PSD reduzido a três simples

«Em nome da verdade

Realizou a Aximage uma sondagem política entre os dias 9 e 15 de janeiro que foi publicada no Jornal de Notícias, no Diário de Notícias e na TSF.

Nessa sondagem era perguntada a intenção de voto nas eleições presidenciais e, se houvesse eleições legislativas, em que partidos os entrevistados votariam.

A intenção de voto nas presidenciais foi publicada no dia 22 de Janeiro e nela eram apresentados os seguintes resultados (entre parêntesis os resultados efetivamente obtidos nas urnas de voto):

Marcelo Rebelo de Sousa: 59,7% (60,7%)

Ana Gomes: 15,4% (13%)

André Ventura: 9,7% (11,9%)

João Ferreira: 5% (4,3%)

Marisa Matias: 4,3% (3,9%)

Tiago Mayan Gonçalves: 3,3% (3,2%)

Vitorino Silva: 1,5% (2,9%)

Como se pode ver, a sondagem acertou na ordenação dos candidatos e a diferença entre a projeção e o resultado final do candidato vencedor foi de apenas um ponto percentual.

No dia 26 de janeiro, foram publicados pelo JN, DN e TSF, os resultados da sondagem sobre a intenção de voto em eleições legislativas. Recordamos que a sondagem foi realizada entre os dias 9 e 15 de janeiro.

Por se achar interessante o exercício, cruzou-se a intenção de voto nas presidenciais com a intenção de voto nas legislativas. Como é evidente, tratou-se de uma operação efetuada exclusivamente com os dados da sondagem.

A determinação da intenção de voto resulta de uma operação independente de qualquer resultado (real ou estimado) das presidenciais, pois para além de ser descabido, não tem qualquer suporte metodológico.

O PSD decidiu pegar numa parte dos dados publicados pela Aximage, concretamente o cruzamento das intenções de voto presidencial para intenção de voto legislativo, e aplicar sobre eles operações aritméticas simples, no caso uma regra de três simples. A utilização desta regra não é válida e provocou uma distorção dos resultados. Por outro lado, fê-lo partindo dos resultados da eleição presidencial, e não dos resultados obtidos pela Aximage referentes à intenção de voto presidencial. Ao alterar a base, alterou também os resultados.

Percebe-se que os resultados tenham causado tanta crispação. Se a intenção de voto nas presidenciais se mostrou acurada, é expectável que os dados de intenção de voto nas legislativas também o estejam. Foram os mesmos entrevistados, a mesma metodologia e o mesmo tratamento de dados.

Não culpem o mensageiro e não deitem mão a operações intelectualmente desonestas. Tentar negar a tendência, que várias empresas de sondagens têm vindo a apurar, não passa de um ato falhado.

João Fonseca Ferreira e Hugo Mouro, Aximage»


in PSD contesta sondagem mas faz mal as contas

2 thoughts on “PSD reduzido a três simples”

  1. O Rui Rio tem duas hipóteses: ou avança com um projecto de lei soviético para amordaçar as empresas de sondagens ou cria “A Laranjinha das Sondagens”, uma empresa de estudos de opinião que lhe seja favorável. Caso contrário, meta uma rolha.

    Há em Portugal quem se queixe sistematicamente das sondagens e das empresas que as fazem, desde que elas existem. São sempre os mesmos. Vala a pena recordar.

    Em julho de 2009, o Portas foi-se queixar ao Cavaco das sondagens. Exigia (no lugar errado) legislação para regulamentar as empresas de estudos de opinião. Chegou a defender um sistema de controlo semelhante ao da ASAE para perseguir os fabricantes de produtos “viciados” que aparecem no mercado.

    No parlamento, o liberalíssimo CDS, pela voz do Mota da lambreta, queria simplesmente proibir as sondagens durante toda a campanha eleitoral.

    O PS era contra qualquer proibição e não avançou com nenhum projecto de regulação das empresas de sondagens.

    O PSD, muito descontente com as sondagens (já naquele tempo), pedia uma “reflexão” sobre o assunto, mas achava que a proposta do CDS era “um retrocesso de 20 anos em Portugal” (20 anos antes, em 1989, não tinha acontecido rigorosamente nada e era o PSD de Cavaco que governava com maioria absoluta).

    O PCP era de opinião idêntica à do CDS, mas com proibição de sondagens só na “recta final” da campanha.

    O Bloco rejeitava a proposta do CDS, mas queria auditorias às empresas e “revisão das competências da entidade reguladora”, ou seja, mais competências burocráticas para controlar as sondagens.

    Quem quiser ter a pachorra de ler: https://www.rtp.pt/noticias/politica/cds-pp-defende-regulacao-de-sondagens-em-audiencia-com-cavaco-silva_n230863

  2. não se percebe nada no artigo. suponho que era isto : dado terem tanto nas presidenciais , aplicando a regra do 3 simples a esses números , deveriam ter tanto nas legislativas , certo? omg !!! o pior é que a malta do ps era capaz de raciocinar da mesma maneira.
    o spss dá para fazer tudo , of course , até para cruzar mini saias com o covid. enfim.

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