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Ivermectina e COVID – A caminho da evidência?

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Nota

– Há muitas e muito boas razões para não ver a ivermectina como uma panaceia milagrosa para a prevenção e tratamento da COVID-19. Essas razões poderão estar a explicar o estatuto semiclandestino deste vídeo, o qual existe e não existe oficialmente. Algumas declarações mais inflamadas também poderão ter levado os seus autores a pedirem para que se tirasse destaque à peça, não faço ideia.

– Todavia, a conversa que se registou é de cientistas, reunindo áreas da investigação, prática clínica e farmácia. E estes cientistas, por razões também científicas e por princípios morais e éticos, mesmo civilizacionais, apelam a que se valorizem as evidências já estabelecidas quanto à segurança do medicamento e os resultados entretanto recolhidos com doentes COVID em Portugal (e não só).

– A seu favor, pense-se na altíssima ineficácia dos medicamentos e tratamentos oncológicos quando os doentes estão em fase terminal (por vezes, com 95% ou até 99% de ineficácia) e de como, apesar do devastador custo em sofrimento para os pacientes e suas famílias, e dos gastos financeiros para particulares e/ou Estado, se avança para a sua aplicação como imperativo cego. No caso, a acção da ivermectina em quadro de infecção viral está estabelecida, embora não haja estudos suficientes como tratamento da COVID-19 para que as autoridades de saúde possam usá-lo no Serviço Nacional de Saúde.

– Em suma, é inquestionável o mérito, e urgência, do debate.

Ângela Silva explica

«Marcelo Rebelo de Sousa não vai ceder à pressão dos que lhe pedem um Governo de salvação nacional. Reeleito há apenas 15 dias, o Presidente da República tem ouvido ex-governantes e comentadores a defenderem que o atual Executivo já não serve para gerir a crise e que deve ser o Presidente a impor outra solução governativa. Mas Marcelo, além de avesso a Governos de iniciativa presidencial, entende que compete a António Costa gerir a pandemia e não vai deixar que haja crises políticas que interrompam este ciclo sem que se perspetivem alternativas de poder.

A sua convicção é que só depois das autárquicas de outubro se entrará num novo tempo político, com eventual clarificação das lideranças à direita, nomeadamente no PSD, onde a dúvida é quem levará o partido às legislativas, se será Rui Rio ou um regressado Pedro Passos Coelho. Também por isso, o Presidente quer dar tempo para perceber melhor com que solução diferente do Executivo socialista poderá o país contar.

Sem abrir totalmente o jogo, Marcelo disse o essencial na primeira entrevista que deu após reeleito, a Ricardo Araújo Pereira, na SIC, onde em registo humorístico passou a mensagem para dentro e para fora do Governo. “A minha ideia não é que o Governo caia, é que o Governo responda à crise, que enfrente a pandemia”, afirmou. E deixando claro que a sua relação com o primeiro-ministro “é uma relação institucional que pode ter momentos afetivos, mas não uma relação afetiva que pode ter momentos institucionais”, o Presidente explicou o essencial do seu plano de médio prazo: maior exigência e vigilância com o Governo.»

Ângela Silva

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Invejo a jornalista Ângela Silva. Para além de nunca lhe ter faltado trabalho, como o currículo exibe e se saúda, estabilizou numa função que adivinho descansada e juvenil: ser pé de microfone dos Presidentes da República que sejam de direita. Este destino profissional, por si mesmo, é interessante pois a cada leva direitola na Presidência ela fica com a certeza de ter mais 10 anos de ocupação laboral garantida. Mas o que eleva o interesse para algo já tangente ao fascínio é o talento para reduzir a política nacional a um teatro infantil onde o Presidente da República acumula com ser Presidente dos Conselhos aos Ministros. E daí vermos, quando os ingratos badamecos não aceitam as sábias sugestões belenenses, a nossa jornalista a rapidamente despachar no Expresso o devido responso à criançada, onde ela mostra quem é que realmente manda na choldra. Recomendo vivamente qualquer passagem da sua autoria onde entrem os nomes “Marcelo” e “Costa”, pois as sessões de tautau do primeiro ao segundo são neste especialíssimo tipo de “jornalismo” espectáculo inevitável e mui pedagógico.

No exemplo acima, temos direito a levar com a assombrosa revelação de que Marcelo Rebelo de Sousa é “avesso a Governos de iniciativa presidencial“; ou seja, que não simpatiza, não curte da ideia. Por incalculável sorte nossa, temos de acrescentar, pois calhando o homem achar graça à coisa já a teria há muito posto em acção e repetido as vezes que lhe desse na gana. Para quê estar à espera dos resultados das eleições legislativas, e depois de eventuais e complicadas negociações entre partidos, só para acabar a ter de reunir semanalmente com um primeiro-ministro socialista que está convencido de ter o direito constitucional de formar Governo e governar com plena legitimidade parlamentar e autonomia executiva? Quer-se dizer, para além da perda de tempo e do gasto financeiro, é um absurdo funcional quando comparado com a alternativa que gente iluminada como Villaverde Cabral, Sousa Tavares e Santana Lopes propõem: deixar um só indivíduo tratar do problema e escolher a sua gente, a verdadeira gente séria que sabe muito bem do que os portugueses precisam.

E há mais, estamos perante “jornalismo” que humilha a concorrência pela sua generosidade para connosco, burros do caralho. A Dona Ângela serve a papinha morna e pronta a papar: Marcelo prefere que Costa se esbardalhe todo na pandemia e que, no entretanto, Rui Rio perceba que está na altura de fazer as malas e deixar a sede da Lapa limpa e arejada para receber de novo Pedro Sebastião Coelho, altura em que sim, com Costa esturricado e o PSD pronto para o assalto, o Presidente da República carregará num botão e teremos finalmente um Governo de iniciativa presidencial, prontos. Como é que sabemos ser exactamente assim o autêntico pensamento de Marcelo? A incansável jornalista explica com paciência de santa, lembrando que o Presidente da República escolheu um programa de humor para transmitir o “essencial” acerca do futuro político do País: “em registo humorístico passou a mensagem para dentro e para fora do Governo“. É para este serviço à Grei que Ricardo Araújo Pereira também serve, quando não nos deixa a rebentar de rir com as suas declarações de voto no PCP – isto, dar palco a um Presidente da República que, coitado, sem o baixo patrocínio de um cómico corre agora o risco de ninguém o levar a sério.

Revolution through evolution

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Researchers propose that humidity from masks may lessen severity of COVID-19
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The truth, or fake news? How to do the research yourself with deception expert Tim Levine
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Which conspiracy theory do you believe in?
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Happiness really does come for free
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A liberdade não nasceu da cobardia

Ter acompanhado o processo de destituição de Trump, terminado neste sábado, foi uma das grandes experiências da minha aprendizagem política. Embora o resultado de absolvição fosse garantido desde o início, o inaudito e monstruoso ataque ao Capitólio, somado à impossibilidade de refutar as provas que viessem a ser apresentadas da evidente culpabilidade de Trump, levava ainda a manter uma vela acesa na esperança do milagre.

Não houve milagre. Não houve salvação dos Republicanos. E, do ponto de vista da decência, da segurança e do mero senso comum, fica como uma das datas mais tristes para a história dos EUA. Contudo, foi verdadeiramente inspirador – e em vários momentos comovente – ter assistido à apresentação da acusação pelos Democratas, cujos nomes vou deixar gravados no HTML como homenagem, começando pelo seu primeiro responsável: Jamie Raskin, Diana DeGette, Eric Swalwell, David Cicilline, Madeleine Dean, Joaquin Castro, Ted Lieu, Stacey Plaskett e Joe Neguse. Do lado da defesa, apareceram duas nódoas que encheram o Senado de mentiras, chungaria e absoluta incapacidade de mostrar um único aspecto favorável a Trump.

O acto mais importante de todo o processo, já contando com a histórica votação bipartidária que ainda conseguiu surpreender ao conquistar 7 senadores Republicanos, ocorreu depois dos votos contados e teve Mitch McConnell, líder dos Republicanos no Senado, como protagonista. No seu discurso final, conseguiu o feito de condenar Trump e condenar-se a si próprio. É este o destino da direita decadente, não há outro: a pulhastra tragédia dos cobardes.

Perguntas simples

Posto que Manuel Villaverde Cabral é um dos apoiantes da ideia do «governo de salvação nacional», e dando como garantido que estamos a falar do mesmo Manuel Villaverde Cabral que se apresenta em público com o nome Manuel Villaverde Cabral, como é que Marcelo, ou seja quem for com mais de 6 meses de idade, tem o topete de recusar essa genial e tão simples solução para os problemas do País?

Sistema frontal

«Depois de mais de uma hora de reunião, André Ventura e o Presidente do Governo regional faziam ambos uma comunicação lado a lado. De Ventura, surgiu logo a referência à “estupefação e desconforto com as notícias que tinham vindo a lume com a nomeação de familiares no Governo regional dos Açores”. Na sua edição semanal, o Expresso deu hoje conta da existência de várias nomeações para cargos públicos com relações familiares, dentro da orgânica governativa, ou ligadas aos partidos da coligação que suportam o executivo regional.

O líder do Chega, que teve em tempos nas ruas de Lisboa um cartaz onde se lia “Chega de familiares no Governo”, sublinhou que é preciso não repetir erros do passado onde “a presença de familiares no Governo manchou a ação política e descredibilizou a ação governativa”. Ventura diz que tomou como “boa a explicação que foi dada pelo senhor presidente e os objetivos de maior controle desta situação”, voltando a falar na criação, nos próximos meses, do gabinete contra a corrupção, uma das bandeiras do partido.

Sobre o aumento do número de cargos e dos custos no novo executivo açoriano - que, em quatro anos, poderá ser quase 8 milhões de euros mais caro que o anterior - André Ventura também se diz tranquilo. “Haverá uma diminuição não só do número de lugares como de despesa do Governo portanto tomámos como boas as garantias que foram dadas, temos todos as condições para uma solução que se mantenha estável do ponto de vista governativo”, assegura o líder do Chega.

José Manuel Bolieiro também se mostra igualmente agradado com o que encontra do outro lado. “Foi um gosto pessoal e institucional receber André Ventura. Os acordos serão cumpridos na íntegra e em franca e em constante articulação porque há identidade naquelas causas, os partidos políticos não perdem a sua autonomia”, assegura o social democrata.»

Fonte

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No padrão dos crimes mafiosos e dos crimes de violência doméstica há radicais diferenças e perfeitas semelhanças. Como exemplo destas, em ambas as tipologias está em causa cometer a violência secretamente e obrigar as vítimas a uma subjugação de longo prazo. No padrão destes criminosos e no padrão dos políticos populistas da actual direita decadente igualmente encontramos radicais diferenças e perfeitas semelhanças. Os políticos populistas que utilizam uma retórica maniqueísta contra a classe política – portanto, contra a democracia e contra a liberdade – anunciam sem rebuço o seu plano para se comportarem como chefes mafiosos e como agressores domésticos. A linguagem incendiária, insultuosa, revolucionária e delirante que espalham tem um duplo efeito: confunde e imobiliza. Daí o fenómeno Trump. E daí o fenómeno Ventura.

Os criminosos de vocação aprendem, geralmente muito cedo na sua existência, que a enorme maioria da humanidade quer viver em paz e rodeada de boas pessoas. Há nesta enorme maioria uma pulsão para a convivência que nos faz acreditar no que nos dizem. Se não acreditássemos, por automatismo cognitivo, nas mensagens dos outros seria muito difícil criar grupos de humanos para além dos elos genéticos. Aliás, talvez nem a linguagem verbal se tivesse desenvolvido. Falamos porque há vantagens evolutivas em confiarmos uns nos outros, em trocarmos informações, em acumularmos conhecimento e corrigirmos aprendizagens para que melhor consigamos resolver problemas e evitar perigos. É dessa capacidade de sermos comunidade que nasceu e continua a nascer a civilização. Os criminosos sabem disto muito melhor do que nós, os ingénuos.

A vítima de violência doméstica, o mesmo para a vítima de abuso sexual por familiar ou figura de autoridade (professor, médico, religioso, …), é atingida pelo choque psicológico de se saber alvo de um comportamento imprevisto e exteriormente absurdo: aquele indivíduo que era suposto querer-lhe bem, protegê-la, é quem lhe quer mal, quem a ataca. Resulta profunda a desorientação assim causada, levando a um estado de impotência auto-infligida. O criminoso conta com isso, nalguns casos depende desse mecanismo para conservar o seu poder sobre a vítima. A mesmíssima lógica se pôde constatar na ascensão de Trump ao topo do poder político nos EUA. No início da corrida eleitoral para as eleições norte-americanas era apenas tratado como um palhaço, e mesmo durante a sua presidência foi sempre defendido pela direita americana institucional (partido, representantes) e mediática contra todas as evidências, diárias, de se ter deixado entrar na Casa Branca o rei dos mentirosos – um chefe mafioso. Numa outra vertente, a capacidade para confundir jornalistas e cientistas sociais radicava na incredulidade generalizada de que Trump viesse a ser realmente aquilo que ele já mostrava que era. Assim, o dia 6 de Janeiro de 2021 ficará como monumento, para os séculos vindouros, da possibilidade de se deixar o melhor que conseguimos construir juntos, o Estado de direito democrático, nas mãos de um ogre narcísico e sem qualquer escrúpulo. Um reles criminoso, responsável moral e político pelo caos e pelas mortes que abalaram a América e o mundo democrático.

Ventura não é Trump, diz a falange que trabalha para o seu branqueamento. Bolieiro, Rui Rio, Manuela Ferreira Leite, Maria João Avillez, Cavaco, eis algumas das mais distintas figuras da direita “tradicional”, e do regime, que anunciaram querer aproveitar o que Ventura traz para a política portuguesa e está disposto a oferecer-lhes à primeira oportunidade. Como aconteceu nos Açores, literalmente a primeira oportunidade para todos estes jogadores mostrarem as cartas. Por sua vez, Ventura assume ser o João Baptista de Passos Coelho, anunciando para breve o regresso do messias de Massamá e o triunfo do Bem sobre o Mal. Quando diz que a sua missão política está ligada a Fátima e que nunca seria o Presidente de todos os portugueses, Ventura continua a ser apenas o palhaço de quem se espera que largue qualquer aberração para animar a malta. Mas depois, como podemos ler acima, as coisas acontecem. Vão acontecendo. E o plano é o de continuarem a acontecer, de preferência numa escala cada vez maior.

O Chega era contra os “familiares no Governo”, mesmo que esse número fosse irrisório e sem qualquer significado político ou social? Pois facilmente pode deixar de ser, inclusive quando essa familiaridade é à fartazana, basta que haja algo para a troca. Essas coisas resolvem-se numa reunião à porta fechada, omertà. E pronto, está feito. A suposta aversão ao “sistema”, portanto, não passa de um outro tipo de sistema: a frontal violência moral e política que Ventura publicita ser capaz de cometer ao serviço dos chefes.

O cabrão e o Cabrita

«Questionado sobre em que ponto está a reestruturação do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), Magina da Silva recusa fazer comentários. Depois das polémicas declarações em que revelou que estava a ser estudada a fusão da PSP com o SEF que deixaram o ministro da Administração Interna zangado, Magina da Silva reconhece que cometeu o "erro" de emitir uma opinião pessoal, o que classifica como um "descuido bondoso".

Para o superintendente-chefe da PSP a relação com o ministro Eduardo Cabrita não ficou beliscada. "Pedi-lhe desculpa quando me apercebi da dimensão da extrapolação que fizeram das minhas palavras, como digo: um descuido bondoso. O senhor ministro percebeu que foi um descuido bondoso e isso não afetou o nosso relacionamento institucional".»

Declarações sobre reestruturação do SEF foram um “erro” e um “descuido bondoso”

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Eduardo Cabrita é, actualmente, o maior ódio de estimação do comentariado. Esta poderia ser razão suficiente para entender mais um Fenómeno do Entroncamento do regime e da sociedade, o silêncio encardido que a pública retractação de Magina da Silva gerou. Nenhum dos que andaram aos berros a pedir a cabeça de Cabrita em Dezembro tugiu ou mugiu. E a explicação não podia ser mais simples: com estas palavras, acima expostas, o diretor nacional da Polícia de Segurança Pública acaba de ir depositar as armas aos pés do ministro. Ministro que o comentariado decretou estar arrumado, morto. Ministro que não só exibe força política como foi granítico na defesa do sentido de Estado na gestão da crise lançada por Marcelo, o que Magina da Silva deixa estabelecido numa declaração à prova de estúpidos. Momento, então, para desopilar com o que fica como chicana hilariante do Daniel Oliveira, o mesmo artista que já tinha sido um dos heróis do desconfinamento para o Natal (luta a recordar outra de antanho, então contra a proibição de fumar em restaurantes): O preço de deixar um cadáver político como ministro + Quem não tem ministro, fica com Magina

Escolho o Daniel como exemplo da inanidade prejudicial do que é o comentariado, salvo as raras excepções, porque não estamos perante um pulha. Este amigo estuda e tem ideais decentes e meritórios, não é apenas um mercenário. Porém, à maneira dos pulhas, deixa-se embriagar pelo poder mediático ao seu dispor, e depois quem paga é a honestidade intelectual. No caso, o que o motiva é a furiosa obsessão em atacar António Costa, cegueira que o levou automaticamente a colaborar com a golpada para tentar que Cabrita e Costa se assustassem e oferecessem mais um ministro para Marcelo e a direita exibirem como troféu de caça. É por isso que ele, como o seu compagnon de route Louçã, dá tanto jeito à agenda do militante nº1 do PSD: inimigo do meu inimigo meu amigo é.

O comentariado é uma fonte tóxica de sectarismo e irracionalidade, a qual se junta à miséria editorial do jornalismo português (salvo as devidas excepções, nenhuma no espaço televisivo). Todavia, e pese a deformação e atrofio do espaço público assim causados, por aí estamos apenas no domínio da política-espectáculo. Só papa disso quem quer, o tempo continua a ser livre para se gastar noutras fontes de sentido ou diversão. O que realmente nos interroga – melhor, nos desafia – no episódio protagonizado por Magina da Silva num certo domingo de Dezembro de 2020 é outra coisa. Uma coisa de arrebimbomalho: temos um Presidente da República que exibe no currículo a função de docente e presidente do Instituto de Ciências Jurídico-Políticas da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa até à sua vitória nas eleições de 2016, e, em concomitância, temos um Chefe de Estado que descaradamente, insolentemente, obscenamente, considera ser seu direito constitucional boicotar a acção governativa através de chantagens e perversões institucionais com vista a obter a demissão de ministros. E que faz o regime, o Governo, o sistema partidário e a sociedade? Aceitam, normalizam, exploram e festejam, conforme os resultados. É como se houvesse uma segunda Constituição guardada num cofre em Belém, ou a servir de calço numa cadeira manca, circulando fotocópias da mesma entre os políticos e os jornalistas para se orientarem face à conduta do inquilino presidencial.

Não, Magina, a culpa não é tua. Percebemos logo, fica descansado. É do cabrão que te enrolou.

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Use of pronouns may show signs of an impending breakup
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Curcumin Selected as Cognition Supplement of the Year: 2021
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To Touch and to Smell – a Nature Experience that Creates Happiness
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Notícias da asfixia democrática

José Gomes Ferreira, nascido em Vale de Lage e atualmente diretor-adjunto de informação da SIC, tem um programa chamado “Negócios da Semana” onde comenta assuntos de finanças, economia e política. Para a edição da quarta-feira passada, chamou Paulo Morais (presidente da Frente Cívica), João Miguel Tavares (comentador) e Luís Rosa (jornalista do Observador) em ordem a opinarem livremente sobre os “Grandes casos de corrupção em tempos de pandemia“.

Há gémeos monozigóticos que não conseguem ser tão iguais entre si como este bando dos quatro “especialistas em corrupção”. E uma das características que mais os aproxima e melhor define é esta: fechados juntos numa sala com a eternidade à disposição e esferográficas de borla, não conseguiriam preencher meia folha de papel almaço com algo objectivo, concreto e factual a respeito da corrupção em Portugal. O que conseguem é outra coisa, coisa pela qual são muitíssimo bem pagos. Chama-se “calúnia” e cumpre um papel político e sociológico relevante para quem a paga. Já que a direita pós-Barroso não consegue vencer eleições a não ser com baixa política, populismo, violações do Estado de direito, desprezo pelo bem comum e golpadas, essa direita vinga-se utilizando os seus impérios mediáticos para sessões de catarse e ódio em grupo. Algum tipo de alívio é conseguido.

Quem gastar 54 minutos e 43 segundos da sua vida a ver o programa não vai encontrar caso algum de corrupção com que se entreter. O que é servido consiste antes no único prato que estes cozinheiros sabem fazer, que despacham há mais de 12 anos, e resume-se a repetir a cada intervenção que o PS é horrível e horrivelmente criminoso. Logo, bué avant-Ventura, o sistema é o PS, o sistema tem de cair, a bem ou a mal. E de preferência a mal, como se fez em Março de 2011, pois é mais rápido, mais certinho, e dá um gozo do caraças.

A pose é exactamente análoga à de quem estivesse no meio da rua a assistir à pilhagem de lojas e se limitasse a ficar parado e a lançar para o ar “Anda tudo a roubar, que ladroagem!”, e depois passasse a repetir diariamente o exercício por obrigação profissional, por ser absolutamente maravilhoso encher o bolso apenas tendo de insultar e ofender os filhas da puta do PS – ao ponto de ficarmos com a vertiginosa suspeita de que eles temem que a tal pilhagem pare. Afinal, todos temos de ganhar a vidinha, né?

Talvez o mais notável na sua actividade laboral, onde estes artistas são a nossa elite neste tipo de espectáculo, seja o ar de satisfação e divertimento que as sessões lhes proporcionam. Quem chegar ao minuto 44 e 56 segundos, ou começando aí, pode assistir a 5 ou 6 minutos de boa diversão para toda a família. Começa com galhofa macaense, passa para um alguidar de casos que o Zé Gomes queria despachar para o caluniador profissional, continua com este a recusar a oferta porque não se queria ir embora sem falar de Sócrates e de Ivo Rosa, e conclui-se com Paulo Morais, o qual abre assim a sua declaração final: “Eu volto a dizer o que disse no princípio do programa: Portugal está, de facto, a saque.

E está. Temos de concordar. Eis um gráfico que o prova:

Duarte Marques, The Brain

«Outro dado curioso que ainda poucos salientaram é a estranha relação entre o investimento público e a percentagem de eleitores que votaram “Chega” nas presidenciais. Se olharmos para o Plano Nacional de Investimentos 2030, os concelhos onde André Ventura não ficou em segundo lugar, ou seja, onde ficou atrás de Ana Gomes, concentram 73% do investimento público esperado até 2030. Será que é criminoso dizer que a constante centralização do investimento público, e sobretudo dos fundos europeus, nas grandes Áreas Metropolitanas teve um contributo importante para a desilusão das pessoas?»

Gajo que utiliza a sua ofuscante inteligência para equiparar Ventura ao PS

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Aplicação da lógica seguida pelo brilhante deputado, e inevitável futuro presidente do PSD, noutras problemáticas de evidente interesse público:

PSD reduzido a três simples

«Em nome da verdade

Realizou a Aximage uma sondagem política entre os dias 9 e 15 de janeiro que foi publicada no Jornal de Notícias, no Diário de Notícias e na TSF.

Nessa sondagem era perguntada a intenção de voto nas eleições presidenciais e, se houvesse eleições legislativas, em que partidos os entrevistados votariam.

A intenção de voto nas presidenciais foi publicada no dia 22 de Janeiro e nela eram apresentados os seguintes resultados (entre parêntesis os resultados efetivamente obtidos nas urnas de voto):

Marcelo Rebelo de Sousa: 59,7% (60,7%)

Ana Gomes: 15,4% (13%)

André Ventura: 9,7% (11,9%)

João Ferreira: 5% (4,3%)

Marisa Matias: 4,3% (3,9%)

Tiago Mayan Gonçalves: 3,3% (3,2%)

Vitorino Silva: 1,5% (2,9%)

Como se pode ver, a sondagem acertou na ordenação dos candidatos e a diferença entre a projeção e o resultado final do candidato vencedor foi de apenas um ponto percentual.

No dia 26 de janeiro, foram publicados pelo JN, DN e TSF, os resultados da sondagem sobre a intenção de voto em eleições legislativas. Recordamos que a sondagem foi realizada entre os dias 9 e 15 de janeiro.

Por se achar interessante o exercício, cruzou-se a intenção de voto nas presidenciais com a intenção de voto nas legislativas. Como é evidente, tratou-se de uma operação efetuada exclusivamente com os dados da sondagem.

A determinação da intenção de voto resulta de uma operação independente de qualquer resultado (real ou estimado) das presidenciais, pois para além de ser descabido, não tem qualquer suporte metodológico.

O PSD decidiu pegar numa parte dos dados publicados pela Aximage, concretamente o cruzamento das intenções de voto presidencial para intenção de voto legislativo, e aplicar sobre eles operações aritméticas simples, no caso uma regra de três simples. A utilização desta regra não é válida e provocou uma distorção dos resultados. Por outro lado, fê-lo partindo dos resultados da eleição presidencial, e não dos resultados obtidos pela Aximage referentes à intenção de voto presidencial. Ao alterar a base, alterou também os resultados.

Percebe-se que os resultados tenham causado tanta crispação. Se a intenção de voto nas presidenciais se mostrou acurada, é expectável que os dados de intenção de voto nas legislativas também o estejam. Foram os mesmos entrevistados, a mesma metodologia e o mesmo tratamento de dados.

Não culpem o mensageiro e não deitem mão a operações intelectualmente desonestas. Tentar negar a tendência, que várias empresas de sondagens têm vindo a apurar, não passa de um ato falhado.

João Fonseca Ferreira e Hugo Mouro, Aximage»


in PSD contesta sondagem mas faz mal as contas

Rádio Televisão do Pulha

«Dispara o pivô: “Temos informações de familiares que nos dizem que foram informados por médicos do Santa Maria de que o seu familiar, que está doente, por ter 70 anos, se houvesse algum problema não iria para os cuidados intensivos” (sic).

Responde o diretor clínico do Centro Hospitalar Lisboa Norte: “Isso é totalmente falso. Não há nenhum critério etário para admissão em cuidados intensivos ou em qualquer outra unidade de internamento.” Enfatizou o “totalmente” e o “nenhum”.

Como reage o pivô? Insiste? Aprofunda? Diz quando e com quem? Nada disso: muda de assunto. Nem tenta contrapor. Na mesma entrevista, momentos antes, tinha atacado: “Como se explica tanta desorganização no Santa Maria?”. Responde o médico que a desorganização não fora no hospital, mas a montante. Uma vez mais, o jornalista não tem como justificar a acusação ao Santa Maria. Aliás, também o confronta com o facto de doentes e bombeiros, retidos nas ambulâncias em fila de espera, estarem “horas sem comer nem beber”, como se a distribuição de alimentos fosse tarefa do diretor clínico.

Aconteceu na passada sexta-feira, no Telejornal, na RTP1, no serviço público de televisão e com José Rodrigues dos Santos, principal rosto da informação da estação. No canal onde mais se espera e exige sobriedade e rigor, dão-se como certas informações e juízos que, afinal, não resistem ao menor contraditório.

Numa emissão em direto, usar informações não confirmadas sobre um iminente abandono à sua sorte dos maiores de 70 não é aceitável, nem sob a forma de pergunta. A gravidade é tal que o jornalista, se acreditava no valor da sua informação, não poderia ter pura e simplesmente desistido do confronto. Deveria, aliás, ter providenciado para que a redação investigasse – a fundo – a veracidade de tão relevante dica.

Mesmo num serviço noticioso em que já abunda a adjetivação e é cada vez mais editorializado (por alguns dos apresentadores), deixar no ar a suspeita de estarmos a caminho de deixar morrer doentes, é passar para lá do expectável. O confronto, o “espremer” dos convidados, não é o fim último das entrevistas.

Mandam as regras do jornalismo que se façam todas as perguntas, cómodas ou incómodas, para se obter informação. Para obter informação. Não para ganhar ao entrevistado. Não para ser sensacionalista.»


[…]

Um vírus na Informação

Começa a semana com isto

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Para além de se falar numa das obras mais originais da literatura e cultura portuguesas, ou até da cultura europeia, o Leal Conselheiro, e de se poder ouvir Pacheco Pereira a dizer banalidades a respeito, esta peça videográfica oferece uma jóia de rara beleza aos 3 ou 4 malucos que vão seguir o meu conselho: dar toda a atenção a Fernando Paulo do Carmo Baptista, o qual entra em cena aos 40 minutos (mais segundo menos segundo).

Quem é a figura? Pois é um filólogo com vasto currículo no campo do ensino e da investigação. Porém, aposto os 10 euros que tenho no bolso em como ninguém neste pardieiro alguma vez tropeçou no seu nome. Ocasião raríssima para desfrutar de um dos últimos cultores da oratória sermonária neste planeta digitalizado, uma civilizadora arte teatral ao serviço dos textos ideológicos e retóricos como já nem nas missas da Igreja Católica se encontra. Também a não perder é o momento esdrúxulo em que se refere a Trump e a Biden&Kamala, passagem a anteceder a revelação de que Cristóvão Colombo é nosso e que a sua chegada às Américas se deve a certa senhora de Viseu.

Uma maravilha de exaltação do Portugal mítico e poético (mas só para apreciadores).