
Santiago do Cacém em 1911 não era Alentejo
Acabei de ler com prazer e proveito um livro de Violante Florêncio sobre as narrativas para a infância dos escritores neo-realistas. Nada a dizer no plano geral da concepção do ensaio e da informação nele contida. Mas um pormenor na biografia de Manuel da Fonseca acendeu-me uma luz vermelha. Eu sabia que em 1911 Santiago do Cacém pertencia à Estremadura e não era, portanto, Alentejo (como vem no livro) mas faltava-me a prova. Telefonei a diversos amigos licenciados em Geográficas mas ninguém tinha a resposta pronta. Todos tinham uma ideia mas nenhum a concretização dessa ideia. Ontem, numa visita a um velho alfarrabista (A Barateira) apresentei o assunto e minutos depois tinha na mão a resposta: o livro «Lições de Geografia» para o Ensino Primário Geral (4ª e 5ª classes) dos professores Faria Artur e Dias Louro, uma edição sem data das Livrarias Aillaud e Bertrand feita de acordo com o decreto de 15-2-1921.
Entre as páginas 38 e 39 lá vem um belo mapa a cores de Portugal com as suas províncias tal com eram em 1921. A Estremadura começa em Vila Nova de Ourém e acaba em Sines. Isto (acaba em Sines) porque o distrito de Lisboa tinha como limites a norte Cadaval e Lourinhã e a sul Sines e S. Thiago do Cacém – era esta a grafia. Grândola e Alcácer do Sal também eram da Estremadura e Setúbal, embora fosse já uma cidade importante, não deixava de pertencer ao distrito de Lisboa.
Só nos anos 30, com a reformulação das províncias portuguesas levada a cabo pelo Estado Novo (que era chefiado por um velho que nunca foi jovem mesmo quando era novo) é que Santiago do Cacém passou para o Alentejo. Está tudo no livrinho.



