Luís Newton está metido numa embrulhada judicial e escreveu este texto: Eu, político, me confesso
Obviamente, ignoro se é culpado de coisa alguma. Portanto, para mim não há a mínima dúvida sobre a sua actual condição de inocente. Era preciso tomar conhecimento de uma condenação transitada em julgado a respeito do caso para eu mudar de opinião. Ou então pagarem-me para investigar o processo e mostrarem-me provas da sua culpabilidade.
O que ele veio dizer é, essencialmente, isso mesmo: sou inocente, tratem-me como inocente. Por estar na berlinda, foi buscar o que de melhor se encontra na Constituição para reclamar ter direito à sua protecção. De caminho, queixa-se de pulharias vindas dos órgãos de comunicação social e da sociedade digitalizada. Fez muitíssimo bem.
Único problema? Este Luís Newton jamais tomaria uma posição pública cívica e politicamente análoga para defender os mesmos princípios constitucionais e morais estando em causa um adversário político, com o qual não tivesse qualquer laço relacional de estima, apanhado na mesma situação. E cometendo a injustiça de tecer considerações arrogantes sobre o seu carácter não o conhecendo pessoalmente, nem sequer por interpostas pessoas, tenho a profunda convicção de que ele se riria, ou terá rido, alarvemente com a malta do partido por ver a competição enterrada no mesmo lodaçal em que agora se encontra.

