O triplo silêncio

A Fernanda voltou a fazer uma compilação de afirmações dos principais responsáveis do PSD – Esperteza saloia – que não são apenas desvios às opções do actual Governo. Estamos perante antinomias que resultam de terem prometido e garantido o exacto oposto do que agora praticam e dão como inevitável, indiscutível.

E se no plano meramente lógico a contradição é de uma espectacularidade nunca antes vista em nenhum outro partido, no plano da cidadania a situação é ainda mais grave. Estas pessoas embrulharam as suas mentiras num discurso moralista que servia de alavanca para assassinatos de carácter, apelos ao ódio, campanhas caluniosas, conspirações judiciais, golpadas mediáticas e manipulações populistas. Usaram todos os meios que encontraram para conspurcar o espaço público e o regime.

Ora, aqueles que têm recuperado essas mentiras e esses episódios constatam que eles não geram indignação. Nem sequer pedidos de responsabilização. Geram é um triplo silêncio. As figuras que trataram – e tratam – os portugueses como gado para abate limitam-se a ficar caladas porque se sabem impunes. A imprensa e os partidos da oposição calam-se porque os seus actuais dirigentes alinharam com essas figuras nesse tempo em que valia tudo, e também porque têm outras agendas onde a luta pela integridade e decência da vida em comum não entra. E os cidadãos calados ficam por se sentirem impotentes e desorientados.

Que vai acontecer, então? Assim que essas figuras voltarem para a oposição, elas, ou outras por elas, irão repetir os mesmos métodos que tanto sucesso tiveram em 2011. Os seus adversários serão carimbados como mentirosos, falhos de carácter, de honra duvidosa e cujas vidas precisam de ser investigadas por causa dos podres que lá estão escondidos. É este o modo de fazer política no PSD, o partido do BPN e do Jardim, do Menezes e do Abreu Amorim, do Cavaco e do Relvas, e não existe mais nada que eles precisem de aprender depois de dominarem estas técnicas.

Mas há quem mostre como se lida com pulhas:

11 thoughts on “O triplo silêncio”

  1. que vergonha de deputado: não sabe expôr, porque nem sequer saberá pensar, uma única ideia. bronco e armado em engraçado, esquizofrenia da culpa, tem um discurso bem pior que os tascolas que param a beber minis na mercearia do Tó. inhac.

  2. Já nos idos de 60 do século passado o inimitável Vilhena fazia as suas crónicas da
    “Pulhice Humana”, onde muitos dos actuais “tenores” da maioria teriam cabimento!
    Confundem a nobre arte da política, com os golpes, as rasteirinhas, o fabrico dos
    cenários das inventonas e, as trapalhadas que, a sua falta de engenho provoca, em
    em verdades insofismáveis … e, os mesmos de sempre pagam a conta!
    A aparente falta de indignação que, um pouco por toda a parte se sente, não quer
    dizer que não exista um sentido crítico nos portugueses que, tão maltratados es-
    tão a ser por esta gentalha maioritáriamente composta por oportunistas e incom-
    petentes! Só que, os seventuários do costume que se alimentam com as migalhas
    que vão caíndo do Pote, trabalham na feitura de uma “cortina” para disfarçar a des-
    truição semeada por esse País afora!!!

  3. É muito importante não esquecer que toda esta empáfia bacoca destes aprendizes de feiticeiro pertence ao período em que José Sócrates se encontrava em Paris.
    Onde estão eles agora? Quantos são?
    Trata-se de uma questão de higiene pública dar uma barrela a todos os sacripantas, do mais pequenino ( não é necessário pensar de imediato no Marques Mendes ou no Gomes Ferreira) ao maior ( aqui podemos incluir a SEDES e as suas merdas, o Correio da Manha e quejandos), sempre que a sua condição (infelizmente) os empurrar para a trapalhada e para a aldrabice.
    Seria igualmente muito interessante recuperar a intervenção de Pedro Silva Pereira no dia do chumbo do PEC IV. A coligação negativa, essa nódoa que ainda hoje pede barrela.
    Nunca nos faltará o sabão-macaco.

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