É mesquinho querer ganhos táticos, quando o interesse nacional exige dos partidos seriedade, compromisso e convergência estratégica. O espírito de fação levou-nos à beira do abismo. Se não quisermos mergulhar nele, teremos de pensar e agir de modo diferente.
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Qual a importância do Soromenho? A que lhe quisermos dar, óbvio. Para mim, representa uma certa imprensa, uma certa forma de fazer política, uma certa cidadania. Uma ridícula e perniciosa cagança. Aqui o temos, trocando palavreado por dinheiro, a ocupar espaço num jornal dito de referência. Na passagem citada, a mensagem surge salubre, bondosa, imaculada. Impossível discordar. O único problema? É que este melro, no mesmo espaço, a troco do mesmo dinheiro, vai despejando exercícios de facciosismo, leviandade, ressabiamento, rancor.
Acaso, em 2010 e 1ª metade de 2011, não esteve Portugal numa situação onde, por todas as razões conhecidas então e por conhecer, mais falta nos fez o espírito de esforço comum na classe política e na sociedade para evitarmos os danos maiores de um contexto internacional onde não passávamos de uma casca de noz no mar alto? E não assistimos então à política da terra queimada, da mentira obscena, das golpadas institucionais, só para se conseguir derrubar um Governo e substituir os governantes mesmo que tal implicasse afundar o País? Que fez o Soromenho nessa altura? Onde estava o seu cuidado com o “interesse nacional”, qual era a sua consciência da “seriedade” partidária, que noção tinha dos conceitos de “compromisso” e “convergência estratégica” ao tempo?
Antropológica e psicologicamente, a contradição não surpreende, sequer tem interesse. Os mecanismos pelos quais a afectividade e as emoções moldam e condicionam a cognição são lana caprina da natureza humana que até em contexto académico e científico revela invencível poder. Quão mais, portanto e por tanto, na política, arena de paixões, e no jornalismo de opinião, circo e feira de vaidades. Ainda assim, a agenda secreta, podendo inclusive ser secreta para os próprios, destes infelizes tem uma característica comum: alucinarem-se os tais generais sem exército que Musil glosou. É por isso que merecem crítica e repúdio, pois fomentam a violência, conspurcam o espaço público e degradam a inteligência da comunidade.

