«30 Anos de mau futebol» de João Pombeiro
Num livro com frases de jogadores, árbitros, treinadores, dirigentes ou jornalistas é muito difícil escolher a mais disparatada. A de Lourenço Pinto é uma proposta: «Todos os árbitros são sérios. O mundo do futebol é um mundo pacífico, é um mundo de respeito». Na verdade, neste mundo poliédrico, o futebol pode ser uma vigarice («Quando saí deixei uma gaveta cheia de bilhetes de identidade, passaportes, cédulas e certidões de nascimento falsificadas») ou uma confusão («O futebol é uma selva») mas também uma porcaria («A porcaria que existe na Federação tem de ser varrida») ou uma máfia: «O futebol português não é uma máfia porque uma máfia exige organização». Ou então foco de palavras e expressões insólitas: Artur Jorge («Em todos os jogos fizemos coisas bonitas»), Carlos Padrão («O sonho comanda a vida…vamos lutar até à morte. Desculpe o pleonasmo»), Luís Filipe Vieira («A boca morre pelo peixe»), Paulo Sousa («Certo dia Csernai atirou-me com esta – Se queres voltar a jogar traz-me um presunto e uns garrafões de vinho tinto lá da tua terra») ou ainda Hernâni Gonçalves: «O bitaite é assim uma coisa doce, um sweet-nothing, algo que não é grande mas que pode ser profundo».
Futebol pode ser também delírio ou alucinação. Seja de Vale e Azevedo («Quando o Benfica vence as pessoas sentem-se mais realizadas, o trânsito flúi melhor e há mais produtividade»), seja de Pimenta Machado («Então vocês nunca ouviram dizer que o que hoje é verdade amanhã pode ser mentira?», seja Miguel Sousa Tavares («O 25 de Abril só se concretizou quando o F.C. Porto foi campeão») ou de novo Vale e Azevedo: «Pretendo ser não um mecenas mas uma espécie de Sílvio Berlusconi do Benfica».
(Editora: Quetzal, Ilustrações: Pedro Vieira)
