Vinte Linhas 424

Do Rei Leão ao gato de Fernanda

Quando em 1994 a Disney realizou «The Lion King», a sua 32ª longa-metragem, quase ninguém reparou mas pela primeira vez a história baseava-se num argumento original e não numa fábula ou num clássico da literatura infanto-juvenil. Ao mesmo tempo a banda sonora era entregue a Elton John e Hans Zimmer, fazendo inundar o ecran de frescura em melodias e em canções inesquecíveis como «Cicle of live», «Hakuna Matata» ou «Can you feel the love tonight». Dois Óscares e três Globos de Ouro foram um prémio merecido mas o maior prémio é, ainda hoje em 2009, se ouvir com prazer e com agrado esta banda sonora. Diz a lenda que os gatos foram criados quando a Arca ficou infestada de ratos. Noé ordenou que os leões espirrassem e do espirro dos leões nasceram os gatos. Deles se diz que são símbolo da luxúria e da preguiça, da hipocrisia e da astúcia, da independência e da liberdade ou seja (numa síntese) «o animal feminino por excelência».

O gato de Fernanda não pára de olhar pela janela; a ser verdade a tradição, vai chover dentro de pouco tempo. Mas se em vez de chuva for mau tempo então o gato dormirá com as quatro patas escondidas debaixo do corpo. Desde sempre associados aos homens do mar (diz-se que foram os gatos dos marinheiros que em Veneza mataram os ratos que traziam a peste do Oriente) vejo no olhar de Fernanda, numa janela do seu terceiro andar, uma torre de comando de um navio. Os marinheiros acreditavam que o gato traria vento se saltasse e traria a chuva se espirrasse. No vidro da cozinha (da torre de comando do navio) Fernanda sorri, corre as cortinas e devolve com ternura ao olhar do gato uma nova carícia antes de se despedir a caminho do consultório.

5 thoughts on “Vinte Linhas 424”

  1. Tenho saudades dos meus gatos.Ao longo dos anos,passearam lá por casa vários gatos que, como todos eles,tomaram conta da casa e mandavam orgulhosamente na nossa vida.O Gato-assim lhe chamou a minha filha Maria quando o trouxe para casa, perdido que estava nas traseiras da nossa casa foi o primeiro. Depois ,veio o Nhoque(assim mesmo),um amarelo enorme e meiguissimo que dormia regalado ao nosso colo.O Peste-assim chamado porque pintava a manta a brincar com tudo e todos branco de neve.Foram ficando e morreram de velhice e sempre muito amàdos.A seguir veio o Spif-nome de astronauta de uma série de banda desenhada-era completamente louco mas tambem meigo como tudo.Por ultimo o Black, um vadiozinho que apanhámos numa quinta ao pé de nós e que esteve 3 anos connosco mas não resistiu à infancia na rua e morreu sem nada conseguir-mos fazer por ele.Agora temos uma cadela- Tecas de seu nome,que adora gatos e apesar de ser arraçàda de galgo também é muito meiga. Cá em casa sempre houve algum animal, e sempre foram tratàdos como gente

  2. É “mansa” a sua cadela,amigo António ?
    Eu de gatos tive uma, a Briosa, negra como o carvão, mas de cães eu tenho medo, até da Tecas, vagamante galga e meiga com os gatos !
    Os meus cumprimentos
    Jnascimento

  3. tão lindo este texto. ai, zézinho. :-)

    (a val até ficou gata de ciúmes. mas eu estou, entretanto, a dizer-lhe que dos espirros duma dragona saem, apenas, cadursonas.) :-)

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