de adesão ao euro (integrado no chamado “pelotão da frente”). Mas nada garantia que se tivéssemos ficado de fora o resultado teria sido melhor; pois os bancos, reagindo contra um adiamento dessa adesão, e como forma de pressionar o poder político, poderiam ter feito como na Letónia (começar a emprestar em euros); o que teria sido ainda mais trágico.

    A entrada de crédito em moeda forte em catadupa na nossa economia distorceu-a, ao ponto de deixarmos de produzir e passarmos a importar. Os partidos foram apenas a face visível desta política. Houve muitos interesses económicos que lucraram com a festa, e que agora andam ocupados a sacudir a água do capote, culpando genericamente “os políticos” e “a democracia” que anteriormente haviam corrompido para levarem os seus intentos (ter acesso fácil a crédito em moeda forte) a bom porto.

    Perante isto, o que faz a esquerda? Discute o sexo dos anjos (i. e., o PEC-4 era bom ou mau, e de quem foi a culpa do resgate) e não vai ao fundo da questão económica.

  17. joaopft, discutir o problema sistémico da economia portuguesa, que bem colocas quando descreves as consequências da adesão ao euro, não impede que se discuta o problema cultural – repara: cultural – do chumbo do PEC IV.

    Enquanto a temática sistémica precisou da maior crise económica mundial dos últimos 80 anos e da inaudita crise das dívidas soberanas europeias para se tornar tópico corrente, a crise política de Março de 2011 é um momento singular que revelou a estrutura do atraso nacional. É evidente que há dois anos não estava em causa resolver qualquer questão sistémica, tratava-se de mera sobrevivência no meio da tempestade e da escolha entre dois males.

    Portugal escolheu o mal pior, e isso nunca perderá actualidade política – e, portanto, social e cultural – enquanto os efeitos dessa decisão se fizerem sentir.

  18. @Val

    Concordo que em 2011 Portugal escolheu o pior dos males, pois submeteu-se por inteiro à ditadura dos credores. E o PSD tem a maior das responsabilidades, nessa questão, pois agiu com o intuito de provocar o resgate. O PSD queria o respaldo do FMI e dos credores para conseguir levar a cabo uma política que o povo português recusou e recusa.

    A questão que eu ponho, no entanto, é a de saber o quão relevante será hoje a questão das culpas de 2011 para as difíceis decisões que poderemos vir a ter que tomar. Muitos analistas afirmam que a bolsa de Wall Street se aproxima de um crash, e a situação financeira dos nossos parceiros ocidentais poderá piorar muito mais antes de vir a melhorar.

    Para já me parece que as pessoas que não concordam com este governo, e independentemente da confiança que possam não nutrir pelo secretário geral, NÃO SE PODEM DAR AO LUXO de ficar em casa no próximo Domingo. Caso estejam mais próximos, politicamente, do centro ou do centro-esquerda, devem votar no PS. Se tiverem posições políticas mais radicais, devem votar no BE ou no PCP. Isto é a melhor forma de manifestarem o seu protesto relativamente a este governo.

  19. oh joão! por momentos pensei que ias aconselhar voto alternativo nos presidentes das juntas das freguesias de tribeca e chinatown, de forma a isolar wall st.

  20. joaopft, obviamente, cada um dá a importância que quer aos idos de Março de 2011, vai sem discussão. Para mim, contudo, não se trata de estar a discutir o passado mas antes o de estar a analisar o presente e a construir o futuro. É que a própria direita continua a utilizar esse acontecimento para manipular e conspurcar o espaço público, por isso a sua retórica não tem outro ponto de apoio para além do estribilho “os xuxas levaram-nos à bancarrota e temos de ser nós a salvar isto através de um empobrecimento à maluca mais do que merecido por causa dos pecados socialistas.”

    O facto de se manter a pressão sobre o PS no tema do pedido de resgate mostra como esse combate é crucial. É que um dos maiores receios de algumas vozes da direita ao tempo, como Durão Barroso, era o de o feitiço se poder virar contra o feiticeiro, e as consequências violentas da entrada da Troika acabarem por penalizar aqueles que chumbaram o PEC e andaram a chamar pelo FMI. Como temos constatado, nada disso se passou, nem quando Passos e Gaspar de imediato rasgaram as promessas eleitorais e fizeram exactamente o contrário do que o PSD tinha garantido ser a solução para a crise.

    A direita mantém-se nesta estratégia, e até da pinotes de gozo ao aplicá-la, apenas e só porque contam com Seguro como aliado e bombo da festa.

  21. estou de acordo com o val.aceitar a narrativa de que foi o ps que levou o pais à bancarrota,é meio caminho andado para o desastre politico.a direita sabe disso, e por isso insiste, com o anão marco antonio, a vomitar o discurso.o pcp vendo que este labeu é uma especie de salvo conduto, a caminho do socialismo de miseria,tambem já utiliza na campanha os mesmos argumentos da direita.quando para justificar a chamada da troika se cita as ppp, os estadios de futebol,e os “projectos repito projectos megalomanos”, como o tgv e o aeroporto,dá-me vontade de os mandar para real a puta que os pariu! para concluir,estamos neste momento por saber quem ganha as eleiçoes,por que o ps ,escolheu como lider um militante que foi durante seis anos mais feroz na oposiçao ao governo do que os seus adversarios politicos.

  22. “É que a própria direita continua a utilizar esse acontecimento [o resgate que se seguiu ao chumbo do PEC-4] para manipular e conspurcar o espaço público,” (Val)

    Posta assim a questão, concordo. A forma como caímos no resgate foi culpa do PSD. Aquele partido, numa primeira fase, deu o seu acordo à austeridade contida nos PECs e aceitou viabilizá-la. Era um acordo de facto: aquilo que se designa por “acordo de incidência parlamentar”. Mas a certa altura, de forma intempestiva, quebrou o acordo e juntou-se aos protestos anti-austeridade do BE e do PCP (foi exactamente assim…).

    Para conseguir o pretexto de que precisava, Passos Coelho mentiu ao acusar José Sócrates de ter negociado o PEC-4 com Merkel, em segrego e sem o ter, sequer, informado. Mas Passos Coelho decerto estaria informado sobre a marcha da subida dos juros; também estaria informado de que o Pacto de Estabilidade e Crescimento, que Cavaco Silva assinou em nome de Portugal, tornava indispensáveis à nossa manutenção no euro as medidas do PEC-4. Mesmo assim, a mentira de que não fora informado foi usada para quebrar o acordo e inviabilizar o PEC-4. Mas com esta diatribe também passou a insinuação de que o PS traíra a nação. Isso provocou a ira de Angela Merkel, o que o ajudou ainda mais no confronto eleitoral; Sócrates aparecia então, na comunicação social, como aliado (e mesmo amigo pessoal) de Merkel, enquanto Passos aparentava afrontar a senhora. Com tais truques de baixa política, conseguiu Passos Coelho derrubar o governo do PS e ganhar as eleições.

    Como deveria ter sido evidente, para o eleitorado, o paleio pseudo-esquerdista do PSD duraria apenas até à vitória eleitoral. Ao contrário dos seus “aliados” no chumbo ao PEC-4, o PSD não queria sair do euro; e ao contrário de todos os restantes partidos, só o PSD desejava o resgate. O PSD é, pois,

    1º) O partido com maiores responsabilidades no resgate, nas péssimas condições negociais em que foi feito (pois não foi usada uma possível saída do euro como ameaça).

    2º) O partido que tudo tem feito para provocar uma saída impreparada de Portugal da zona euro.

    Quanto ao resto… eu já o disse aqui várias vezes — e apesar de não concordar com algumas políticas de José Sócrates — que culpar o PS e José Sócrates do problema financeiro nacional é uma falsidade. Com essa manipulação da opinião pública, o PSD pretende sacudir as muitas culpas que tem. O ritmo de crescimento exponencial da dívida pública iniciou-se durante a última maioria absoluta de Cavaco Silva.

  23. @ Jorje Figueiredo:
    Basicamente debitas acéfalamente e a uma velocidade vertiginosa, excertos de discursos do Passos Coelho misturados com títulos do Correio da Manhã e intercalados com apontamentos reveladores de falta de civismo, conhecimentos e cultura. És um verdadeiro tédio.

  24. joaopft, muito bem. Só uma nota: não há mal nenhum em discordar de Sócrates e de o criticar, seja no que for. Aliás, um dos maiores males que Seguro fez ao PS e à política nacional foi esse mesmo de não ter assumido as suas diferenças face à anterior liderança do partido. Ao deixar tudo no plano da insinuação, e da superioridade moral, voltou de novo a ser cúmplice dos ranhosos.

    Também na comunicação social não se faz a crítica ao passado socrático, apenas se tenta difamar e caluniar esse período. Porque interessa a certas agendas, mas não interessa à comunidade.

  25. li e retive que:” nos ultimos 5 anos o investimento caiu quase 40%.mas caiu quase 30% nos dois ultimos anos.esta evoluçao coloca-nos hoje no 1.trimestre de 2013,com um investimento que só compara com o registo de 1988.vinte anos atras”. estes valores não confirmam a narrativa vigente,quanto ao despesismo do governo socrates. nos seus tres ultimos anos o investimento baixou 10%. vejam o investimento de certas autarquias e digam alguma coisa.

  26. joaopft.o “a certa altura” foi a chantagem de marco antonio costa quando diz: ou eleiçoes no pais ou partido”. a irresponsabilidade do be e do pcp,não pode passar em claro.

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