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Duplicidade de critérios explicada às crianças

«Segundo ponto, Manuel Pinho. São absolutamente indecentes as tentativas de confundir a situação de Manuel Pinho com a do atual primeiro-ministro. Não, não é a mesma coisa. No caso de Manuel Pinho os pagamentos que recebeu do BES resultam de trabalhos anteriores à sua entrada em funções públicas; no caso do atual primeiro-ministro, os pagamentos à sua empresa resultam de trabalhos prestados durante o exercício de funções públicas.

Mais ainda: na circunstância de Manuel Pinho os pagamentos recebidos eram resultado de um contrato de rescisão que pôs fim à sua relação profissional com o banco; no caso do atual primeiro-ministro, os pagamentos à sua empresa resultam de avenças que estão em vigor. Manuel Pinho foi investigado, foi preso e foi condenado injustamente. Ao atual primeiro-ministro não foi aberta nenhuma investigação.»


A crise das avenças

Revolution through evolution

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Dominguice

É estultícia querer explicar Trump apenas recorrendo à dimensão psicológica. A deriva do Partido Republicano para um populismo nativista, isolacionista e carismático começou, no século XXI, com o Tea Party — este, uma resposta ao choque provocado pela eleição de Obama, o qual representava uma força política e cultural imbatível. Trump só conseguiu derrotar os candidatos Republicanos nas primárias de 2016 porque o eleitorado do partido já estava disponível para uma fase de mudança revolucionária interna. Por cima deste substrato, a comunicação social construiu uma marca Trump monopolizadora da atenção das audiências. O efeito, irónico, foi o de termos um editorialismo que achava estar a gozar com Trump enquanto, simbólica e pragmaticamente, o entronizava como o candidato preferido para um ciclo de combate identitário sem tréguas nem limites. Como exemplo desta dinâmica, entre tantos, o ataque de Trump a John McCain foi, na verdade, um ataque à racionalidade ideológica que se filiava numa tradição patriótica a remontar a George Washington. Um traste imoral a quem os papás ricos safaram de fazer o serviço militar no período da Guerra do Vietname aviltava um dos maiores heróis militares vivos dos EUA e do Partido Republicano num contexto de corrida eleitoral para a Casa Branca, sem ter sofrido qualquer penalização por isso na sua base eleitoral. Ninguém previu, nunca, que tal pudesse vir a acontecer.

O populismo na América não é uma engenharia social, é uma antropologia. Mas, como tudo o resto na esfera política, tem a sua evolução na descontinuidade. O espectáculo circense que está montado, com o Joker a ser Joker, irá fatalmente seguir as leis arcanas que lhe deram a oportunidade de ter nascido.

Sabujo, mas muito bem pago

Não sei quantas pessoas verão a “investigação” SIC Luís Bernardo: um empresário de sucesso com ligações ao PS, mas aqui fica o meu convite a que se gaste 26 minutos e 12 segundos com a coisa. Tem a autoria de Pedro Coelho, Micael Pereira e Filipe Teles, três jornalistas que se autoproclamam especialistas na investigação aos malandros dos políticos, dois deles com longo e prestigiado currículo nessa área.

A tal coisa tem uma narrativa desagradável ao palato do espectador porque é um denso enredado de insinuações difícil de seguir e quase sempre irrelevante. Termina como começou, sem nada que possa ajudar o Ministério Público, antes ficando a suspeita de ter sido o Ministério Público a pedir ajuda à SIC. Nesse sentido, é uma peça típica do editorialismo pago pelo Balsemão, e também do editorialismo genérico pago pela direita. Como vem na sequência de ter sido o Expresso a publicar a notícia que, provavelmente, levará à queda do Governo, o estado mal-amanhado e oco do que foi servido parece ter sido o resultado de uma ordem para contrabalançar o cocó numa das paredes, indo-se buscar qualquer coisa que desse para falar de Sócrates. Tinham o Luís Bernardo a marinar, chegava para a encomenda.

Quem quiser confirmar este diagnóstico, basta ouvir o Daniel Oliveira no “Eixo do Mal”. O seu entusiasmo nasce de poder acusar Sócrates de ser o responsável pelos crimes, ou malfeitorias várias, que imputa ao Bernardo através do Pedro Coelho e muchachos. De caminho, dispara sobre o PS, o supremo encanto da merenda. É um registo completamente panfletário, feito apenas de retórica difamatória que se pretende fique como calunia obviamente sugerida. É triste, e verdade: para atacar Sócrates, o Daniel Oliveira tem sempre de se revelar um sabujo de quem lhe mete o dinheirinho mensal no bolso. Se lhe perguntassem do que fala, calava-se cobardolas.

Não faço a menor ideia se o Luís Bernardo cometeu crimes homéricos com outros facínoras socialistas ou se tem uma multa de estacionamento por pagar, neste último caso a merecer ser queimado no Terreiro-do-Paço. Mas é notável o silêncio de Pedro Marques Lopes quando assiste impávido e cooperante a um exercício de diabolização e suspeição politicamente motivado. O alvo é uma pessoa que é do PS desde a sua juventude e que fez o que toda a gente no mundo faz, desde sempre: estabeleceu relações de convívio, amizade, colaboração e serviço com outras pessoas que foi conhecendo. Pessoas que o convidaram para cargos de auxílio profissional a políticos por serem políticos a precisarem de se rodear de outras pessoas em quem confiassem. A lógica da peça, e de toda a campanha negra que contra ele se faz continuadamente desde 2009 no comentariado, é a de ser culpado por associação. Por associação com um cidadão que neste momento em que teclo é inocente, e que ninguém sabe se alguma vez será condenado por alguma coisa. Tenha, ou não, cometido algum crime.

Bom jornalismo de investigação seria o que mostrasse como um fulano com tão mau nome no mercado, e tão favorito a ser escutado e devassado, conseguiu continuar a ter actividade empresarial. Porque aí talvez desse para aprender algo com utilidade.

Lapidar

NOTA

Dois Presidentes da República genuinamente socialistas depois de Eanes, 20 anos de regular funcionamento das instituições. Dois Presidentes da República aparentemente sociais-democratas depois de Sampaio, duas desgraças ambulantes que foram parte activa da anomia vigente no regime.

Faz parte desta tragédia o PS, pelos vistos, ir mesmo apoiar Vitorino contra um populista altamente popular por falta de melhor candidato.

Revolution through evolution

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Dominguice

Assim como há moções de censura e de confiança, no Parlamento, igualmente deveria ser possível ao Governo apresentar uma moção de “sem-vergonhice” e aos partidos da oposição apresentar uma moção de “palhaçada”. Se um Governo conseguisse aprovar a sua moção de “sem-vergonhice” poderia continuar a governar descansado quanto à sua falta de vergonha. Era um assunto resolvido, deixava de ser necessário estar-se a perder tempo com isso. E se a oposição conseguisse aprovar a sua moção de “palhaçada” poderia dedicar as suas energias a pensar em projectos para o País, estando resolvida a questão de o Governo ser uma formidável colecção de palhaços.

A democracia tem muito espaço para evoluir, devemos ser criativos e optimistas.

Great television

O que se passou ontem no Salão Oval da Casa Branca entre Trump, Vence e Zelensky foi, como descreveu o principal protagonista, “great television”. Pergunta imediata: quais as características da televisão quando é muito boa? Cada um terá a sua resposta, a minha é: quando aprendemos algo importante a olhar para o ecrã.

Assim, ficámos a saber, ou confirmámos, como Trump é emocionalmente volátil — ou seja, facilmente manipulável. E que Vance trabalha para a defesa dos interesses russos, daí se ter permitido tratar Zelensky como um funcionário impertinente a merecer ser achincalhado em público. E que Zelensky é um verdadeiro patriota, um verdadeiro defensor da liberdade, um corajoso e admirável ser humano.

Ficar a saber, neste contexto televisivo, quer dizer que as imagens e os sons captados transmitem com transparência o fluxo cognitivo e emocional em cadeia que apanhou tudo e todos de surpresa; os espectadores e, desvairadamente, os actores. Tal nasceu, de facto, por responsabilidade inicial de Zelensky, ao desautorizar Vence a respeito da possibilidade de chegar a acordo com Putin, e depois lembrando evidências acerca do carácter criminoso de quem manda actualmente na Rússia. Reacção que talvez pudesse ter sido contida num esforço heróico de calculismo, mas que ao não o ter sido se constituiu como manifestação exemplarmente digna. Vance ficou num dilema, cuja resolução teria de acontecer em menos de dois segundos. Ou se calava, validando a intervenção de Zelensky e com isso conspurcando Putin, ou tentava assassinar moralmente o chefe de Estado da Ucrânia à sua frente. Para ele, o mais difícil seria a primeira opção, o mais fácil a segunda. A partir daqui, Trump igualmente estava obrigado a atacar Zelensky, não tinha qualquer outra hipótese, nem sequer passou pela fase do dilema. Reagiu automaticamente, num crescendo furibundo que acompanhou a indignação também incontrolável da pessoa que estava à sua direita. A pessoa cujo país foi invadido em 2014, e de novo em 2022, e que é responsável por organizar e liderar a defesa de dezenas de milhões de concidadãos. Uma pessoa mergulhada diariamente, horariamente, na morte e destruição a mando de Putin.

Trump e Vance não se parecem em nada diferentes do resto da humanidade quando calha esse resto da humanidade estar numa posição de poder que lhe permite desprezar e explorar alguém. Está sempre a acontecer. Acontece em tribunais, esquadras, consultórios médicos, salas de aula, estabelecimentos religiosos, empresas finórias ou pobretanas. Esse par quer muito fazer um acordo que corresponda à rendição da Ucrânia, para começar, e aceita dar tudo o que Putin agora pedir para que outros negócios mirabolantes se possam fazer com a Rússia logo de seguida. Donde, é sobre a parte fraca que se ocupam a fazer pressão. É esta a cultura da oligarquia, para sempre assim será. Não é preciso diplomacia para isto, basta a “negociação”. Quer dizer que um pato-bravo pode vir a receber o Prémio Nobel da Paz usando as mesmas técnicas com que encheu os bolsos a enganar este mundo e o outro.

A grande incógnita a respeito do destino da América, portanto do mundo, começa cada vez mais a deslocar-se para o que será a resposta do corpo militar à pulsão megalómana de Trump e à natureza rapace de Vance. Não foi com broncos deste calibre que se criou uma superpotência democrática.

O tráfego de influências

A notícia dos 4.500 euros mensais pagos pela Solverde a um primeiro-ministro em exercício, sendo que tal corresponde apenas a um terço do que esse primeiro-ministro recebe de outras empresas e da mesma forma, é uma belíssima ocasião para revisitar o Face Oculta e a originalidade, sem registo anterior na história judicial portuguesa, nem repetição posterior, de se ter condenado um cidadão a 5 anos de prisão efectiva por crime de tráfico de influências. Cidadão ao tempo a trabalhar na banca, numa função comercial onde tinha de se relacionar de forma personalizada com os seus actuais e potenciais clientes.

Suposta influência essa que não gerou qualquer ganho para o suposto pagante, um infeliz e banal sucateiro, e pagamento esse que nunca foi provado pelas autoridades. Mas havia escutas, robalos, e um outro primeiro-ministro que se tinha de espiar e abater. Donde, pois é.

Com o Montenegro, como com Dias Loureiro, Cavaco, Passos, Portas, Relvas, não há escutas de coisa alguma. Ou, quando as há, vigora exemplarmente o segredo de justiça e o pudor dos jornalistas. Estes amigos apenas se entregam ao tráfego de influências.

Curso de ciência política

«Em Portugal havia um partido muito grande pelos princípios do governo absoluto; o partido constitucional começou por pouco, cresceu, formou-se, e elevou-se a uma magnitude tal que hoje está dividido não sei em quantos partidos, mas em um considerável numero d'elles. Em todos os partidos ha gente de todas as qualidades, que professam e que seguem a mesma fé por differentes convicções. No partido que sustentava em Portugal os principios de governo absoluto havia muita gente tão amiga do seu paiz, tão zelosa da independência nacional, tão respeitadora de todas as utilidades públicas, e com tanta auctoridade para se chamar patriota, como qualquer outra que o seja. Mas havia o que tambem ha em todos os partidos, gente que nenhuma consideração d'essas tinha, mas que seguia aquelle partido porque era o mais forte, porque lhe parecia o mais forte, e que o sustentava porque lhe satisfazia, ou promettia satisfazer, ambição, cubiça, todas as paixões boas e más da natureza. Entre os muitos homens que havia n'esse partido, que nos guerreavam, que me teriam sacrificado a mim tambem se me apanhassem, d"onde me vieram, assim como a nós todos, padecimentos, perseguição e extermínio: entre esses homens ha muitos a quem eu hoje e sempre daria a minha mão, a quem hoje e sempre desejaria chamar ao grémio da que supponho melhor communhão portugueza, e estaria prompto a entrar com elles em qualquer negociação politica. Esses homens foram fieis aos seus principios, porque eram seus principios, na honra d'esses homens tenho a garantia de sua probidade politica, que é a base de toda a associação. Mas com aquelles, sr. presidente, que defendiam a usurpação, não por estarem capacitados dos direitos do principe, que tinham posto no throno, mas porque esse principe tinha força; mas com aquelles que nos dizem hoje que já então professavam outras doutrinas, e que assoalhavam doutrinas oppostas, a estes nem a minha mão, nem o meu braço, nem coisa alguma; tenho horror d'elles; tenho mais, tenho nojo.— O ministério que veja aonde estão estes homens: não é do nosso lado. (Apoiados.) O ministério que examine, que veja, que declare debaixo de que bandeira estão os homens sinceramente realistas, e aonde os deshonrados apostatas. O realista é homem que professa os princípios monarchicos como eu, mas que lhe não admittiu até agora as modificações que lhe impõe o pensamento do seculo, que defendeu sinceramente porque sinceramente prezava a monarchia; esse é um homem de bem: posso estimál-o e desejo honrál-o; o renegado miguelista é um infame com quem não quero nada. (Apoiados.)


Garrett : memórias biographicas_Francisco Gomes de Amorim_1884

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